E se eu quiser continuar?
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Passaram-se duas semanas desde o acidente com o carro de Camus. Milo, Saga e Hyoga alternavam entre a empresa e o hospital quando recebem a notícia de que o diretor de operações saiu do coma e acordou.
Camus estava meio confuso com os acontecimentos e algumas dores em seu corpo. Suspirou aliviado quando se deu conta de que sua memória não foi afetada e que os sintomas que ele sentia era normal de quem passa pela mesma situação que ele. O aquariano é deixado sozinho por uns instantes, para não ser estressado logo após de abrir os olhos. Também é orientado a ficar deitado e quieto até o médico ir ao quarto e fazer um check-up nele.
O diretor resolve se levantar e ir até o banheiro, passar água em seu rosto, olhar no espelho e ver sua aparência. Com cuidado, levanta-se da cama, ignorando as pontadas de dor que aparecem em seu corpo. Entretanto, quando resolve andar, vai direto para o chão, levando tudo o que estava ao alcance de suas mãos, pois não conseguiu sustentar o peso de seu corpo e nem se segurar.
O barulho assusta uma enfermeira, que por sua vez chama um médico para ver o que aconteceu. Para Camus, não era necessário de médico para saber o que aconteceu: ele estava sem força em sua perna esquerda e em seu braço direito. Com dificuldade e muita força de vontade, o diretor volta para cama, permanecendo sentado nela até o médico chegar.
— Bom dia sr. Camus! Sou o dr. Mu – o médico de cabelos lilases se apresenta cordialmente – Antes de te examinar, gostaria de conversar um pouco contigo. Primeiramente, do que se lembra, o que está sentindo?
— Bom dia doutor – Camus responde tranquilamente – Por favor, não precisa me chamar de senhor, apenas de Camus. Me lembro perfeitamente do motivo de estar aqui, entretanto estou um pouco confuso e me recordo apenas de flashes daquele dia. Estou sentindo dor no corpo, mas o que me incomoda verdadeiramente é o fato de que quando tentei me levantar, não consegui. Estou sem força em minha perna esquerda e meu braço direito. Quando tempo fiquei apagado?
— Você ficou em coma por duas semanas. O fato de não ter força é alguma sequela da batida. Pelo fato de você conseguir mover e sentir tanto a perna, quanto o braço, me mostra que com fisioterapia será possível recobrar seus movimentos. Praticamente todos os movimentos ou todos, depende um pouco de sua evolução e da profundidade das sequelas. Sua confusão é normal, isso acontece com pessoa que levam uma pancada forte na cabeça.
Antes que o diretor resolva perguntar ou falar mais alguma coisa, Mu começa a examina-lo.
— Bom – o médico interrompe o silêncio que se formou – Aparentemente você não possui mais nenhuma sequela. Sua respiração, olhos e reflexos estão ok. Também sente os movimentos de seu corpo. Realmente só precisará de fisioterapia. Seus amigos, e principalmente, seu namorado ficarão muito felizes.
— Como assim?
— Ah Camus – Mu fala para mudar o foco do diretor das sequelas e das futuras fisioterapias, falando de coisas que acreditam que vão animar seu paciente – Nos meus plantões, me deparei com três pessoas que sempre te visitavam. Cada um tinha uma forma de perguntar e ter boletins médicos seus. Na UTI os horários de visitação são restritos. Mas sempre davam um jeito de, pelo menos um, vir aqui. E seu namorado então, o loirinho mais novo, falava de ti com tanto amor. Você é uma pessoa de sorte.
O médico se despede dizendo que precisa cuidar de outros pacientes e deixa Camus com seus pensamentos.
O aquariano dá um suspiro impaciente. Pelo que pode compreender, o caminhão bateu de lado no carro dele, o cinto não segurou o impacto, o fazendo bater o lado esquerdo da cabeça na porta. Por causa disso, perdeu duas semanas de vida e mais do que isso, levará algum tempo a ser como era antes. Até recuperar a força de alguns de seus membros, ele precisará de algo para o ajuda-lo a andar, possivelmente uma bengala. Por mais que o outro carro dele também seja automático, será que ele conseguiria dirigir? E também tem a empresa. Duas semanas não programadas fora, deve ter acontecido muita coisa. Algumas, Camus acredita que Hyoga conseguiu resolver em seu lugar. Sim, era óbvio que o gerente seria incumbido de assumir essa responsabilidade.
Hyoga... O acidente ocorreu depois de uma briga entre os diretores. Pelo que Mu disse, os três pareciam que estavam se dando bem. Então não havia mágoa entre eles. Milo disse que Camus estava usando o gerente. E isso entristeceu demais o aquariano. Como um cara que o conhece a tantos anos pode dizer isso? Será que essa era a impressão que passava até mesmo para Hyoga? Tudo bem, Camus reconhecia que estava em uma situação não muito definida com seu gerente. O mais velho sabia que o loiro era apaixonado por si. O diretor estava muito longe de ser ingênuo. Sabia também que não era só sexo.
Tudo isso era ridículo! Camus não é de ficar pensando em sentimento e nem se render a isso. Então, porque estava inclinado a pensar em sentimentos? Por que as acusações de Milo o afetaram? Nada disso tem importância agora. Ele estava debilitado. Precisava se recuperar e colocar a empresa e algumas outras coisas em ordem. E se Hyoga o quiser ao seu lado, talvez, o mago do gelo estivesse disposto a abaixar um pouco a guarda. O difícil seria Camus admitir isso.
Pensando nisso tudo, Camus acaba se cansando e caindo no sono.
Quando acordou, se deparou com três pares de olhos o observando. Primeiro encarou Saga, que estava com um semblante alegre e um sorriso tranquilo no rosto. Com certeza ele quem acalmou os ânimos do outro diretor. Depois pousou o olhar sobre Milo. Este estava radiante por vê-lo acordado, assim como podia enxergar a culpa escondida em suas feições. Com certeza conversariam mais tarde sobre isso. E por último observou Hyoga. De todos, o mais novo era o mais tímido. Visivelmente não sabia como reagir, apesar de olhar para Camus com amor e devoção.
— Vocês realmente vão ficar só me encarando? – Camus diz indiferente.
— Não, não vamos só te encarar – Milo toma a palavra – Só que nós estamos felizes e aliviados que não sabemos por onde começar. Você deu um puta susto em todos nós. Assim como sei que cada um de nós queremos falar um monte de coisas para você, mas não sabemos se podemos faze-lo passar por fortes emoções.
— Milo – o diretor de operações fala irônico – Sofri um acidente de carro, não um enfarte. Meu coração está bom o suficiente para passar por aquilo que chama de fortes emoções. Como está a empresa?
— Ah Camus – Saga fala com um leve sorriso em seu rosto – Não aconteceram grandes eventos nessas duas semanas. Não ao que diz respeito do setor financeiro e comercial. Aquele projeto dos tanques entrou. Mas lógico que não é sobre meu setor ou o de Milo que você quer saber e sim sobre o seu, por isso o Hyoga é o mais indicado para te falar. E olha Camus, você fez uma boa escolha trazendo o Hyoga para sua equipe. Apesar da inocência e da inexperiência em alguns assuntos, o menino deu o sangue para a empresa. E não o elogio apenas por que ele está aqui e sim pois tomar conta de seus projetos, que ao meu ver deve ser difícil para caramba, é uma tarefa desgastante. Ainda mais quando ele não possui todas as informações. Entretanto, acredito que isso seja assunto para mais tarde.
O olhar de Camus passa de Saga para Hyoga. O gerente ficou corado com o elogio vindo do diretor financeiro. Realmente fez de tudo o que estava ao seu alcance para não decepcionar o seu chefe e amante Camus.
— Não acho que devemos entediar Milo e Saga com os problemas do setor – Hyoga diz de forma neutra – Teremos oportunidades para falar sobre isso. Seria melhor que falasse de você. Como está? O que está sentindo? O médico disse alguma coisa sobre quando terá alta?
Camus fica alguns segundos sem responder apenas observando Hyoga. A sombra de um sorriso passa no rosto do diretor, quando percebe que seu gerente está agindo exatamente da forma que lhe ensinou. Camus sente orgulho de Hyoga. E mais do que isso, sente outra sensação gostosa encher seu peito, mas em vez de pensar nisso, decide responder o que lhe foi perguntado.
— Estou bem, apesar de limitado – o semblante de Camus se fecha – Estou sem força em minha perna esquerda e meu braço direito.
Então contou tudo o que foi conversado com o médico Mu. Após o impacto de susto, os três resolveram traçar planos de ação para não deixar Camus sozinho. Já o aquariano mais velho, achava isso ridículo. Não necessitava de babás. Entretanto o diretor de operações não teve voz ativa neste caso. Ficou combinado que quem passaria a primeira noite no hospital seria Hyoga, depois Milo e por último Saga. O gerente deixa o hospital para pegar alguns itens em sua casa para retornar, seguido pelo diretor financeiro. Milo fica com Camus enquanto isso.
— Camus, eu – ele respira fundo – Não devia ter dito aquelas coisas, mesmo bêbado. Me desculpe. Sei que não adianta se desculpar depois que a merda foi feita, mas esses dias que tivemos mais proximidade com Hyoga e que o mesmo nos contou algumas coisas sobre vocês, entendi que fui injusto contigo e com ele também. Não quero que brigue com ele por ter nos contado algumas coisas, sabe como podemos ser bem persuasivos. Quando recebi a notícia que sofreu o acidente, nossa... Você tem noção do quanto nosso mundo caiu?
Camus fica alguns segundos em silêncio antes de responder com a voz cansada:
— Vamos apenas esquecer tudo isso. Já aconteceu tanta coisa e vai acontecer mais que não devemos continuar nos desgastando com este assunto.
Milo vai até Camus e o abraça. Abraço este que foi correspondido. O diretor comercial sorri, pois tem a certeza que agora tem o perdão de seu amigo.
Fale com o autor