Notas iniciais
E vamos ao penúltimo cap da fic. Dedico esse cap em especial ao meu grande amigo metaljukebox que me ajudou, me ouvindo e discutindo comigo minhas ideias para o final da fic, mas especialmente, este capitulo.

Camus ficou ausente da empresa por 45 dias, sendo 15 por causa do coma e 30 por causa da recuperação pós acidente e fisioterapia. Apesar do diretor de operações não estar totalmente recuperado, pois para andar necessitava da ajuda de uma bengala e o movimento do braço direito ainda estava meio limitado, ele resolveu que estava na hora de voltar a suas responsabilidades. Por causa disso, Saga, Milo, Hyoga e Camus estavam na sala de reunião, para alinhar todos os eventos e estratégias. O diretor de operações estava sentado em uma ponta da mesa, tendo o seu gerente na outra extremidade. Entre eles, um em cada lado, o diretor comercial e financeiro.

Lógico que seria querer demais que não houvesse nenhum problema urgente para ser resolvido, mas Camus não admitia que depois desses dias fora, recebesse um aviso de multa vinculado a uma obra, por um dos eventos de entrega não ter sido cumprido. Para o diretor, isso era inadmissível. O que mais o incomodava não era o fato da possibilidade de a empresa ser obrigada a pagar multa contratual, por que não é a primeira vez e com certeza não seria a última, mas sim que nenhum dos diretores e seu próprio gerente não houvessem criado um plano de ação a respeito disso.

— Alguém pode me explicar o motivo disso? – Camus pergunta irritado colocando o aviso de multa sobre a mesa.

— Você sabe o que é isso, eu sei, todos nesta sala sabem! – Milo diz também exaltado.

— Se você sabe Milo, por que não fez nada referente a isso? – Camus fala mais irritado ainda – Você é diretor comercial, impossível a obra atrasar e o cliente não ligar ou mandar um puta e-mail malcriado para você? Você é comercial, xavecar é contigo mesmo!

— Porra Camus – Saga se mete na discussão também – Você ficou diversos dias afastado, nenhuma informação foi organizada. Hyoga teve que assumir no susto todas suas obras, mais a dele. Tem informação que só você tem acesso. O que você queria?

— Um maldito plano de ação – Camus responde – Me explica você, Saga, que é diretor financeiro, como você quer receber dinheiro por um evento de entrega da obra, sendo que nós não entregamos? E pior, deixamos o cliente no escuro. Todos sabemos que obra sempre tem “n” problemas e que nunca é entregue na data prometida, logo no começo do projeto. Entretanto deixar a porra do cliente no escuro é inaceitável.

— Camus – Hyoga intervém de forma enérgica chamando a atenção de todos para si – Não é com seus diretores que deve discutir este assunto e sim comigo. Na sua ausência, eu quem fui responsável pelo setor de operações, então é comigo que deve descontar sua frustração e não com Milo e Saga.

— Por gentileza senhores, me deixem a sós com meu gerente – Camus pede educado.

Milo e Saga até pensam em contestar, mas percebem a troca de olhares entre chefe e funcionário. Essa conversa particular tem tudo para pegar fogo e os outros diretores não tem muito o que podem acrescentar, pois não são da área de operações. Por causa disso, levantam-se das cadeiras e saem em silêncio da sala, resignados. No entanto, Saga olha para trás, antes de sair da sala e percebe que por nenhum segundo sequer Hyoga e Camus desviaram o olhar um do outro. Era como se apenas houvessem os dois na sala, disputando força através da troca de olhar.

— Então Hyoga – o diretor diz com um tom de desafio na voz – Como assumiu a responsabilidade sobre o caso, explique-me.

— Não há muito o que posso dizer – Hyoga fala sério – Foi um deslize de operações. Muita informação para gerenciar de coisas que eu nem sabia da existência. As válvulas chegaram a dois dias na obra e estão em processo de liberação por parte do cliente. É lógico que precisamos acoplar as válvulas a tubulação. O que podemos usar em nosso favor é que a montagem do trocador de calor está avançada, podemos redistribuir a equipe para ajudar na tubulação. Ganharemos uns dias e o impacto será o menor possível. Isso é algo que, definitivamente, Saga e Milo não seriam capazes de discutir contigo Camus.

A verdade é que Camus já sabia a única solução rápida e viável antes mesmo de questionar Hyoga. Quando o diretor de operações viu o motivo da multa, já tinha criado um plano de ação antes mesmo de entrar naquela reunião. O problema era passível de solução e não haveria muito empecilho da parte do cliente, acreditava Camus, depois de uma boa e honesta conversa.

O que o mais velho estava de verdade reparando, era na postura do loiro a sua frente. Ele não era mais o menino inseguro que entrou na empresa. Muito pelo contrário, peitou Camus, assumiu a responsabilidade e ainda propôs a solução que o diretor imaginou.

— Realmente Hyoga – o aquariano mais velho falou tranquilo – Shion estava certo ao seu respeito.

— Desculpa, mas o que o professor Shion tem a ver com esse problema? – o gerente pergunta meio confuso.

— Nada, não importa! – Camus diz eliminando os pensamentos que o rondava — O que importa é que estou orgulhoso de você Hyoga. Bateu de frente comigo, assumiu a responsabilidade pelo setor, deu a solução que eu daria no seu lugar. Realmente, você cresceu. Não é mais o menino que entrou aqui e que tinha receio de me desapontar. Apesar de eu ainda precisar aparar umas arestas em ti, você está se tornando mesmo um ótimo gerente.

— Então essa reunião foi uma droga de um teste Camus? – Hyoga pergunta bravo.

— Não – o diretor responde categórico – Realmente fiquei muito irritado por chegar na empresa e uma das primeiras coisas que chega ao meu conhecimento é um aviso de multa. Por mais que a situação do meu afastamento foi a mais adversa possível, não é nada bom voltar tendo que negociar com cliente que quer nos aplicar multa contratual. Pelo menos esta situação me fez ver o quanto amadureceu profissionalmente.

Hyoga sente as bochechas se avermelharem com o reconhecimento que ouviu de seu chefe, jamais imaginava que a reunião que tinha de tudo para ser o maior quebra pau, resultaria em um elogio.

— Porra Camus – o gerente diz impulsivamente – Você come o rabo de todo mundo, não tiro sua razão por isso, mas bate e depois assopra? Que merda de comportamento é esse?

— Comportamento Hyoga – Camus diz com a voz grave – de alguém que quer saber se você deseja morar comigo?

Uma série de expressões passaram pelo rosto de Hyoga nos segundos que se seguiram após a pergunta de Camus. A sensação que ficou presente foi apenas confusão.

— Camus, você... é... – o loiro pigarreia – Não entendi o que quis dizer com isso.

— Acho que meu convite é perfeitamente explicito Hyoga. Quero saber se deseja morar comigo e acredito que sabe muito bem o que isso significa.

Hyoga se levanta e diminui o espaço que tem entre ele e seu diretor. O mais velho continua sentado, pois precisaria da bengala para se locomover melhor. O loiro abaixa até os olhares ficarem na mesma altura e ficam um tempo assim, apenas se olhando. O mais novo leva a mão até os cabelos do seu chefe, aproveitando para fazer um leve carinho no rosto do mais velho. Lentamente se aproxima e capta a boca de Camus com um beijo doce, de entrega.

— É lógico que aceito Camus – o loiro fala alegre e emocionado – Eu te amo!

— Então Hyoga – o diretor diz com um sorriso malicioso – Sente-se em cima da mesa e desabotoe sua calça para mim, porque quero te chupar aqui e agora!

O loiro faz o que o mais velho pede, sentando na mesa totalmente exposto.

— Alguém pode entrar aqui – Hyoga diz receoso.

— Ninguém entrará aqui tão cedo – o diretor fala calmamente – Não quando acham que estamos discutindo.

Quando Hyoga se apoia na mesa e joga a cabeça para trás quando sente a língua do mais velho sobre seu membro, percebe que ele não poderia estar mais feliz, se entregando e agora com o convite de morar junto, com Camus. Com esses pensamentos e com a boca experiente do seu diretor, ele não demora muito para gozar, satisfazendo mais um capricho do homem à sua frente.