ENTRE DIAMANTES E DESTINOS

6 Capítulo 6 – Intenções


A tarde avançava lentamente, e Lucca Palezo estava trancado em sua sala, girando entre os dedos um colar de diamantes exclusivo da nova coleção.

A peça era refinada: pedras pequenas, cravadas com precisão, e um pingente central que lembrava uma chama invertida. Ele o havia separado para um desfile, mas agora o encarava com um olhar diferente.

“Ficaria bonito no pescoço dela.”

A ideia surgiu do nada. E ele a odiou por isso.

Ou fingiu odiar.

— Você está encarando esse colar como se ele tivesse te insultado. — disse Harry, entrando com um copo de café e o costumeiro ar de provocação.

— Tenho um evento na sexta. Aquela festa idiota da alta joalheria. Baile de máscaras.

— Festa idiota que você é obrigado a comparecer porque é um dos maiores nomes do setor, né?

— Justamente.

— Vai sozinho? Ou vai levar a sombra da sua frieza como acompanhante?

Lucca não respondeu. Apenas continuou girando o colar entre os dedos, o pensamento voltando para o olhar surpreso de Hana no dia anterior… e para o bilhete.

Nesse momento, a porta se abriu com uma batidinha suave.

— Com licença… o relatório sobre a nova peça está pronto. — Hana disse, entrando com passos contidos.

Lucca levantou os olhos, observando-a.

Ela estava diferente. Menos tensa. Mas ainda carregando o peso invisível que ele agora reconhecia… e não tolerava mais nos outros.

— Srta. Smith. — disse, interrompendo o silêncio da sala. — Tem compromisso na sexta-feira?

Ela hesitou, confusa com a pergunta direta.

— Sexta? Não. Por quê?

Ele se levantou, cruzando os braços.

— Use um vestido de gala. Vai ao evento comigo.

Hana piscou.

— Como assim…?

— É um baile de máscaras. Presenças obrigatórias. E você será minha acompanhante.

Harry, atrás dela, abafou uma risada e tossiu.

— Oh… isso vai causar um colapso no departamento de fofocas, chefe. E no sistema nervoso dela. — completou, piscando para Hana, que ainda tentava processar.

— Eu… não tenho roupa pra esse tipo de lugar.

— Terá. — disse Lucca. — Harry vai resolver isso. Escolha algo que combine com diamantes.

Ela ficou de pé, imóvel.

— Você está me… me obrigando?

— Estou te convidando do meu jeito.

— Que jeito esquisito.

Lucca sorriu de canto.

— Já deveria saber que eu não funciono como as pessoas normais.

Harry deu dois passos para trás, antes de sair pela porta e soltar:

— “Use um vestido de gala.” A mulher só foi entregar um relatório, chefe, e saiu com um convite pra um baile e uma taquicardia. Parabéns.

A porta se fechou.

Hana ainda estava ali, meio atônita.

— E se eu disser que não vou?

— Vai. Porque apesar de tudo... confia em mim.

Ela ficou em silêncio. Mas o coração dela já tinha dito sim antes mesmo da cabeça entender.

E Lucca... sabia disso.

~*~

— “Use um vestido de gala.” — Hana repetia em voz baixa, andando de um lado para o outro no pequeno apartamento.

Era surreal.

Ela tinha entrado na sala de Lucca para entregar um relatório... e saiu com um convite meio ameaçador pra um baile de máscaras, em um evento de gala internacional.

O coração dela ainda estava tentando entender o que isso significava.

Por que ele pensou em mim?

No dia seguinte, Harry apareceu em sua mesa com a empolgação de uma fada madrinha… só que com terno slim fit e um sorriso maroto.

— Miss Smith, temos uma missão! — anunciou, jogando uma pasta sobre a mesa. — Vestido, máscara, sapato e cabelo. Tudo será providenciado. Só me diga: quer algo mais “elegante e discreta” ou “fatal e destruidora de egos”?

— Eu só quero... sobreviver à noite.

— Discreta e elegante, então. Que pena. — ele riu. — Mas mesmo assim, vamos brilhar.

Hana abriu a pasta e arregalou os olhos. Os croquis eram de vestidos dignos de tapete vermelho, com tecidos nobres e cortes impecáveis. Um deles, em especial, chamou sua atenção: um vestido longo azul escuro, com ombros nus e uma leve transparência na saia inferior, coberta por detalhes em renda delicada.

— Esse… é lindo. — sussurrou.

— Vai ser seu. E a máscara? — ele puxou outra folha. — Temos três opções. Eu gostei dessa aqui. Azul combinando com o vestido, com bordados em prata. Meio misteriosa, meio encantadora.

— Você faz isso com frequência?

— Transformar funcionárias desvalorizadas em rainhas de baile? Quase nunca. Mas por você… vale a pena.

Do outro lado da cidade, Lucca estava em seu closet.

Ele encarava suas gravatas, uma por uma, até os olhos pousarem na única que ainda estava na caixa original: a que Hana lhe deu.

Preta, com toques sutis de dourado e azul.

Combinava com o vestido que ele tinha mandado confeccionar para ela… e isso o irritava profundamente.

— Ridículo. — resmungou, pegando a caixa. — Isso é só um pedaço de tecido.

Mas ele já estava separando o terno que combinava com ela.

Harry entrou no quarto como quem não precisa bater.

— Só queria avisar que o vestido dela ficou pronto. — disse casualmente. — Ah, e ela vai tirar o fôlego.

Lucca não respondeu. Apenas ajeitou a gravata sobre o terno como quem testava algo sem querer se apegar.

— Gravata nova? — Harry perguntou, já sabendo a resposta.

— É só coincidência.

— Claro que é. Coincidência. Como duas almas destinadas que se esbarram em um baile de máscaras.

— Harry...

— Tô indo. Tô indo! Só… cuidado com essa noite, chefe. Às vezes… máscaras revelam mais do que escondem.

Lucca ficou em silêncio, olhando o reflexo no espelho.

E pela primeira vez… se perguntou o que veria refletido no olhar de Hana por trás daquela máscara.