Capítulo VIII

Eu não estava conseguindo andar. Minhas pernas meio que viraram gelatina quando o Eduardo sussurrou daquele jeito na minha orelha.

Respirei fundo tentando acalmar o meu coração, que estava batendo que nem um louco, e me forcei a dar um passo para frente. Eduardo apertou minha mão com mais força e me acompanhou.

A música que estava tocando me ajudou a relaxar um pouco. Inclusive me fez sorrir.

– O que foi? – Eduardo perguntou.

– Eu acho o clipe dessa música engraçado – expliquei.

– Não conheço... – Eduardo franziu ligeiramente a testa.

– É, você vive em Marte, Eduardo – girei os olhos. – A menina passa o clipe todo tentando chamar a atenção do vizinho gostoso e no final ele dá o número do telefone dele para o guitarrista da banda dela.

– Você sabe que esse não é bem meu estilo de música...

– É, o seu tipo de música fala em acender o fogo dos outros – ergui levemente a sobrancelha, o desafiando a responder.

Só que uma amiga resolveu nos interromper. Ela nem falou nada. Só voou em cima de mim e eu, pego de surpresa, quase caí.

– Fred!!!! – ela exclamou toda feliz. – Por que você não me avisou que vinha? Senti tanto sua falta, seu doido! Ideia de jerico essa sua de passar anos sem vir aqui! Essas festas não têm graça sem você! Não tenho ninguém pra ficar falando mal da roupa dessas metidas! Isso sem contar que todo mundo aqui só tem uns papo furado sem a mínima graça, e eu tenho que sorrir fingindo que tudo está me agradando, porque senão viro a megera antipática da cidade. Ou melhor, desse fim de mundo! Aiii, você tem que me contar sobre São Paulo, aquilo sim que deve ser cidade e...

– Camille, Camille, CAMILLE! – gritei até que ela finalmente parasse de falar. – Nossa, criatura, teu fôlego não acaba?

– Você sabe que não acaba – ela sorriu e voltou a me abraçar toda animada. Acabei sorrindo também e correspondendo ao abraço.

– É bom te ver. Você não mudou nada.

– E você está arrasando nesse vestido! – Camille disse antes de me segurar pela mão e me fazer dar uma voltinha.

Eu sorri e falei que ela também estava deslumbrante. Camille não tinha uma beleza do tipo ‘nossa, como você é gata, guria!’, mas era tão simpática e feliz que, ao meu ver, era a pessoa mais bonita de Dois Irmãos.

– Inveja desse teu cabelo – ela disse enquanto tocava de leve nos meus fios ruivos. – É um saco ser loira numa cidade com 99,9% de loiros. Não tem como se destacar!

– Pinta, ora! – incentivei.

– Ah, não ficaria bom. Ruivo bom é ruivo natural.

Só então eu percebi que eu meio que havia deixado o Eduardo de lado, e ele não parecia nada feliz. Com certeza estava achando a festa um saco.

– Camille, deixa eu te apresentar... – segurei a mão dele de leve fazendo com que Eduardo voltasse a atenção para nós. – Esse é o Eduardo. Ele é... é...

– Sou namorado do Fred – Eduardo estendeu a mão para ela e cumprimentou ao perceber que eu havia travado.

Camille ficou com aquela cara de paisagem e quase não apertou a mão do Eduardo. Depois de cumprimentá-lo, ela me puxou para o canto e começou a falar tão rápido que eu nem consegui entender direito.

– Eduardo não era o teu chefe que você vive dizendo nos e-mails que odeia? E como você não diz que o cara é um deus grego desses? Ele é lindo!

– É, eu sei que ele é... – suspirei. – E... Bem, eu não o odiava. Eu só não queria sofrer, então tentava me convencer que era ódio. Nunca imaginei que ele pudesse me dar bola um dia.

Era óbvio que eu me sentia péssimo por estar mentindo assim na cara dura para a minha melhor amiga, mas eu tinha que ver se ela, que me conhecia até o último fio de cabelo, cairia naquela história. Se ela caísse, qualquer um cairia.

Enquanto ela ‘digeria’ a informação, me arrisquei a dar uma olhada ao redor. Algumas pessoas estavam apontando para mim e cochichando entre si, outras estavam babando para cima do Eduardo.

– Ai, eu fico tão feliz por você! – ela disse sorrindo e eu me senti meio mal por ver os olhos dela brilhando. – Você merece muito alguém que te ame. Eu sempre disse que você é especial, Fred e que encontraria alguém especial. Mas você insistia em não me ouvir.

– Obrigado – murmurei enquanto segurava a mão dela e pedia desculpas internamente pela mentira.

– Agora vamos dar um volta para que todos vejam seu namorado lindo! – ela exclamou empolgada.

Voltamos para perto do Eduardo, e segurei a mão dele enquanto avançávamos pelo salão.

Eu e Camille engatamos numa conversa animada sobre como estava indo a vida enquanto Eduardo olhava a festa. Havia muita gente, já que as outras turmas que se formaram conosco aproveitavam para se confraternizar também.

Afirmei para Camille que ainda não havia alcançado o meu sonho, mas estava perto disso.

– Aí você vai desenhar o meu vestido de casamento! – ela exclamou toda animada enquanto mostrava o anel de noivado.

– Lógico! Eu me sentiria ofendido se você usasse um modelo de outro estilista – falei sorrindo.

Percebi que o Eduardo ouvia a conversa atentamente, mas fingi que não estava o espiando de canto de olho.

– E as meninas? A Kátia, a Marisa? – perguntei.

– Ah, elas estavam lá fora conversando. Vou procurar elas e volto já! – Camille disse antes de se afastar.

Suspirei e fiz o movimento de que iria me afastar, mas o Eduardo fez foi me puxar para mais perto dele, fazendo com que nossos corpos ficassem ainda mais colados.

– Eduardo... – resmunguei enquanto tentava me afastar. Só que ele me fez virar de frente para ele e segurou meu queixo. Antes que eu tivesse chance de perguntar o que ele estava fazendo, ou protestar, ele colou os lábios nos meus. Arregalei os olhos e levei as mãos ao peito dele para afastá-lo, mas lembrei que não poderia fazer isso já que muitas pessoas estavam presentes e eu tinha de convencê-los que o Eduardo era meu namorado.

Entreabri os lábios permitindo que a língua dele invadisse a minha boca. Mesmo de salto, eu precisei ficar na ponta dos pés para conseguir enlaçá-lo pelo pescoço. Eduardo colocou a mão na minha nuca e eu senti um arrepio subir pela minha espinha. Eu confesso que um dos meus pontos fracos era a nuca. Àquela altura eu já tinha esquecido que estávamos no meio de um monte de gente. Um monte de gente que me detesta, diga-se de passagem.

Quando nos separamos (ar, por que você tinha que faltar?) permaneci de olhos fechados por alguns segundos. Ao abri-los, percebi que o Eduardo estava fuzilando alguém ou alguma coisa que estava em um ponto atrás de mim. Me virei lentamente e vi que era o Wagner, o meu ex. Ele me olhava com aquela expressão que eu conhecia muito bem: ‘quero te pegar, Fred!’. Eu acho que Wagner realmente gostava um pouquinho de mim, mas ele era um filho da mãe que ia pela cabeça dos outros.

– Vamos dançar – Eduardo me puxou em direção à pista de dança.

– Não, Eduardo! – tentei detê-lo, mas dificilmente o Eduardo escuta o que eu falo. – Por que está fazendo isso? – perguntei sem muita vontade de dançar. Eduardo passou a mão em torno da minha cintura e me obrigou a me movimentar junto com ele. Porcaria. Era por isso que eu não queria dançar. Esse atrito entre os nossos corpos vai me fazer surtar!

– Não gostei do jeito que aquele cara estava te olhando. Tenho direito de sentir ciúme, não tenho? Afinal, sou seu namorado – ele disse sem tirar os olhos dos meus.

Engoli em seco e tentei desviar o olhar, mas o Eduardo segurou meu queixo e depositou um beijo leve nos meus lábios.

Continuamos dançando em silêncio. Eduardo me virou, fazendo com que eu sentisse seu peito forte em minhas costas e afundou o rosto na curva do meu pescoço, onde ficou dando algumas mordidas. Fiquei completamente arrepiado. Sem perceber fechei os olhos enquanto me deixava levar pela música.

Até que a música agitada parou e uma lenta começou. Virei e olhei meio constrangido para o Eduardo, mas ele apenas segurou a minha mão enquanto a outra rodeava minha cintura.

O pior foi ter aquela sensação boa de proteção enquanto estava nos braços dele. Mas pior ainda era saber que tudo aquilo era encenação. Que o olhar terno e carinhoso que ele estava direcionando a mim era mentira.

Acabamos nos beijando de novo no meio da pista de dança e com certeza todos que nos viam pensavam que nós éramos o casal mais apaixonado da festa.

– Eu... estou com sede – falei assim que nos separamos.

– Só dançamos duas músicas e você já está cansado? Você é muito fraco, Fred – Eduardo gracejou.

Estranhei que ele tivesse me chamado pelo apelido, afinal ninguém estava próximo o bastante para nos ouvir, mas acabei deixando para lá.

– Vou pegar algo para a gente beber – Eduardo disse enquanto me soltava.

– Eu vou ficar esperando lá fora. Tem um jardim lá atrás e minhas amigas devem estar por lá ainda. Está muito quente aqui – reclamei enquanto procurava uma liga na minha bolsa para prender o cabelo.

Não sei o que deu no Eduardo, mas ele subitamente resolveu me puxar pela cintura, e minha intenção de me afastar foi rapidamente para o espaço quando ele voltou a tomar minha boca. Droga. Eu já disse que esse desgraçado sabe beijar muito bem? Acho que muito bem é pouco. Maravilhosamente bem. Fico só imaginando o que ele sabe fazer com essa língua... E é melhor não pensar mais.

Quando ele me soltou, eu virei e saí quase correndo do salão. Eu estava com medo de acabar com uma ereção na frente de todo mundo. Seria tão humilhante quanto a lata de tinta rosa na cabeça.

Havia bastante gente no jardim, mas eu fiquei aliviado pela brisa fria que corria. Percebi que o problema não era o clima, e sim o meu corpo que estava quente demais.

Eu sabia que aquela história de fingir que ele era meu namorado não iria prestar. Eu estava começando a esquecer que tudo aquilo era apenas encenação... E olha que haviam sido só uns quatro beijos. Eu acho que não vou sobreviver a essa noite.

Olhei ao redor e vi que Camille e as outras meninas estavam sentadas em uma das mesinhas. Elas acenaram para mim e eu fiz o movimento de que iria me aproximar, mas alguém me segurou pelo pulso. Pensei que fosse o Eduardo, mas era o Wagner.

– Me larga – falei friamente.

– Nós precisamos conversar.

Soltei um risinho irônico.

– Fala sério! – exclamei irritado.

– Estou falando! – Wagner apertou o meu braço com mais força.

Lancei um olhar desesperado para Camille, que imediatamente ficou de pé. Ela era que nem a minha mãe: uma amiga ursa. Iria chutar o Wagner para que ele me deixasse em paz. Não que eu também não conseguisse chutá-lo. Só que estava paralisado de raiva e susto por ele ter a cara de pau deslavada de vir falar comigo.

Mas antes que a Camille se aproximasse, quem apareceu foi o Eduardo, vindo sei lá de onde, e me puxou para longe do Wagner. Ele o olhou com uma expressão tão assassina que, se eu fosse o Wagner, teria colocado o rabo entre as pernas e corrido para longe.

– Fique longe dele! – Eduardo disse entre os dentes.

– Fred, você nem ao menos me deu a chance de explicar... – Wagner começou a dizer, mas eu o interrompi.

– Explicar o quê, Wagner? O porquê de você agir feito um idiota? Eu sei a razão! Você é uma Maria vai com as outras! Não pensou no que eu iria sentir. Só quis agradar o seu grupinho de amigos preconceituosos!

Àquela altura todo mundo já sabia que estávamos discutindo. Sabe como é, né, cidade pequena... O pessoal adora uma fofoca.

Ao ouvir o nome do meu ex, Eduardo ficou com uma expressão ainda pior.

– Então você é o cara que fez o Fred sofrer? – ele perguntou em um tom frio. – E ainda tem a cara dura para abordá-lo?

– Fique fora disso! Isso é entre eu e o Fred! – Wagner tentou me puxar, mas eu me esquivei.

– Tudo o que tem a ver com o Fred, tem a ver comigo! – Eduardo exclamou em um tom decidido. – Eu sou namorado dele e me preocupo com o bem estar dele. E sei perfeitamente o quanto falar com você seria prejudicial.

– Você tem medo que eu roube o seu namorado? – Wagner debochou.

Eduardo não era um homem violento. Essa era a sorte do Wagner. Porque pela cara que o Eduardo fez, tenho certeza que ele estava a fim de partir o idiota do meu ex em dois.

– Bem, é claro. – Eduardo respondeu friamente, com um sorriso sarcástico. – Estou morto de medo que o Fred me troque por um canalha estúpido de mente pequena, que não sabe pensar por si mesmo e que precisa usar métodos infantis e mesquinhos para se sentir bem consigo mesmo. É, estou bem preocupado em ser trocado por um enrustido que morre de medo da opinião alheia e deve viver até hoje se remoendo por perder a pessoa que gostava para o próprio preconceito e covardia. Eu só posso imaginar como você deve passar todos os dias se sentindo um estúpido por ter trocado o Fred por um bando de pessoas hipócritas que não sabem cuidar da própria vida, e não conhecem o conceito de respeito.

Meu queixo caiu quando ouvi isso. Eduardo estava mesmo me defendendo na frente de tudo mundo? Tá, ele já tinha me beijado e deixado bem claro que estava comigo, mas ainda assim eu não esperava que enfrentasse o meu ex em alto e bom som daquela forma. Engraçado que ele não parecia ter medo que essa história se espalhasse e chegasse até aqueles jornais sensacionalistas em São Paulo.

Eu não conseguia parar de me perguntar a razão pela qual ele estava fazendo aquilo. Passar a noite me beijando, dançar comigo, fingir que se importa...

E ninguém, além da minha mãe ou da Camille e as meninas, tinham me defendido dessa forma antes. Mordi o lábio com força, sem saber o que fazer ou o que pensar disso tudo. E, principalmente, tentando ignorar como o meu coração estava acelerado.

– Vamos embora daqui, Fred. Você não tem de aturar canalhas como esse daí, que continuam enfurnados nessa cidade pequena ridicularizando o sonho dos outros, porque não são capazes de ir atrás das próprias aspirações.

E eu me vi sendo arrastado sem conseguir colocar uma cara de “não tacho” no rosto. As pessoas ao redor também pareciam meio chocadas, mas eu realmente não prestei tanta atenção nelas quanto deveria.

Quando já estávamos a uma distância segura, comecei a tentar puxar o braço. Ele estava andando de uma forma aleatória. Acabamos indo parar em uma rua lateral ao invés de voltar para o carro.

– Você já pode parar de fingir, Eduardo! – exclamei. Ele estava me segurando com força e estava machucando um pouco.

Só que o Eduardo me empurrou até a parede mais próxima e me prensou.

– Eduardo... – murmurei sem conseguir entender o que estava se passando na cabeça dele. E eu continuaria falando, mas ele resolveu me calar com um beijo.

Gemi e levei as mãos ao peito dele. Mas ao invés de afastá-lo, afundei as unhas na camisa dele, querendo arranhá-lo. É, eu sei que não faço sentido algum.

Ele segurou minhas mãos e as levou para o alto para me impedir de escapar.

Como se eu tivesse alguma intenção de fazer isso...

Meus lábios se entreabriram quando ele pediu passagem. Ele poderia me beijar quantas vezes quisesse, mas ainda assim seria como se fosse a primeira vez. O gosto da boca dele me viciou completamente.

Quando percebeu que eu não iria fugir, Eduardo começou a diminuir a pressão em torno dos meus pulsos até me soltar de vez. Suspirei e fiquei na ponta dos pés enquanto serpenteava a minha língua para dentro da boca dele em uma briga muda pelo comando do beijo.

Obviamente, eu perdi. Eduardo tinha uma presença e uma vontade que me deixavam completamente rendido.

Eu gemia e perdia o ar. Eduardo me beijava com uma intensidade que estava me deixando zonzo. Meu falo já doía e meu corpo parecia não obedecer mais as ordens que o meu cérebro mandava.

Eduardo forçou um dos joelhos entre as minhas pernas fazendo com que eu as afastasse um pouco. Gemi quando ele ergueu o bendito joelho e começou a me acariciar. Era covardia, ah se era!

Uma das mãos dele deslizou até um dos meus mamilos e eu mordi o lábio dele com força quando ele começou a massagear o mamilo e o meu falo. Quando senti um leve gosto de sangue na pouca, diminuí a pressão com que o mordia, assustado por ter causado tal estrago. Mas o Eduardo pareceu se incomodar pela ferida, e tampouco diminuiu a intensidade do beijo.

Em resposta, comecei a erguer a camisa dele e trilhar lentamente os dedos por aquele abdômen sarado, memorizando com o tato as nuances que o corpo dele possuía. Sorri internamente ao sentir como ele se contraía e se arrepiava à medida que meus dedos avançavam.

Só que lá no cantinho do meu cérebro, ainda me restava um tantinho de lucidez gritando o quanto aquilo era errado e absolutamente insano, e que eu tinha de abrir os olhos e empurrá-lo para longe.

E foi isso que eu fiz.

Eduardo não estava esperando que eu o empurrasse, então quase caiu para trás ao ser pego desprevenido.

– O que você quer? – murmurei quase sem voz. Estava completamente sem ar para gritar. Quanto tempo nós tínhamos nos beijamos para que eu estivesse tão excitado e sem fôlego daquele jeito? Parecia ter sido um segundo, mas pelo jeito foi bem mais tempo. – Me enlouquecer?

– Fred... – ele deu um passo na minha direção.

– Não se aproxime! – exclamei irritado, sentindo-me pressionado. Eu não tinha para onde fugir. – Pare de fingir, Eduardo. Estamos sozinhos!

– Eu pareço estar fingindo? – Eduardo abriu os braços e eu deslizei os olhos pelo corpo dele. Meus lábios se entreabriram levemente quando eu percebi que ele estava tão excitado quanto eu.

– Você... – afastei uma mecha do meu cabelo que insistia em cair no meu rosto e o fitei sem entender nada. – Está excitado por minha causa?

– Não, Frederico... É por causa da Lady Gaga! – Eduardo ironizou. – Como alguém pode ser tão lento?

– Hey! – exclamei furioso. – Você não ficaria excitado por causa de outro homem! Você é hétero! – bem, não posso dizer que alguém ser hétero é uma acusação.

– Talvez eu não seja tão hétero quanto você pensa...

Tá, meu queixo despencou até o chão.

– Como assim? – balbucie nervoso. Uma luzinha piscou lá no fundo do meu cérebro, mas era absurda demais então eu tratei logo de apagá-la. – Você e a Jô...

– Eu não gosto da Joana. Não sei de onde você tirou essa asneira! – Eduardo exclamou impaciente.

– Da forma como você vive trocando de garota toda semana! – retruquei. – E da careta horrenda que você fez quando nos viu conversando naquele dia em que eu bati a testa no chão por causa da Marilyn!

A cara do Eduardo ficou tipo como estava quando ele me viu conversando com a Jô. Ele avançou até mim em passos rápidos acabando com a distância que nos separava. Achei que ia levar um soco no meio da cara – tá, ele não faria isso, estou sendo dramático –, mas ele apenas segurou a minha mão e levou ao peito onde o coração dele batia tão rápido que parecia que ia saltar.

Eu olhei da minha mão para o rosto dele, os lábios entreabertos, a expressão confusa. Eduardo suspirou e se aproximou lentamente da minha orelha.

– Estou apaixonado por você.