E se...(naquele dia) Betty e Armando
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Antes de ir a mais uma etapa, Catalina e levou a outro salão onde fez uma escova. Depois foram ao shopping almoçar e comprar novas roupas, inclusive um de baile para noite: um vermelho cintilante com decote ombro a ombro.
Betty estava divina. Naquele dia, irradiava felicidade, um trabalho que, embora, não fosse em sua área, a permitia conhecer pessoas novas, viajar, conhecendo novas culturas e lugares. Vestir-se bem. Mas sobretudo estava muito bem, após mais uma noite nos braços de seu príncipe encantando. Sua pele, seus olhos e seus cabelos brilhavam.
—Ah, vejo como está linda, Betty!
—Ai, obrigada, Dona Catalina. -riu-se- Devo tudo à senhora!
—Não vem com essa, Betty! Algo aconteceu aqui! Não vou exigir que me conte, mas esta não é mesma Betty que veio à Cartagena! É uma nova mulher!
Seria mais uma etapa do concurso. Betty aguardava ansiosa para ver Armando, nem parecia que havia passado a noite inteira com ele. Se sentia uma adolescente.
Armando se arrumava para encontrar Betty. Tinha raiva de saber eu era só o acompanhante de Catalina, (e nesta noite nem isso, pois Cata esta noite faria companhia ao cantor Franco de Vita) enquanto Michel podia acompanhar Betty em todos os lugares e vestir-se com as mesmas tonalidades como ela, parecendo um casal por aí. Mas tinha que engolir isto, havia prometido a Betty. Fazia o nó na gravata, quando alguém lhe chamou.
—Sim, vou estar lá! Não, não precisa, já tenho!
—Mas como não, meu irmão! Te espero lá! Já está tudo arrumado!
—CALDEIRÓN! ESCUTA-ME!
—Escute você, irmão: tranquilo!
O desfile corria normal, Betty assessorava Catalina em mais uma etapa do Concurso.
Armando adentra o clube com o convite em mão, logo, encontra Mário
—Olá, meu irmãozinho!
—Oi, Mário.
—Que cara é essa? Procurando alguém?
—Ninguém em especial.
—Disse que estava com uma moça, quem é? Quero conhecê-la!
—Deixe-me, Caldeirón! O que quer?
—Quero te apresentar umas moças que conheci. Precisa ver, é só falar no seu nome que elas vêm como moscas! Sua fama o precede!
—Mário!
—Precisa ver que bombons! Não sei para seu gosto refinado, mas... Para comemorar sua solteirice, está valendo! Aqui! -Mário puxa Armando para encontrar-se com as moças com que havia falado.
Eram cerca de umas cinco moças, muito bonitas, duas morenas, duas loiras e uma ruiva. Mário jogava um papo de que poderiam desfilar para a Ecomoda. Papo vai, papo vem. Uma delas estava com o braço em torno de Mário e começava a lhe dar beijinhos.
—Mas você tem alguma experiência como modelo de desfile? -perguntava Armando -Pois no momento em Ecomoda é o que estamos procurando. Acabamos de lançar uma coleção, mas já temos que nos programar!
—Relaxa, irmãozinho! Perdeu a habilidade? Não é hora de falar em trabalho!
Um garçom passou com uma bandeja e Armando serviu-se de um whisky.
—Isto, relaxa!
Neste momento, Armando viu Betty no palco conduzindo Franco de Vitta. O cantor reconheceu a moça que o ajudou a encontrar Catalina no hotel.
—Ah! Lá está ela! -Armando avistando Betty de longe
—Mas que passa, irmãozinho? Está tudo arrumado já! Você anda meio estranho, aéreo... Acaso não gosta mais...
—Do que está falando, Caldeirón?
—Destes bombons que arrumei...
—Sim, são bonitas mas...
—Bonitas? São belíssimas! Que foi? Está perdendo o gosto? Está inclinando para o outro lado?
—Que outro lado?
—Sei lá!
—DEIXE-ME EM PAZ, CALDEIRÓN!
(Virou o copo de whisky e foi ver se encontrava Betty)
—E o Armando? -perguntou uma das moças
—Ah, é que vocês não conhecem ele. É meio estressado, sabe? Foi ver coisa de trabalho.
—Ah, então..
—Fiquem tranquilas! Está tudo certo para hoje à noite!
Armando saiu da companhia de Mário para procurar Betty, mas não a encontrou, pois estava nos bastidores do palco com Dona Catalina.
—Oi, Betty! Está tudo pronto?
—Sim! As modelos serão as próximas!
—Ótimo, Betty! Aí, logo depois do Frank começar a cantar, as misses chegam com seus vestidos de baile.
—Olá!
—Michel! Que bom que pegou sua credencial!
—Oi, Betty!
—Olá, Michel! (Beijos na bochecha das duas)
Depois, Michel foi cumprimentar os outros.
—Ah! Betty, como Armando é presidente de uma das maiores empresas de moda da Colômbia, e um dos jurados faltou, o inscrevi como jurado nesta etapa!
—Ah...
—Oficialmente, ele é presidente, embora quem esteja exercendo seja Seu Roberto.
—Ah sim...
—Ah, sabe quem estará hoje também? Um de seus ex- chefes de Ecomoda: Mário Caldeirón!
—Seu Mário? (Sentiu como uma pontada no peito. O companheiro de farra de Armando estava em Cartagena.)
“Agora, estes dois juntos, quem segura?”
—É...sim.!
Sem conseguir encontrar Betty, Armando serve-se de outro copo, enquanto vai beliscar alguma coisa.
—Te encontrei, irmãozinho! As garotas estão esperando.
—Caldeirón! Te disse que estou trabalhando, não estou aqui para tonterias!
—Estou falando que está esquisito! Vou marcar para mais tarde!
—DEIXE-ME!
—Combinado, hein!? Não me decepcione!
Armando entra pela porta destinada aos jurados, não queria falar que seria um dos jurados para Mário não ficar pedindo para arrumar esquemas com as misses.
Logo depois do Show de Franco de Vitta e mais uma etapa do Concurso, todos foram para um coquetel no clube frente ao mar.
—AH! Te encontrei meu irmãozinho! Olha, já está tudo combinado! Depois daqui para meu quarto.
—Que seu quarto, Mário?
—Tranquilo, estimado vice-presidente!
—Do que está falando?
—De nossa noite! Como nos velhos tempos! -esfregou as mãos
—Te avisei que estou com uma moça. NÃO ME ENTENDE?
—Comporte-se como vice-presidente de Ecomoda! Acaso não estava noivo de Marcela e saía com outras?
—Caldeirón! Como vou te explicar? Estou hospedado com ela!
—E quem é? Eu conheço?
Neste momento, passou Betty, com Michel Dolnier ao seu lado. Betty não o viu.
—Betty! -Armando chamou-a, aí ela virou-se.
—Betty? -riu-se Mário
—Ah oi, doutor! Como vai? -sorrindo-lhe
Michel também o cumprimentou e fez um sorriso falso.
—Não te encontrei o dia inteiro! -Armando dirigindo-se à Betty
—Estivemos trabalhando o dia inteiro! -respondeu Michel
—Ah sim! Eu também! Agendei umas entrevistas. Fui jurado no Concurso. Aquilo que combinamos está de pé, Beatriz?
—Lógico, doutor!
—O que foi?
—Nada, Michel! Assunto de trabalho. -respondeu Armando a Michel, que estranha.
Armando volta para a mesa onde estava Mário, enquanto Betty fica conversando com Michel que está desconfiado de que há algo entre Betty e Armando.
—Não vai me dizer que... Hahaha!
—Que foi, Mário?
—Está hospedado com Betty?
—Estou! (virou os olhos)
—Hahaha! Olha, sempre achei que você agia esquisito em relação a ela, mas daí a ponto de ser fiel. De ficar com ela em um paraíso desses!
—Quem está sendo fiel, Caldeirón?
—Você! Brigou com Marcela para vir aqui! Nem olhou para as moças que arrumei! Só falta dizer que está apaixonado também!
—Que apaí...xonado o quê!
—Qual é? Nem estando bonita, vai assumí-la?
—E se for? O que você tem com isso?
—Olha, irmãozinho! Betty realmente ficou bonita, ficou de um jeito que eu pegaria...
—CALA A BOCA! QUE DA BETTY VOCÊ NÂO FALA, NEM A TOCA!
—Calma, irmão, calma! Já falei que é sua, sua! É como estou dizendo, ela está bonita e entendo que esteja tendo algo com ela, mas não a ponto de largar seu compromisso com Marcela.
—Não larguei nada! A Marcela é que me deu o ultimato, ou ficava lá ou vinha para cá, então vim!
—Veio atrás de Betty!
Ele virou-se para o outro lado.
—Não, vim a trabalho!
—Trabalho, sei! E onde está hospedado?
—E se for com ela, Caldeirón? Qual é o problema? Acaso é crime isso?
—Não! Agora não é! O que não entendo é que e você está com ela, quem é este que passou aqui com ela?
—É um ... amigo que conheceu aqui!
—Um amigo assim, com braço dado? Sua namorada tem um namorado, então?
—Não são namorados! É apenas um acompanhante para os eventos aqui!
—Ou são amantes?
Armando voa no pescoço de Mário.
—Minha Betty não é assim!
—Calma! Calma! Deve conhecer sua ex-assistente mais do que eu. Mas eles têm algo, não?
—Este tipo quer namorar com ela, mas eles não tem nada!
—E como você pode saber?
Armando olha com raiva para Caldeirón.
—Na vida de Betty não tem outro homem que não seja eu, Caldeirón!
—Está bem! Se você está dizendo... deve conhecer a sua ex-assistente mais que eu! Conta aí quanto tempo está rolando este caso de vocês? Foi desde quando voltou ou já a pegava feia mesmo? Pois ficavam sozinhos naquela cova...
Armando vira o olho. E sai!
—Ei! Não vai me deixar falando sozinho! Nós temos um encontro com aquelas beldades ali!
—Já não te disse?
—Betty está lá desfilando com aquele... e você vai ficar aí chupando o dedo? Qual é? É só para tomar uns drinks! Não vai rolar nada! Ah não ser que você queira! Vai bancar o bobo agora?
—Está bem!
Betty conversando com Michel, ficou prestando atenção em Mário e Armando rodeado de modelos. Um olhava para o outro, cheio de ciúmes.
—Não podia ir embora sem me despedir! -declarou Franco de Vitta -Com licença, moça bonita e simpática! É Betty, não?
—Sim! -deu-lhe dois beijos
—Muito obrigado, senhorita!
Findo o baile, misses encaminhadas para o hotel, Michel acompanha Betty e Catalina ao hotel, mas Catalina, achando que Betty está sozinha e que o motivo do brilho de seus olhos deve ser Michel resolve deixá-los a sós sobre o pretexto de falar algo com os organizadores. Quando estavam chegando ao hotel, Betty viu Mário e Armando entrando no elevador. Armando estava apenas ao lado conversando, mas Mário apertava uma das modelos e falava um monte de bobagens no ouvido dela. Para Betty mais que suficiente, pois sabe da preferência de seu ex-chefe pelas modelos.
—Ah sempre vai cair perante um 90-60-90!
—O que foi, Betty?
—Nada, Michel!
—Vejo que não está bem...
—Me deixe sozinha, Michel. Desculpe!
—Não disse que somos amigos? Não posso deixa-la só. Catalina não me perdoaria! Eu não me perdoaria.
—Está bem!
—Está triste! O que foi?
—...
—Você tem algo com aquele Armando Mendoza, seu ex-chefe?
—...
É porque ele está rodeado daquelas modelos? Não precisa me dizer.
—Se quer me fazer companhia, por favor, não me pergunte nada!
—Está bem.
Enquanto isso... No apartamento, Mário servia um drink a Armando.
—Pronto! Para que fique mais relaxado! E aproveite melhor!
—Não estou aqui para aproveitar, Caldeirón! Vim para acompanhar-lhe e tomar uns drinks!
—Então, toma!
—Obrigado!
Ele fica olhando a janela tomando seu whisky.
—Meu irmão! Vai ficar aí? Isto é uma festa!
—Caldeirón! Eu vim só para te acompanhar!
—Estou te estranhando! Será que foi para o time do Hugo ou Betty te amarrou de tal jeito que (ele vira os olhos) lembre-se que ela pode estar lá, sabe-se fazendo o quê com aquele ... amigo. (Armando fechou-lhe a cara, cerrando os punhos) -Reaja!
Mário faz cara de safado e pisca para uma modelo, que chega perto de Armando.
—Oi, quer outra bebida?
—Já estou tomando a minha!
—Você é o Armando Mendoza, presidente da Ecomoda?
—No momento, vice.
—Ah...mas não importa.
A modelo encoxou Armando, e agarrou seu pescoço, ele já meio tonto pensou “Não tenho nada perder!” Logo, se deixou beijar, mas logo lembrou-se de Betty, de seus beijos quentes, das noites especiais.
—Não!
—Que foi? (Virou o Whisky)
—Onde vai, irmãozinho?
—Desfrute sua festa, CALDEIRÓN!
Quando Armando chegou encontrou Betty sentada no sofá que fica no corredor em frente ao quarto de Betty, estavam tomando algo, Michel segurava as mãos dela que estava chateada.
—Boa noite!
—Seu Armando!
—Assustada? Por quê?
—Não!
—Olha, Armando...
—Relaxa, Michel! Fica tranquilo! Aliás, não é com você! Acho melhor você cair fora!
—Não eu não vou cair fora! Betty não está bem!
—E o que você sabe disso?
—Sei porque sou amigo dela e...
—Ah, é amigo? É amigo ou o quê mais? O que mais você quer ser? Um namorado talvez?
—Michel, é melhor você ir!
—Betty...
—Pode deixar, Michel, eu me entendo com ele!
—Está bem, Betty!
Betty entra no quarto, seguida por Armando.
—Lamentável esta cena!
—Lamentável é você com este tipo namorando na minha frente, na frente de todo mundo!
—Te disse que não temos nada.
—Ah não tem nada? Não é o que pensa todo mundo. Até Caldeirón os viu juntos e perguntou se minha namorada tinha um namorado!
—Seu Mário sabe que estamos juntos?
—Olha, não foge do assunto não! Você estava com este tipo aqui neste quarto sabendo que ele gosta de você!
—Não fizemos nada!
—Sabendo que poderia seduzi-la...
—Ah! Então, você acha que sou uma descarada para andar por aí com dois homens?
—Nunca diria isso! Acredito que não houve nada entre você e Michel está bem, acredito, se você diz, acredito.
—Seu Mário veio para cá também?
—Sim. Chegou hoje. Estava com ele.
—É eu sei... Eu vi.
—Ah tá. Não teve nada demais no quarto do Mário.
—Não estou te questionando, doutor!
—Não, mas eu quero explicar-lhe!
—Não se faz necessário!
—Faz assim!
—Não.
—EU DIGO QUE FAZ SIM! Eu fui lá apenas para acompanhar Mário, afinal, ele é meu amigo, veio até aqui e pedi que o acompanhasse. Fui para tomar uns tragos e pronto. Estou aqui!
Ela olhou bem nos olhos dele.
—Está Ok! Uma delas me deu um beijinho, mas foi só isso. Pedi licença, pois quero ficar com você.
—Ai, doutor! Elas são mulheres para o senhor! Deslumbrantes como as que desfilaram hoje, como as misses.
—Não! quero ficar com você! O que combinamos, hein? De ficarmos juntos, amanhã voltamos para Bogotá, tenho trabalho na Ecomoda. Meu pai quer conversar comigo. Mas nada muda, podemos continuar nos encontrando e... vou falar cm ele, quero que preste serviços para a Ecomoda como Economista. De passo que poderemos nos ver e ficarmos sempre juntos.
—...
—Olha, espertona! Sei que gosta de trabalhar aqui, mas não disse que seu pai pagou seus estudos para que fosse a economista brilhante que é?
—Sim.
—Então...
—Vão perceber a excelente profissional que sempre foi!
Segura-a no queixo e se beijam.
—Vamos namorando e aos poucos podemos assumir algo.
—Está bem. (Os dois se abraçam e se beijam. E fazem amor.)
“Não me arrependo nada de ter vindo para cá ficar com a Betty. Nenhuma é como ela. E entrega de verdade, totalmente apaixonada.”
—Te amo, Seu Armando!
—Também, Betty!
“Devo admitir que está me cativando de um jeito com esta doçura toda.”
—O que foi? -perguntou Betty estranhando o jeito contemplativo inusitado dele
—Nada. Só estou olhando para você!
No dia seguinte, Armando e Mário voltam à Bogotá onde seu pai espera para que conversem, diz que pensou bem e que, o filho parece bem mais maduro para reassumir a Presidência, que gostou dos contatos que fez em Cartagena e elogiou o Plano de Negócios
—Está ótimo! Muito bem elaborado!
—Foi Beatriz Pinzón que elaborou com minhas ideias e avaliou os custos.
—Quem?
—A Betty, a que era minha assistente.
—Ah sim, claro. Era economista. Muito boa profissional. Está até bonita e apresentável!
—Sim, está! Se vou reassumir a Presidência, quero que Betty venha trabalhar aqui na Ecomoda, mas não como minha assistente e sim vice-presidente financeira!
—Mas este é o lugar do Tabot!
—Tenho suspeitas de que faz negócios ilegais. Não gosto dos serviços dele.
—Bem, como presidente, você pode escolher quem quiser para compor sua equipe.
—_______________
Fale com o autor