Capítulo VI

Eu estava com a cabeça encostada no vidro do carro alugado pelo Eduardo. Nós já estávamos andando pelas ruas de Dois Irmãos. Quando o Eduardo perguntou o que faríamos, eu disse que a única solução seria passar a noite na casa dos meus pais.

– E você é daqui? – Eduardo perguntou confuso.

– Dois irmãos. Fica a uma hora e pouco de Porto Alegre – respondi cabisbaixo.

– Você não parece muito animado em ir – Eduardo comentou.

– Tenho meus motivos – resmunguei sem querer entrar em detalhes.

Agora estávamos perto da morte... Digo, da casa dos meus pais e a minha vontade era saltar do carro e voltar correndo para Porto Alegre. Engraçado que quando a recepcionista do hotel disse que não tinha vaga, eu só pensei eu fugir para as ‘montanhas’... Agora estou no alto da serra e só penso em descer correndo.

– Você está quieto. Isso nunca é bom sinal – Eduardo disse de repente.

Trinquei os dentes.

– Se você não estivesse dirigindo, eu te chutaria!

– Chutaria, mas não iria doer porque você não tem força nenhuma – ele zombou. Registrei mentalmente que ele me considerava um fracote. Depois eu mostraria para ele quem era o fraco!

– Nós podíamos simplesmente ter voltado para São Paulo!

– Você sabe que não. Ainda tem a segunda parte do concurso amanhã.

Resmunguei insatisfeito e voltei minha atenção para a paisagem que passava lentamente pela janela. Eduardo era o tipo de pessoa que faz tudo certo. Se a pista era de no máximo 40 km/h, ele andava nos exatos 40. Pessoa mais metódica que ele não há.

Expliquei rapidamente para ele como chegar à minha casa. Dois Irmãos é uma cidade pequena. Nem de longe se compara com aquela loucura de São Paulo, o trânsito maluco, o mundaréu de gente. Dois Irmãos é uma típica cidadezinha do interior.

Eu não havia avisado que estava chegando. Queria evitar os surtos da minha mãe pelo telefone. Mas quando ela abriu a porta, me agarrou para um abraço de urso daqueles! Minha mãe é uma mamãe ursa. Sempre me protegeu com unhas e dentes. Quando eu contei que era gay, ela apenas suspirou e disse que já sabia. Mães percebem as coisas bem antes do que nós mesmos.

Meu pai, por outro lado, ficou bem decepcionado. Mas ele não brigou, nem tentou fazer nenhum tratamento de choque para que eu fosse “normal”. Disse apenas que não aceitava, mas que não ficaria jogando isso na minha cara.

Em resumo: que fosse feliz como bem entendesse.

– Frederico Silva Weiss – minha mãe exclamou furiosa assim que me largou. Eu já disse que tenho medo quando me chamam pelo nome completo, né? Minha mãe é bem rechonchuda. Eu sempre digo que é excesso de gostosura, aí ela cora e me manda calar a boca. – Você passa anos sem aparecer, liga só uma vez por mês e nunca aceita os convites para vir aqui no Natal e ano novo! Quer matar tua mãe do coração?

Eu ia responder, com alguma desculpa esfarrapada sobre falta de tempo (o que não seria uma mentira completa), mas levei um chute na canela e, ao olhar para baixo, vi que era um dos “tampas”. Meus irmãos mais novos. Gêmeos. Duas PESTES em forma de gente.

– Fabrício! Não chute o teu irmão! – minha mãe ralhou.

Os dois eram iguaizinhos. Só a minha mãe para conseguir diferenciá-los.

– Ow! Você está tão magrinho! Anda comendo só aqueles enlatados sem gosto, não é? Você vai passar o final de semana conosco? – e lá foi ela me agarrando outra vez.

– Mãe, mãe, mãããããããe! Eu não consigo respirar! – exclamei exasperado. Ela me soltou e ficou passando a mão em mim para ver se eu estava inteiro. Suspirei e olhei para trás. Eduardo estava no portão esperando ser convidado para entrar. Fiz um sinal e ele se aproximou. – Mãe, esse é...

– Seu novo namorado? – ela soltou a bomba antes que eu pudesse dizer que ele era meu chefe. Acho que fiquei da cor do meu cabelo.

– Meu chefe, mãe! – praticamente gritei. – Ele é meu chefe!

– Ah, muito prazer – ela estendeu a mão para ele e foi prontamente cumprimentada.

Ainda bem que ela não soltou uma pérola. Na última vez (e única) que eu inventei de trazer um namorado em casa, ela disse que o cara era tão lindo que até ela ficaria com ele. Nem preciso dizer que eu quis ser um avestruz para poder enfiar a cabeça embaixo da terra. Aí esse dito namorado aprontou e ela virou a mamãe ursa para me proteger. Mas eu realmente prefiro não lembrar do meu ex idiota, tapado, imbecil, energúmeno, estúpido...

– Então você é o famoso Eduardo! Fred fala muito de você.

– Mãe... – gemi.

– Imagino o que ele fala – Eduardo lançou um olhar de ‘nos entenderemos mais tarde, moleque’.

– Pode me chamar de Laura, querido. Sem dona ou senhora! Fico me sentindo uma velha! E vamos sair da porta – ela disse enquanto nos puxava para dentro de casa.

Eu vivi nessa casa a minha vida inteira. Só a deixei quando completei 18 anos e fui atrás do meu sonho em São Paulo. Minha mãe tentou a todo custo me convencer a ficar pelo menos em Porto Alegre, mas eu queria distância de Dois Irmãos. Não pense mal de mim. Eu amo os meus pais... Até os pestes dos meus irmãos, mas a cidade me sufocava. As pessoas daqui nunca aceitaram muito bem o meu jeito. Eu era sempre apontado na rua, riam pelas minhas costas (também bem debaixo do meu nariz).

Quando entrei, quase caí ao pisar em dos carrinhos que estava na sala. Eduardo me amparou e só por isso eu não dei com a cara no chão.

– FERNANDO SILVA WEISS!!!!!!! – minha mãe trovejou. – EU DISSE PARA TIRAR ESSES BRINQUEDOS DA SALA!


Se eu fosse o Fernando, correria para bem longe...

– Obrigado – murmurei enquanto me endireitava e me afastava do Eduardo.

– Você nunca tinha comentado de ter irmãos – Eduardo disse.

– E por que eu comentaria sobre essas duas pestes? – perguntei.

Pelo menos o nascimento de Fabrício e Fernando (eu já disse que acho ridículo o nome de todos os filhos começando com ‘F’? Só a minha mãe mesmo para seguir uma ideia fora de moda como essa) aliviaram as coisas para o meu lado. Meu pai disse que não era possível que tivesse errado mais duas vezes. Claro que doeu ouvi-lo dizer isso, mas pelo menos agora eu não tinha mais o peso de ter que me casar e dar netos para eles.

– Pink! – Fernando exclamou ao me ver.

Torci o nariz. Bullying dentro de casa. Os dois adoravam me chamar de coisas que julgavam ser depreciativas quanto à minha orientação sexual: pink, florzinha, mão leve... Não sei onde eles aprendem essas coisas. E é mais um dos motivos pelos quais eu mantenho distância de casa (mesmo morrendo de saudade da minha mãe).

– Oi mijão – Sorri divertido, enquanto ele catava os brinquedos. Recebi um olhar tão mortal, que só consegui sorrir ainda mais debochado. Há exatos dois anos, o Nando fez seu último ‘xixi na cama’. Minha mãe me contou por um telefonema e eu pude escutar um ‘não conta!’ sofrido ao fundo, enquanto o Fabrício gargalhava feito louco.

– Foi só aquela vez! Antes eu não fazia xixi na cama desde os cinco anos!! – Nando berrou e saiu correndo escada acima com os carrinhos.

– E o pai? – perguntei para a minha mãe, que obviamente não estava nada feliz com a amável interação entre eu e meus irmãos, e tampouco pela desarrumação da casa quando havia visitas.

– Foi ao supermercado comprar umas salsichas. Parece que você adivinhou que eu vou fazer Spätzle¹!

Ah Sim. Eu sou descendente de alemães. É meio difícil de acreditar com o sobrenome ‘Silva’ e esse cabelo vermelho, mas sou. Minha mãe e meu pai são loiros dos olhos azuis. Os pirralhos dos gêmeos também são loiros. Puxei o cabelo cor de fogo da minha bisavó. Ela era irlandesa e casou com meu bisavô alemão. Uma salada doida.

Enfim, só sei que eu, mesmo sendo descendente de alemães e tendo sido obrigado a comer chucrute² e variantes a vida inteira, não sou fã da culinária alemã. Spätzle é o único prato que eu como sem ficar fazendo careta. Minha mãe adora dizer que é por isso que eu sou um vara pau.

– Fica comendo cenoura o dia inteiro! – ela dizia revoltada. – Quem vive de cenoura é coelho!

– Vocês vão passar o final de semana aqui? – um dos gêmeos perguntou.

– Não. Vamos voltar para Porto Alegre amanhã cedo e de lá voltar para São Paulo – assim que eu terminei de falar, tive vontade de me chutar. Minha mãe estava com aquele olhar brilhante do tipo “meu bebê está em casa!” e quando eu disse que iria voltar no dia seguinte, o sorriso dela murchou.

– Por que, Frederico? – ela perguntou séria. – É a primeira vez que você volta para casa desde que foi embora e não pode ficar nem um final de semana?

– Eu tenho muito trabalho em São Paulo, mãe... – tentei explicar. – Nós viemos para um concurso em Porto Alegre e eu esqueci de fazer as reservas no hotel, aí o jeito foi vir até aqui para pernoitar, mas não podemos ficar.

– Quer dizer que se não fosse pela falta do hotel, você nem teria vindo? – minha mãe reclamou em um tom decepcionado. Eu quis me jogar na parede para ver se o meu cérebro funcionava! Minha mãe é a única pessoa dessa casa que não merece que eu a magoe e o que eu estou fazendo?

– Nós podemos ficar – Eduardo interveio.

– Quê? – exclamei surpreso.

– Um final de semana fora de São Paulo não vai nos matar – ele justificou, e minha mãe literalmente pulou em cima dele. Acho que o Eduardo se sentiu como eu me sinto quando a Marilyn me ataca. Depois ela se afastou pedindo mil desculpas. Sério. Eu acho que minha mãe é descendente de italianos e não de alemães. Oh mulher impulsiva e expansiva!

Então, em seguida, eu me vi sendo arrastado até o meu quarto antigo sem poder me manifestar sobre o assunto.

– Como a casa é pequena, vocês vão ter de se ajeitar no quartinho do Fred – minha mãe cantarolou.

O quarto estava tal qual eu havia deixado. Repleto de pôsteres de modelos e desenhos. Era bem... colorido. Corei ao ver o Sr. Floquinho, o meu ursinho de pelúcia, sobre a cama.

Eduardo me olhou com aquela cara de ‘você dormia agarrado com isso?’ e eu senti o rosto arder ainda mais.

– Vou pegar o colchonete, Fred. Seja um bom anfitrião e deixe o Eduardo com a cama.

Ela saiu e o Eduardo ficou andando pelo quarto. Fiquei meio nervoso. Ele parecia um inspetor investigando a cena de um crime.

– Essa cama é pequena – ele disse repente.

Realmente era. Os pés dele iam ficar para fora. Acabei rindo ao imaginar a cena e recebi um olhar atravessado.

– É isso ou dormir no chão.

– Prefiro dormir no chão – ele respondeu.

Não discuti e larguei-me na cama. Fiquei encarando o teto ouvindo os passos do Eduardo ecoando para lá e para cá.

– Parece que você não gosta muito da sua casa – Eduardo comentou de repente. Apoiei os cotovelos na cama e o encarei.

– Você viu como os meus irmãos me tratam? – perguntei um pouco irritado.

– Eles são crianças...

– Não justifica, Eduardo – balancei levemente a cabeça e levantei. Peguei o Sr. Floquinho e ia guardá-lo no armário, mas o Eduardo me segurou pelo braço. Ergui a cabeça e vi que ele estava com uma expressão que simplesmente detestava: pena.

Eduardo podia sentir qualquer coisa por mim, menos pena! Eu não tolero piedade. E eu quiria dizer isso a ele, mas minha mãe resolveu voltar naquele momento e nós nos afastamos.

Sinceramente, eu não entendo o Eduardo. Uma hora ele falta me engolir vivo e depois parece outra pessoa! Ah, geminiano bipolar de uma figa que só existe para me deixar confuso.

– Você vai à festa dos teus colegas da escola, não é? – minha mãe perguntou de repente.

– Que festa? – perguntei confuso.

– A semestral!

– É esse final de semana? – gemi. Era só o que faltava para tudo ficar ainda mais “perfeito”! – Mãe, a senhora sabe que eu não me dou bem com aquele pessoal... Nós nunca fomos amigos. Ainda mais depois do que eles aprontaram no baile de formatura. Não quero vê-los.

– É uma ótima oportunidade de mostrar a eles que você deu a volta por cima! – ela colocou as mãos na cintura e me encarou com aquela cara de ‘ou você vai, ou você vai!’.

– Mãe! – exclamei exasperado. – Que volta por cima? Todos vão continuar me vendo como o gay perdedor que eles podem pisar e humilhar! Eles têm a vidinha deles, os namoros, alguns até casaram que eu sei! Aí eu vou e chego lá sozinho? Eles só vão rir! Será que a senhora não vê que isso não vai me fazer bem?

– O que eu sei é que você tem medo e nunca se recuperou da peça que eles pregaram em você. Principalmente o Wagner! Você ainda gosta daquele cafajeste?

– É claro que não! – falei em um tom ofendido.

– Então vá lá e esfregue na cara dele que você está bem!

– Mas mãe... – choraminguei.

– O problema é por que você não quer ir sozinho? – ela perguntou. – O Eduardo vai com você. Assunto resolvido.

– Quê?! – meus olhos devem ter ficado do dobro do tamanho, tipo aqueles desenhos japoneses.

– Você vai com ele, não vai, Eduardo?

Eu me virei para dizer a ele que não precisava aceitar aquela ideia louca da minha mãe, mas acho que ele se viu obrigado a dizer “sim, eu vou”.

– Ótimo. Então você vai ser o namorado dele nessa festa, aí ninguém diz que o meu filho é um gay encalhado! – ela exclamou satisfeita.

Um buraco, por favor, eu preciso urgentemente de um buraco!!!! Aquela ideia de ser um avestruz agora seria ótima!

Como assim Eduardo vai fingir ser meu namorado? Será que a minha mãe ficou louca?

Eu nem consegui olhar para o Eduardo para ver a reação dele. E minha mãe continuou tagarelando o quanto seria incrível nós dois juntos na festa. Cerca de dez minutos depois de muita tagarelice, ela saiu do quarto nos deixando sozinhos.

– Você não precisa fazer isso... – murmurei sem jeito. – Eu vou convencer a minha mãe que essa festa é estúpida.

– Tudo bem, Frederico – Eduardo disse em um tom despreocupado. Mordi o lábio com força e me arrisquei a olhar para ele. – Alexandre me acusou de ser um péssimo chefe, de te explorar e de não dar valor ao seu trabalho. Estou em débito com você. Essa festa é importante para você e para a sua mãe. Não me custa nada passar uma ou duas horas lá.

– Fingindo ser meu namorado...

– Não é como se fossemos nos pegar em público, não é mesmo?

Balancei a cabeça e desisti de argumentar. Eu tinha a séria impressão de que aquilo não iria prestar.

– Agora... O que foi que aconteceu na festa de formatura?

Torci o nariz não muito disposto a responder. O Eduardo já conhecia aquela minha expressão, porque foi logo emendando:

– Se eu vou fingir ser seu namorado, preciso saber o que o tal Wagner fez.

– Nós não poderíamos conversar sobre isso outra hora?

– Você sabe que vai ter de me contar.

– Eu sei. É só que... Ainda dói falar nisso – murmurei.

Ele não insistiu e eu agradeci mentalmente por isso.

O jantar transcorreu sem grandes problemas. Meu pai, assim que me viu, lançou um olhar de interrogação já que eu apareci sem avisar, mas me cumprimentou e eu respondi de forma educada. Meu pai não era do tipo dado a demonstrações de afeto como a minha mãe, então o máximo que rolou foi um aperto de mão junto a um meio abraço com um tapinha nas costas. Ele também perguntou como eu estava e quanto tempo iria ficar. Depois o apresentei ao Eduardo e eles iniciaram uma conversa cordial.

Meus irmãos ficaram me chutando por baixo da mesa e em algum momento eu toquei um pedaço de cenoura na cabeça do Fabrício quando ninguém mais estava olhando.

– Mãe! O Pink tocou comida no meu olho!

– Não seja ridículo, pivete, não tenho mais idade para essas atitudes infantis. – Repliquei calmo, levando uma garfada à boca.

– Fabrício, não chame teu irmão desse jeito! – Nossa mãe recriminou. Fabrício deixou o queixo cair, o lábio inferior tremeu por alguns segundos em ultraje, mas ele acabou se calando com um resmungo vingativo.

Revirei os olhos. Criança, é, ‘tá bom. Era um pequeno demônio, isso sim!

Eduardo gostou tanto da comida da minha mãe que repetiu três vezes. Não que eu fique prestando atenção nele para ter contado isso. Eu estava com a séria impressão de que ele estava querendo conquistar a “sogra”.

Ai... Só de pensar nele fingindo ser meu namorado eu tenho arrepios. Uns arrepios bons que eu não deveria estar sentido. Vai ser só fingimento!

Eu acabei dormindo na cama. Eduardo se recusou a deitar naquele “pedaço de espuma que você chama de cama”. Ele ainda tentou, mas os pés dele ficaram para fora e eu tive um acesso de riso, aí ele foi para o colchonete.

– Melhor do que ser nanico. – Ele resmungou, virando no colchonete para o lado oposto ao da cama.

No dia seguinte, nós voltamos cedo para Porto Alegre. Confesso que dormi o caminho inteiro. Estava aproveitando para dormir mais do que quatro horas, já que eu trabalhava feito um condenado e caía da cama antes das seis quase todo dia.

Eduardo estava até com um humor melhor, mas depois do concurso, saiu soltando fogo pelas ventas dizendo que ter vindo ao Rio Grande do Sul havia sido uma perda de tempo e que ele não iria promover o desfile do vencedor do concurso porque o cara era um mané sem talento.

Tive que aguentar os resmungos dele durante todo caminho de volta até Dois Irmãos.

– Não sei com que roupa ir à maldita festa – comentei enquanto subíamos a escada até o meu quarto. Minha mãe disse que teríamos chucrute no almoço e saiu toda feliz para a cozinha nos deixando sozinhos.

– Você quer chocá-los? – Eduardo perguntou.

– Com certeza – respondi com um sorriso de “está perguntando se quer aprontar ou não justo para quem!”.

– Então vá com uma roupa parecida com aquela que usou na entrevista de emprego.

– Não sei. Um vestido também seria uma boa.

– Eu gosto mais quando você usa um look masculino. Eu já disse isso uma vez.

– É, e eu continuo achando que você abduziu o meu chefe chato e está se passando por ele, senhor E.T. – brinquei.

– Vamos sair – Eduardo me puxou antes que eu entrasse no quarto.

– Quê? – exclamei aborrecido. – Acabamos de chegar! Eu quero aproveitar o final de semana livre para dormir!

– Quero conhecer a cidade.

– Não tem muito que ver... – suspirei, mas você acha que o Eduardo me ouviu? Não mesmo. Agora eu seria guia turístico. Ninguém merece! – Tá, tá. Então vamos colocar algumas coisas em uma cesta. Estou morto de fome. Aí podemos ir até a cachoeira. É um lugar que realmente vale a pena conhecer.

Eduardo concordou, mas eu preferia que ele tivesse desistido da ideia boba de fazer um piquenique. Aquilo definitivamente não ia prestar.