E se...(naquele dia) Betty e Armando
26 Capítulo 26
No dia seguinte, apesar de Betty não ter entendido muito bem suas reais intenções e ter terminado momentaneamente com ele (e ele sabia que ela estava certa) o fato de tê-la defendido da turma dos vizinhos e dado uma surra no idiota que teve a audácia de tê-la antes dele (e apenas para burlá-la e não para amá-la) contou pontos para ele, de forma que sentiu seu carinho no beijo doce no canto dos lábios.
Com o sabor de Betty nos lábios, Armando foi à Ecomoda. Chegou antes dela e passou em sua sala. Como ela não estava, apenas contemplou sua cadeira vazia.
—Ai, Betty! -colocando a mão nos lábios -Você é tão doce! Prometo que vou resolver esta situação e ficaremos juntos!
Depois foi para a sala da Presidência, minutos depois, Marcela adentrou a sala:
—Oi, amor! Bom dia! -Marcela aproximou-se dele e quis beijar exatamente no local onde Betty havia lhe agradecido, na noite anterior.
—Aqui não. Já te disse, Marcela.
—Ah mas o que acontece com você? Nem um beijinho?
Para ela parar, deixou que ela o beijasse do outro lado.
—O que aconteceu? Por que seu rosto está inchado?
—Uma briga, Marcela.
—Ai, briga com quem?
—Com uns tipos que me deram uma fechada!
—Ai, mas isto é perigoso!
—Nada! Agora, vamos trabalhar!
—Vim te avisar que amanhã faremos o anúncio oficial do noivado na imprensa!
—Quê? Como assim?
—Sim, conforme combinado.
—MARCELA! Isto não é assim!
—Ah, então avise fale com sua mãe, foi ela que agendou isso. Ai, meu amor! Não vejo a hora de ficarmos juntos, unidos para sempre!
—Marcela!
—Agora vou te deixar trabalhar!
Quando Marcela saiu, Patrícia foi atrás dela para lhe perguntar:
—Marcee!! É verdade que você desta vez pegou o Armando de jeito?
—Como assim?
—Que esse roxeado na cara dele foi você?
—Venha à minha sala! Explique isso direito!
—Ah as meninas do quartel estão falando que o Armando chegou com a cara estourada e aéreo por culpa tua, Marcee!
—Ah é? Vou falar com elas!
—Elas são assim, Marcee! Mas diga o que aconteceu com o Armando?
—Ele diz que foi uma briga de trânsito!
—E você não acha isso estranho, Marcee?
Enquanto as duas conversavam, Betty chegou e começou a trabalhar no seu escritório e Armando no dele. Ele gostaria muito de ir até lá e ver se conseguia ao menos um beijinho como da noite anterior, mas temia que ela o desse um fora. Precisava arrumar as coisas. “Como assim anúncio oficial para a imprensa? Não tinham combinado que seria uma coisa discreta desta vez?”
—Tenho que resolver isso! Não quero me casar, ainda mais com Marcela!
Hora do almoço, Betty e as do quartel saem para comer algo no Correntazo, não podia fazer desfeita às amigas, embora agora pudesse almoçar no Baluarte, por exemplo. Pediu apenas uma salada e o suco de amora.
—Está bem, Betty?
—Porque só salada?
—Ah, é que... que... não estou muito bem do estômago, meninas! Então, melhor não comer nada pesado!
—No outro dia você foi ao médico, o que aconteceu?
—Estou fazendo exames, ainda... Mas parece ser do estômago por conta do ... estresse!
—Sei...
Depois do almoço, Betty voltou ao escritório e continuou a trabalhar no projeto que Armando lhe havia encomendado. A entrega era só para a outra semana, mas Betty gostava de fazer adiantado, para ter tempo de corrigir, se tivesse que adicionar ou tirar alguma coisa. Mas quem disse que conseguia se concentrar? Ficava pensando em Armando, nos acontecimentos dos dias anteriores: a briga com os vizinhos e a surra que ele dera em Miguel, dizendo que estava defendo-a sua honra, a decepção que sentira ao saber que estava noivo de Marcela pela empresa ou não, não importava, a gravidez, agora que terminaram não sabia como ele reagiria ao saber, se iria pensar tratar-se de um plano para segurá-lo (coisa que seria incapaz de fazer). Estava preocupada, pois como seu pai reagiria ao saber que seria mãe solteira? Tomara pílulas continuamente, como pode ter esquecido algum dia? (Pensava abraçando a barriga)
Nos corredores, além do inchaço no rosto de Armando, a fofoca que corria solta nos lábios das meninas do quartel era como Betty andava estranha, triste e distante, bem diferente do brilho no olhar que exibia nos dias anteriores.
Fim de expediente, sem conseguir render tanto quanto gostaria, Betty desce para portaria onde Nicolás a esperava parra levá-la para casa.
Armando, na sua sala ia se servir de uma dose de whisky, mas resolveu ir até à sala de Betty para oferecer-se para levá-la para casa. Mas ao chegar lá, encontrou a porta fechada.
—Sofia, e sua chefe¿
—Ah, já foi embora, doutor!
—Para onde?
—Ora, para casa!
—O Nicolás, o secretinho dela veio buscá-la! -contou Bertha
-Secretinho¿
—Sim, lembra que te contei, doutor¿ Das cartas...
—Ah, lembro, Bertha, mas... Ela saiu faz tempo¿
—Há algum tempo.
—Está bem.
—Armando! -Marcela intercepta-o no corredor- Vamos?
—Não, Marcela, vou terminar um trabalho e depois irei.
—Por que não podemos ir juntos?
—Porque tenho trabalho, Marcela! Eu disse mais tarde.
—Está bem! --contrariada
Então, ele vira os olhos para cima e ao invés de ir atrás de Betty, resolve ir para sua sala:
—Será que Betty tem algo com Nicolás Mora? Não. Disse que era um amigo da juventude. Que são como irmãos. Mas lembro-me que Bertha disse que ele aparecia nas cartas que Mariana colocou. Ou pode estar saindo com ele para se vingar. Mas por quê? Lógico! Quer se vingar de mim por conta deste estúpido noivado! E a Marcela está me enlouquecendo!
Armando pega a garrafa e vai para a caverna, por ser um lugar reservado, pois quer ficar em paz. Escondendo-se no lugar onde ela trabalhava e amava-o em segredo. Tão logo entrou, viu uns papeis jogados no chão.
—Olha só! Que imundice! Ninguém limpa isto não? Patrícia não faz nada, nem para chamar a limpeza! Quando Betty ficava aqui, era tão limpinho! Ábaixou-separa pegar o envelope, por ver que tinha um nome que lhe chamou a atenção:
—Beatriz? Mas o que será isso? Exame de gravidez! POSITIVO. Como assim? -Sua expressão era de surpresa e ao mesmo tempo de alegria -Ah, Betty! Minha Betty está grávida?
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