ENTRE SOMBRAS E CÓDIGOS

13 Capítulo 13 – A Caçada Começa


O carro preto cruzou os portões da base ao entardecer.

Clary e Alex voltavam da folga. Corpo relaxado, alma acesa… mas o olhar de ambos agora era outro: vigilante, pronto.

Na entrada, já os aguardavam três figuras conhecidas: Nate, Billy e Arthur. Todos encostados num jipe, com sorrisos maliciosos e expressões nada discretas.

— Olha só quem voltou com a aura mais leve — disse Nate, abrindo os braços — Isso aí foi folga ou lua de mel disfarçada?

Clary desceu do carro com um sorriso vitorioso, ignorando propositalmente os comentários.

— Aprendi que o silêncio fala mais alto.

— E que andar com o cabelo bagunçado e a pele brilhando não ajuda a esconder nada — completou Billy, rindo.

Arthur assobiou.

— Se ela voltou andando devagar, é porque ele finalmente cedeu.

Alex passou por eles sem parar, mas lançou uma frase seca por cima do ombro:

— Continuem. Tô contando quantos dentes ainda tenho pra quebrar.

A risada coletiva ecoou no pátio.

Horas depois, na sala de inteligência, Clary digitava com a mesma precisão de sempre, agora com seus dois braços livres. O monitor exibia arquivos internos, listas antigas da divisão onde Alex havia servido.

— Ele não tá sozinho. Alguém de dentro está alimentando esse cara com informações — ela disse, os olhos focados, a mente em modo caça.

— Tem ideia de onde começar? — perguntou Alex, observando-a.

— Já comecei. Se ele quer brincar com hackers… vai aprender do jeito difícil.

Enquanto ela decifrava rastros digitais e vazamentos internos, Alex organizava silenciosamente sua própria lista.

— Vai mesmo? — Nate perguntou, vendo o olhar sombrio do amigo.

Alex respondeu sem hesitar.

— Vou eliminar cada peça no tabuleiro antes que eles pensem em tocar nela de novo.

Do outro lado do mundo digital, uma mensagem encriptada circulava entre criminosos.

“Ela é frágil. Emocional. A ferida perfeita. Toquem nela. E o assassino quebra. Fácil. Previsível.”

Mas o que eles não sabiam…

Era que Clary ouvia.

Clary via.

E Clary entendia como acabar com eles antes mesmo que percebessem.

E agora, ela tinha alguém ao lado dela que não apenas sabia matar…

Sabia desaparecer com corpos sem deixar rastros.

**

Mesmo com eles caçando quem era o traidor e quem estava por tras das ameaças, as missões não paravam

Era para ser simples: capturar um alvo com mandado internacional que se escondia numa cobertura de luxo. Mas a entrada estava armada com sensores térmicos e drones automatizados.

Clary, do centro de comando, monitorava tudo.

— Arthur, muda a temperatura do traje. Você tá acendendo igual uma árvore de Natal.

— Clary, o corredor da direita está limpo. Billy, encosta.

— Alex, seu alvo acabou de sair do banheiro com uma arma. Três metros à esquerda.

Dois tiros. Um impacto. Um alvo neutralizado.

Missão limpa. Equipe ilesa.

Missão 2 – Fronteira Vermelha

Na segunda, o esquadrão interceptou um carregamento de armas biológicas na fronteira. Era uma emboscada.

— Mudança de rota, agora! — Clary gritou no rádio. — Se forem por ali, vão ativar uma mina por sensor de vibração!

Eles seguiram a nova instrução. Escaparam com poucos arranhões.

No relatório final, o comandante auxiliar comentou:

— A hacker não é o cérebro do esquadrão. É o instinto dele.

**

Clary estava no centro de monitoramento, atualizando planilhas e cruzando dados, o rosto calmo, mas focado.

Foi quando a voz que ela mais evitava ouvir soou às suas costas.

— Então é verdade.

Ela se virou devagar. Joe.

— Verdade o quê?

— Que você agora é o brinquedinho de Alex Hunter.

O sangue de Clary gelou.

— Eu sou parte do esquadrão de elite. Salvei cada missão que você mandou gente morrer tentando resolver. E ainda assim... isso é o que você pensa?

Joe a encarou, mas a voz veio fria:

— Alex é calculista. Ele não se apega. Você é só um momento de fraqueza pra ele. Alguém fácil. Acesso rápido.

Clary engoliu seco, tentando manter a calma.

Mas antes que pudesse responder, uma presença silenciosa invadiu o ambiente.

Alex.

Ele parou ao lado dela, o rosto frio como gelo, mas os olhos pegando fogo.

— Repete isso — disse ele, a voz baixa, controlada.

Joe o encarou.

— Eu disse que você não passa de um homem aproveitador, e ela...

— Ela é a razão de eu respirar. — Alex o cortou, sem piscar.

Silêncio.

— Ela é mais inteligente que qualquer agente que você já comandou, inclusive você. Ela pensa três passos à frente, tem a coragem de encarar a própria dor todos os dias, e ainda sorri.

Joe ficou mudo.

— E se você acha que ela é "fácil", é porque nunca teve capacidade de entender o que é amar alguém de verdade. Porque se tivesse… teria percebido que perdeu a melhor parte de si quando parou de chamá-la de filha.

Joe abriu a boca para responder, mas nada saiu.

Alex se virou para Clary, a voz agora suave.

— Você não tem que provar nada pra ele. O orgulho que ele não sente é o vazio dele. Não o seu.

Clary respirou fundo, os olhos marejando, mas firmes.

Joe saiu em silêncio.

E Clary, naquele instante, percebeu que ela já tinha a família que sempre precisou:

Um time que a respeitava.

Irmãos que a protegiam.

E um homem que, diante de tudo e todos, escolhia ficar… por ela.