ENTRE DIAMANTES E DESTINOS
23 Capítulo 23 – Brilho
O retorno à cidade após a viagem foi triunfante. Os funcionários voltaram revigorados pela semana de folga, mas nada superava a aura diferente que envolvia Lucca e Hana.
Mais sorrisos. Mais toques. Mais olhares silenciosos que diziam tudo.
Harry até comentou:
— Alguém aí tá mais leve... será o clima marítimo ou o clima entre os lençóis?
Lucca parecia determinado a valorizar tudo o que Hana representava para ele, e por isso, escolheu um evento de gala da elite empresarial para fazer o anúncio oficial.
O salão era luxuoso, com lustres de cristal, música ao vivo e convidados influentes de todos os cantos.
Hana estava deslumbrante num vestido azul escuro, justo e sofisticado, com o cabelo preso de forma elegante.
Lucca estava com aquele ar de CEO sexy, mas com um brilho no olhar reservado apenas para ela.
Durante os brindes e apresentações, ele subiu ao palco ao lado de Hana, com um sorriso contido que surpreendeu até os mais próximos.
— Senhoras e senhores — começou ele, com a taça em uma mão e a outra firme na cintura de Hana, — nos negócios, há parcerias valiosas... Mas nenhuma delas se compara ao que encontrei ao lado dessa mulher. É com orgulho que anuncio meu noivado com a senhorita Hana Smith — a mulher que conquistou meu respeito, minha admiração... e meu coração.
O salão explodiu em aplausos, brindes e assobios. Harry gritou lá do canto:
— ALELUIA, ELE TEM UM CORAÇÃO!
Hana corou, sorriu, e os dois brindaram com um beijo discreto, porém cheio de ternura.
Mas... no canto do salão, o clima era outro.
Com um vestido dourado colado ao corpo, batom vermelho sangue e olhos frios, Clarice, a ex-noiva, observava cada detalhe como se estivesse gravando mentalmente a cena para um ataque futuro.
Quando o beijo aconteceu, ela apertou a taça com tanta força que o vidro estalou.
— Aquela vadiazinha insignificante... — murmurou entre dentes, os olhos cravados em Hana.
Sangue escorria por entre seus dedos, mas ela não parecia notar.
Ela respirou fundo, fingiu um sorriso para uma socialite ao lado e sussurrou:
— Vamos ver quanto tempo esse conto de fadas aguenta.
Lucca, ainda no palco, olhou ao redor e sentiu um arrepio estranho percorrer sua nuca. O instinto de proteção surgiu como um aviso silencioso, mas por ora, ele apenas reforçou o aperto em Hana, dizendo baixinho:
— Se algum dia algo ou alguém tentar tirar você de mim... eu transformo o mundo em cinzas.
E Hana, sem entender o porquê do tom tão sério, apenas sorriu e respondeu:
— Nada pode me tirar de você, Lucca.
Mas nas sombras do salão.Alguém jurava que ia tentar.
~*~
A tarde estava leve, com direito a risadas sinceras e clima de amor.
Hana, Mya e Lucy — sogra e avó — estavam encantadas com os preparativos do casamento.
Entre uma loja e outra, decidiram parar em um restaurante elegante no centro da cidade.
O garçom as acomodou em uma mesa com vista panorâmica, e o clima era de pura cumplicidade feminina.
— Ele está cada dia mais perdido por você, querida — disse Mya, sorrindo.
— E pensar que o Lucca jurava que morreria solteiro — completou Lucy rindo baixinho.
Hana, tímida, apenas balançava a cabeça, o coração leve.
Porém, nem só o amor tem boa pontaria.
Pouco depois do pedido ser feito, o som de saltos furiosos tomou o restaurante.
Clarice.
Vestida como se fosse a estrela de um filme — ou de um surto. Ela caminhava como se tivesse o restaurante em nome próprio, parando diretamente na frente de Hana.
— Você tem mesmo coragem, né? — disparou com os olhos ardendo. — Se exibindo por aí com o que é MEU!
Hana ergueu os olhos com calma, colocou a taça de água na mesa e cruzou as pernas com a elegância de uma princesa... ou de uma CEO que sabe jogar.
— Boa tarde, Clarice. Engraçado... achei que você teria um pouco mais de dignidade. Mas parece que perdeu isso junto com o respeito próprio.
A mesa congelou. Mya ergueu uma sobrancelha. Lucy bebeu um gole de vinho, como quem assiste a um bom espetáculo.
— Você se acha especial, não é? — rosnavou Clarice. — Mas não passa de uma aproveitadora! Se deitou com ele e ganhou um anel. Parabéns!
Hana inclinou levemente o corpo pra frente, o olhar firme e a voz doce... afiada como navalha:
— É curioso como você fala tanto sobre cama, Clarice. Talvez porque tenha perdido Lucca justamente numa. — Ela sorriu — Mas não se preocupe, eu não precisei implorar pra ele me amar. Ele apenas... amou. E isso, minha querida, é o que te corrói.
Silêncio total. O garçom até deixou cair um guardanapo no chão.
Clarice foi dar um passo, mas dois seguranças do restaurante — já sinalizados por Lucy — se aproximaram.
— Senhora, pedimos que se retire. Clientes desequilibradas não são bem-vindas.
— VOCÊ AINDA VAI PAGAR POR ISSO! — gritou Clarice, sendo escoltada pra fora enquanto arrastava o salto como um gato molhado.
Horas depois.
Hana chegou em casa sorrindo e descalça, jogando as sacolas na poltrona. Lucca a esperava com um vinho aberto e o olhar alerta.
— A vovó contou tudo. Mas quero ouvir da sua boca.
— Ah, então ela te mandou as fotos também? — riu Hana.
— Sim. E só tenho uma coisa a dizer. — Lucca se aproximou, pegou o queixo dela com os dedos e sussurrou:
— Você se superou, minha rainha
— Aprendi com o melhor — disse Hana, o puxando para um beijo demorado.
~*~
A mansão estava cheia de pastas, amostras de tecido, catálogos de floricultura, fichas de buffet, lista de convidados, quadros de organização, e uma Hana... entrando em colapso emocional decorativo.
Ela estava sentada no chão da sala, rodeada por folhas espalhadas, mordendo a tampa da caneta e com um coque bagunçado que gritava: “socorro, eu só queria fugir com meu noivo e casar na praia.”
— Lucca! — gritou, com a voz embargada. — Você tem noção de quanta coisa tem que ser decidida?! Eu não sei se escolho flores brancas ou champanhe, se a entrada da festa vai ter cortina ou veludo, e ainda tem a playlist, os convites, a lista VIP, o tipo de arroz que vão jogar!
Lucca entrou calmamente na sala, com uma taça de vinho na mão e a cara mais cínica do universo.
— Amor, você está exagerando. Olha só pra você... parece que foi atropelada por uma loja de papelaria.
— LUCCA! — ela se levantou num pulo. — Você não está me ajudando em nada! Isso aqui é um casamento! Nosso casamento!
Ele, com aquele sorrisinho torto e a calma dos que sabem que vão se ferrar, soltou:
— Mas meu papel já está claro: eu sou o noivo. Só tenho que aparecer no altar com um terno bonito e um olhar apaixonado.
Silêncio mortal.
Hana o encarou por três segundos e levantou o dedo:
— Uma semana.
— Uma semana do quê?
— Uma semana de castigo. Sem beijos. Sem abraços. Sem cafuné. Sem… sem NADA. Nem encostar a mão no meu cabelo você vai!
Lucca ficou em choque, quase derrubando a taça de vinho.
— Você tá brincando.
— Estou com cara de quem tá brincando, Lucca Palezo?
Quatro dias depois.
Lucca estava um trapo.
Harry passou por ele com um copo de café e comentou:
— Você parece um viciado em abstinência.
— Harry... ela dorme de costas pra mim, Harry. EU NÃO AGUENTO MAIS.
— Devia ter ajudado a escolher o arroz, né?
No quinto dia, Lucca tentou barganhar.
Apareceu com flores, com chocolate, com massagem nos pés.
Hana sorriu com ar vitorioso, agradeceu... e nada.
No sexto dia, ele explodiu.
— CHEGA! Eu sou o homem mais poderoso do mercado de joias, mas tô implorando pra minha noiva olhar pra mim com desejo de novo!
— E eu sou a mulher que escolheu flores brancas SOZINHA! — rebateu Hana, de braços cruzados.
No sétimo dia, ele apareceu com uma caixa grande e misteriosa.
— O que é isso?
— Seu alívio... e o meu. Mas só abro se o castigo acabar.
Hana, curiosa e desconfiada, cedeu com um olhar de aviso.
Dentro da caixa, um par de tênis personalizado com os dizeres bordados à mão:
“Hana Palezo – a dona do meu juízo.”
— Você é um idiota — ela disse, rindo.
— Sim. Mas sou o idiota apaixonado por você.
— Castigo encerrado.
E o beijo que veio em seguida… ah, esse nem o Harry teve coragem de interromper.
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