ENTRE DIAMANTES E DESTINOS

15 Capítulo 15 — A Joia Que Ninguém Pode Quebrar


O dia estava ensolarado, mas a tensão pairava no ar. Após os acontecimentos recentes, todos na empresa andavam mais contidos ao redor de Lucca Palezo — e ainda mais cuidadosos com cada olhar lançado a Hana Smith. A notícia de que o apartamento dela havia sido incendiado havia se espalhado como um sussurro venenoso nos corredores, e embora nada tivesse sido comprovado, Lucca deixara bem claro, em alto e bom tom, durante uma reunião geral:

— A empresa está colaborando com as investigações. Há fortes indícios de que o incêndio não foi acidental. Qualquer informação ou fofoca maldosa sobre a senhorita Smith será tratada como cumplicidade em crime. E eu não tenho misericórdia para cúmplices.

O silêncio que se seguiu foi tão denso que dava para ouvir o som do medo sendo engolido em seco por alguns.

Na mesma tarde, Hana apresentaria uma nova coleção interna, criada a pedido de Lucca — mas sem saber que ele já planejava lançá-la mundialmente no trimestre seguinte. Ela passou a manhã inteira focada, os fones de ouvido abafando o mundo, os dedos deslizando pelo papel com elegância, e os olhos acesos como nunca. Cada traço refletia a sua essência — um toque de doçura, outro de dor superada.

Na hora da apresentação, a sala de reuniões estava cheia. Pela primeira vez, os olhares lançados à Hana não eram de deboche ou inveja… eram de curiosidade genuína. E, quando os desenhos surgiram na tela, seguidos da explicação precisa e poética de Hana, a curiosidade virou admiração.

Harry, de braços cruzados, sorriu e murmurou para Lucca:

— Acho que agora o brilho dessa joia tá ofuscando os diamantes da vitrine…

Lucca não respondeu. Apenas manteve os olhos em Hana — tão segura, tão brilhante, tão… dele.

Quando ela terminou, o silêncio reinou por um instante, antes de ser quebrado por palmas, tímidas no início, mas que logo tomaram a sala. Até os funcionários mais resistentes não tiveram como negar: Hana Smith era um gênio criativo.

Depois da reunião, enquanto ela saía sorridente — mesmo tímida como sempre — Lucca permaneceu de pé ao lado de Harry, segurando um dossiê.

— Essa foi a última parte que faltava. Agora tenho tudo.

— Vai começar o ataque?

— Não. Já começou.

No interior daquele dossiê, estavam documentos bancários, contratos fraudulentos e áudios comprometedores. A família Smith havia mexido com a pessoa errada. Hana era a única Smith que realmente valia algo. E agora, o mundo todo começaria a saber disso.

~*~

Três meses se passaram desde a exposição que mudou tudo.

Nesse tempo, Hana já não era mais a "garçonete intrometida" ou a "funcionária protegida". Ela era a mente por trás das novas coleções, o nome que surgia em reuniões de investidores, a assinatura que encantava até os olhos mais frios do mercado.

Mas, se por um lado Hana florescia, por outro... Lucca Palezo estava à beira do colapso.

Três. Meses. Dormindo sob o mesmo teto que ela.

Três meses vendo Hana de shorts curtos, camisolas de algodão, penteando o cabelo ainda molhado após o banho, tropeçando pelos corredores da casa com meias de gatinhos e uma doçura natural que derretia cada camada da muralha de gelo que ele havia construído.

E ela não fazia ideia do que causava.

Ou fingia não saber.

Harry observava tudo com o prazer sádico de um espectador de comédia romântica.

— Chefe... — disse ele em voz baixa certa tarde, cruzando os braços enquanto via Lucca esticar o colarinho da camisa pela terceira vez só naquela hora — Você parece... pressionado. Tenso. Ou talvez... louco de tesão mesmo. Quer uma solução?

Lucca lançou um olhar fulminante.

Harry sorriu.

E foi aí que ele teve a ideia.

No fim do expediente, antes de Hana sair, ele apareceu com um copo de suco gelado.

— É de menta com frutas vermelhas. Relaxa os nervos. Rejuvenesce a alma. Reequilibra o karma. Quer experimentar?

Hana aceitou com um sorriso.

— Você e seus sucos estranhos, Harry.

— Confia em mim.

Alguns minutos depois, Hana chegou em casa antes de Lucca. Estava inquieta. O coração batia mais rápido. A pele parecia sensível demais. E a respiração... errática.

Foi tomar banho, mas sentia a água como agulhas elétricas em cada centímetro do corpo. Sua pele ardia. O corpo pulsava. E uma vontade estranha — absurda, insana — queimava dentro dela.

Quando saiu do banheiro, já vestida com uma blusinha leve e um short mínimo, viu Lucca atravessando o corredor. Molhado. Apenas com uma calça de moletom baixa no quadril. Os cabelos ainda pingavam. O peito nu era uma pintura viva, com músculos definidos e gotas de água deslizando pelas linhas.

Hana travou.

Ou pelo menos... tentou.

Ela não pensou. Agiu.

— Lucca... — sua voz saiu rouca, quase irreconhecível.

Ele se virou. Os olhos estreitos notaram o rubor no rosto dela. E antes que pudesse dizer algo, Hana o empurrou contra a parede, os dedos tocando o abdômen dele com fome.

— O que você está fazendo? — ele murmurou, surpreso, mas não resistindo.

— Eu não sei... — ela sussurrou, subindo no corpo dele como se fosse atraída por um ímã. — Mas se eu não te tocar agora, eu vou explodir.

Lucca segurou os quadris dela, a boca se aproximando perigosamente da dela.

— Você tem ideia do que está fazendo, Hana?

— Eu... eu só sei que te quero.

E ele perdeu o controle. A muralha caiu.

O beijo foi bruto, ardente, molhado. Um encontro de bocas que estavam há meses se desejando em silêncio. Hana gemia entre os beijos, enquanto ele a segurava como se temesse que ela desaparecesse.

Ele a carregou até o quarto. Deitou-a na cama com cuidado e destruiu todas as regras que havia imposto entre eles.

E, naquela noite... não havia mais CEO e funcionária.

Não havia mais gelo e contenção.

Havia só eles dois.

Selando uma paixão que não podia mais ser negada.

Na manhã seguinte, Hana acordou debaixo do lençol com o corpo dolorido de prazer e os braços de Lucca a envolvendo com força. O peito dele subia e descia em um ritmo calmo.

Ela sorriu.

— Você ronca — murmurou.

— Você ataca — ele rebateu, sem abrir os olhos. — De agora em diante, Harry está proibido de dar suco pra você.

— Era o suco?

— Era. Mas eu sou o único viciado agora.

E então, ambos riram. Um riso leve, íntimo... cúmplice.