E se...(naquele dia) Betty e Armando
14 Capítulo 14; Romance e Trabalho duro
Notas iniciais
A janela estava aberta, logo, o sol atravessou o quarto iluminando tudo. Ao sentir seu rosto queimando, Betty acordou e vislumbrou a visão de seus sonhos: Armando era seu travesseiro. Estava em seus braços, mais bonito que de costume, pois exibia um sorriso de satisfação nos lábios. Se não estivesse apaixonada, ficaria naquele momento. Levantou-se para fechar a janela e voltou rapidinho para aninhar-se de novo em seus braços e beijar seu peito.
Ao acordar, Armando não sabia onde estava. Sentia um calor fora do comum, parecia estar inundado de suor. Logo, enrugou o rosto, mas não por muito tempo. Ao ver Betty beijando-o, lembrou-se do que que havia acontecido na noite anterior.
—Bom dia, Betty!
—Bom dia, doutor!
—Nosso primeiro amanhecer juntos, que te parece? -toca-lhe o queixo (deve saber que ela fica louca com isso)
—Acordei com o brilho do sol -riu-se
—E eu com o brilho de seus olhos! -beijo- Depois de passarmos toda a noite nos amando.
—Parece um sonho, Seu Armando!
—Bem, poderíamos aproveitar e continuar a conversa que estávamos tendo ontem? Que acha?
—Conversa? (Ela não entendia a que conversa ele se referia)
—Esta! (beijou-a, apertando-a contra seu corpo. Logo, ela entendeu a que ele se referia)
—Não está cansado? (riu de seu jeito característico)
—Não mais! Este sono em sua cama, me revigorou! Sinto-me totalmente recuperado e pronto... Muito bom passar a noite contigo, minha Betty. O sol de Cartagena te fez muito bem!
—Você é que me faz bem, Armando Mendoza!
—Ah sim? (Logo, a apertou novamente, e virando-se sobre seu corpo, pôs-se a beijá-la, puxando o lençol que a cobria para baixo)
—Te desejo tanto!
—Faça o que quiser!
—Ah, Beatriz! (beijando-a, escorregando seu corpo quente por entre as pernas de Betty)
Logo, um telefone soou no quarto
—Não é o meu!
—É do hotel! -Betty riu-se constrangida, pois provavelmente era Catalina
Betty pegou o telefone, embrulhada no lençol, enquanto Armando agarrava sua cintura, beijando seu pescoço.
—Livre-se do que seja! Te quero aqui!
—Alô? Dona Catalina! Ai não! Ah, sim! A despedida de Taís Araújo! (Para! -cochichava para Armando) Não, não me esqueci! (Esqueceu sim!) Só não sabia que era tão cedo! Sim, estarei aí em 20 minutos! (Armando fez sinal que não, duas horas seria melhor) Se Seu Armando vai? Creio que deve ir.... Ah sim, ligue para ele!
(Desligou)
—Por que disse 20 minutos? Não íamos ficar aqui na cama?
—Não, posso! Tenho um monte de coisas logo pela manhã... e me esqueci completamente!
—É porque não são mais importantes que ficar aqui comigo! -agarrou-a
—Olhe, doutor! Por mais que eu queira, as coisas não são assim! Não posso deixar Dona Catalina na mão!
—Entendo... E como ficamos?
—Eu vou tomar um banho, me arrumo e desço para encontrá-la! Ligue seu celular que ela vai te ligar! Depois de sairmos, vá a nosso encontro!
—Poderíamos tomar este banho juntos!
—Não, doutor! Tenho que ir logo, está me esperando e não posso demorar!
Logo, Catalina chamou Armando, e ele fingindo surpresa, confirmou que estaria presente para acompanhá-la, pegou endereço e tudo. Enquanto isso, Betty foi tomar banho, com a porta trancada, sabia que como seu pai dizia sempre "O diabo é porco". Afinal, compromisso de trabalho é compromisso!
—Confirmei com Cata! E como ficamos, podemos nos ver à noite, após o coquetel?
—Lógico que sim! Onde pensava em ficar?
—Isso quer dizer que posso ficar aqui contigo?
—Deve, não?
—Hummm.... -gostei de ver, mais decidida!
—Sim. (beijando)
—Escuta, por que não descemos juntos e dizemos à Cata tudo? Afinal, não estou mais com Marcela... Aí, posso te acompanhar aos lugares!
—Ai, doutor! Não imagina como gostaria. Mas o que ela vai pensar? Há poucos dias era apenas sua ex-assistente de volta à Ecomoda e o senhor ainda namorava com Dona Marcela e agora já estamos juntos e... Ela não vai achar que tudo começou esta noite! Dona Catalina é muito esperta! E é grande amiga de Dona Marcela. Creio que não é o momento.
—Está bem, como sempre tem razão! (beijo) (“Que seja por isto e não por causa daquele francês!” -pensou)
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Betty logo desceu e para sua surpresa, Catalina e Michel tomavam café e comiam croissants na cafeteria. Ela não sabia que Michel também estava ali.
—Sente-se, Betty! Já tomou seu desjejum? -cumprimentou os dois com um beijo na bochecha.
—Não.
—Então, temos tempo!
Betty, então, sentou-se e pôs-se a comer, estava com muita fome.
(Por sorte, Armando estava no quarto. Ele, por sua vez, se arrumava e resolveu desfrutar da paisagem que vira à noite com Betty, já que a janela dava para a entrada do hotel, em frente à praia. Foi quando viu os três: Catalina, Michel e Betty saindo, alegres, do hotel)
—O que este tipo faz aqui? Betty não me disse que ele também estava! Calma, Armando! Deve ter vindo acompanhar Cata! Betty é só sua! (Armando não sabia, mas estava enamorado por Betty desde que haviam feito amor. Desde então, não saía mais com Mário, a não ser para trabalhar ou jogar conversa fora.)
Neste momento seu celular soou:
—Alô? Mário!
—Alô! E aí, tigre? Está em Cartagena ainda?
—Sim. E as coisas em Ecomoda, como estão?
—Aqui tudo está bem! Mas Marcela parece que ficou louca desde que se foi! Conte-me tudo, deve estar aproveitando muito aí! Com as beldades do concurso neste paraíso! Diga-me, com quantas passou as noites já?
—Com apenas uma! (É sério? -perguntou a si mesmo.)
—Não creio! Mas se foi assim, deve ter sido com alguma Miss ou quem sabe, uma rainha...
—Não, uma rainha, mas uma imperatriz! (riu porque lembrou-se de quando chamava Betty de “imperatriz”) Para quê ligou? Tenho compromisso agora!
—Calma, meu irmãozinho! É que queria saber se vai ficar até amanhã aí já que estou planejando ir também, já que também tenho convite!
—Olha, Caldeirón! Não sei se é uma boa ideia... ("Ah, não vem me estragar minhas noites com Betty, idiota!" -pensou)
—Calma, tigre! Não pense que pode ficar com todas para você! Tem que ter sobrado uma para mim!
—Não seja estúpido! Aparte de estar no paraíso, como dizes, estou trabalhando!
—A vida não é só trabalho, meu amigo! Chego aí amanhã e te chamo! Já pedi à Sandra que reserve-me um quarto, pois parece que a cidade está bem cheia!
—Está bem! Chama-me! (Virou os olhos, contrariado. Amava seu amigo como a um irmão, mas queria estar à vontade com Betty, nos tempos livres em que Catalina e Michel não estavam ao redor.)
Terminou de se vestir e foi se encontrar com Catalina, para acompanhar-lhe ao evento, mantendo o olho firme em Michel e Betty)
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Naquela noite, após o desfile, o quarteto foi a mais um coquetel.
—Ei, Michel! Sossega! -Armando já alterado pelo whisky -Já conheço Betty há mais tempo que você e somos... amigos. Não foi apenas minha assistente! E agora é minha hora de dançar uma música com ela!
—Tranquilo, Armando! (Meio chateado, mas querendo manter a educação)
—Grato, Michel! (Armando dando-lhe um tapinha nas costas) “Isto, fique aí! É minha!” -pensou
Os dois dançam:
(Loucura Mía -Los Tres Romanticos)
—Finalmente!
—Ai, doutor!
—Este tipo não desgruda de você, hein?
—Ele é meu acompanhante, doutor!
—Sei... conheço o tipo, gruda e não sai de cima. Tem o quê, mel, Beatriz?
Betty riu-se e balançou a cabeça
—Queria aproveitar que estamos aqui e dar-lhe um beijo!
—Não podemos, bem sabe!
—Sim, eu sei. Mas este vestido está me deixando louco! Se aquele se acerca de novo e ficar cheio de dedos em cima de você, vai ver!
—Doutor! Está vendo coisas! Parece louco!
—Sim. Estou louco sim e por você!
—Doutor! Aqui não é lugar, nem hora para isso! -riu-se
—Ah, está achando engraçado? Pois sabe que nenhuma mulher fez isto comigo e não vai ser a primeira, Beatriz! Não você!
Nisto, Armando a puxou para o canto escuro e a beijou.
—Ansiava por seus lábios. Até quando vai isto aqui?
—Tenho que ficar até depois do desfile. Aí vai ter uma festa na praia, mas acho que não tenho que ir, espero...
—Também espero!
—Vamos! Tenho que acompanhar as misses com Dona Catalina.
—Olha lá: os maiores repórteres de moda aqui!
—Por isto temos que nos cuidar, doutor!
Logo, Betty foi-se com Catalina, e alguns jornalistas conhecidos reconheceram e trataram de conversar com Armando, entrevistá-lo sobre o concurso e sobre quando pretendia voltar à Presidência da Ecomoda.
—Em breve! Por hora estou cuidando de um projeto e que se for viável, vocês irão ver um pedaço da Ecomoda não somente em toda Colômbia, mas em toda a América!
—Não pode nos adiantar algo?
—Por hora não! Deixa acontecer e te aviso!
Enquanto Armando conversava com os jornalistas, Betty seguia ajudando Catalina, direcionando as dançarinas que se apresentariam no evento, e depois as misses de cada estado para mais um desfile. Armando até queria olhar para as misses, mas seus olhos estavam fixos em Betty e sua desenvoltura na beirada da passarela. Catalina lhe havia dado uma grande oportunidade e ela havia mudado e para melhor. Era outra.
Infelizmente, não era apenas ele que reparava isto, mas também Michel.
—Como fui demorar tanto para perceber, Deus meu? É que ela não parecia ser assim, tão maravilhosa. Mas era muito inteligente, brilhante, sim sempre gostei dela, só não me atraía sexualmente. Mas gostava dela, sempre gostei. Um anjinho a ajudar-me!
Ao terminar mais uma etapa do concurso, uma espécie de lual se seguiu. Catalina estava cansada, então, só ficou um pouco. Já Michel estava muito animado.
—Você não gosta da praia à noite, Betty?
—Sim, como não, Michel? -riu-se
Algumas das dançarinas que ali estavam, às vezes faziam trabalhos de modelo para a Ecomoda, logo, conheciam Armando.
—Vejo que está sozinho. Não quer esticar conosco?
—Não estou sozinho!
—Não me diga que alguém já se encarregou de você, Armando!
(Armando olhava Betty)
—Sim. Deixe-me, Laurita. Sim?
Armando deu um grande bocejo e espreguiçou-se, chamando a atenção de Betty e todos os convidados. Logo, dirigiu-se a Betty o seu conhecido olhar de sedução, subindo e descendo as sobrancelhas. Ela ruborizou-se.
—Eu também estou cansada. Vou me recolher!
—Ah, fica mais um pouquinho, Betty!
—Ah, que estou cansada, Michel! Amanhã terei mais trabalho e...
—Está bem! Deixo-a no seu quarto.
Armando os olhou.
—Na porta, claro.
Betty deixou que Michel a acompanhasse até a porta do quarto e ele lhe deu um beijo na bochecha. Armando observava da escada, tentando-se controlar. Assim que Michel saiu, ele bateu na porta do quarto de Betty, que o abraçou.
—E se não fosse eu? (beijo)
—Eu sabia que era você!
—Podia ser o francesinho, aquele tipo irritante que fica te acercando. “Ai, ma cherie, Betty. Fique mais um pouco, Betty. Está cedo!” (imita o sotaque francês)
—Assim fica ainda mais divino, Seu Armando!
—Ah é? Gosta de sotaque francês agora?
—Nos seus lábios, mí amor!
—Aquele tipo fica te cercando, te babando.
—Mas estamos aqui, não? -beijo
—O que fizeste para encantá-lo tanto?
—Não fiz nada!
—Algo fez sim!
—Não. Só faço isto com você. -beijo
—Só comigo?
—Sim.
—E o que só faz comigo?
—Isto. Beijo- Betty agarrou seu pescoço e seu doutor fez-se de difícil para ver até onde ia. Logo, Betty deu-lhe um beijo quente e ele a agarrou pela cintura apertando-lhe contra a parede.
—Te quero, Betty! Não suporto que nenhum homem chegue perto de você! Nenhum te quer como eu! (Ela começou a passar mão em suas costas, fazendo caminho até suas calças, logrou abrir seu cinto, logo, suas calças caíram ao chão, ficando só de boxer, ele por outro lado, desabotoava seu vestido. O corpo deles estava pedindo por este momento de serem um só, desde aquela manhã.)
—Te amo, seu Armando! Te amo!
—Te amo, Beatriz! (beijo, segurando seu pescoço com uma das mãos)
Beijaram-se até se unirem em uma só dimensão de pele e sentimento. Assim foi mais uma vez, ora mais doce, ora mais desesperada e apaixonada. Por fim, Betty resolveu olhar o mar da janela do quarto e tomar ar.
—Está bem, Betty?
—Sim. Só quero tomar um pouco de ar! Está muito calor neste quarto.
—Sei... É nosso calor, Betty! (Acercou-se dela para admirar a bela paisagem.) -Mas tem razão! Vale a pena ver isso!
Mas quem disse que Betty poderia se refrescar sentindo a quentura do corpo de Armando em suas costas.
—Sabe, hoje teria coragem de dar-me aquele beijo se fosse minha assistente?
—Mas que hora para voltar a este assunto, doutor!
—É sério, Betty! Teria?
—Queria beijar-me? Ou não?
—Sabe que sim, meu doutor! Sempre quis. Mas... -riu-se -Não teria coragem, não. Iria me desprezar, sabe? Era muito feia, não o culpo. Até eu me desprezaria!
—Olhe, Betty! As coisas não são assim...
—Sabe que são, ou eram. -beijo- Mas não me importo!
—Sempre tivemos algo, sabe? O que tenho com você, nunca tive com mulher alguma! Esta confiança, a cumplicidade, amizade. (Beija sua testa)
—Estou falando de outra coisa. Sei que não te atraía, mas não me importa nada disso! -beijo
—Mas se tivesse me beijado naquele dia, e Mário não tivesse chegado... eu teria deixado sim. Quando caiu em cima de mim... com a roupa levantada, lembra?
Ela ficou ruborizada.
—Sim, lembro. -Ah, não minta, Seu Armando! – Sei como é seu gosto!
—Sim, eu sei que vai dizer que tenho gosto fino, que só andava com modelos, mas sei... naquele dia senti que...
—Sim, iria te beijar se Dr. Mário não tivesse chegado! Estava muito irresistível com aquela loção! E ficou meio que parado.
—Fiquei parado, pois fiquei surpreso, podia ter se machucado.
—Como?
—Não sei. Estava... não sei. Em cima de mim, sem os óculos, quente... não sei!
—Ai, como é mentiroso, Doutor Mendoza! (Puxou-o pelo colarinho do roupão.) Mas te amo mesmo assim!
—Não é mentira, estava diferente!
—Menos feia. (riu-se e o beijou com paixão)
—Hummm, venha aqui!
Beijaram-se e sentindo a brisa fresca do mar, voltaram a se amar até dormirem abraçados.
Continua...
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