Notas iniciais
E a Ecomoda, como ficará? O capítulo se refere à tarde da reunião de Diretoria, onde marcela achou que humilharia Betty expondo "seu caso" com Armando, sem saber que eles já estavam casadinhos no civil.

Naquela tarde, após desmascarar Armando e Betty perante a Diretoria e conversar com Roberto, Margarida e Patricia, Marcela estava visivelmente transtornada. Esperava tudo, esperava até que Armando lhe falasse que estivera com Betty até quando feia, pois apesar de seu gosto refinado, a proximidade dos dois era muito estranha. Mas jamais, jamais esperava que ele tivesse se casado com ela. Tantos anos esperando para tornar-se uma Mendoza. Esta era sua maior vontade mas se ele tivesse razão?

Aparte do compromisso de três anos existia amor? Ou apenas uma grade amizade misturada com desejo? Este desejo que agora já não existia mais, da parte dele, ao menos.

Daniel bateu na porta de Marcela, queria falar-lhe, encher-lhe ainda mais a cabeça. Ela não pôde negá-lo e abriu.

—Nem sequer suspeitava disso?

—De verdade? Não sei dizer! Mas sempre estranhei a proximidade deles, mesmo quando ela era feia! Uma vez um cantor veio aqui, o Charlie Zaa e beijou Beatriz na bochecha.

—Que corajoso! Mas não mais que Armando, irmãzinha...

—E Armando ficou como louco, todo mundo reparou, na hora o repreendi. Disse que era porque ela não estava concentrada no trabalho. Depois achei que fosse bobagem, várias vezes o surpreendi de portas fechadas com ela, uns olhares esquisitos entre eles.

—E não fez nada?

—O que poderia ter feito? Como poderia supor que ele me trocaria por uma mulher destas? O Armando sempre namorou a mais linda da escola, a mais linda do concurso, a super modelo. Mesmo agora, ela tendo voltado bonita...

—É até bem apetitosa!

—Não é do nível que Armando andaria, pela classe social. No entanto, agora não são só amantes como casados. Como pôde fazer isto comigo?

—E vai deixar? Vai deixar que te humilhem mais?

—Não sei. Melhor que eu vá embora. Hoje não tenho cabeça para pensar!

—Tem que enfrentar a situação, Marcela! Olhar nos olhos dele e tirar-lhe a Presidência! Armando não pode te tratar assim e ficar impune!

Marcela deixa Daniel falar um monte de coisas sem contestar, pois também não está ouvindo. Sabe das razões de Daniel querer a Ecomoda e são bem diferentes das de Armando. Armando tem seus defeitos, administrou mal, envolveu-se e casou com Betty, mas amava a Ecomoda, já Daniel, só queria repartir tudo e pegar o dinheiro, liquidar o patrimônio de seus pais. Mas será que isto não era o melhor a ser feito, já que não haveria casamento, mesmo que contrariando o desejo de seus pais de manter a ecomoda como símbolo da amizade das duas famílias? Sabia como seu pai, Júlio, adorava Armando e que sempre achou que ele era o Presidente ideal para Ecomoda e não seu filho, Daniel. Logo, uma das secretárias avisou que a reunião foi suspensa por Roberto. Não havia clima para isso.

Roberto, então, desmarcou a viagem para Londres, onde iria começar seu tratamento. A Ecomoda precisava dele. Alguém precisava assumir a cadeira presidencial, provisoriamente, já que queria evitar a indisposição entre os Valência e os Mendoza. Sabia que esta paz não iria durar muito tempo.

Ao sair de Ecomoda, Armando e Betty vão ao apartamento dele. Ela não estava nada bem, tinha muita cólica, de modo que Armando chamou um médico, bem como Catalina, pois era como uma irmã mais velha de sua amada.

—Faça o que tiver que fazer, mas salve Betty e meu filho, são minha vida. Não importa o que custe! -Catalina ouviu Armando falando com o médico, enquanto fechava a porta do quarto, onde Betty repousava.

Armando só tranquilizou ao ver o sorriso de Betty de volta ao rosto. Foi apenas um susto, consequência do nervosismo daquela tarde. Estava tudo bem com mãe e criança.

—Te amo!

—Também! -disse Betty alisando a barriga – Foi tudo por conta do que passamos hoje!

—Sim, mí amor! Peço desculpas por colocar Ecomoda novamente acima de nós... não precisava passar por isso.

—Seu Armando, estamos bem. A Ecomoda também precisa do senhor.

—Acho que já podemos terminar com estes termos. Hoje já sabem na empresa que somos casados... não há porque seguir com estes termos. A partir de hoje, chama-me de Armando. Vamos!

—Ai, não sei conseguirei! (riu)

—Sou seu esposo já há um mês, não há porque seguir chamando-me de forma tão formal, não sou seu chefe, ou seu dono. Vamos, Betty!

—Vou tentar, doutor!

—Nem doutor!

—Ah mas doutor, sim. Meu doutor Mendoza!

—Está bem, se for minha doutora Pinzón de Mendoza.

—Sempre! -beijo

—Amor, temos que ir!

—Para onde?

—Para a casa de meus pais!

—Não, meu amor. Hoje eu creio que seria bom que ficasse comigo aqui para que pudesse cuidar de você a noite inteira e de nosso bebê. Não vou ficar tranquilo com você em seu quarto sozinha. Eis que seus pais não sabem de nada...

—Amor, sabe que não pode ser assim. Meu pai não me deixará passar a noite contigo. Não sabe que estamos casados!

—Esta é uma coisa que também temos que resolver! Não digo hoje, pois as emoções foram muito fortes. Mas quero casar-me contigo à vista de todos! E aproveitemos agora que sua barriga ainda não cresceu bastante.

—Não sei como meu pai reagirá!

—Melhor que aceite que não podemos viver longe um do outro e sabe que não podemos! -beijos

Mesmo assim, Armando seguiu a cartilha e deixou Betty na casa de seus pais.

—___________

No dia seguinte, lá estava ele de novo pela manhã, assim como Nicolás, que apesar de preocupado com a gravidez de Betty se divertia com o constrangimento do seu cunhado "postiço".

Na Ecomoda, a Reunião de Diretoria teve sequência, Daniel estava revoltado, nem mesmo Roberto era capaz de acamá-lo, ele queria a todo custo que fosse tomasse uma providencia. Mesmo a pedidos de Marcela que não enfrentasse Roberto, ele não quis saber. Estava furioso. Queria assumir a Presidência.

Armando não havia aparecido, logo, nada pôde protestar. Tampouco atendeu ao celular, o qual manteve desligado o dia inteiro. Estava muito preocupado com a saúde de Betty, de modo que passou o dia inteiro na casa dela, com a desculpa de falar de negócios. Propôs, então, montar um escritório para sediar um escritório de Contabilidade e Finanças para que Betty, Hermes e Nicolás prestassem serviços. No local também funcionaria a sede da Terramoda, que seguia sendo uma empresa de Investimentos, já que tudo o que Armando havia colocado havia rendido mais de 50%. A empresa estava logrando adquirir ações na Bolsa, logo, tinha que ter uma sede e assim foi alugado um escritório em um sobrado no bairro da Candelária de um amigo de Armando, que manteria seu nome em segredo. Seu Hermes estava muito feliz com a surpresa que seu quase genro lhe fizera, pois sua casa não era segura para ser a sede de empresa movimentando milhões naquele bairro. Sentia-se útil por voltar a trabalhar na sua área prestando trabalhos para empresas, ao invés de ficar parado em casa. Assim em três dias (quarta, quinta e sexta) resolveram tudo. Como precisavam desmontar da casa e levar ao escritório tudo em tempo recorde, Armando tinha a desculpa perfeita para praticamente dormir e amanhecer na casa dos Pinzón -dormir, realmente não dormiu, aproveitava para ficar com Betty escondido e pernoitava na casa de Nicolás (levando susto todas as noites ao deparar-se com a mãe dele que costumava andar a noite inteira pela casa -Seria sonâmbula?)

Naquela noite de sexta, aproveitando a felicidade que havia se instaurado na casa dos Pinzón, Armando aproveita para pedir a mão de Betty oficialmente, a qual Hermes não pôde negar. Estava encantado por conta do escritório, a forma como um senhor tão rico e distinto saía da casa para vir visitá-los e namorar, inocentemente (Oh dó) no sofá com sua filha em sua casa.

—Considere-se, a partir de hoje, doutor, digo, Armando, um Pinzón!

Armando sorriu amarelo, queria abrir o jogo. Mas como fazer isso sem decepcionar Seu Hermes e constranger Betty?

No sábado, acompanhou Betty e Hermes ao escritório da Candelária. Haviam muitas coisas a serem arrumadas e até o primeiro cliente a ser atendido. Precisava dar um pulo em casa, Betty já estava melhor e sua união oficial encaminhada.

Mas estava contrariado, mesmo sendo desconfortável as noites na casa de Nicolás, os momentos com Betty faziam valer a pena. Finalmente, ligou o celular, um monte de chamadas perdidas. E Mário chamava-o insistentemente:

—Daniel declarou: “Rei morto, rei posto”! E se autodeclarou Presidente da Ecomoda!

—Mas como assim? E meu pai?

Armando fica nervoso, mas já previa algo assim. Está mais preocupado com Mário dizendo a respeito da saúde de seu pai, já que ao ser confrontado por Daniel foi internado no hospital. Sem esperar, pega o endereço do hospital, lá encontra sua mãe

—O que fez, Armando? O que fez? Por sua causa, por esta mulher, seu pai está no hospital!

—Mamãe! Deixe-me só com meu pai para conversarmos!

—Desde que aquela mulher entrou na sua vida tudo deu errado.

—Não fale assim de minha esposa, da mulher de minha vida!

Logo, a enfermeira os repreende, por conta da gritaria e Armando entra no quarto de Roberto que fica feliz de vê-lo, de saber que Betty passa bem e também seu neto, mas teme que o que Daniel fez não possa ser revertido.

—Não há o que ser feito, filho! Daniel agora é o Presidente de Ecomoda! Sabe o que ele pode fazer, não? Sabia o que poderia acontecer, mas tudo bem não o recrimino. Não poderia deixar ir a mulher de sua vida e com seu filho na barriga!

—Mamãe sabe de meu filho?

—Não e por mim não saberá! Não é o momento.

—Sim, vai pensar pior de Betty! Pai, sei o que fazer, mas preciso de carta branca sua. Precisa confiar em mim e minha capacidade para salvar Ecomoda de Daniel.

—Está bem! Mas preciso saber o que é!

—Ok! Estou em contato com um advogado para confirmar

—Dr. Santa Maria?

—Não, infelizmente por ele sempre representar Ecomoda não posso contar com ele, mas já tenho um nome. Vou vê-lo hoje! Tenho um plano! Pode confiar em mim?

Armando abre o jogo com Roberto e lhe conta o plano, apesar de não concordar com os métodos, não deixa de concordar que é legal perante a Justiça. Naquela noite, Armando encontrou-se com Nicolás e os advogados da Terramoda, que ficaram felizes de saber que a empresa agora tem um escritório. Mas surpresos ao saber que tudo, a empresa, as dívidas da Ecomoda com a Terramoda não passavam de uma espécie de manobra.

—Sim. Mas não é nada ilegal! Ilegal é o que ele quer fazer: vender a empresa por um preço abaixo do Mercado e receber o restante por baixo do pano!

—E como sabe disso?

—Tenho minhas fontes! Ofereceu para um conhecido, por sorte o encontrei e me contou, pois pensou que eu também estava envolvido. Sei que errei muito, mas a empresa, o patrimônio de meus pais e tios não podem pagar por isso! Tenho certeza que Maria Beatriz e Marcela, as irmãs Valência, não estão sabendo de suas intenções.

—E o que pretende?

—Para começar, os senhores tem escritório?

—Bem, no momento não...

—Podemos pedir uns traguinhos, doutor?

—Peçam o que quiserem!

Os advogados logo pedem um monte de bebida, comida e chegam umas moças que conheciam, as quais ficam rodeando Nicolás e Armando

—Olha, moça! Estamos resolvendo umas coisas aqui!

—Relaxa, bonitão!

—É que ele é comprometido com minha irmã! -afirmou Nicolás

—Sim. E estamos tratando coisas sérias!

—Coisas sérias! Coisas sérias! Mas podem ficar comigo! -ofereceu-se Nicolás

—Então, já que estão sem escritório, fiquem com a sala do fundo do escritório da Terramoda na Candelária. A partir de hoje, eu respondo pelos honorários dos senhores, em relação à Terramoda!

Depois da conversa, Armando vai a seu apartamento e pede que Nicolás conte com calma para Betty tudo que está acontecendo.

Na segunda-feira à tarde, Armando passa pela Ecomoda.

—Olha só, quem apareceu? Veio fazer o quê aqui em Ecomoda?

—Devo lhe avisar, Danielzinho, que essa também é minha empresa!

—Sim, por enquanto de todos nós!

—O que pretende?

—Sabe muito bem! Fazer o melhor para Ecomoda! Dividí-la para que cada família tenha sua parte correspondente, sem a nefasta presença dos Mendoza!

—Pensa em fazer isto mesmo? Sabe que não era a vontade de Tio Júlio! A vontade dele era que ficássemos juntos e compartilhássemos a empresa.

—Você é menos indicado a falar isso, visto que não quis unir-se a minha irmã nos laços sagrados do Matrimônio. Mas olha, sinceramente quanto a isto te agradeço! Não há o que fazer! Bem, de qualquer forma, passe e fale com Gutiérrez, tem direito a seu cheque! Só isso! Nem mesmo às modelos ou nada daqui!

—Faça bom proveito das modelos! Não preciso delas para nada.

—Vai dizer que agora é fiel?

—Sim, à Beatriz! A mulher de minha vida!

—Bem, não pode dizer que fez um bom negócio... Minha irmã era a acionista da empresa, mas ao menos a Dra. Beatriz é uma mulher bonita agora. Mas vá, pois tenho muito o que fazer, já que trabalho.

—Não pense que fará o que quiser com Ecomoda!

—Farei! Como presidente posso e terei o voto da diretoria quando virem as dívidas de Ecomoda que provocaste. Não pense que ficarão do seu lado!

—Ora, seu...

—Passe e pegue seu cheque! Tenho mais o que fazer, vai ser uma boa aposentadoria para você!

Armando saiu da sala revoltado

—Se ele pensa que vai acabar com Ecomoda!

(Lembrou-se de Júlio e Suzana Valência)

—Por eles, não vai!

—__________.

Alguns dias depois, Daniel mandou convocar a Diretoria para mostrar tudo. Planejava fatiar a Ecomoda entre as famílias e baseado nas dívidas, vendê-la bem abaixo do que vale. Todos estavam reunidos na Sala de reuniões, mas ao saber das intenções de Daniel, Marcela lhe questiona:

—Mas Daniel, prometeu-me, prometeu que nunca iria dividir Ecomoda, tampouco vendê-la!

—Isto era se casasse com Amando, mas não há união possível entre os Valência e os Mendoza!

—Reflita sobre o que nossos pais pensariam! Eles jamais deixariam que fizesse isso!

—Se eles estivessem aqui, Marcela, também não seria feito. Mas com eles mortos, dependemos da boa vontade do Roberto e Roberto é pai de Armando, um Mendoza! Não é 100% confiável.

—O que está dizendo, Daniel? Ele é como um pai para mim!

—Sim, para mim também. Mas negócios são negócios.

—Sabe que Armando mentiu e que Ecomoda ainda tem dívidas com os bancos? E que eles poderiam nos fatiar?Tudo graças a seu ex-noivo, um Mendoza. Não há o que fazer! Temos que vender a empresa! E já tenho um interessado.

—Não podemos fazer isto sem autorização de um dos Mendoza!

—Quem? Margarida estará presente, embora não entenda nada. Roberto está no hospital.

—Falo de Armando ele é legalmente o representante da Ecomoda!

—Pelo estatuto, agora eu sou o Presidente. Tenho a concordância de dois membros do Conselho. Não tenho que esperar as eleições! Sou o Presidente, agora!

—_______________________

Notas finais
E agora, quem poderá nos salvar?