Notas iniciais
Agradeço a todos que estão acompanhando, em especial a Avila por ter favoritado minha fic. Também agradeço a Avila, Suh Domingues e Vallentine por comentarem o cap anterior. Por mais que minha fic não seja movida a comentários é muito estimulante e gratificante receber os comentários de vcs. Muito obrigada por isso, todos vcs dedicam um pouco de seu tempo para ler essa fic, me fazem muito feliz! Meus caps não são revisados, então desculpem-me por eventuais erros. Aproveito e desejo a todos Feliz Ano Novo!

No outro dia, Hyoga acorda e logo percebe que não está em sua cama. Flashes da noite anterior começam a clarear sua mente. Ele fica deitado, por alguns segundos, olhando para o teto do quarto de Camus, até que tenha condições de organizar suas ideias. O loiro senta na cama e se depara com seu chefe, sentado em uma cadeira, com o notebook apoiado em uma mesa, trabalhando. O mais velho estava só com uma bermuda folgada e sem camisa, com os cabelos longos meio bagunçados entre suas costas e peito. Hyoga engole a seco o vendo assim. É uma bela visão logo de manhã e após tudo o que aconteceu.

– Bom dia Camus! – Hyoga toma coragem e diz, de forma que beirava a naturalidade.

– Bom dia Hyoga – responde Camus de forma impessoal – Tomei a liberdade de, depois de você dormir, colocar sua roupa para lavar, então daqui a pouco ela deve estar seca. Caso queira tomar um banho, coloquei a sua disposição no banheiro algumas roupas e acessórios de higiene que pode usar.

– Obrigado. Acho que vou mesmo tomar um banho.

Como depois de uma noite como a de ontem, Camus consegue agir e falar como se fosse um anfitrião recepcionando convidados? Tudo bem, Hyoga não esperava que seu chefe o tratasse com coraçãozinho, mas também usar esse tom de voz impessoal e profissional não o agradou. Agora o loiro entendia o motivo de Camus o chamar de menino e inocente.

Após o mais novo usar o banheiro e saindo com as roupas que o seu chefe tinha separado para Hyoga, Camus o leva até a sala de jantar, onde tinha preparado um café da manhã para ambos.

– Não esperava visitas – diz Camus como bom anfitrião – Então espero que não se incomode com esse café simples.

O simples resultava em leite, tendo como opção café e chocolate e suco de laranja. Para comer, pão, tendo como opção frios ou manteiga e bolacha doce.

Eles começaram a comer em silêncio, mas Hyoga estava querendo fazer várias perguntas, porque não sabia o que esperar daqui para frente, entretanto não conseguia falar isso com Camus, por receio de sua reação. E daí que ele e seu chefe fizeram sexo, isso não mudaria alguma coisa na empresa ou mudaria? Será que Camus iria querer continuar se relacionando com Hyoga? Essas e outras perguntas martelavam na cabeça do gerente.

– O que quer saber Hyoga? – Camus pergunta após um suspiro impaciente – Acredito que você não chegará a nenhuma resposta, sozinho.

Hyoga encara Camus e vê que o mais velho está com um ar de “não vejo necessidade de falar sobre isso, mas por respeito a você, vamos conversar”.

– Por que me contratou? – Hyoga disparou

– Porque você foi muito bem recomendado por alguns de seus professores, os quais tenho contato e quando vi seu TCC, entendi o motivo disso.

– Mas sabia que eu o admirava de longe! – o loiro fala em tom acusador.

– E pelo que pude avaliar até ontem, isso não influenciou em seu julgamento e nem em seu trabalho.

Hyoga pensou na resposta de Camus. Ele falava em tom didático, como se explicasse a resolução de um problema simples. E isso irritava demais o gerente. Era como se seu chefe não o levasse a sério.

– Então me contratou sabendo que uma hora ou outra iria me fazer transar com você? É isso Camus? – o mais novo disse, sem pensar, movido pela raiva.

– Hyoga – o diretor usou um tom de voz tão frio, que Hyoga engoliu em seco, apesar de não baixar o ar de desafio – Que tipo de pessoa acha que sou? Que tipo de pessoa você acha que é? Você está em minha casa, acredita que se fosse só para te fazer transar comigo, estaria aqui? Eu te contrataria como gerente, um cargo de grande responsabilidade, apenas para fazer sexo contigo? Não seja infantil, menino! E nem desvalorize sua capacidade profissional, assim como minha capacidade de gerenciamento. Não sujeitaria a mim e a minha empresa a um capricho tão idiota.

– E na empresa, como fica? – o loiro pergunta receoso.

– Fica como já estava – Camus diz de forma profissional – Não vou te dar privilégios ou te prejudicar por causa de uma noite de prazer. Não vou usar isso contra você. Somos dois adultos.

Eles ficaram em silêncio. Camus não entendia o motivo de responder todas as perguntas de Hyoga. Geralmente ele não se importava com isso. Odiava perder tempo com esse tipo de coisa. Mas o loiro, com aquele ar de inocente, carente e inseguro, junto com a dedicação e admiração que demonstrava, era demais para o diretor. Ele não entendia o motivo de ser tão didático e com vontade de ensinar e proteger seu gerente. Camus nunca se envolveu com ninguém da empresa, sempre manteve distância. Quando queria uma noite de diversão, sabia onde procurar algo casual. Mas com o loiro, era como se houvesse um magnetismo que o ligava a ele, tanto que não se importou com a empresa e com os problemas que poderiam ocorrer com um envolvimento dele com um funcionário e cedeu. Hyoga era mais que um funcionário, agora era seu protegido. E no fundo, Camus sabia que Hyoga não iria decepciona-lo.

Hyoga ficou pensando nas palavras de seu chefe. Se foi escolhido, era porque devia ter algo de bom. Hyoga sabia que Camus não ia mudar. Seria o mesmo homem frio, impessoal, workaholic, exigente, indiferente e não adepto a muita conversa, principalmente sentimental. Entretanto, Hyoga sabia que estava perdidamente apaixonado e quem sabe conseguisse ganhar um espaço no coração do mais velho? Pensando assim, Hyoga levanta da cadeira e vai em direção a Camus.

– E se eu quiser continuar? – Hyoga pergunta, sentando no colo de seu chefe e dando um beijo exigente na boca do mais velho – E se eu quiser – Hyoga começa a lamber e dar leves mordidas no pescoço de seu chefe, enquanto esfrega seu corpo no dele, ganhando como recompensa um gemido incontido de Camus – Te dar prazer, aqui, agora, e enquanto você quiser?

– Tem certeza que quer jogar esse jogo Hyoga? – o diretor pergunta com um meio sorriso malicioso.

– Você mesmo disse que meu discernimento não foi modificado – o gerente responde com um sorriso sacana no rosto – Seu corpo reage involuntariamente ao meu. Se você não quiser, é só olhar em meus olhos e dizer que não me deseja. Então Camus, está com medo?

Camus segura Hyoga pela nuca e o puxa para um beijo cheio de luxuria. Não, ele não tem medo. Sim, ele morre de desejo pelo seu gerente. E o único pensamento do diretor quando levanta da cadeira com o mais novo em seu colo e o coloca sobre a mesa que estavam tomando café é que vai fazê-lo pagar, com muito prazer, por tê-lo desafiado.