Capítulo XVI

– Você deve ser obra de algum devaneio muito louco da minha cabeça... – murmurei sem conseguir me mover.

– Posso garantir que eu sou bem real – ele retrucou dando um passo para trás e eu quase fechei a porta na cara dele, mas o Eduardo foi mais rápido e conseguiu me deter. – Eu sei que você está magoado, mas nós precisamos conversar.

– Magoado? – exclamei incrédulo. – Eduardo, eu não sei o que você está fazendo aqui e não quero saber.

Eduardo levantou o Ipad que estava segurando e eu senti o meu rosto perder a pouca cor que ainda tinha. A entrevista que dei à Aimé estava como um dos destaques no site da Vogue.

– O que isso tem a ver com a sua vinda até aqui? – empinei o nariz, fingindo que a presença dele ali era irrelevante.

– Não se finja de desentendido, Fred! – Eduardo exclamou exasperado. Eu nunca tinha o visto tão... Ansioso e desesperado antes.

– Eu sou dissimulado, lembra? – joguei a acusação que ele fez no dia em que terminou comigo de volta na cara dele. – Me fingir de desentendido é fácil.

– Por favor – Eduardo pediu naquele tom me desarmava todo. – Só me escuta por cinco minutos. Se você quiser me expulsar depois, eu vou sem reclamar.

Soltei um suspiro exasperado, mas acabei dando um passo para o lado para deixá-lo entrar. Jean havia acordado com a discussão e foi cheirar o pé do Eduardo. Ela não era medrosa nem agressiva. Sempre que uma visita chegava ela ia lá, cheirava o pé da pessoa e voltava a se esparramar no tapete.

– Olá – Eduardo a cumprimentou e abaixou-se para segurá-la. – Como é o nome dela?

– Seus cinco minutos já estão valendo – retruquei. Eduardo continuou acariciando Jean que já estava toda manhosa no colo dele. Girei os olhos. – O nome dela é Norma Jean.

Eduardo me olhou parecendo surpreso.

– Você sabe que o nome de batismo da Marilyn Monroe é Norma Jean?

– É lógico que eu sei – passei os braços em torno da cintura e desviei o olhar. – Como a Marilyn está? – murmurei.

– Ela ficou muito triste um tempo, mas agora está melhor.

Balancei levemente a cabeça e esperei que ele dissesse o que queria, mas o climão estranho continuou entre nós.

– Eu vi o seu desfile... – ele disse lentamente. – Você estava muito bem.

– Eduardo, para de enrolar e diz logo o que você quer! – falei impaciente.

Ele colocou Jean no chão e se aproximou de mim. Eu estava me sentindo muito ridículo com aquele pijama e com a cara amassada, mas continuei onde estava, tentando parecer indiferente à presença dele.

– Eu fui um idiota.

– É claro que foi! – o interrompi, mas ele colocou os dedos sobre os meus lábios para me impedir de continuar.

– Me deixa falar... – ele sussurrou com a voz rouca e eu estremeci. Eu sou um fraco! Era só ele se aproximar para o meu coração ficar batendo feito um doido. – Eu estava louco de saudades de você. Queria ter vindo antes... Cheguei a comprar várias passagens para vir te procurar, mas desistia sempre horas antes do embarque. Eu via as suas fotos e pensava que você estava bem, que me chutaria assim que eu chegasse aqui. Mas aí eu vi essa entrevista... O que você disse me encheu de esperanças.

Tentei desviar o rosto, mas o Eduardo continuou segurando o meu queixo, me obrigando a olhar bem dentro dos olhos verdes dele.

– Eu nem sei direito o que dizer – ele deu um sorriso meio tímido e isso meio que me desarmou. – Só você para me fazer perder as palavras desse jeito.

Se ele não sabia o que dizer, imagine eu! Suspirei, ainda achando aquele sorriso tímido dele o mais devastador de todos. Era covardia sorrir daquele jeito para mim.

Eu ia retrucar e você sabe que quando eu começo a falar não paro mais. Porém, a Jean resolveu sair correndo que nem uma louca pela sala – não tenho ideia do que foi que ela viu – e acabou se estatelando de cara no aparelho de som que eu havia deixado no chão.

– Norma Jean! – exclamei exasperado.

Ela começou a choramingar. Eu e o Eduardo corremos para acudi-la. Quando ela se acalmou e ficou quietinha nos meus braços, eu sorri e ao olhar para o Eduardo vi que ele me fitava com aquele brilho no olhar que me deixava louco para agarrá-lo. Coloquei Jean com cuidado no chão e, ainda de joelhos, fui me aproximando lentamente do Eduardo.

Ergui levemente a mão e o toquei de leve na bochecha, como se quisesse provar que ele realmente estava ali, que não era mais um devaneio louco da minha cabeça. Só agora, olhando-o atentamente, que eu percebi o quanto ele estava magro. A barba estava meio por fazer e as olheiras mais profundas do que o normal.

Ele suspirou e fechou os olhos e eu continuei o tocando de leve, deslizando os dedos pelo rosto dele.

Até ele cansar daquele toque sem muita convicção. O Eduardo me puxou pela cintura e antes que eu tivesse tempo de pensar ou falar qualquer coisa, ele roçou os lábios nos meus.

Mas, não sei se para minha alegria ou meu desespero, ele não aprofundou o beijo. Ele só me deu um selinho e recuou.

– Me desculpa – murmurou.

Não sei por que, mas aquele pedido fez meu sangue ferver de raiva. O empurrei e, como ele não estava esperando, ele caiu sentado no chão.

– Você acha que um simples pedido de desculpa resolve tudo? – exclamei, enfurecido. – Todas aquelas coisas horríveis que você falou! Me acusou de ser dissimulado e eu nunca dei motivo nenhum para que você desconfiasse de mim!

– Eu tive medo – Eduardo disse enquanto se erguia.

Eu preferia que ele tivesse continuado sentado lá no chão. É difícil surtar para cima de alguém que tem o dobro da sua altura e pode te pegar e te jogar no sofá e... PARE FRED! Nada de pensar em sexo no sofá. Você está puto com o Eduardo! Lembre-se disso. Mesmo que ele tenha despencado lá do Brasil para me ver na mesma hora em que viu a entrevista... Isso não significa nada!

– O grande Eduardo Barelli com medo! – ironizei.

– Eu contei o que aconteceu no meu passado – ele me ignorou. – Tive receio de que tudo estivesse acontecendo outra vez. E você entende o que é isso porque também se fechou depois do que aconteceu com o seu ex.

– É diferente! – retruquei.

– Não, não é. Nós dois fomos magoados e acabamos nos fechando. Eu errei em te acusar daquela forma, mas eu sou humano, Frederico. Estava com ciúme, com raiva, com medo de te perder...! – ele falou em um tom tão atropelado e exasperado que eu quase não consegui acompanhar. – E o que eu fiz foi justamente te afastar de mim. Quando percebi o que havia feito já era tarde demais. E meu orgulho ferido pela falsa traição me impedia de vir te procurar para que você me explicasse o que havia acontecido.

– O Alexandre mostrou a gravação?

– Mostrou. Algumas semanas depois de você ter vindo para Paris.

– E mesmo assim você não veio me procurar!

– Fui covarde mais uma vez – ele sussurrou. – Nem eu conseguia me perdoar pelo que falei... Imaginei que você não fosse nem querer me ouvir.

– Eu te odeio, Eduardo! – exclamei irado. Ele fechou os olhos em uma expressão de dor. – Te odeio por ter derrubado todas as barreiras que eu ergui ao meu redor e depois me fazer me apaixonar por você. Eu só queria desenhar os meus modelos, aí você aparece e vira a minha cabeça de cabeça para baixo! E quando eu percebi que te amava, você tinha feito o favor de me chutar do escritório como se eu fosse um trapo velho! Aí eu tive que largar o meu sonho de ser estilista porque ficar perto de você era doloroso demais.

Tá, eu sei. Não estou fazendo sentido nenhum. Mas é que eu estou com tanta raiva dele e ao mesmo tempo quero pular em cima dele para fazer coisas inomináveis. Nem eu me entendo!

Eu ia continuar falando, mas o Eduardo me puxou pela cintura e fez com que eu me assustasse com o movimento.

– Me larga, Eduardo – resmunguei e tentei empurrá-lo, mas ele era bem mais forte do que eu. – Eu sempre soube que isso ia acontecer. Mas não... Tive que me deixar levar. Você sempre chutou todas as garotas. Por que seria diferente comigo? Aliás, comigo a situação é pior ainda afinal eu sou um homem e você, uma hora ou outra, iria cair na real e ver que estava ficando louco por estar comigo. Aposto que você já chutou um monte depois de mim e...

Ele me impediu de continuar falando. Apertou-me com mais força contra o próprio corpo e me calou um beijo. Gemi e levei as mãos ao peito dele, mas não consegui afastá-lo. Apertei a blusa dele com força enquanto fechava os meus olhos. Maldito corpo traidor que não resiste quando ele chega perto.

Nem percebi que estávamos andando para trás (só quando caí no sofá, com o Eduardo por cima de mim).

Nossas bocas se desencontraram. Encarei o Eduardo me sentindo completamente zonzo.

– Você não me odeia – Eduardo disse com convicção antes de começar a chupar o meu pescoço. Joguei a cabeça para trás para facilitar as coisas para ele, mas quase que imediatamente lembrei que teria uma sessão de fotos na manhã seguinte e não poderia aparecer com um chupão roxo no pescoço.

– Me larga, Eduardo! – exclamei. – Eu tenho uma sessão amanhã. Se você me deixar marcado, eu juro que eu vou...

– Por que você sempre tem que falar tanto, Fred? – Eduardo perguntou. Agora ele estava abrindo os botões do meu pijama nada sexy.

Eu juro que tentei afastar o Eduardo. Eu não queria perdoá-lo. Não queria ter esperanças outra vez. Eu já havia caído e era pra ter aprendido! Mas não. Meu corpo era um tremendo traidor e já estava todo derretido com os toques dele. Eu sou um fraco, idiota, apaixonado...!

Desisti de lutar contra o meu corpo (e meus sentimentos – apesar de não querer admitir que eles também estivessem fazendo com que eu me empurrasse para cima do Eduardo desejando que ele arrancasse as minhas roupas). Eu estava confortavelmente sentado em cima dele, mas o Eduardo achou que o sofá não era o melhor lugar para o sexo de reconciliação (e veja bem, eu ainda não o perdoei, mas vamos deixá-lo pensar que sim no momento). Então ele apoiou as mãos nas minhas nádegas e se ergueu me levando junto.

Meu apartamento era pequeno. Só dois quarto. O Eduardo não teve dificuldade em encontrar a minha cama. Nós caímos nela ainda nos beijando como se não precisássemos de ar.

Enquanto me beijava, as mãos do Eduardo começaram a explorar o meu corpo e o traidorzinho já estava todo animado. Quando o Eduardo tocou a protuberância no meio das minhas pernas eu tive que interromper o beijo para jogar a cabeça para trás e gemer.

Eduardo não deu trégua. Acho que, tal como na primeira vez, ele não queria me dar brecha para me deixar pensar. Os lábios dele começaram a deslizar pelo meu pescoço deixando um rastro de saliva e mordidas.

Uma das minhas mãos foi parar na nuca dele enquanto a outra deslizou por baixo da camiseta que ele usava. Toquei o tanquinho perfeito e suspirei. O Alexandre não era o único que podia se gabar de ter um tanquinho particular. Parece que ele e o tal amigo do tanquinho se acertaram e... O Eduardo me fez perder a linha de pensamentos ao arrancar os botões do meu pijama.

– Eduardo! – exclamei exasperado. – É meu pijama favorito!

Ele parou as lambidas e me encarou com aquela expressão de “isso é o teu pijama favorito?”.

– Prefiro você nu – ele sussurrou antes de “atacar” o meu mamilo esquerdo. Um arrepio subiu pela minha espinha e eu mordi o lábio para me impedir de gemer muito alto.

Mas o Eduardo parecia gostar de me ouvir gritar. Ele deslizou a mão para dentro da minha calça e segurou o meu falo começando a bombeá-lo com rapidez. Aquilo era demais para a minha sanidade. Eu não vou admitir nunca isso em voz alta, mas desde que cheguei a Paris tive diversos sonhos molhados com ele. Parece coisa de adolescente! Mas é que eu estava bem mal acostumado. Não que eu ficasse contando, mas eu e o Eduardo fazíamos um monte de vezes no dia. Acho que se fôssemos animaizinhos, seríamos dois coelhinhos.

Eu estou falando um monte de asneiras! A culpa é do Eduardo (a culpa é sempre dele!).

– Es... Espera! – consegui murmurar.

– Não dá, Fred. Tô louco de saudades – ele disse, segurando as minhas coxas com força, e mordiscou o meu falo por cima da calça. Soltei um lamúrio enquanto fechava os olhos e os apertava com força.

– Não tem camisinhas aqui... nem lubrificante – resmunguei.

Eduardo parou o que fazia e ergueu a cabeça para me encarar.

– Isso é bom – ele disse. Eu o chutei, mas pelo jeito não fez nem cócegas nele.

– Como pode ser bom? Vai me deixar louco? Subindo pelas paredes? – exclamei exasperado.

– É bom porque significa que você não andou colocando ninguém na sua cama.

Outro chute.

– Não comece com ciúme! Já viu onde isso nos levou!

– Não estou com ciúme – Eduardo disse, mas logo retraiu os ombros. – Um pouco preocupado antes, talvez. Agora apenas constatei um fato – enquanto falava ele saiu de cima de mim. Eu pensei que ele ia desistir já que saiu do quarto, mas não demorou nem um minuto para que ele voltasse com uma mala não muito grande à qual eu não tinha prestado atenção quando ele chegou.

Eduardo sorriu e tirou uma caixa de preservativos e dois tubos de lubrificante.

– Eu vim preparado.

– Você é muito presunçoso! – exclamei revoltado. E eu continuaria o meu discurso inflamado, mas o Eduardo se aproximou, agarrou a minha calça pelos tornozelos e a puxou para baixo me deixando nu. Antes que eu tivesse chance de fugir (acho que ele lembrou como eu saí correndo pelo quarto do motel com pau duro na primeira vez em que fomos para a cama e quis evitar que eu repetisse a cena), ele agarrou o meu falo e começou a sugá-lo.

Girei os olhos sentindo meu corpo inteiro tremer pelo prazer e murmurei um “desgraçado idiota!”.

Puxei o cabelo dele com um pouco mais de força que o normal e meus olhos giraram nas órbitas. Céus. Aquilo era bom demais. Não. Não era apenas bom, mas eu não conseguia encontrar um adjetivo para definir.

– Edu... Eduardo – gemi. Isso o estimulou a sugar com mais vontade. Comecei a ondular o corpo, tentando fazer com que meu falo fosse ainda mais fundo. Eu precisava gozar! Investidas mais furiosas aconteceram em direção à boca do Eduardo. Se eu não gozasse eu iria surtar! E acho que o Eduardo queria me ver surtar porque parou de me chupar. Eu abri os olhos e o fuzilei. Mas ele apenas sorriu.

– Quero entrar – ele disse com a voz rouca.

Minha expressão foi passando da assassina para a safada. Passei a língua pelos lábios e o empurrei com o pé. Eduardo ficou sentado, apenas me observando. Eu girei, fiquei de joelhos, agarrei as grades da cama e empinei o bumbum. Ouvi Eduardo gemer e sorri.

– Então vem – provoquei.

Não precisei falar duas vezes. Só que eu não estava esperando pelo que o Eduardo fez. Eu esperava os dedos dele e ele resolveu usar a língua. Eu fui no outro mundo e voltei quando senti o que ele estava fazendo.

Empinei ainda mais o quadril e gemi alto. Das duas uma: ou os vizinhos pensariam que eu estava assistindo um filme pornô no volume máximo ou que eu estava gravando um filme pornô na minha casa.

– Eduardo, para! – murmurei sentindo que meus joelhos estavam fracos.

Eu não o vi, mas podia imaginar que ele estava dando aquele sorrisinho safado de canto de boca.

– Você está gostando! – ele disse naquele tom presunçoso que me deixava fulo da vida.

– Não estou! – teimei. Ainda bem que meu nome não é Pinóquio.

– Você provoca e depois fica reclamando!

– Eu não provoquei. Você que é um pervertido. E nem é bom nisso! – retruquei irritado. Definitivamente: tenho sorte do meu nome não ser Pinóquio!

Eduardo provavelmente queria me fazer implorar, então parou com a tortura. Ele se ajeitou melhor e se aproximou um pouco mais; eu comecei a tremer de novo ao sentir o falo dele se encaixando atrás de mim, mas sem me penetrar.

– Ah... Merda – xinguei baixinho.

– Ainda insiste que não sentiu saudade?

– Eu nunca disse isso! – resmunguei.

Eduardo se afastou e introduziu um dedo. Trinquei os dentes tentando impedir um novo gemido, mas não consegui. Eu ia ter uma combustão instantânea se o Eduardo não agilizasse logo.

Empinei ainda mais o quadril quando ele introduziu o segundo dedo. Comecei a me movimentar tentando fazer com que ele atingisse a minha próstata, mas o Eduardo não estava querendo colaborar muito naquele momento.

– Para de torturar, Eduardo! – exclamei nervoso.

– Quando você admitir que sentiu minha falta e que me ama – ele retrucou.

Soltei um grunhido exasperado.

– Eu te amo e senti a tua falta... – falei em um sussurro praticamente inaudível.

– O quê? Eu não entendi – ele disse, mas o tom dele era tão satisfeito e feliz que eu tinha certeza que o desgraçado tinha entendido e muito bem entendido!

– EU TE AMO E SENTI SUA FALTA! – gritei a plenos pulmões. Com certeza o prédio inteiro ouviu. Com o rosto afogueado pela vergonha acrescentei em seguida. – Agora agiliza porque eu vou surtar se você não...

Eduardo me fez gemer ao introduzir o terceiro dedo. Ele fez questão de me preparar bem enquanto murmurava na minha orelha que estava feliz por eu estar tão apertado.

– Você é meu – ele sussurrou possessivamente.

– Não comece com o ciúme e...

Mais uma vez ele me fez perder a fala. Ele retirou os dedos e começou a se introduzir. Eu mordi o lábio com força e tentei me empurrar ainda mais para trás. Eu me contorcia, gemia, implorava por mais – é, adeus dignidade! – e apertava as barras de ferro da cama com força. Eduardo também gemia pertinho da minha orelha e quando a barriga dele ficou coladinha nas minhas costas, ele parou de se mover.

– Eduardo! – choraminguei.

– Paciência – ele retrucou.

– Não sou jedi para ter paciência! – retruquei exasperado.

Ele riu.

– Nem em um momento como esse você para de falar coisas sem sentido.

Empinei o quadril outra vez e o fiz gemer.

– Ah, apertado... – ele murmurou quando, depois do que pareceu uma eternidade, começou a estocar. Cerrei os olhos e tentei acompanhá-lo, mas o Eduardo impunha um ritmo tão incontrolado que eu tive dificuldade no começo.

Nossos corpos se chocavam com força, mas eu não me incomodava com o barulho nem com o fato de que minha parede amanheceria arruinada. Eu sei que você vai soltar um sonoro “Você é idiota, Fred!”, mas eu estava feliz. Ele havia vindo atrás de mim... Com sete meses de atraso, mas veio. E realmente parecia arrependido.

– Eu te amo, Frederico – ele murmurou com a voz rouca pertinho da minha orelha e eu achei que ia desfalecer bem ali mesmo.

Girei os olhos e joguei a cabeça para trás quando ele acertou a minha próstata. Ele percebeu que havia atingido o ponto certo e começou a investir com mais força. Eu gemia, gritava, murmurava, suplicava... Eu disse que se o deixasse chegar perto minha dignidade iria para o espaço.

Só sei que quando ele deslizou as mãos pela minha barriga até alcançar o meu falo e começou a me masturbar no ritmo das estocas eu fui ao outro mundo e fiquei por lá mesmo.

– Eduardo... – gemi completamente fora de mim, empurrando o quadril com toda vontade.

Senti meu interior se contorcer inteiro anunciando que eu já estava no limite. Não me segurei. E aquele com certeza foi um dos orgasmos mais intensos que eu tive na vida.

Algumas estocadas depois, Eduardo também gozou, gemendo meu nome e fazendo com que eu me arrepiasse inteiro.

Ficamos algum tempo naquela posição, as respirações completamente fora do controle e os corações batendo forte dentro do peito.

– Isso foi... – comecei a murmurar enquanto o Eduardo saía com cuidado.

– Intenso – ele completou e desabou na cama. Eu caí por cima dele.

– Eu ainda não te perdoei – falei meio sonolento. Não andava dormindo bem e aquela atividade toda me deixou meio esgotado.

– Eu sei – ele começou a deslizar as mãos pelas minhas costas.

– Se você bancar o babaca de novo, eu vou te chutar tão forte que você vai cair lá no Japão! – ameacei.

– Eu sei – Eduardo disse em um tom de quem estava segurando o riso.

– Eu te amo, seu babaca – resmunguei.

Esperei o “Eu sei” naquele tom irritante e convencido, mas ele apenas me surpreendeu ao beijar o topo da minha cabeça e me apertou com mais força para que dormíssemos colados.

Acabei relaxando de vez e me entreguei completamente ao sono.