E se...(naquele dia) Betty e Armando

11 Capítulo 11 Um banho de água fria


Notas iniciais
Armando estava animado naquele dia: passara uma noite incrível nos braços de Betty e pretendia apresentar o novo Plano de Negócios na reunião de Diretoria. Com certeza, iria recuperar a Presidência da Ecomoda, mas...

Betty dormia sobre o peito de Armando, ele era como havia sonhado, um príncipe encantado com ela. Em seus braços nada lembrava aquele homem bravo e irritado com tudo. Era doce e amável. Um sonho! Sua capacidade de amor era proporcional à sua braveza e nervosismo. E como dormia tranquilo. Teve vontade de acariciá-lo e beijá-lo e o fez no peito. Era seu Don Armando. Quando ele acordou, encontrou-a mirando-o com amor e sentiu uma ternura invadir seu peito. Nunca sentira aquilo por ninguém. Abraçou-a e beijou seus cabelos.

Mas aquele momento tinha que acabar.

—Te levo para casa! -cochichou -Acho que seu pai não te deixaria passar a noite fora ou dexaria?

—De forma alguma! -riu-se

—Ah! Seu sorriso! Sempre me alegro em vê-lo -beijo

Betty se levantou, embrulhada em um lençol e foi ao banheiro

—Mas quê? (Depois de tudo que haviam feito, esta mulher ainda sentia vergonha de ficar nua em sua frente. Isto lhe provocou uma risada.)

Logo, Betty se trocou e encontrou Armando já arrumado. Logo, ele a levou para casa e se beijaram, ela ficou mirando-a até entrar em casa. Como sempre, seu Hermes esperava por ela embrulhado em seu cobertor, parecendo o E.T. e sua mãe Júlia, ia atrás de seu pai.

—Mas deixa a menina! Ela teve que ficar trabalhando!

Betty sorriu, mas na verdade não ouvia nada que diziam. Estava nas nuvens e em seus ouvidos só conseguia ouvir os sussurros que Armando lhe falara durante o amor. Quando se viu estava em seu quarto, escrevendo em seu diário e dormiu abraçada a ele.

No dia seguinte, acordou mais cedo e animada. Iria pegar as coisas de Catalina e encontrá-la no aeroporto, sua chefe iria para Miami e a esperava no fim de semana para auxiliá-la. Mas não era isso que a entusiasmava em ir à Ecomoda. Ela sabia muito bem quem a estimulava.

Assim que chegou, passou pelo showroom, pegou as pastas de Catalina, subiu para o ateliê, conversou com Inesita, para finalmente, subir ao setor administrativo. Lá encontrou-se com as do quartel, ficaram um par de minutos conversando.

—Mas Betty! Que linda que estás!

—Seus olhos estão radiantes!

—Me conta, Betty! Está acontecendo o que foi previsto nas cartas?

—Ah não sei... (desconversando)

—Conta, Betty!

—Não era o Nicolás, então?

—Ai, meninas! Depois saímos e lhes conto! -mentirosa, conta nada- Seu Armando, está aí? (pergunta, sem saber que elas estavam desconfiadas dos dois)

—Sim.

As meninas avisaram que Betty estava entrando.

—Betty!

—Oi, Seu Armando! Como está?

—Bem, Betty! -mordendo os lábios -E você?

—Muito bem! (Deu-lhe um sorriso pícaro)

Imaginou-se indo até ele e beijando-o apaixonadamente, podia sentir seu cheiro.

—Betty! Betty!

—Sim, Seu Armando?

—Estava sonhando acordada? Comigo? -ela ficou vermelha -Olha, espertona, aqui temos que nos controlar! Temos muitos a nos vigiar, inclusive suas amigas.

—Sim!

—Ainda mais hoje que meus pais irão chegar daqui a pouco, assim como Daniel, Marcela. Todo cuidado é pouco.

—Sim, eu sei, doutor!

—Pensa que para mim também não é fácil!

—O senhor teve tempo de ler o Plano?

—Sim, mas não tanto quanto gostaria... Você não deixou! (risos) Vou me inteirar um pouco mais agora!

—O que fizemos foi adaptar o projeto original para algo mais perto da realidade! Quanto às ideias de modernização da Ecomoda, deixamos como está, por ser sua área.

—Sim, eu vou tentar entender.

—Eu vou pegar uns documentos que deixei na minha antiga sala, tenho que entregar para Dona Catalina.

—Ela vai vir hoje para a reunião?

—Não, creio que não. Ela vai para Miami!

—Você também?

—Não, só semana que vem!

—Olha, gostaria muito que participasse da reunião, mas sabe como é, a Marcela, ela só topa com você aqui, porque é assessora de Cata, quem ela estima muito.

—Não precisa falar, doutor! Desde que vim trabalhar aqui como secretária, sei como Dona Marcela me tratou! E jamais iria querer me indispor com ela, ainda mais agora que não trabalho mais diretamente com esta empresa.

—Bem, na verdade, acho que agora ela teria até motivo para te odiar, não? -dá uma olhada nela

—Dr. Por favor!

—Se eu pudesse morderia seus lábios pelo que fizemos ontem...

—Doutor! Aqui no escritório, não!

—Eu sei. Sabe que às vezes só obedeço a meus instintos.

—Sei, muito bem. Conheço-o muito bem.

—Mas ainda bem que você é uma moça sensata e discreta.

—Já peguei os papéis, doutor! Grata, vou indo.

—Ainda vai ficar na empresa?

—Sim. Vou aguardar a ligação de Dona Catalina.

—Antes de ir, passe por aqui. Para que saiba como apresentei o Plano de Negócios comemoraremos meu restabelecimento à cadeira de Presidente da Ecomoda, graças a vocês. Preciso que me diga quanto cobrarão pelo serviço. Está bem? Já tem os valores?

—Sim, eu te trago.

Beatriz sai da sala da Presidência, despertando a curiosidade de Patrícia, que voltou a ser secretária da Presidência, exatamente neste dia, por conta de chantagem de Marcela.

Os pais de Armando vão visitá-lo.

—Olá, Armando! Como vai?

—Bem, papai. Mamãe. -beijos

—Eu vou para sala da Marcela, esqueci de falar um negócio com ela.

—Sim!

—Armando, como vai? Soube que pretende apresentar um Plano de Negócios nesta reunião. Tem certeza disso, meu filho? Viu no que deu da outra vez? Quase teve a empresa embargada de dívidas pelos bancos.

—Desta vez estou mais consciente, não vou apresentar nada que esteja fora da realidade!

—Posso ver?

—Sim. É muito bem feito!

Roberto analisa o Plano de metas.

—De fato, está muito bem feito. Gostaria de te pedir uma coisa.

—Sim.

—Posso pedir que não apresente este Plano nesta reunião?

—Mas pai...

—É sério! Não apresente!

—Mas porquê, pai? -visivelmente triste

—Filho, você assumiu a presidência com um Plano audacioso e por pouco não afundou a Ecomoda! Pediu para assumir a presidência e com seu patrimônio conseguimos evitar que tudo fosse destruído. Logo, é muito cedo para que reassuma a Presidência!

—Pai, devo isso à Ecomoda! Este novo plano é ótimo e creio que com ele podemos sanar estas dívidas e fazer a Ecomoda progredir! O senhor não quer descansar?

—Sim, quero! Mas não quero às custas da Ecomoda e muito menos da união com os Valência.

—Ah...

—Sabe que Daniel quase soube que por pouco a Ecomoda não foi embargada pelos bancos e se assim acontece, perderíamos tudo!

—A Ecomoda jamais seria embargada, eu a teria protegido.

—Mas como?

—Eu teria protegido nosso patrimônio! (Não quer contar seus planos)

—Bem, estamos conversados.

—Pai, quero apresentar este Plano hoje.

—Estamos conversados! Se apresentar este Plano hoje, serei obrigado a expor a real situação da Ecomoda e com certeza, Daniel irá apresentar o seu e disputar a Presidência contigo e terei que apoiá-lo!

—O senhor sempre o apoiou, inclusive votou no plano dele contra o meu.

—Pois o dele era mais realista!

—O plano real dele incluía dividir o patrimônio e não unir as famílias.

—Isto é o que você diz.

—Você sabe que é!

—Ele amais vai fazer isso! Pois o casamento seu com Marcela faz com que as duas famílias estejam sempre unidas!

—Claro! o Príncipe e a Princesa da Ecomoda!

—Por quê? Não pretende mais se casar com Marcela?

—Cla-a-rooo que sim! Mas não acho que o casamento deveria ser condição para assumir a Previdência!

—N=nãã-o, não é! Mas faríamos muito gosto! Independente disso, tanto você quanto o Daniel são qualificados!

—Mas o Daniel não tem o amor que tenho pela Ecomoda!

—Pela Ecomoda ou pelas modelos?

—Falo sério, pai!

—Eu também!

—Mas aparte disso a união dos Mendoza e dos Valência se dará no seu casamento com Marcela. Por isto, para evitar comentários sobre sua gestão e problemas entre eles, abro mão de meu descanso, e você abre mão de apresentar este Plano de Negócios nesta reunião.

—Por favor...

—Está bem, pai.

—Já vai para a sala?

—Sim. Mas antes vou ao banheiro primeiro e ver uma coisa na produção e já volto!

Armando foi ao banheiro, chateado. Seu pai nunca confiou que, de fato, havia aprendido algo e poderia reassumir a Presidência. Sempre pensava no Daniel e não nele. Ficou triste e bebia um copo de uísque no banheiro. Foi quando pensou em Beatriz. Ela havia trabalhado naquele Plano com tanto carinho. Confiava nele, sempre confiou, mas que seus pais seriam capazes de fazê-lo. Ao sair, encontrou Mário em sua sala.

—E aí, tigre? Pronto para reunião e voltar a ser presidente?

—Esquece isso!

—Como esquece? Vai dizer que seu ex-mostrinho não preparou o Plano a tempo. Será que os cremes tiraram a inteligência dela?

—Você cala a boca, cretino! A Betty deixou tudo pronto! Está aqui! Perfeito!

—Deixa-me ver! (Mário leva um tempo analisando) Nossa, isto aqui está bom, hein?! Ficou bonita e continua inteligente. Agora deveria recontratá-la, para podermos apreciá-la!

(Armando fecha a cara e os punhos)

—Calma, meu irmão! Estou só brincando. Eu sei que ela é sua! Sua!

—Só não a contrato, pois acho que não aceitaria, ainda mais agora seria só de Vice-Presidente financeira, gerente, como assistente não dá! E mais a Marcela me mataria e a mataria.

—É se ele soubesse o que há entre vocês, realmente a mataria! Para você era só fazer o que sempre faz no apartamento dela e pronto!

(Armando fecha os olhos)

—Mas conte porque você não quer apresentar o Plano hoje?

—Por causa do meu pai...

(Armando explica a situação)

—Nossa!

—Sim! E o Plano de Betty está tão bem feito!

—Está, de fato! Jamais deveria tê-la deixado ir embora!

—Não deixei! Foi o Gutierrez! Foi quando não estava aqui para impedí-la!

—E o que faria?

—Não sei!

—Se soubesse que ela era tudo isso, meu irmão! Valia fazer de tudo!

(Ele fecha a cara de novo.)

—Calma! Calma! Você não sabia o potencial dela! Olha, até entendo seu pai, você quase afundou a empresa e por pouco não a embargaram!

—O que está falando, Caldeirón? Estávamos juntos nesta! Se a empresa fosse para ser embargada iria ser pela Terramoda de Betty!

—Mas ela foi embora, lembra? Achou que trabalhar para a Catalina era melhor que para você!

—A culpa é sua, Caldeirón!

—Eu hein? A sua namorada feiosa vai embora, e eu sou culpado!

—Já falei para parar com isso! Ela foi embora porque não aguentava a forma como a tratávamos. Como tirávamos sarro dela, ela ouvia tudo. Mas esquece, já passou! Nos concentremos aqui. Não vou poder apresentar o Plano e pronto! Ou meu pai irá a favor do Daniel. Diz que se me apoiar vai contribuir para briga entre os Mendoza e os Valencia!

—A velha história. Bem, vamos para a reunião?

—Ainda tenho 20 minutos! Vou fazer uma coisa e já volto!

Armando vai atrás de Betty na empresa. A encontra conversando com Inesita:

—Betty, posso falar um pouco com você?

—Sim, Seu Armando! (seus olhos brilharam)

—Então, Betty! Quero te dizer que o Plano que você e seu amigo prepararam está perfeito!

—Obrigada, Seu Armando! Transmito a ele.

—Mas infelizmente não vou poder apresentá-lo.

—Por quê?

—Gostaria de falar com calma hoje à noite sobre isso. Podemos nos falar?

—Ai, doutor!

—É importante, Betty! Acho que só você me compreende e admira. Meus pais não me dão nenhum crédito!

—Está bem, Seu Armando!

—O que foi?

—É que Dona Catalina não vai mais para Miami semana que vem, vai para Cartagena para trabalhar em um concurso de beleza e precisaria de mim hoje.

—Cartagena? “Não é onde ela conheceu aquele idiota que quer namorar com ela?” -pensou

Sim.

—Por favor, Betty! -a abraça

—V-vo-u dizer a ela que amanhã irei, hoje fico com o senhor!

—Assim que terminar a reunião, ligo no seu celular. Para combinarmos o local, um restaurante ou....

—Pode deixar!

(Ao ouvirem um barulho, eles se afastam)

Armando vai para a reunião de Diretoria, lá senta-se ao lado de seu pai, com um rosto apático. Nada importava. Se antes assumira a Presidência, apenas para derrotar Daniel, e trocou os pés pelas mãos, desta vez sabia sim o que estava fazendo. O Plano montado por Betty foi estudado, feito a seis mãos, bem estruturado e com muito carinho, incluía a modernização do maquinário da Ecomoda, promovendo o aumento da Produção, informatização da empresa, preparando a empresa para continuar na liderança no Século XXI.

Ao acabar a reunião, Armando ainda ficou um pouco na sala, de cabeça baixa, chateado. Nem mesmo Marcela com seus carinhos conseguiu tirá-lo dali. Até que Mário chegou:

—Bem, estimado ex-presidente, não há o que fazer! Deixemos para a próxima no fim do ano! Temos que voltar a trabalhar!

—Deixe-me aqui, Mário! Traga-me uma garrafa de whisky.

Mário trouxe e Armando começou a beber.

—Sinto-me um playboy inútil! Errei uma vez, admiti meu erro, mas para meu pai nada tem perdão.

—Não fique assim! Já tenho a solução: esta noite agendei com duas super-modelos para nos encontrarmos e irmos à forra. Faz tempo que não fazemos isso! E estas, posso te dizer, irmãozinho, tiram qualquer estresse. Qualquer coisa!

—Olha, Caldeirón! Já tenho um compromisso!

—Vai na casa da Marcela? Jantar com os Mendoza e os Valência? Estou sabendo!

—Até tenho esta chatice.

—Então, irmãozinho, mas podemos marcar para depois disso!

—Não, Mário! Eu já marquei com uma pessoa...

—Quem é, hein?

—É... uma... modelo... daqui.

—Ah eu conheço?

—Só de vista!

—Me mostra quem é!

—Depois! Agora me deixe em paz, Caldeirón!

—E o que vou fazer com as que agendei hoje?

—Vai você com elas!

—Elas toparam sair porque eu disse que Armando Mendoza iria também.

—É mas deixa para outro dia! Acho que você se garante!

—Eu acho que você está estranho!

—Estranho, como?

—Não sei! Está diferente! Dispensar supermodelos...

—Olha, Caldeirón! Estou tenso, frustrado! Hoje era um dia sonhado para mim! E para não criar briga com o Daniel, meu pai não quis que eu apresentasse meu projeto.Estou chateado! Já basta este jantar! Não quero sair com amiguinhas, quero beber e desabafar!

—Hummm...

(Armando fica prostrado em sua cadeira)

Enquanto isso, Betty liga para Catalina e a avisa que não poderá ir hoje para Cartagena, pois seu pai não a deixaria ir (na verdade, não deixaria mesmo) Mas que estará sem falta no dia seguinte à tarde.

—Ai, Betty! Sem falta! Imagina que Michel já estava pronto para ir à Bogotá hoje, me pediu até o endereço de sua casa e da Ecomoda, mas quando soube que iria vir, ficou ansioso!

Betty fica super sem graça, tentando desconversar, gosta muito de Michel, mas como amigo, gostaria de se apaixonar por ele, mas seu coração já tem dono.

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