ENTRE DIAMANTES E DESTINOS

16 Capítulo 16 — Posse


Era para ter sido um erro. Um deslize. Um impulso.

Mas desde que a teve nos braços — quente, entregue, gemendo seu nome com a voz trêmula — Lucca sabia que não haveria outro gosto, outro toque, outro corpo. Só Hana.

Na manhã seguinte, a casa parecia envolta em uma tensão elétrica.

Hana andava descalça, com uma camiseta grande demais — dele.

Os cabelos bagunçados, a pele marcada.

E Lucca... bem, Lucca era um homem em combustão.

Ele tentou ignorar. Tentou.

Mas ao vê-la dobrando uma blusa, cantarolando baixinho, com os olhos brilhando de timidez e bochechas rosadas, ele travou atrás dela. As mãos firmes na cintura, os lábios ao pé do ouvido.

— Você tem noção do que fez comigo? — sussurrou, a voz grave e rouca.

— Lucca, eu... foi só uma... a gente estava...

Ele virou-a lentamente, os olhos fixos nos dela.

— Não foi só uma noite, Hana.

— E se for? — desafiou ela, tímida.

— Então você vai me obrigar a fazer da sua vida um inferno... até que me deseje todas as noites como desejou ontem.

E ele provou, com um beijo. Selvagem. Sofrido. Sedento.

Durante a semana, a empresa virou palco de olhares e tensão.

Hana tentava manter o profissionalismo, mas bastava ela entrar na sala para sentir o olhar de Lucca percorrendo seu corpo como se a despisse com a mente.

Harry, claro, pescava tudo.

— Vai com calma, chefe. Ou ela tropeça no corredor e todo mundo descobre o motivo do colar no pescoço.

— Cala a boca, Harry.

— Eu tô só cuidando do seu autocontrole, que morreu e foi enterrado segunda de manhã.

Lucca soltou um meio sorriso, coisa rara.

Ele estava mais leve.

Mais solto. Mais perigoso.

No fim do dia, Hana entrou na sala para entregar um relatório. Estava com uma saia lápis justa e uma blusa de seda presa na cintura. Lucca fechou o laptop sem sequer olhar o documento.

— Tranca a porta.

— Lucca, estamos no expediente.

— Sim. E eu estou morrendo. Preciso te tocar ou vou surtar.

— Você é um CEO...

— E você é minha, Hana.

As palavras a fizeram tremer.

Ele se levantou, andou até ela e a prendeu contra a parede de vidro da sala.

— Sabia que essa saia é uma tortura?

— Ela é só uma saia.

— Ela me faz imaginar o que eu fiz com você... e o que ainda quero fazer.

E então... ele a beijou.

Ali mesmo, no escritório.

Contra o vidro.

Com o mundo lá fora — e ele decidido a não abrir mão dela.

Mais tarde, em casa, Hana suspirava na cama, exausta — no melhor dos sentidos.

Lucca, deitado ao seu lado, acariciava sua nuca e disse baixinho:

— Você não sabe o caos que causou aqui dentro — apontando para o peito. — Mas não se preocupa... agora esse caos é todo seu.

Ela sorriu.

E no fundo, sabia... Que ele nunca mais seria o mesmo

~ * ~

Três dias após o evento de gala, o nome de Hana ainda era o mais comentado nos bastidores do design.

Mas o que ela não sabia é que o nome dela também estava circulando em grupos de investidores, em matérias sussurradas de sites de fofoca e — pior — em contratos sendo revistos por clientes da empresa Smith.

Tudo porque a família Smith começou a espalhar que Hana havia “conquistado o cargo na cama do CEO concorrente”.

Eles queriam queimar o nome dela.

Mas esqueceram que quem a protege é Lucca Palezo.

Na segunda-feira, Lucca entrou em sua sala mais cedo que o normal.

Terno preto, expressão sombria, telefone na mão.

— Pode disparar as ordens. Quero que hoje até o café da empresa deles seja investigado.

Harry ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços.

— Você vai com tudo?

— Não, Harry. Eu vou com o dobro.

No final da manhã, a bomba explodiu.

Os analistas da bolsa notaram algo estranho:

ações da Smith & Co. começaram a despencar.

Empresas parceiras começaram a cancelar contratos silenciosamente.

Um dossiê anônimo — e muito bem montado — revelou práticas éticas duvidosas.

Um cliente de Dubai, um dos maiores da casa, anunciou publicamente o rompimento com a marca.

E quando Kyle ligou, surtando, pedindo para falar com Lucca, ele atendeu em viva-voz, com Hana sentada à frente dele.

— Palezo! Você está por trás disso, seu desgraçado!

— Não, Kyle. A incompetência de vocês está por trás disso. Eu só estou revelando as cortinas.

— Você vai se arrepender.

— Eu já me arrependi uma vez... de deixar sua irmã sofrer sozinha. Nunca mais.

Ele desligou. Frio. Sem hesitar.

Hana tremia levemente, em choque.

— Você... você fez isso tudo por mim?

Lucca se levantou devagar, parando à frente dela.

— Eles quiseram sujar seu nome, Hana. Eu só devolvi na única moeda que eles entendem: dinheiro.

— Mas... e se for demais?

— Demais é ver você com medo. Isso é justiça. E ainda nem comecei.

Enquanto isso, na empresa Smith, Antony batia na mesa de raiva.

Michele chorava, Kim gritava com os assessores.

E o Sr. Smith, pela primeira vez, estava em pânico.

— Descubram o que Hana sabe!

— Hana não sabe de nada, pai!

— Então por que estão nos atacando?

Kyle respirou fundo.

— Porque ela não está mais sozinha.

No final do dia, Harry entrou na sala de Lucca e viu o amigo encostado na parede, olhando pela janela.

— Acabei de ver o gráfico, chefe. A queda foi de 14% só hoje. Quer que eu mande flores pro enterro ou champanhe pra comemoração?

Lucca virou-se, um meio sorriso nos lábios.

— Manda lenços. Eles vão precisar.

Hana, do outro lado da cidade, preparava o jantar, sem saber que era o nome dela que, pela primeira vez estava fazendo os Smiths tremerem.