E se for amor?
14 Capítulo 14
Capítulo XIV
Tá pra nascer pessoa mais teimosa que o Fred. Se bem que já nasceu... E atende por Eduardo. Os dois cabeças duras são o casal perfeito! Um mais teimoso do que o outro. Por isso eu decidi que iria resolver toda essa confusão que eu armei. Vou juntar aqueles dois outra vez, nem que seja a última coisa que eu faça!
Certo. Não vou ser dramático. Isso é coisa do Fred. Eu vou juntá-los e ainda vou fazer muita coisa na vida.
Eu coloquei meu plano “cabeças duras” em ação antes mesmo de o Fred ir para Paris. Entrei em contato com um amigo que trabalha na policial federal e pedi para que ele hackeasse o número que enviou a mensagem anônima se passando pelo Fred. Ele não ficou muito inclinado a fazer o que eu pedi. Ele é do tipo de pessoa super certinha e deu um trabalhão pra convencê-lo.
Pra ele que trabalha com essas coisas foi mole descobrir. Ele me mandou uma mensagem com o endereço de onde a mensagem foi enviada. Eu fui até lá, acampei na porta e descobri quem foi o idiota que armou para o Fred.
Aí foi só bolar o plano para fazê-lo confessar tudo. Agora eu estou esperando um outro amigo para que ele me ajude nisso. Nós vamos a um barzinho bem charmoso que fica na zona mais movimentada de São Paulo. O lugar é conhecido por ser um xodó de casais gays e simpatizantes e o cara armador vai estar hoje.
Você deve estar se perguntando por que eu estou fazendo tudo isso, afinal eu sou apaixonado pelo Fred. Bem... Eu quero vê-lo feliz. Mesmo que não seja comigo. Eu não sou altruísta. É só que eu vi como o Fred ficou acabado com tudo que aconteceu (mesmo tentando fingir que estava tudo bem). Ele ama o Eduardo e não adianta eu tentar conquistá-lo. Só vai aumentar o buraco no meu peito porque eu sei que o Fred não vai esquecê-lo.
O Eduardo é um idiota. Até agora eu ainda estou com vontade de socá-lo pelo que ele fez, mas violência não ajuda muito. Sem falar que o Eduardo já me deu dois socos sem que eu nem abrisse a boca direito. Imagina se eu revidasse.
– E aí? O que é mesmo que eu vou ter que fazer? – Fábio, o meu amigo que iria me ajudar, perguntou assim que entrou no apartamento.
– Você vai ter que seduzir uma pessoa... – falei meio hesitante, afinal, ele não é gay. Nós viramos amigos na faculdade, mas enquanto eu fazia moda, o Fábio fazia Publicidade e propaganda. Confesso que eu tive uma paixonite por ele no primeiro período, mas se tem uma coisa que eu aprendi é não me apaixonar por héteros, por isso chutei o que eu sentia pra longe e ficamos na amizade até hoje.
– Como é nome dela? – Fábio perguntou desconfiado.
– Na verdade... – mordi o lábio meio inseguro. E se ele se negasse a me ajudar? – É ele.
Fábio franziu as sobrancelhas e eu fiquei mais inseguro ainda com aquele silêncio dele. Se ele não quisesse me ajudar, eu não teria a quem recorrer, e o traíra que armou para cima do Fred me conhecia, então eu não podia ir lá no bar na cara e na coragem conversar com ele.
– Você sabe que se eu fizer esse favor, vou cobrar com juros, não sabe? – Fábio perguntou ainda sem esboçar se iria me ajudar ou não.
Fábio é muito bonito. Ele diz que é “comum”, mas ele é alto (tipo, eu tenho 1,80m e ele é bem maior do que eu), cabelo loiro meio queimado e olhos azuis. Sem falar no abdômen que ele tem. Fábio é fissurado por academia e me arrasta pra malhar com ele. Eu gosto de me cuidar e preciso, né? Afinal o mundo da moda é bem exigente até com os estilistas, mas confesso que sou meio preguiço, aí o Fábio passa aqui todo dia às cinco da manhã e me arrasta.
Tá, voltando ao assunto... Juro que o ar vai todo embora quando ele inventa de tirar a camisa, mas aí eu trato logo de ignorar.
Eu que sou o comum! O que tem de especial em um cara moreno, nem alto, nem baixo e de olhos de uma cor estranha? Sério. Meus olhos são meio amendoados. É muito estranho. E do estranho ruim!
Com certeza o Fábio ia seduzir o carinha lá fácil, fácil. Se eu tentasse, ia levar um chute.
Acho que minha autoestima anda baixa depois do Fred.
– Eu sei que você vai cobrar com juros... Mas... Eu não tenho a quem recorrer – falei enquanto me aproximava e segurei o braço dele. – Por favor, Fábio.
Ele soltou um suspiro exasperado.
– Tá, mas vamos logo antes que eu mude de ideia! – ele exclamou emburrado. Eu sorri e fui correndo pegar a carteira. Conhecendo bem o Fábio, eu sei que é fácil que ele mude de ideia mesmo.
No caminho eu expliquei o que havia acontecido. O Fábio ouviu sem fazer nenhum comentário.
– E agora você ‘tá se sentindo culpado pelo rompimento deles? – ele perguntou quando eu concluí a história.
– Bem, eu sou culpado... Em parte – murmurei. – Não podia ter beijado o Fred daquele jeito.
Fábio suspirou e levou uma das mãos até a minha nuca (a outra continuou segurando volante). Ele sempre fazia esse carinho para me consolar quando eu estava triste. Senti um frio no meu estômago.
– O plano é o seguinte – tratei de emendar logo. – Você vai usar esse gravador escondido. Pelo que eu andei sondando, o cara gosta de se gabar. Dá um jeito de fazê-lo falar sobre si e, enquanto isso, vai fazendo com que ele fique de porre. Uma hora ou outra ele vai acabar contando tudo.
– Você me faz fazer cada coisa... – Fábio resmungou.
Eu fiquei observando de longe quando o Fábio se aproximou do Murilo. Sim, foi ele que armou para o Fred. O carinha era um falso de marca maior. Eu pesquisei um monte sobre ele e descobri que ele falava mal do Fred para quem quisesse ouvir. E, ao mesmo tempo, se fazia de melhor amigo do Fred na empresa.
Me senti um pouco desconfortável quando vi o Fábio se inclinar e murmurar alguma coisa perto da orelha dele. O idiota do Murilo ficou todo sem jeito e corado. Hum! Até parece que um homem como o Fábio ia querer alguma coisa um imbecil mor daquele.
Meia hora depois que chegamos, um cara se aproximou de mim e me ofereceu uma bebida. Tentei recusar, mas ele era bem insistente. Eu acabei aceitando e o cara começou a perguntar algumas coisas e eu respondia no automático, sem tirar os olhos do Fábio e do Murilo. Eu devia estar tão entediante que o homem acabou desistindo e se afastou. Nem prestei muita atenção nisso. Meus olhos estavam estreitados enquanto os dedos do Murilo dedilhavam a coxa do Fábio.
Eu só sei que aquela tortura durou umas duas horas. O Fábio estava entupindo o Murilo de bebida e nada do cara ficar alegre. Eu já estava pensando em desistir e procurar outro jeito de fazer o Murilo confessar, quando vi que o Fábio sorria. Mas não era um sorriso falso como os de antes e muito menos ele estava sorrindo para o Murilo. O Fábio estava olhando para mim. O idiota do Murilo estava confessando.
Eu sorri em resposta e fiz um sinal de que iria esperar lá fora.
Meia hora depois o Fábio apareceu.
– Argh, ele tentou me agarrar – resmungou enquanto me entregava o gravador.
– Como se livrou dele? – perguntei curioso.
– Disse que ia ao banheiro – Fábio balançou os ombros. – Ele vai passar a noite toda esperando.
– Que maldade – falei, mas estava gargalhando em seguida. – Ele merece! Fez o Fred sofrer.
Fábio resmungou alguma coisa que eu não entendi e deu a volta para entrar do lado do motorista.
Na volta para o meu apartamento, fomos ouvindo a confissão do Murilo. Ele contou tudinho, naquele tom de “sou muito esperto!”. Agora era só fazer o Eduardo ouvir a gravação. Não era possível que depois daquilo, ele ainda insistisse naquela história de que o Fred o traía comigo.
Fui direto para o computador quando cheguei em casa. O Fábio se largou no sofá e ficou encarando o teto. Meu apartamento não era muito grande e eu não queria que o computador ficasse no quarto, então o jeito foi colocar na sala. Não ficou muito bonito, mas foi o que deu pra improvisar.
– Tá calor – Fábio resmungou e sem qualquer cerimônia foi tirando a camisa. Girei os olhos e voltei a minha atenção para o computador. – Tomara que o Fred esteja on. Que horas serão lá em Paris?
– A diferença é de 5 horas – Fábio resmungou.
– Hum, são três da manhã aqui... 8 da manhã lá. Difícil o Fred tá acordado e... Ah, ele tá! – exclamei animando. Cliquei no nome do Fred lá na janelinha do skype e um Fred com a maior cara de sono apareceu na tela.
– O que você tá fazendo on essa hora? – ele perguntou meio grogue.
– Pergunto o mesmo.
– Cheguei agora de uma festa de lançamento de uma nova grife. Tô escolhendo umas fotos. Se eu não olhar eles jogam qualquer coisa on-line aí depois é um horror pra tirar da Internet.
– Eu vou tomar banho, Alex – Fábio me assustou ao me tocar de leve no ombro. Virei e vi que ele estava em pé atrás de mim. Sem a camisa.
Quando ele sumiu da vista do Fred na webcam, o Fred se sentiu na liberdade de soltar uma pérola:
– Ai minha nossa! – ele exclamou. – Vou virar roupa suja e me esfregar nesse tanque!
Lancei um olhar exasperado para ele.
– Tá, tá... Não falo mais do seu namorado.
– Ele não é meu namorado. É um amigo – respondi.
– Um amigo seminu gostoso desse dando sopa por aí... – Fred disse em um tom malicioso.
– Fred, deixa de besteira! Não foi para você ficar falando asneiras que eu abri essa conversa – resmunguei irritado. – Eu consegui a confissão do Murilo! Ele armou para cima de nós.
Fred parou de rir e me encarou sem entender nada.
– Como assim?
Expliquei rapidamente como havia descoberto tudo com a ajuda do Fábio. Nesse meio tempo, o Fábio voltou do banho. Ele trouxe uma garrafa de vinho e se inclinou ao meu lado para colocar um cálice ao meu lado na mesa. Eu senti a respiração dele na minha nuca e quase saltei na cadeira.
– Espera... Então... Foi o Murilo? – mas o Fred falou e interrompeu o momento estranho ali. – Mas... Ele era meu amigo.
– Vou ter que desenhar pra você entender que ele é um traíra safado? – perguntei impaciente. – Eu estou com a gravação aqui. É só o Eduardo ouvir e essa confusão toda termina. Vou colocar pra você ouvir...
– Não – Fred me interrompeu. – Eu não quero saber disso.
– Mas Fred! – exclamei exasperado.
– Deixa como tá, Alexandre – Fred murmurou e eu vi aquele olhar desiludido e triste que ele tinha quando eu apareci lá na casa dele depois do rompimento dele e do Eduardo. – O Eduardo nem ao menos me ouviu.
– Fred, o que você faria na situação dele? – perguntei.
– Eu o deixaria se explicar! – ele rebateu prontamente. – Ele me acusou de um monte de coisas e... – a voz dele falhou. Eu sabia que ele ia acabar desabando no choro na minha frente. – Vou sair. Depois nos falamos.
Ele desligou a ligação antes que eu tivesse a chance de dizer qualquer coisa.
Suspirei exasperado e afundei na cadeira.
– Teimoso de uma figa! – falei entre os dentes.
– Foi tudo em vão, então? – Fábio perguntou. Girei a cadeira e o encarei.
– Amanhã eu vou falar com o Eduardo. Só espero que ele não me receba com outro soco – ri meio sem humor.
Fábio estreitou os olhos.
– Ele te bateu?
– Ele acha que eu andei indo pra cama com o namorado dele – balancei os ombros. – E não há ninguém mais ciumento que o Eduardo. Parece que ele não pensa quando tá com ciúme.
– Eu vou com você! – Fábio disse.
– Quê? Não preciso de guarda costas! – retruquei. – E não me olhe com essa cara. Você não vai!
Eu fui para o quarto e me enfiei embaixo das cobertas com roupa e tudo. O Fábio ficou lá insistindo que ia, mas eu fingi que estava dormindo. Quando deu cinco da manhã ele tentou me acordar para ir para a academia, mas só recebeu um “me deixa dormir, seu maníaco por peso!”.
Acordei quase meio dia. Cambaleando fui até o banheiro, tirando a roupa pelo caminho e me enfiei embaixo do chuveiro. Eu estava me sentindo péssimo e nem tinha bebido muito. Imagina como o imbecil do Murilo estava. Ele conseguiu tirar uma casquinha do Fábio, mas deve estar com a cabeça pipocando. Bem feito pra ele!
O pior mesmo foi que eu dei de cara com ele assim que o elevador parou no andar da Seventh Heaven. Nem sei como eu consegui me segurar. Minha vontade era de dizer que aquele era o último dia dele na empresa, mas fiquei quieto. Ele ia ter o que merecia. Pelo menos eu espero que o Eduardo haja como homem e chute esse cretino pra longe daqui. Se ele não fizer isso, eu vou pessoalmente até Paris dizer para o Fred que ele tem que mandar o Eduardo pastar.
Eu fui entrando na sala do Eduardo sem esperar para ser anunciado. Se fosse, ele não iria querer me receber. E ele arrumou uma tapada pra ficar no lugar do Fred. Quando ela me viu, eu já estava fechando a porta da sala.
Eduardo estava concentrado em alguma coisa no computador e demorou a perceber que eu estava ali. Na verdade, eu tive que pigarrear para ele desgrudar os olhos do computador.
– O que está fazendo aqui? – perguntou naquele tom frio. Girei os olhos. Juro que não sei como o Fred aguentou isso por tanto tempo.
– Vim te mostrar uma coisa – fui me aproximando da mesa e quase recuei quando ele me olhou com aquela cara assassina. Talvez eu não devesse ter dispensado o Fábio.
Apertei o play e coloquei o gravador sobre a mesa. O Eduardo ergueu a sobrancelha quando a voz do Murilo preencheu o ambiente.
– E por que você acha que vai ser um grande estilista? – Fábio perguntou.
– Eu vou. Eu sou muito bom e agora que eu fiz aquela mala sem alça ir embora...
– Quem?
– O Frederico! – Murilo disse em um tom desprezo. – Eu estou na empresa há anos e o Eduardo nunca me deu uma chance! Ele ia fazer um desfile para aquele... aquela aberração ruiva! Mas eu não ia deixar mesmo isso acontecer.
– E o que você fez?
Murilo soltou uma risadinha.
– Eu armei pra que o Eduardo pensasse que ele estava de caso com um estilista aí. Os dois são amiguinhos. Não foi difícil. Mandei uma mensagem para o Alexandre como se fosse o Fred dizendo que iria ficar com ele e depois mandei uma para o Fred me passando pelo Alexandre. O Fred sempre foi manteiga derretida. Foi só caprichar na mensagem dizendo que estava muito mal e que precisava urgentemente falar com ele. Aí depois foi só fazer o Eduardo saber onde o Fred estava. O Eduardo é um idiota. Estava todo preocupado porque o Fred estava atrasado. Mandei uma mensagem anônima para ele e o envenenei. Disse que o namorado dele estava encontrando com o Alexandre todos os dias. O burro caiu como um patinho – Murilo contou tudo entre risadas.
– Então, o Fred... – Eduardo murmurou e pelo jeito ele não ia conseguir formular uma frase inteira.
– O Fred não te traiu nem por um segundo – falei. Dei uma espiada de canto de olho no que ele olhava com tanto interesse no computador e vi que era uma foto do Fred. Não deu pra ver direito, mas pelo jeito era uma das fotos do Fred desfilando.
Ele andava fazendo um baita sucesso no exterior.
– Se alguém teve culpa, fui eu – continuei falando. – Eu que deveria ter perguntado antes de sair agarrando ele. Infelizmente para nós o idiota do Murilo teve sorte de você chegar justo naquele momento.
Eduardo fechou os olhos e levou umas das mãos à têmpora.
– Eu falei coisas horríveis...
– Então vá procurá-lo! – exclamei impaciente.
– Eu não posso.
– Ah, por Deus, Eduardo! Deixa de ser cabeça dura! – eu estava a ponto de começar a sacudi-lo para que o tico e o teco dele começassem a funcionar.
– O Fred não me perdoaria...
– É lógico que ele perdoa! Ele é doido por você.
– Não. Era só tesão. Ele sempre deixou isso muito claro.
Ah, mas que beleza! O cabeção teimoso do Fred não se declarou para o Eduardo e agora ele vai ficar pensando que o Fred não vai querer saber dele.
– Eu só dei mais motivos para ele me odiar.
– Bem, você só vai saber disso se for falar com ele.
– Ele parece muito bem – Eduardo murmurou voltando os olhos para a tela do computador. – Como eu fui idiota! – exclamou em tom de arrependimento.
Eu acho que vou começar a reconsiderar aquelas balançadas e mudar para um plano mais drástico: atirá-lo pela janela! Com uma pancada dessa não é possível que o tico e teco dele não peguem no tranco.
– Sim, você foi muito idiota e o Fred merece ao menos um pedido de desculpas.
Eduardo não respondeu. Girei os olhos. Ele passaria pelo menos meia hora se lamentando pelo que falou ao Fred.
– Eu vou deixar uma cópia da gravação pra você – falei enquanto colocava um pendrive sobre a mesa. – Só... Faz a coisa certa, Eduardo. Chuta aquele Murilo pra longe daqui e vai atrás do Fred.
Esperei que o Eduardo respondesse, mas ele continuou calado e voltou a olhar para o computador. Suspirei e deixei a sala antes que eu realmente o atirasse pela janela.
Quando deixei o prédio, vi que o Fábio estava parado do outro lado da rua, encostado em um táxi, aparentemente me esperando.
– O que está fazendo aqui? – perguntei ao me aproximar.
Fábio segurou o meu rosto e se aproximou. Eu resmunguei insatisfeito com aquela inspeção repentina e o fiz me soltar.
– Parece que ele não te bateu – Fábio disse lentamente e em seguida sorriu, mas como eu não retribuí, o sorriso dele sumiu quase imediatamente. – O que houve?
– Não deu certo – murmurei. – São dois teimosos, cabeças duras! Todo esse trabalho e nada!
– Deve ter sido um choque para ele, Alex – Fábio disse apaziguador. – Ele estava certo que ruivinho sardento estava traindo ele.
– Não fale assim do Fred – resmunguei irritado.
Fábio ergueu as mãos em um sinal de “não está mais aqui quem falou”.
Meu estômago resolveu roncar naquele momento e eu girei os olhos. Na pressa de fazer o Eduardo engolir aquela gravação, eu acabei nem comendo nada.
– Vamos almoçar – falei enquanto abria a porta do táxi.
– Você paga – Fábio retrucou.
– É o jeito, né? Tô te devendo uma – balancei os ombros.
Enquanto Fábio falava para o motorista aonde nós queríamos ir, olhei para o alto do prédio em que a Seventh Heaven funcionava. Eu só esperava que o Eduardo fizesse alguma coisa para que todo aquele trabalho que eu tive não tivesse sido em vão.
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