Notas iniciais
Este capítulo é uma homenagem à cena do Almirante Padilha, que me foi uma das canas mais lindas e marcantes da novela.

Armando anda de um lado para outro, nervoso:

—Ela não vai voltar? Já são 17 horas! SOFIA! SOFIA! QUE HORAS A BETTY VOLTA?

—A Betty ligou e disse que não voltará mais hoje!

—Ela está com o Michel?

—Sim, com o francês divino! -suspirou Sandra

—Estão todas babando por ele, não?

—Ai, Seu Armando! Ele é lindo! -respondeu Mariana

—Se veio aqui atrás de Betty, deve ser para pedi-la em namoro! –provocou Bertha

—Mas que ótimo, não? E ele tem um restaurante em Cartagena e também uma empresa de eventos, buffet, algo assim...

—Será que veio para levá-la embora? -preocupou-se Sandra

—Ai, tomara que não! -preocupou-se Sofia

—Pois é, acho que o tipo galã de vocês, o Alan Delon, o Jean Paul Belmondo dos pobres pretende levar a amiga de vocês para viver em Cartagena em frente ao mar, com o sol a bronzear sua pele, com a brisa a levantar seus cabelos, mas se pensam que vou deixar, não vou! Minha Doutora ele não leva!

Depois entra no elevador.

—Ele está esquisito! -comentou Sandra

—Que estresse! Parece até que... -Sofia propôs

—Está com ciúmes! -Bertha completou

—Será que foi atrás dela?

—Betty pediu para não dizer onde está! Principalmente para seu Armando!

Betty e Michel haviam saído do cartório.

—Agradeço Betty por me ajudar! Não sei o que faria sem você!

—Ah! Que isso, Michel! Só lamento não poder te levar à Câmara de comércio por estar muito tarde. Lá tem que ir de manhã!

—Ah, tudo bem! Vou amanhã! Poderia me acompanhar?

—Ai, Michel. Façamos o seguinte, ligue-me e combinamos. Te deixo lá e vou para o serviço, pois não posso chegar atrasada!

—Agradeço, Betty! Gostaria de te agradecer este favor, levando-a para jantar!

—Não se incomode, Michel!

—Não é incômodo algum! Para mim, seria um prazer!

—Michel, somos apenas bons amigos!

—Sei disso, Betty! Embora, goste muito de você e realmente tenha vontade de ser algo mais, me contento com sua amizade. -beijando-lhe a mão.

—Grata, Michel! Ai!

—O que foi?

—Uma tontura!

—Sente, se, Betty!

Betty senta em uma cadeira, mas sente tudo rodar.

—Será que não é fome?

—Não, deve ser cansaço! Quero ir para casa!

—Tem certeza, Betty? Está pálida! Quer que a leve ao médico?

—Não, Michel! Leve-me para casa, preciso tomar minhas vitaminas!

Michel chamou um táxi e Betty passou o endereço para o motorista.

Ao chegar em casa, Seu Hermes não estava, pois havia ido ao advogado para ver a quantas andava sua rescisão. Júlia ficou preocupada e tratou de deitar a filha no sofá.

—Mãe, pode pegar uma bolsa lá no quarto?

—Sim. -quando Júlia volta, pergunta-lhe -Mas o que é?

—Umas... umas... vitaminas que o doutor me passou, esqueci de tomá-las! Por isto não estou bem! Mas logo, melhoro!

Júlia ficou desconfiada e quando levou a bolsa para o quarto, verificou o nome, as bulas e achou muito estranho sua filha estar tomando aquelas vitaminas.

Logo, Betty parecia mais disposta, a tontura e o enjoo haviam passado. A tempo de Hermes chegar e Betty poder apresentar Michel para seus pais.

—Ele é um grande amigo de Dona Catalina. Está abrindo um restaurante francês em Cartagena!

—E em breve em toda Colômbia!

—Francês, é? Que interessante! Mas por quê?

—Porque sou francês e cozinho muito bem!

—Olha só, Júlia! E de onde é?

—De Paris mesmo!

— E o que faz aqui?

Enquanto conversavam, Júlia passou um café.

—Prove, sei que estão mais acostumados ao bom champanhe, mas nós temos o melhor café do mundo.

—Hum... está muito bom. Betty fala muito de vocês! Gostaria de convidá-los para ir à Cartagena!

—Olha só, Júlia! (Hermes faz o barulho característico.)

—Sim. Betty gosta muito de lá e vão gostar também! Quem sabe gostam tanto que resolvem ficar por lá? A qualidade de vida de lá, o ar, tudo!

—Isto acho difícil, doutor! Esta é nossa casa e gostamos de viver aqui! Sr. Michel, conte-me como se diz: o diabo em francês.

—Le diable

—E porco?

—Porc!

—Pois é, Le diable es porc! E no mar também ronda!

—-Le diable est porc.

Enquanto seu pai conversava com Michel, Betty recebeu um telefonema de Sofia

—Então, Betty! Desculpa ligar para sua casa!

—Tudo bem, Sofia! O que houve?

—Depois que foi embora, Seu Armando perguntou de você e ficou parecendo louco, disse que iria descobrir onde foi.

—Parecia enciumado ao saber que saiu com seu amigo francês! -Bertha, tomando o telefone (pescando algo no ar)

—Ai, vocês disseram que viemos para cá?

—Não! Mas ele vai imaginar, pode ter certeza!

Betty tentava a todo momento cortar o assunto para que Michel fosse embora, mas Hermes parecia encantado em conversar com Michel e Júlia percebera o que o moço parecia bem interessado em Betty, então, tratou de ser gentil. Vendo que Michel não sairia tão cedo dali e temendo que Armando fosse até lá e armasse algum escândalo que levantaria suspeitas de seus pais, lembrou-se que Michel havia convidado-a para jantar fora.

—Michel! Tem ideia de onde me levaria para jantar?

—Sim, Catalina me recomendou um lugar muito bom!

—Então, vamos!

—Como assim, Betty? Pois jante aqui com seu amigo! Júlia, prepare um jantar especial, temos um convidado! Só não garanto nada francês, mas uma legítima e típica comida caseira!

—Seria um prazer!

—Ai que Hermes! Então, temos que fazer compras!

—Não tem nada aí?

—Só o básico!

—Espere um pouquinho, doutor!

—Seria uma boa ideia! Então, aceitaria meu convite para jantar, Betty?

—Sim, claro, Michel! Mas vamos logo que estou com fome!

—Mas onde vão?

—A Catalina me recomendou um lugar ótimo: O Almirante Padilha!

—Mas é um lugar de gente, de bem, de gente honesta?

—Mas claro, papai! Como pode perguntar isso? Foi dona Catalina que recomendou!

—Está bem! E como irão?

—No meu carro!

—Mas está com o Microláx!

—Vou passar na casa dele e pegar!

—Não é melhor eu levá-los? Não gosto que fique dirigindo por aí à noite!

—Também não gosto! Mas pode deixar que eu dirijo! -ofereceu-se Michel

—Está bem, assim fico mais tranquilo! Mas lembre-se, Sr. Michel, como me ensinou: Le diable est porc!

—Ouí! Ouí!

Betty passou na casa de Nicolás para pegar o carro, assim que deram a partida, Armando chegava na casa dos Pinzón:

—Pois não? Dr. Mendoza!

—Boa noite, Dona Júlia! Como vai? “Será que ela sabe?” Sua filha está?

—Boa noite! Seja bem-vindo! Infelizmente, Betty acabou de sair!

—Sair?

—Sim. Com um amigo. Foram jantar fora!

Armando respirou fundo para manter a calma:

—Pôxa! Que pena, Dona Júlia! Tenho um assunto muito sério para falar com ela!

—Ah, mas o senhor fala com ela amanhã no escritório!

—Ouvi a campainha! Quem é esta hora, Júlia? Dr. Mendoza? O que faz aqui?

—Boa noite, seu Hermes! É que tenho que coletar uma assinatura de Betty para levar a um fornecedor ainda hoje. É muito importante ou perdemos o negócio!

—Vocês da Ecomoda tem uma mania, doutor, de trabalhar além do horário!

—Para o senhor ver, Seu Hermes! Mesmo eu sendo presidente, não escapo disso!

—Seria só para isso, doutor?

—Sim, lógico! É muito importante!

—Júlia! Onde é mesmo o lugar que Betty disse que iria jantar com o francês?

—No almirante... ai não lembro!

—Almirante Padilha?

—O senhor, conhece?

—Sim. Agradeço! Desculpe incomodá-los! Desculpe-me!

Armando pegou seu carro, e dirigiu-se ao local. Estava louco de ciúmes. Se imaginava chegando no local, pegando Michel pelo colarinho e batendo muito nele. Mas precisava se acalmar. Michel sempre fora muito educado com ele, apesar de ser tão grudento com Betty

“Mas quem poderia condená-lo por gostar dela sendo tão doce e apaixonante?”

Ainda mais, Betty estava grávida e não podia passar nervoso.

Michel e Betty haviam chegado ao restaurante, Michel insistia que Betty bebesse um coquetel tropical, tal como em Cartagena, mas a moça alegou que não convinha, uma vez que havia passado mal a algumas horas.

—Não sente saudades de Cartagena?

—Sim, Michel! Lá é muito bonito! Me senti muito bem lá! (Betty lembra-se de tudo, dos passeios, do trabalho e inclusive das noites com Armando)

—Lá você se sentiria muito bem, sem este stress, aproveitaria melhor a vida!

—Eu sei, Michel!

Logo, Armando chega, pede um uísque e cumprimenta os dois. Betty ajeita os óculos, constrangida, pois teme que Armando fique louco de ciúmes, de novo e agrida Michel.

—Você é uma boa pessoa, Michel! A que devemos a honra de tê-lo aqui conosco?

—Como te disse, Armando, vim registrar a empresa em Bogotá.

—Ah sim. Desculpe-me!

—Eu não vim atrapalhar a noite de vocês! Conheço este restaurante, estou esperando um amigo para jantar e vi vocês e resolvi cumprimentá-los.

—Fique à vontade!

—Grato, Michel!

—Mas já que estou aqui, gostaria de falar-lhe algo, Betty. Se importaria, Michel?

—Não, de forma alguma. Eu vou ali e já volto.

—Não, Michel...

—É sério! Precisam conversar! Já tinha percebido algo, agora tenho certeza. É claro que vocês têm algo forte e precisam resolver! Faça isso, Betty! Como amigo, te aconselho.

Betty fica na mesa.

—O que está fazendo aqui, doutor?

—Não entende, Betty? Vim atrás de você para conversarmos!

—Aqui não é o lugar, nem o momento!

—Aqui não é o lugar, não é o momento! No escritório não é! Nenhum lugar é o momento ou lugar! Não fuja de mim, Betty! Não há como fugir do que sentimos!

—Doutor, conversamos outro dia, não há mais o que falar!

—Betty, não conversamos não. Não conversamos sobre tudo. Não conversamos sobre o que sentimos um pelo outro! Eu terminei com Marcela, estou livre! Podemos ficar juntos!

—Até quando, doutor? Até quando ela te ameaçar em não te apoiar na presidência?

—Já preparei minha carta de renúncia, Betty! Estou pronto para entregá-la, se for necessário!

—Isto é loucura, doutor! Não pode fazer isso!

—Se for preciso, vou! Não posso casar-me com Marcela, apenas para segurar a cadeira de Presidência, não na real situação. Não sentindo o que sinto!

—O senhor não pode deixar a empresa cair nas mãos de Daniel Valência!

—Eu não posso deixar é que você caia nas mãos deste francês depois de tudo que vivemos. Sabe que te amo, Betty!

—O senhor está com ciúmes, está confuso, mas quando pensar bem, verá que não quer decepcionar seus pais e deixar de ser presidente, apenas para ficar comigo.

—E o que acho que devo fazer? Casar-me com Marcela? Para quê? Pela empresa? Aceitaria me ver com ela?

—Não, doutor! Não aguentaria! Por isso, penso em ficar um tempo em Cartagena. Não aguentaria te ver com ela, saber que dorme e faz amor com ela (Armando balança a cabeça). Enquanto eu durmo sozinha e tampouco aceitaria converter-me em sua amante. Não fui criada assim!

—E para quê isso, Betty? Se pode me ter por inteiro, como tem? E não! Está enganada! Desde que fizemos amor pela primeira vez, nunca mais fiz nada com nenhuma mulher, nem com Marcela!

—Por favor, doutor! Poupe-me das mentiras! Já o vi agarrado com modelos e com a própria Dona Marcela depois disso!

—Apenas beije-as, não passei disso! E beijei, pois não sabia ainda o sentia por você, mas desde da última noite de amor e depois que me beijou (coloca a mão) quando surrei Miguel, sinto que não posso ser beijado por nenhuma outra pessoa.

—Doutor, por favor!

—Betty!

Armando sente uma angústia no peito, pois nunca soube se expressar verdadeiramente sobre seus sentimentos, nunca foi detalhista e fazer declarações de amor não é seu forte.

Logo, Michel retorna à mesa. Armando finge que está atendendo um telefonema e vira outra bebida, até que vê um cartaz: Especial Ricardo Montaner.

—O quê? Hoje? É um dos cantores favoritos de Betty!

Logo, Armando avista Montaner conversando com algumas pessoas e resolve ir até sua mesa.

—Com licença, Ricardo, sou Armado Mendoza, um grande admirador seu!

—Oh, muito prazer!

Armando explica a Ricardo que tem a empresa, mas que está ali para conversar com a mulher que ama, mas que ela não quer conversar com ele e apesar de saber o que está sentindo, não é muito bom para expressar-se sobre coisas de amor, como ele:

—E quem é?

—Aquela ali de azul!

—Mas ela está acompanhada!

—É só um amigo!

—Olha, o senhor está dizendo. Não quero problemas. E o se o cara vier para cima?

—Não virá! Eu o conheço, é educado!

—Melhor me deixar fora dessa! Não quero problemas com a mulher dos outros!

—Acontece que ela é minha mulher! Olhe, (mostra o exame) ela está grávida. Não sabe que sei. Quero assumi-la, criar nosso filho. Terminei com minha noiva, pois é com a mãe do meu filho que quero ficar! Não pode me ajudar?

—Olha, Armando é isso? (Ele faz com a cabeça que sim) Tenho um bom pressentimento em relação a você, espero não estar errado!

Montaner, então, sobe no palco e canta um monte de músicas.

—Agora, vou atender um pedido de um amigo meu, que quer se declarar à mulher que ama, mas diz que não tem jeito com estas coisas! E pediu minha ajuda! O nome dele é Armando! Armando, qual é o nome dela?

—Betty!

—Betty, esta é para você!

Montaner começa a cantar e leva Armando para sentar-se frente à frente de Betty, Michel percebe os olhares um para o outo e se afasta.

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Notas finais
Betty deve ou não beijar Armando nesta história paralela?