No dia seguinte, Armando tentou se aproximar várias vezes de Betty, mas ela sempre dava desculpas. Na hora do almoço, Betty avisou que não iria almoçar com suas amigas, pois iria fazer uns exames acompanhada de Nicolás:

—Exames? Está tudo bem, Betty?

—Por que não estaria?

—Que exames são estes?

—Lembra que passei mal, então, o médico pediu que fizesse exames complementares.

—Betty, estou preocupado contigo!

—Não tem porque se preocupar, doutor!

Ao saber que Betty iria sair com Nicolás as meninas do quartel ficaram em polvorosa, o que deixou Armando com ciúmes. Nunca havia sentido tanto ciúmes de Nicolás, mas ao ouvir Bertha falar que aquele era o secretinho de Betty, esbravejou, em sua sala.

E mais agoniado ficou ao saber que iria demorar para fazer exames e ficar a tarde toda com ele. Por quê com ele, por que não comigo que sou seu... seu... nem sei? Mas nos amamos!

Betty no médico, ficou feliz ao ver o pequeno coraçãozinho.

—Já tem coração! Já pode se apaixonar! -comentou a médica

—Espero que seja por mim e que não sofra como eu por amor!

Betty ficou visivelmente emocionada.

—Antes de voltarmos, Betty, temos que passar para comer alguma coisa! Pensa bem!

—Sim, eu sei. Como é estranho descobrir que um serzinho tão pequeno habita dentro de você e come tudo o que você come.

-Eu imagino, Betty! Como está surpresa. Falando nisso, já falou sobre aquele assunto com o pai?

—Não, Nicolás!

—E como vai fazer, Betty? E se, por acaso, seu pai descobrir?

—Vou resolver, Nicolás! É que saiu tudo do previsto.

—Betty, o que foi? -Betty estava chorando

—Nada. Só me abraça, por favor! Ainda estou emocionada de ouvir o coraçãozinho!

Nicolás queria perguntar se o pai era quem ele desconfiava ser, mas diante do estado da amiga, preferiu deixá-la à vontade.

À noite, Betty pediu que Hermes a buscasse, o que prontamente atendeu.

Nicolás havia conversado com Betty sobre a possibilidade de comprar um carro, pois não convinha em seu estado andar de ônibus e tampouco sozinha de táxi. Então, no dia seguinte, na hora do almoço, foi com Nicolás, para comprar um. Adquiriu um carro azul, do tipo popular, embora Nicolás implorava-lhe para adquirir um Mercedes.

—Não estou para esbanjar, Nicolás!

—Ah que Betty, você agora é bonita, uma grande executiva, tem que andar elegante.

—Tenho outra coisa mais importante para pensar, Nicolás!

—Eu sei, Betty. Muito mais importante! E falando nisso, Betty... o pai é quem estou pensando?

—Não sei de quem está falando, Nicolás! Você não conhece! (Mentiu-lhe)

—Está bem! Se prefere não dizer. Mas estarei aqui quando precisar!

—Obrigada!

—Inclusive, não prefere que te busque sempre, Betty? Você não é boa no volante e no seu estado é perigoso.

—Está bem, Nicolás! Venha!

(Os dois se abraçaram e logo deram o famoso giro da amizade.)

Naquela noite, Armando passou na sala dela:

—Boa noite, Betty! Já vai?

—Ainda vou ficar um pouco mais.

—Vamos! Te levo para casa!

—Melhor não, Seu Armando! O Nicolás virá me buscar!

Ele fechou a cara e foi para sua sala. Marcela já tinga ido, então, desfrutou de um pouco de tranquilidade. Até que resolveu ir embora. Mas ficou esperando no carro do lado de fora, esperando Betty descer.

—Boa noite, Betty!

—Seu Armando! O que faz aqui? Disse que iria com Nicolás!

—Não, você vem comigo! Precisa me escutar.

—Boa noite, Dr. Mendoza!

—Boa noite, Nicolás! Olha, pode ir! Eu levo a Betty hoje para casa! Temos assuntos para tratar!

Armando segurava Beatriz possessivamente pelo braço

—Olha como trata a Betty!

—Trato como quiser e você não tem nada com isso!

—Tem que ter cuidado com ela no estado dela!

—Que no estado dela? Está doente ou o quê?

Nicolás percebeu que falou besteira e se encolheu.

—Só quero conversar, temos assuntos importantes da empresa para tratar!

—Deixa, Nicolás!

—Tem certeza?

—Sim, obrigada por vir!

Armando abriu a porta para ela entrar. Tão logo, ela adentrou, Betty o fez prometer que não tentaria nada. Ele teve que concordar então, arrancou com o carro.

—Pois bem, Seu Armando, pode falar!

—Betty, escute...

—Se pensa que vou ser sua amante, está muito enganado.

—Não quero que seja minha amante! Não penso verdadeiramente em me casar com Marcela!

—Nas primeiras vezes que fiz amor contigo, mas foi sem compromisso. Pois sempre o amei muito e como trabalhava para Catalina, pensava que nunca mais nos veríamos, era uma chance única de tê-lo em meus braços e amá-lo.

—Pode ter certeza que ninguém nunca me amou como você!

—Quando o vi em Cartagena, só ficamos juntos porque disse que tinham terminado...

—Mas terminamos! Betty, minha vida! Me escute! Só noivei com Marcela porque fui obrigado. Se não noivasse, ela me ameaçou que não iria me dar o voto e poderia perder a Presidência para o Daniel Valência. E aí não poderia te contratar e suas amigas estariam na rua também! Pois ele só quer vender a empresa!

—Seu Armando, olha, não quero me envolver mais do que já estou nesta história. Sei que foi criado para ser o presidente desta empresa, sei que seus pais querem se case com Dona Marcela. Sei que pela empresa vai se casar com ela e não posso aceitar ser sua amante.

—Betty! Não posso me casar com uma pessoa que me obriga a fazer o que não quero! Sei que deveria ter contado antes, mas não tive coragem. Depois de tudo que vivemos em Cartagena... Não queria que sofresse. Eu sou um idiota, um covarde, mas estou apaixonado por você! (Ele aproveita que o sinal fechou e a segura para beijá-la)

—O senhor me prometeu que não tentaria nada!

—Os seus lábios são irresistíveis.

—Não, não. Ou saio!

—Está bem, Betty! (vira os olhos para cima) Quero que saiba que independe de qualquer coisa, que continue acreditando em mim. Não vou me casar com Marcela, estou ganhando tempo.

—Ah, Seu Armando, não vamos começar com isso de novo! Dona Catalina seus pais, e até o senhor sabe que mesmo que não case, sempre voltará para Dona Marcela.

—Posso te afirmar que desta vez é diferente, Betty! Há tempos que não sinto nada pela Marcela. Se voltava com ela, era pela empresa. Mas agora ela praticamente me obrigou a voltar e depois a marcar a data, apoiada pelos meus pais. Depois da próxima reunião, em dezembro, minha gestão, se os números continuarem bons, estará consolidada e terminarei com ela. Te prometo! Acredite em mim!

—Ai seu Armando!

—Sei que é a única pessoa que confia em mim, Betty! Então, te peço isto mais uma vez.

—Mesmo que te dê este voto, que confie no senhor, não posso continuar esta relação. Eu te amo, mas temos que nos afastar.

—Betty!

—Agora, deixe-me na porta de casa.

—Por favor, Betty. Só um beijinho.

—Sei muito bem onde isto pode nos levar, doutor!

—Eu não seria louco de fazer algo assim na porta de sua casa! Conheço seu pai...

Mas ao chegar lá, eles ainda estão conversando, então, nem percebem que a turma do bairro se aproximava:

—Olha só! Vamos ver quem temos aqui! Betty, a ex-feia arrumou um príncipe encantado!

—Deixe-me em paz, Roman!

—Não, Betty! Você tirou a sorte grande!

—O que vocês querem?

—Olha, senhor, também tem sorte, pois a Betty está bonita agora, mas se a conhecesse há uns meses atrás. Contou para ele que era feia?

—Não te interessa!

—Ela era feia, a mais feia da cidade, do país! Você não a beijaria!

—Uh! Certamente que não! -falou outro da gangue

—Olha! Estes tipos estão nos perturbando! -Armando, nervoso.

—Calma, doutor!

—Pois saiba que a conheci há muito tempo e iria sair com ela sim! (Verdade ou mentira?) E vocês não tem nada com isso!

—Pois duvido! Apesar que apostei com meu amigo aqui e perdi a aposta! Aí, Miguel, você que não viu a nova Betty, a linda. Você já é passado para ela!

—Quê? Betty me trocou por um doutorzinho?

—Quem é este tipo, Betty?

—Ai, doutor...

—Eu fui o primeiro homem dela! Mas na época ela não era este pitel não! Mas por grana a gente faz tudo! Até pegar uma feia!

—Ah, então foi você?

Armando sentiu o sangue ferver “Este tipo é o asqueroso que a teve primeiro por conta da aposta?”

—Sim. A Betty não é mais virgem! Não te contou?

—Sim, me contou sim!

—Então, doutorzinho, eu desfrutei primeiro, pena que era feia.

Armando sentindo a mão pesada, voou em cima de Miguel e lhe deferiu um murro no meio da cara.

—Ai, não, doutor!

Logo, deu-se uma pequena briga, a qual Betty tentou apartar.

—Vai embora, doutor!

—Você quieta aí! Estão ofendendo sua honra e isto não vou deixar

barato!

Armando, batia com muita vontade em Miguel)

“Desgraçado!”

Tinha bons motivos: Primeiro, porque era o cara que havia abusado da pureza de sua Betty, tirado sua honra, segundo porque a tinha abandonado e a feito sofrer. Terceiro: por ciúmes, muito ciúmes. Aquele tipo havia roubado parte de um momento sublime. Não que tivesse tanta importância, mas gostaria sim, de ser o primeiro a senti-la. E o vagabundo ainda fez isto por conta de uma aposta. O sangue que escorreu do nariz dele era muito pouco, perto do que fez com ela.

—Ei! -Miguel queria ficar de pé, para reagir e tentar revidar, mas Armando batia cada vez mais forte.

—Vem! Vou te dar uma chance! Acerta uma aqui bem na minha cara! Vem!

Miguel até tenta, mas por mais que tente não consegue acertar uma, então, pede ajuda à gangue para que o segure.

—Sem covardia, hein? Um de cada vez! Ou só são homens para as senhoritas indefesas na covardia de enganá-las!

—Esta se doendo porque fui o primeiro, né, cara?

Armando não espera Miguel terminar de falar e começa a dar-lhe golpes sem parar.

Logo, ouviram o barulho da sirene da polícia e a turma deu no pé, Betty convenceu Armando a voltar para o carro, ou poderiam implicar com ele.

—Não quer entrar para fazer-te um curativo?

—Não, Betty, melhor não. Mas pense no que te falei, sim?

—Ai, doutor!

—Me perdoe, por não ter te explicado antes.

—Está bem! Mas não podemos nos encontrar, enquanto não resolver esta situação. Está todo inchado.

—Não tem problema, Betty!

—Obrigada, Seu Armando, por me defender!

—Posso ter meus defeitos, mas... aquele idiota mereceu!

(Apesar da raiva que sentia, Betty achou que lhe devia um beijo em agradecimento ao que ele acabara de fazer: arrebentar a cara de Miguel. Logo. lhe deu um beijinho de despedida no canto da boca e logo, Armando arrancou com o carro. Por pouco, Hermes não os pegou, pois havia ouvido barulho de briga, polícia e a voz da filha.)

—Ah, papá! Foi aquela turma do Roman! Mas ouviram a polícia e caíram fora!

Betty, geralmente, não jantaria, mas sabia que precisava se alimentar.

Após o jantar, ficou confundida em seus pensamentos.

—Hoje, seu pai me defendeu de Miguel e a turma de Roman, agiu como um cavalheiro defendendo minha honra -comentava com a barriga — Mas bateram nele também, coitado. Covardes! Estou brava com ele ainda. Por que não confiou em mim? E se ele se casar com Dona Marcela? Como vou fazer? Logo, minha barriga estará enorme! A Tia María Pinzón nem conseguia ficar em pé. Como queria contar-lhe a respeito. O que vou fazer quando meu pai saber da verdade? Pior que perdi o primeiro exame, espero que ninguém o ache. Já este da ultrassom, vou guardar com muito carinho!

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Notas finais
Betty deve contar ou não da gravidez a Armando?