E se for amor?
4 Capítulo 4
Capítulo IV
Abri a boca para começar a despejar mil e um motivos para que ele não cancelasse o desfile, mas o Eduardo foi mais rápido para falar:
– Se veio tentar explicar aquela cena, perde o seu tempo.
– Não vim explicar nada. Sei que foi errado e não irá se repetir – falei em um tom firme. – Você não pode cancelar o desfile – emendei a fala.
Eduardo girou a cadeira e fixou os olhos em mim. Senti um arrepio percorrer a minha espinha ao ter aqueles olhos verdes me encarando.
– A empresa é minha. Eu faço o que bem quiser – ele disse em um tom aborrecido.
– Não é assim! – exclamei tentando não me exaltar. – Todos nós damos duro aqui para que saia tudo perfeito! São semanas, meses de planejamento! Você não pode simplesmente jogar todo o nosso esforço pela janela!
– Está questionando as minhas decisões, Frederico? – Eduardo perguntou friamente.
– Estou! Porque acho que você está fazendo uma idiotice!
Ele me tira do sério! E eu acabo falando demais. O Eduardo levantou e eu meio que me encolhi um pouco. Não tem como não temer um homem que é três vezes mais alto do que você!
– Idiotice ou não, quem decide as coisas nessa empresa sou eu e, se não está satisfeito, vá embora! Vá trabalhar com o Alexandre – ele disse furioso. – Vocês parecem se dar muito bem.
– Eu gosto de trabalhar aqui! – exclamei. – Apesar de você ser o pior chefe do mundo! Todo o nosso trabalho... Você simplesmente não liga! Todo o esforço que tivemos, as noites em claro, as horas no telefone em busca de patrocinadores, ou falando com fornecedores... Tudo em vão! Porque você simplesmente resolve destruir tudo quando te dá na telha, por absolutamente nenhum motivo. Então, pra que continuar me esforçando? Não adianta de nada!
– Alexandre que tivesse pensado no trabalho de vocês antes de me desafiar!
– Desafiar em quê? Por Deus! Estávamos apenas curtindo a noite. Nem sei por que você está tão irritado com isso. Se quer descontar a sua frustração em alguém, desconte em mim e não na equipe que não tem nada a ver com essas suas mudanças bruscas de humor!
Não sei por que meus olhos resolveram se encher de lágrimas e eu lutava para não deixá-las cair.
Ótimo. Ele ia achar que eu era um chorão! Mas eu não estava me importando. O que eu queria era salvar o desfile e iria fazer o que fosse preciso para isso.
Eduardo suspirou e levou uma das mãos à têmpora, massageando-a levemente. Provavelmente estava com uma dor de cabeça daquelas. Sem pedir licença, deixei a sala e fui pegar um analgésico que eu sempre deixava na gaveta da minha mesa. Voltei para a sala com o analgésico e um copo de água.
Ele aceitou o remédio e o tomou sem tirar os olhos de mim. Sinceramente, aquele olhar dele me deixava atordoado. Parecia que Eduardo conseguia me virar do avesso e descobrir todos os meus pensamentos mais secretos.
– Tudo bem. Não cancelarei o desfile, mas é a última vez que a Seventh Heaven produz algo para o Alexandre – ele disse de repente.
Sorri e quase pulei em cima dele. Quase! Eu ainda estou no meu juízo perfeito e não fiz isso.
– Obrigado! – falei ainda com um sorrisão daqueles.
Eu ia saindo quando ele me chamou.
– Se eu te pegar outra vez em cima de uma mesa... Você estará demitido – ele ameaçou.
Girei os olhos e murmurei um “sim”. Ele sempre me ameaçava. Não era nenhuma novidade.
– Vá buscar a Marilyn no pet shot – ele mandou.
– Quê? – exclamei incrédulo. – Ela foi ao pet shop ontem!
– Ela teve que fazer o pré-natal...
Ninguém merece um futuro avô preocupado.
– Ligue para a Rebeca e desmarque o jantar que eu tinha com ela.
– Por que você marca esses jantares se nunca vai? – resmunguei em um tom que achei que ele não ia ouvir e recebi um olhar do tipo ‘mais uma palavra e você ‘tá na rua!’.
– Pegue os croquis com o Alexandre... – ele começou a dizer, mas parou na mesma hora. – Não. Eu mesmo pego esses croquis. Não quero você perto dele.
Se eu não soubesse que ele é hétero até o último fio desse cabelo preto dele, eu diria que ele está com ciúme. I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L.
– Vamos, Frederico! O que está fazendo parado aí? Ligue para as costureiras e para os fornecedores dos tecidos. E as modelos? Você já fez os books com as fotos que eu pedi?
Saí correndo da sala antes que ele me desse mais ordens.
Os quinze dias até o desfile passaram voando. Eu mal tinha tempo para respirar. Eduardo estava completamente insano. Eram ordens e mais ordens! Eu disse para ele descontar a frustração em mim e ele resolveu fazer isso com perfeição. Eu estava um trapo. Mas, depois daquele desfile, eu teria três dias de folga merecidos antes da viagem para Porto Alegre.
Mal vi o Alexandre naqueles dias. Eduardo monopolizava todo o meu tempo. Parecia que ele estava fazendo isso de propósito para que eu não me atracasse com o Alexandre em cima de uma mesa outra vez.
E agora eu estava conferindo as modelos antes do desfile. Incrível como elas gostam de reclamar das roupas.
– Está apertada na cintura, Fred! – uma delas choramingava. Girei os olhos. Não sei do que ela estava reclamando. Ela tinha uma cintura de Barbie. Não tinha problema nenhum estar apertado na cintura.
De repente, eu ouvi um burburinho. As modelos estavam em volta de outra que estava quase colocando os bofes para fora.
– O que foi? – perguntei ajoelhando ao lado dela.
– Acho que comi algo que não me fez bem... – ela murmurou com dificuldade.
– Todos nós sabemos que não é nada disso, ninguém mandou se descuidar com aquele outro estilista há um mês – uma das modelos disse um tom maldoso, mas eu ignorei. Não queria saber de fofocas sobre uma possível gravidez. O mais importante era saber como iríamos resolver aquele problema. Ela iria desfilar com um dos principais vestidos da coleção e não havia nenhuma outra modelo com o tipo físico dela.
– O que houve? – Alexandre perguntou ajoelhando do outro lado da modelo. Ela repetiu que estava passando mal. – Céus! Só faltava essa.
– Eu vou chamar o Eduardo... – falei já ficando de pé.
– Não! Ele vai querer ir atrás de uma modelo para substituí-la e não temos tempo para isso.
– O que você sugere então? É um dos principais vestidos da coleção.
Alexandre olhou para mim de um jeito que deu medo. Inconscientemente dei um passo para trás.
– Você não está pensando em...
– Estou sim!
– Você enlouqueceu! Eu não sou modelo! Ainda mais para entrar na passarela com uma roupa feminina.
– Você está acostumado a andar vestido assim todos os dias. Não seria nenhuma novidade.
– As pessoas vão achar isso ridículo, Alexandre! – tentei colocar um pouco de bom senso na cabeça dele. – Um modelo andrógino! E desfilando com roupa de mulher.
– A gente não vai saber se não arriscar – ele estava determinado. – Você tem o mesmo perfil da Tália. Vai ser um sucesso, Fred.
Eu esperneei, tentei de todas as maneiras tirar aquela ideia absurda da cabeça dele, mas não teve jeito. Quando vi já estava sendo maquiado e obrigado a colocar o vestido.
Eduardo vai me matar por estar cedendo a essa ideia maluca. No mínimo ele me despede de vez e depois me mata!
– Você está depilado, fofo? – uma das maquiadoras perguntou e eu só fiz um sinal positivo.
Tudo foi tão rápido que, quando vi, estava sendo empurrado até a entrada da passarela.
– Isso é loucura! – gemi desesperado e trêmulo.
– É só entrar naquela passarela, ir até o final e voltar, Fred! – Alexandre exclamou em um tom que eu acho que era para tentar me animar, mas nem ele parecia muito certo da ideia agora.
Quando fizeram o sinal indicando que eu deveria entrar, respirei fundo e fui. Sem pensar em nada porque, se pensasse mais, sairia correndo de volta para o camarim.
Eu queria fechar os olhos para ir e voltar sem ver qual seria a reação da plateia, mas obviamente que se eu fizesse isso iria me estatelar no chão já que o salto era bem mais alto dos que eu costumava usar no dia a dia.
O vestido... Era estranho. Mas bonito. Era todo branco e desfiado! De alcinhas e, à medida que eu avançava pela passarela, os fios do vestido se moviam e eu ficava com medo que, se eu me mexesse demais, as pessoas conseguissem ver a minha cueca. Imagina o escândalo!
Para contrastar com o branco do vestido, fizeram uma maquiagem bem carregada. Batom vermelho e muita sombra realçando os olhos. Minhas unhas estavam pintadas de preto e também se destacavam apesar de não serem muito longas.
Percebi que as pessoas cochichavam entre si, mas eu não tinha como saber apenas pela expressão deles o que eles estavam achando daquela ideia de jerico do Alexandre.
Apenas de uma pessoa eu consegui ver a reação: do Eduardo.
Ele estava sentado na extremidade da passarela, bem na frente, para verificar se tudo havia saído como ele ordenara. Era impossível não vê-lo. E ele ficou completamente perplexo. Os lábios estavam entreabertos e os olhos arregalados. Eu quase estanquei no meio do caminho com medo que ele recuperasse a capacidade de pensar e pulasse em cima de mim. Não seria ruim se ele pulasse em cima de mim, mas para me agarrar e não para me matar!
Argh! O que estou pensando?
Fingi não vê-lo, ergui a cabeça e fui até o final da passarela. Dei aquela paradinha básica com a mão na cintura, para que vissem a roupa, e fiz o caminho inverso (quase correndo).
Quando estava a salvo nos bastidores, me encostei-me a uma parede e suspirei de alívio. Ninguém havia atirado nada em mim.
Mas o Alexandre achava que aquilo ainda não havia sido suficiente.
– Fred! Foi incrível! – ele exclamou com os olhos brilhando.
– E ainda bem que acabou! – resmunguei.
– Não. Você vai voltar lá!
– Como é que é? Você enlouqueceu?
– Eu fiz duas roupas masculinas, mas o Eduardo as vetou por considerá-las inadequadas para esse desfile. Você vai voltar lá usando uma das duas roupas.
– Nem pensar! Eduardo não vetou as roupas? Ele vai nos matar se eu entrar lá outra vez e usando um look menino! Com sorte as pessoas pensaram que eu realmente sou uma garota.
– Você sabe que eu estou pouco me importando para o que o Eduardo vai dizer. Ele já deixou bem claro que nunca mais produzirá nenhum desfile meu. Além disso, as pessoas passarão um bom tempo falando sobre você e consequentemente sobre o desfile.
Abri a boca completamente indignado com o egoísmo do Alexandre. Ele só pensava no quanto a publicidade de ter um modelo andrógino no desfile seria muito bem vinda – se é que iam falar bem dessa loucura. Em mim, no meu emprego, ele não pensava!
– Eu não vou, Alexandre – respondi em um tom seco. – Não vou arriscar ainda mais o meu emprego – saí bufando furioso e me tranquei no camarim que eu havia usado para trocar de roupa anteriormente antes que ele tivesse tempo de me alcançar.
Fiquei enfurnado lá pelo resto do desfile. Mudei de roupa – trocando pelo terno que eu estava usando antes –, tirei aquela maquiagem pesada e, se eu pudesse, ficaria esperando até ter certeza que o desfile havia terminado, mas eu tinha de correr até o salão lateral onde uma festa para promover seria realizada e eu precisava conferir se estava tudo em ordem.
O pior foi topar com o Eduardo na porta do salão.
Ele me olhou de cima abaixo e eu me senti mais nu do que quando desfilei com aquele vestido desfiado.
– Você fica mais bonito assim – ele disse naquele tom indiferente.
Meus olhos ficaram do tamanho de pires e eu o olhei como se ele fosse um E.T. de duas cabeças que cuspia gosma verde.
Ele estava me elogiando? Depois do que eu fiz?
– Eu não quis... – tentei me explicar, mas ele ergueu a mão me interrompendo.
– Não temos tempo para isso agora. Os canapés estão estragados...
– Como assim? – gritei esquecendo completamente o assunto “Fred desfilando vestido com look menina” e corri para ver o que estava acontecendo.
Pelo menos, ao que tudo indicava, ainda não era dessa vez que eu seria demitido.
A festa estava transcorrendo bem.
Até os repórteres me descobrirem...
Foi aquela algazarra quando eles perceberam que a “modelo mais bonita do desfile” – palavras deles – era na verdade um homem.
Primeiro, era exagero dizer que eu era “a mais bonita”, segundo, não sei por que de tanto escândalo. Não era como se não tivesse outros modelos andróginos por aí. Tudo bem que nenhum nunca havia desfilado no Brasil. Tinha aquele modelo andrógino, Andrej Pejic¹, mas ele estava em início de carreira e só fazia ensaios para revistas. Provavelmente depois da ousadia daqui, ele comece a desfilar lá pela Europa.
Aliás, com certeza o tal Andrej é bem mais “bonita” do que eu. Qual é a graça de um ruivo sardento, de 1,65 de altura? Tá que as minhas pernas são bonitas... E sim, eu não sou modesto.
‘Tá, não vou ficar divagando sobre isso. O fato é que os repórteres ficaram loucos e voaram para cima de mim fazendo mil e uma perguntas. Fiquei completamente assustado e sem ação. E quem veio em meu socorro? Se você pensou “Eduardo!” ganhou um beijo na boca.
– Deixem-no em paz ou pedirei a todos que se retirem da festa – ele disse, em um tom tão frio, que eu me encolhi ainda mais atrás dele, mas relaxei ao ver que deu certo. – Tente chamar menos atenção, Frederico.
Eu quase o soquei por isso! Eu não estava chamando atenção porque queria!
Depois disso, a festa passou como um borrão. Comecei a beber para relaxar e, quando percebi, já estava na pista de dança me acabando de tanto dançar. Eu quase nunca tinha a oportunidade de me divertir e, depois de duas semanas longas e estressantes como aquelas, eu estava merecendo um pouco de paz.
Eu estava feliz da vida balançando meu esqueleto quando senti um tranco. Resmunguei ao entender que era o Eduardo me puxando pelo braço.
– Porcaria... – resmunguei. – Você é chaaaato! Me deixa dan...çar!
É, eu acho que estava meio bêbado.
Eduardo me arrastou da festa. Percebi que algumas pessoas nos olhavam com curiosidade, mas eu estava fulo demais para prestar atenção nisso.
– Você é um péssimo chefe! – exclamei enquanto tentava puxar o braço que ele segurava com força.
– Conte uma novidade, Frederico – Eduardo disse em um tom entediado.
– Eu te odeio!
– Isso também não é novidade.
Parei e pensei um pouco. Eduardo tentou me puxar, mas eu continuei o encarando com os pés tão firmes que pareciam plantados no chão.
– Você é muito bonito, e deve ser gostoso pra caramba, mas o que tem de bonito tem de idiota! Eu não ficaria com você nem que você fosse um último cara da face da Terra! Não que isso faça alguma diferença para você, já que você é hétero até o último fio de cabelo. Eu gosto de mim e você só me deprecia, então porque eu beijaria essa tua boca que só sabe me ofender? Com certeza você não conseguiria me excitar mesmo sendo gostoso... Eu realmente disse que você é gostoso...? Ah Deus, será que você também está bêbado o suficiente para esquecer disso amanhã?
Eduardo estreitou os olhos e me puxou com tanta força que eu achei que fosse me estatelar no chão, mas ele me segurou e, quando percebi, estávamos nos aproximando do carro dele. Tentei falar que não queria ir embora, mas fui prensado contra a porta do carro antes disso.
– O quê...? – minha voz morreu na garganta porque o Eduardo começou a deslizar aquelas mãos grandes pelas minhas coxas enquanto deslizava o nariz pelo meu pescoço, cheirando e fazendo com que eu me arrepiasse inteiro. – Pa... Para! – exclamei com a voz fraca.
Caramba! Ele nem estava fazendo nada e eu já estava todo animadinho. Se é que você me entende... É a falta de sexo, só pode!
Arfei quando a mão dele parou no centro das minhas pernas. Tentei empurrá-lo, mas era bem mais fraco, além disso, estava meio (leia-se: totalmente) zonzo por causa da bebida.
– Vai abusar de um bêbado? – minha última tentativa de fazê-lo parar.
– Se quiser me processar depois, fique à vontade, mas eu não consigo mais me segurar – ele disse. Eu ainda tentei entender as palavras dele, mas ele resolveu colar a boca dele na minha naquele instante e o restinho da capacidade de racionar que eu ainda tinha foi pelo espaço.
Aquela música que ouvimos no carro há algumas semanas voltou a soar na minha cabeça enquanto a língua dele pedia passagem. Ele estava querendo acender o meu fogo e se continuasse daquele jeito iria conseguir.
Gemi enquanto aceitava o convite para que ele aprofundasse o beijo. É, eu sei que disse que não o beijaria nem que ele fosse o último cara da Terra, mas eu não estou pensando nem um pouco no momento, então não me culpe por corresponder.
Seja sincero... Você não corresponderia se um monumento te agarrasse?
Meus pensamentos estavam confusos e eu só consegui me agarrar mais a ele ao puxá-lo pela nuca. Nossos corpos estavam completamente grudados.
Não tenho ideia de como fui parar em cima do capô do carro. Eduardo não desgrudava a boca da minha, me beijando de uma forma meio desesperada, afoita, fazendo com que minha cabeça rodasse ainda mais.
A boca dele tinha um gosto de menta que com certeza estava contrastando com o gosto do uísque que eu andei tomando na festa. Mas isso não importava. Minha prioridade agora era corresponder ao beijo e eu esperava estar fazendo isso à altura.
Eduardo voltou a me tocar por cima da calça fazendo com que eu desse um gemido abafado e arqueasse o corpo em busca de mais contato.
Sabe, eu retiro tudo o que eu disse. Eduardo sabia e muito bem como me deixar excitado. O meu amiguinho lá embaixo já estava ficando bem durinho.
Eduardo interrompeu o beijo e me encarou por alguns segundos. Eu estava completamente sem ar, com o rosto afogueado e o cabelo solto. Só então percebi que o Eduardo havia puxado a liga que estava prendendo o meu cabelo.
– Então, eu não sou capaz de te excitar... – ele disse malicioso antes de se afastar um pouco e morder meu falo por cima da calça. Ronronei completamente entregue. E nem consegui me odiar por isso. Por estar cedendo aos toques dele.
Achei que ele fosse continuar, mas o desgraçado se afastou fazendo com que eu grunhisse completamente insatisfeito.
– Alguém pode nos ver... – ele explicou e foi abrir a porta traseira do carro. Sem precisar de um convite formal, entrei e me espremi todo no banco quando o Eduardo entrou do meu lado.
Por alguns segundos ele ficou apenas me olhando e eu cheguei a pensar que ele havia desistido. Pensei em descer do carro, mas ele me segurou pelo pulso e fez com que nossas bocas voltassem a se encontrar de forma quente e desesperada. Parecia que ele estava tão ansioso por aquilo quanto eu. Se eu não soubesse que ele saía com uma garota diferente a cada semana, diria que ele também estava na seca.
Aos poucos ele foi me fazendo deitar no banco. Era meio complicado nos agarrarmos no banco traseiro do carro já que o Eduardo era enorme, mas estávamos dando um jeito.
Uma coisa eu não podia negar: o Eduardo sabia como enlouquecer alguém. Ele parecia saber exatamente onde me tocar. Eu já estava completamente fora de mim.
– Eduardo... – gemi antes de mordiscar a orelha dele. Isso pareceu estimulá-lo e arquei o corpo ao sentir os dedos dele se infiltrando pela minha roupa. O movimento brusco fez com que o Eduardo batesse a cabeça no teto, mas ele não pareceu se importar e continuou infiltrando os dedos até alcançar um dos meus mamilos. Trinquei os dentes e deslizei as mãos pelas costas dele até chegar às nádegas que apertei com força.
Eu tremi quando ele levou a outra mão até o botão da minha calça e me olhou como se pedisse permissão. No estado que eu estava ele podia fazer tudo o que quisesse comigo!
Mas ele parou abruptamente. Gemi meio desesperado tentando puxá-lo de volta, mas só então percebi que havia alguma coisa irritante tocando: o celular do Eduardo.
E ele parou o que estava fazendo para atender a maldita ligação!
– Sim... – ele dizia preocupado. – Eu entendi. Estou voltando.
– Vai me deixar? – murmurei manhoso. Bêbado TOTALMENTE.
– Problemas na festa.
– Que festa? – franzi a testa. Eduardo sorriu e beijou a minha testa.
– Eu volto logo. Aí continuamos de onde paramos... De preferência em uma cama.
Eu engoli em seco, só imaginando nós dois numa cama.
Ele saiu do carro e me deixou lá.
E em algum momento, eu acabei caindo no sono.
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