Betty estava com muito sono e dormia na cadeira de sua mesinha, na salinha dentro da sala de seu chefe. Havia passada a noite trabalhando, logo, estava bem cansada. Mas tão logo, ouviu sua voz, chamando-a, se levantou prontamente. No caminho havia um arquivo daqueles de chão, que alguém deixara fora do lugar. Logicamente, ela tropeçou no mesmo e só não foi com a cara no chão, porque Armando a segurou. O chefe estava de pé, em frente ao sofá da Presidência. Mas não foi por muito tempo: além dos relatórios, Betty segurava na outra mão os Livros-caixa dos últimos anos da Ecomoda. E era muito pesado, então, ela que, já era desajeitada e encurvada desequilibrou-se ainda mais, de modo que, nem Armando conseguiu ficar de pé. Os dois acabaram por aterrar no sofá da Presidência.

Provavelmente, dado aos acontecimentos dos últimos dias, a incerteza do futuro, ele já havia começado a tomar seus goles de whisky e estava zonzo. Betty, no entanto, apenas sentiu o cheiro da sua loção. Seus óculos estavam no chão e olhou dentro dos olhos dele como nunca antes havia olhado, pois nunca havia estado tão perto dele. Logo, viu seus lábios carnudos avermelhados e sentiu uma corrente elétrica atravessando seu corpo. E com ela uma vontade incontrolável de beijá-lo.

“É agora ou nunca!” -pensou

Armando não esboçava nenhuma reação, apenas olhava assustado, surpreso. Não gritava, nem tampouco a empurrava, apenas esperava sua reação.

Logo, deixando-se levar pela quentura que sentia em seus lábios, o beijou de forma doce. Queria morrer ali. Olhou de novo para ele e apertando-lhe deu-lhe outro beijo de olhos fechados, desta vez mais apaixonado. Não queria nem abrir os olhos, provavelmente ele iria empurrá-la, gritar com ela e até demiti-la. Mas para sua surpresa, Armando correspondeu a seu beijo, agarrando-a pela cintura. Com a outra mão, aproveitando-se que Betty havia caído com a saia levantada, colocou a mão e tratou de levantá-la ainda mais até que o conteúdo encostasse no volume entre suas pernas.

Betty não conseguia mais raciocinar, muito menos entender em que momento ele havia abaixado as calças e tampouco porque estava correspondendo aos seus anseios. Mas ele estava ali, beijando-a, apertando-a e virando-a para baixo. Logo, começou a possuí-la de forma doce e gentil, como um verdadeiro príncipe.

—Te amo, Seu Armando! -sussurrava no ouvido do seu chefe, enquanto ele a possuía tão imponente e lindo como sempre a ela, Betty, a Feia. -Faça de mim o que queira!

—Vou fazer sim! Vou te fazer minha!

Mas era um sonho, como tantos outros que tivera com ele, desde se descobrira apaixonada por ele. Alguns bem inocentes e românticos, outros mais eróticos como este.

Logicamente, não estava no sofá da Ecomoda, muito menos em Bogotá. Se lá estivesse, já acordaria sorrindo. O que não imaginava é que ao seu lado, Armando havia sonhado praticamente o mesmo, sempre tinha estes sonhos com Betty e geralmente acordava gritando, como em um pesadelo, mas logicamente foi antes dela voltar e fazerem amor pela primeira vez.

Naquele dia, após acordar abraçado à Betty em posição de conchinha pela primeira vez, sentiu um cheiro de mel, adentrando suas narinas, Armando deu-lhe um beijo nas bochechas apertando seu corpo contra o dele. Sentia ternura ao olhá-la, sentia ternura em sua vida por alguém que não era de sua família. Não se lembra se foi a primeira vez que sentia isso por ela, mas queria que o tempo acabasse aquele momento para não ter que voltar a sua vida normal.

—Bom dia!

—Bom dia, Seu Armando!

—Olha, pode começar a me chamar de Armando, não?

—Ai, estou tão acostumada, doutor!

—Doutor, também poderia deixar.

—É que é meu doutor, não?

—Sim, e minha doutora Pinzón. -beijo

—Sabe... (sussurrou em seu ouvido, provocando um arrepio) Quero sentí-la de novo!

—Sim, Seu Arman... Armando. Beijou-a e começou a acariciá-la-

(Ele sentiu aquela mesma corrente elétrica que sentia cada vez que a tocava. Era algo indescritível: parecia um choque elétrico, um frio na espinha que percorria todo seu corpo, passando pela boca, fazendo com que a beijasse e não conseguisse desgrudar-se dela, descia pelo peito, até culminar em seu órgão. Não havia como resistir a isto. A primeira vez que percebeu que sentiu isso com Betty foi quando fizeram amor pela primeira vez. No entanto, o que não sabia é que quando fazia, seu coração batia alucinado no mesmo compasso de sua ex-assistente quando davam prazer a seus corpos.)

Betty, por sua vez sentia esta mesma corrente elétrica indo e voltando do corpo de seu amado. Já sentia isto há muito tempo: desde que ele havia posto a mão em seu ombro antes de uma reunião na qual teria que confrontar Daniel Valência pela primeira vez. Muito provavelmente, o doutor nem o percebera. Mas naquele dia em que caiu em cima dele, sentiu de novo e bem mais forte, ia e voltava como se ele sentisse o mesmo. Era um desejo, uma energia incontrolável, por isso, queria beijá-lo ardentemente e por pouco não o fez.

Desde que voltara à Ecomoda e começaram a fazer amor, tornou a sentir esta mesma corrente percorrendo todo seu corpo, unindo-o incontrolavelmente a ele. Não havia mais motivo para resistir. Começava com um beijo na boca, seguia com um aperto na cintura e era suficiente para deixá-lo fazer dela sua propriedade.

—Te amo! Te amo! -confessou-o

—Também te amo! Sabe que gosto de fazer amor pela manhã.. Que bom que também gosta. -beijo

—É seu café-da-manhã?

—Você é meu café-da-manhã! -Disse ele com sua voz rouco sedutora

—Se quiser, peço algo para tomarmos aqui! Um café, um suco.

—Sim, pode ser!

Betty pede café, bolo, pan de bono para os dois.

—Aqui, com você, estou tendo vida de rei!

—Ah, mas você tem vida de rei!

—Nem sempre! Às vezes nem tomo café direito. -beijo -O que vai fazer hoje?

—Hoje tem show do Franco de Vitta em um baile.

—Ah sim! E aquele tipo vai lhe acompanhar, não é?

—Seu Armando...

—Eu sei! Mas não gosto.

—Hummm.... -dá-lhe um beijo

—Não é ciúmes, Beatriz!

—Não estou falando nada! -beijo

—Deste jeito vamos começar de novo...

—Eu tenho que trabalhar!

—Quisera ainda trabalhasse para mim!

—Eu trabalhava, mas era feia e você nem aí... -riu-se

—Não fale assim, vai! Queria que ficasse aqui comigo! -beijinhos

—Hoje tenho muito trabalho, viu!

—Deveria trabalhar por conta, com seu escritório de Finanças, Contabilidade, sei lá! Por que não toca a Empresa de Investimentos TerraModa? Um escritório, chama seu pai! Ao menos vai ser livre e pode prestar serviços para a Ecomoda!

—Sabe que não é má ideia?

—Sim? Não é só a senhorita que tem ideias aqui, doutora!

—Sempre te achei inteligente e criativo, doutor!

Com Betty, Armando se sentia livre e diferente de com outras pessoas. Podia revelar-lhe seus pensamentos, ser ele mesmo, carinho, doce, ela o entendia, assim como entendia quando ficava bravo ou gritava. Sempre foi sua cúmplice, sua melhor amiga e isto era o que tinha de mais atrativa: o amor e o desejo que tinha por ele a fazia mais do que a bela forma que adquirira com os conselhos de Catalina.

Estava tudo tão perfeito que Armando nem se lembrava de quem chegaria naquele dia...

Quando Betty saiu para trabalhar com Catalina, Armando se despediu. Precisava confiar nela, nunca havia sentido ciúmes e não podia deixar que isto o dominasse. Mas não era fácil ver o francês de braços dados com sua Betty desfilando por aquele paraíso tropical e ele tendo que fingir que não estava nem aí.

—__________________________________