E se eu quiser continuar?
7 Capitulo 7
Notas iniciais
Hyoga estava na recepção, quando um dos médicos se aproximou dele.
— Sou o doutor Mu, fui eu quem fez o atendimento do sr. Camus no hospital. Você é? – pergunta o médico com tranquilidade.
— Sou Hyoga, namorado de Camus – tudo bem que isso o gerente sabia que era
mentira, mas nesse momento não ligava para isso — O que aconteceu?
— De acordo com os paramédicos que o trouxeram de ambulância, um motorista bêbado fechou um caminhão. E o caminhão por sua vez, bateu no veículo do sr. Camus.
— Ele está bem? Posso vê-lo? – pergunta desesperado.
— Infelizmente no momento você não pode vê-lo. Ele está na UTI em coma. Pelo que averiguamos, sofreu um traumatismo craniano devido ao impacto da batida. Ainda é cedo para falar sobre o real estado de saúde dele, pois as primeiras vinte e quatro horas são primordiais. Sei que não é nada do que gostaria de ouvir. Mas como falei, é cedo demais para eu emitir qualquer opinião.
O loiro e o médico conversaram mais um pouco e quando Hyoga voltava a se sentar em uma das poltronas da recepção, depare-se com Saga e Milo vindo em sua direção.
— Obrigado por ter me avisado – Saga diz preocupado – Como ele está? O que aconteceu?
Entretanto, Hyoga era incapaz de responder, pois o mesmo estava fuzilando Milo com o olhar. Foi tomado por um momento de total irracionalidade por causa de sua dor.
— O que aconteceu – Hyoga diz elevando o tom de voz – É que seu amigo aí, magoou e estressou Camus e por isso ele está aqui em vez de compartilhando a minha cama. A culpa é toda sua Milo. Seu desgraçado, o que falou para ele?
O diretor comercial ficou estático com as palavras carregadas de ódio ditas por Hyoga, mas Saga, que era mais centrado, resolveu intervir.
— Ninguém aqui é culpado Hyoga – o diretor financeiro diz e envolve o mais novo em um abraço. Hyoga por sua vez, ao sentir os braços de Saga ao redor de seu corpo, começa a chorar.
A madrugada virou dia e com isso os ânimos estavam mais calmos.
— Milo – Hyoga toma a palavra – sobre o que te falei... bom, não foi sua culpa. Não foi você quem estava bêbado e fechou o caminhão que bateu no carro de Camus. Agi de forma imatura, desculpe-me.
— Não precisa se desculpar – Milo revida – Talvez eu tenha culpa mesmo. Fui muito duro com Camus. Mas nesse momento o que importa é ele sair dessa.
O silêncio volta e os três ficam assim, até que Mu, o doutor com quem o gerente tinha conversado, se aproxima deles para dar novo boletim médico.
— Apesar do coma, ele está estável. Podem vê-lo se quiserem. Entretanto, um de cada vez.
Os três trocam olhares e em um consentimento mudo, optam por deixar Hyoga entrar primeiro no quarto de Camus. Quando entrou no quarto, a impressão que o gerente tinha era que o diretor de operações estava apenas dormindo. O que não combinava com alguns cortes que pode ver em sua face e alguns aparelhos médicos que mediam suas funções vitais.
— Camus – o loiro começa a falar, após sentar em uma cadeira e segurar a mão do mais velho – Já te contei de quando te vi pela primeira vez na faculdade? Estava indo buscar livros na biblioteca e você também se encaminhava para lá. Você estava tão lindo, com roupas descoladas. Nos próximos dias, fiz de tudo para descobrir coisas a seu respeito. Toda vez que te via, pensava em uma forma de me aproximar de ti, mas ficava com receio. Quando apresentei meu TCC e te vi lá, fiz de tudo para fazer o melhor possível, pois queria te impressionar.
— Saga disse que ficou bastante tempo sem gerente porque queria me contratar. Esperou eu voltar de minha bolsa de estudos fora. Será que é muita pretensão de minha parte achar que acompanhava meus passos lá fora também? Não que me importe com isso. Estudei fora e me empenhei ao máximo, pois iria dar um jeito de trabalhar com você ou até mesmo te ver novamente. Pode achar ridículo, eu sei, afinal nunca trocamos uma palavra sequer, nem no dia em que viu meu TCC. Mas pelo jeito, tive impacto em sua vida, pois me esperou e me contratou logo que voltei. Diferente de mim, você tinha informações a meu respeito, pois tinha contato com meus professores e sabia do meu interesse por ti. Quem diria que eu quem seria surpreendido.
— Oh sim, surpreendido por você, que já sabia de meus passos, de meus olhares e minha súbita admiração e desejo. Desejo este que virou paixão e agora é amor. Talvez por estar desacordado, consiga falar isso sem medo de sua reação, pois prefiro manter nossa sei lá o que dá forma que é, do que ser tirado de sua vida. Volta para gente Camus. Todos precisamos de você, eu preciso de você.
Hyoga só percebeu que lágrimas saiam de seu rosto quando se calou. Limpou as lágrimas e Milo entrou assim que Hyoga saiu.
— Não acredito que esteja deitado nessa cama! Você, aí, em coma, é inacreditável. Se fosse eu até seria mais plausível, mas você, mago do gelo... Sei que odeia esse apelido que te dei. Nossa, nem estou conseguindo coordenar direito minhas palavras.
— Sabe, seu loirinho me disse, em um momento de raiva, que a culpa de você estar aí era minha. Você acha o mesmo Camus? Consigo imaginar até como você me responderia. A verdade é que Hyoga está certo e eu me sinto culpado. Não pelo acidente, pois tenho consciência que a culpa não é minha, mas por ter te falado aquelas coisas no bar. Você gosta de verdade do gerente e conversando com o Saga, quando passou meu porre, pude ver.
— Jamais vou me perdoar se acontecer alguma coisa contigo Camus. Você é uma parte de mim. Amo te encher o saco, seus olhares me censurando por alguma bobagem que falei. Te tirando da sua pose fria. Discutindo calorosamente contigo quando não concordamos em algo, mas nunca ficando com raiva de verdade de você. Geralmente eu que corro atrás de ti para me desculpar, porque invariavelmente sempre extrapolo ao falar contigo. Você também não consegue ficar muito longe de mim, por que o que Saga, você e eu temos é muito maior que qualquer outra coisa. Mesmo quando as vezes ajo como uma criança mimada, ou não calo minha boca, você sempre está comigo. Pacientemente ou não. Você é meu melhor amigo, meu irmão.
Milo fica em silêncio por alguns segundos, mas decide que é hora de deixar Saga também visitar Camus.
— De nós três, acredito que eu seja o que menos esteja preocupado. Hyoga está parecendo uma viúva desolada. Milo está se corroendo pela culpa. Culpa essa totalmente infundada. Tudo bem que ele falou demais no bar, mas até aí achar... bom, você conhece a peça.
— Sou o menos preocupado porque não tenho dúvidas que você vai acordar. Você é forte e já passamos por tantas coisas juntos, que um porra de um motorista bêbado não vai te fazer cair. Então abra logo esses olhos, levante essa bunda da cama e aguente o Milo te tratando como uma princesinha, te mimando até você e eu queremos socar a cara dele de tão irritante que ele estará. Você ainda irá aguentar o Hyoga suspirando que nem uma garotinha apaixonada. E vê se assume que gosta do garoto também. Façam muito sexo e sejam felizes para sempre.
Saga fica uns segundos em silêncio, antes de continuar:
— Camus... não é por tudo isso que falei que acredito que irá se recuperar logo. Mas sim por ver que, depois de tantos anos, reencontrou a felicidade, mesmo que consciente ou inconscientemente não tenha se tocado. E sei que não abrirá mão disso, pois já deixou isso bem claro quando enfrentou Milo e a mim na empresa, até mesmo quando aceitou ir ao bar nos deixar conhecer melhor Hyoga e resultou em tudo que estamos passando agora. Levanta logo essa bunda e vá ser feliz, meu amigo. Estaremos aqui para compartilhar mais esse momento contigo.
Saga, Milo e Hyoga vão até o lugar destinado para alimentação do hospital. Os três após pedirem algo para comer, mesmo sem vontade, e um café forte para tomar, sentam-se em silêncio.
— Sei que isso pode parecer meio frio – começa Saga, sendo prático – Mas já que Camus está hospitalizado, você vai ter que assumir o lugar dele na empresa.
— Eu Saga? – Hyoga responde surpreso – Mas como? Você acha que tenho cabeça para isso? Além do mais, Camus é insubstituível!
— Sim Hyoga, você é o mais adequado! – Saga argumenta – Milo e eu não sabemos nada dessa parte de operações. Você é o gerente do Camus, está mais por dentro das situações. Sem contar que você estava se envolvendo com nosso amigo. Você, mais do que qualquer um, sabe o que se passa nas obras. Direta ou indiretamente. Sei que não vai ser fácil, mas Camus ficaria orgulhoso em saber que você não deixou as coisas saírem do eixo quando ele estava fora.
Hyoga suspira resignado. Ele sabe que Saga está correto e qualquer argumento que ele der será invalido. O loiro se sente inseguro em assumir o lugar de seu chefe. E se ele não der conta? Entretanto, sabe que tentará fazer o melhor para quando Camus voltar tanto para a empresa, como para ele.
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