Notas iniciais
Estou feliz que sábado é meu niver!!! Falando da fic, acho que esse cap ficou bem legal. Espero que gostem assim como gostei!

Era a terceira noite e chegou a vez de Saga passar com Camus no hospital. Depois do aquariano ter uma noite com Hyoga e a outra com Milo, o geminiano estava extremamente curioso para saber de tudo o que aconteceu. Quando entrou no quarto e pousou o olhar sobre seu amigo, teve a certeza de que hoje à noite seria longa e divertida. Ele faria Camus falar, pois estava na cara que precisava falar, mesmo que ele odeie isso.

— Como anda sua recuperação? – o geminiano pergunta.

— O doutor disse que a tendência é que no primeiro mês recupere boa parte de minha força. Entretanto esses três dias de fisioterapia tem surtido efeito. Isso me deixa mais aliviado.

Depois de trocarem as devidas formalidades, Saga estava pensando na melhor forma de interrogar Camus, já que o aquariano estava pensativo e muito longe. Optou pelo mais seguro.

— Então Camus – o diretor financeiro disse com um ar zombeteiro – Como foi a noite com Milo? Aposto que quis socar a cara dele por todo o zelo que ele deve ter demonstrado. Você sabe, ele estava se sentindo muito culpado.

— Não consigo entender o motivo de tanta culpa – rebate Camus – Nós brigamos, sofri um acidente que ele não teve culpa. Logo quando você e Hyoga saíram, nos resolvemos. Ontem que ele ficou aqui, conversamos tranquilamente. Aliás, mais ouvi do que falei. Você sabe bem como Milo gosta de falar.

— Sei bem disso – Saga diz dando risada – Você reclama, mas gosta!

— Ah Saga – Camus fala com toda a sinceridade – Milo, você e eu nos conhecemos a tanto tempo que não preciso medir palavras. Milo pode ter todos os defeitos, mas ele é um cara tão alegre e para cima que fica difícil não simpatizar com ele. Até mesmo quando ele fala muitas besteiras. Agora realmente tenho a vontade de soca-lo quando ele me trata como uma princesa.

Saga gargalha com as palavras de Camus. Talvez seja pelo tom sincero e indiferente ao mesmo tempo que seu amigo usou. Sem irritação nenhuma. Saga se divertia muito a custas dos dois.

— E o Hyoga? – o diretor financeiro pergunta cautelosamente após se recompor.

— O que tem ele? – o aquariano revida já começando sua posição de defesa.

Saga suspira. Conhecendo Camus como conhece, sabe que não é uma boa ideia pressiona-lo. Então resolve mais uma vez entrar em um terreno seguro.

— Você nunca me contou como o conheceu. O que te fez contrata-lo. Sabe, essas coisas – o geminiano usa o tom mais despretensioso que conseguiu.

— Bom – Camus percebe a tática de Saga, mesmo assim resolve entrar no jogo. Ele precisava conversar, mesmo que jamais fosse admitir isso – Fui conversar com o professor Shion, pois estava enrolado com aquele problema de processos envolvendo baixa temperatura.

“Enquanto conversava com o Shion, vi um garoto que tentava disfarçar que estava nos olhando. Esse garoto era o Hyoga. Shion também percebeu as olhadas, mas não disse nada. Perguntei quem era o rapaz e o professor disse que era um aluno dele, que o estava orientando no TCC.

Fui na faculdade algumas vezes naquela época, para discutir com o Shion e outros professores também, sobre minhas ideias e ouvir a sugestão deles. Toda vez que fui lá, Shion me contava a respeito de Hyoga. Contou-me que o menino era um talento em potencial e que seria muito útil na empresa. Falou um pouco da história de Hyoga, de como ele tinha perdido a mãe, de como era esforçado, de como simpatizava com o garoto.

Então me chamou para fazer parte da banca do TCC do Hyoga, como convidado e me deu a monografia dele para ler. Vi que Shion tinha razão com relação a capacidade do menino, então me fez prometer que o contrataria e dei minha palavra. Lógico que antes ele permitiu que eu perguntasse para outros professores a respeito do menino, pois queria que tivesse todas as referências possíveis.

Hyoga passou um ano fora e nesse meio tempo Shion me manteve informado. Em um dessas conversas com o professor, perguntei o que motivo dele querer Hyoga na minha equipe. Foi aí que me surpreendi.

Shion me disse que Hyoga era uma pessoa boa, mas que não enxergava a capacidade que tinha. Disse que seria perfeito para Hyoga em me ter como referência profissional, pois o garoto era carente e inseguro. Shion me garantiu que em troca de eu moldar a personalidade de seu aluno, ganharia um puta funcionário, que me ajudaria bastante na parte de processos, pois a dedicação de Hyoga com a física era invejável.

Tentei argumentar ainda, dizendo que essa proposta dele era arriscada, mas ele sabia que já tinha ganhado a discussão, pois jamais negaria algo a ele, que tanto me ajudou. Em vez de discutir ou enumerar as vantagens disso, ele simplesmente colocou a mão em meu ombro e disse: ‘Camus, meu aluno precisa de você para evoluir, mas também você precisa dele para derreter sua proteção’. E o resto você já sabe.”

— Shion é um grande filho da puta – Saga disse animado e ignorando a expressão de não entendimento de Camus, continuou o pensamento – Ele é genial! Lógico que ele não poderia prever que você iria se apaixonar pelo Hyoga, mas ele sabia que de alguma maneira o menino ia atingir seu coração. Mesmo que finja não ter um! O professor Shion tem um “que” de sabedoria que jamais vamos compreender.

Ambos ficaram em silêncio após isso. Camus não sabia o que falar, pois Saga estava correto em tudo o que disse. Entretanto o silêncio não dura muito.

— E se eu quiser continuar? – o aquariano diz cada palavra com cuidado – E se eu quiser vivenciar esse sentimento que depois de muito tempo, voltei a sentir?

— É você quem está criando empecilhos, meu amigo – Saga fala sincero – Sei que deve ser difícil, depois de tantos anos, se declarar, falar de sentimentos, todas essas coisas que odeia. Você precisa dizer para o Hyoga que está apaixonado por ele, que o ama. Sei lá, fazê-lo sair do escuro. Você precisa falar o que sente e sabe disso, por isso que está conversando comigo. Você sabe que o menino é louco por você. Está na hora de você fazê-lo sentir que ele também atingiu seu coração.

Em um outro ponto da cidade, Milo e Hyoga conversavam. O diretor comercial, convidou o gerente para um bate papo em sua casa. Apesar de já ter passado da hora de expediente, Milo gostaria de saber a viabilidade de um projeto e com Camus de cama, o escorpiano resolveu conversar sobre isso com o aquariano mais novo.

Depois de algumas cervejas, Milo mais solto, resolve saciar também sua curiosidade sobre o casal.

— Hey Hyoga – o diretor comercial fala alegre – Me conte como conheceu nosso mago do gelo.

— O conheci na faculdade – Hyoga fala com ar nostálgico – Ele estava indo na biblioteca, assim como eu. Quando o vi, fiquei fascinado com tamanha beleza. Tanto que falhei em não ficar o observando.

“O professor Shion, que por sinal é amigo de Camus, também deve te percebido minhas olhadas e veio falar comigo, após Camus ir embora. Ele era meu orientador do TCC. Inventei uma desculpa, falei que queria tirar umas dúvidas, mas duvido que ele acreditou em mim.

Ele me contou quem era o Camus, pelo menos algumas coisas bem superficiais. E você há de convir que Camus exala poder e respeito. Então nas outras vezes que ele veio a faculdade, era como se magnetismo me levasse a ele.

No meu TCC, depois descobri que isso foi obra do professor Shion, Camus fez parte de minha banca e eu quis impressiona-lo apresentando meu trabalho de forma mais perfeita possível.

Terminei a faculdade, passei um ano fora com uma bolsa de estudo que ganhei, mas não perdi contato com o Shion. Ele me aconselhava, me guiava. Tinha total simpatia por mim. E ele sabe bastante de minha vida.

Enfim, quando voltei, ele me pediu meu currículo e disse que me ajudaria a arranjar um bom emprego. Ele me disse: ‘Você tem a função de ser o melhor funcionário desta empresa. Em troca de sua dedicação, ganhará o que seu coração sempre desejou. Não me decepcione. ’

Jamais imaginei que ele se referia a trabalhar com Camus. Não podia decepcionar o professor Shion, muito menos o homem que admirava de longe na faculdade que era Camus. Lógico que pesquisei bastante sobre o Camus depois que descobri quem ele era. Tinha a chance de ouro de estar perto dele e até hoje faço tudo para não perder isso, pois isto já me basta.”

— Tanto eu como o Saga também conhecemos o Shion – Milo diz sorrindo – Assim como sabemos que Camus jamais negaria um pedido dele. Parece realmente que o professor sabia o que Camus, você e também a empresa necessitava. De qualquer forma, você já falou com seu chefe como se sente?

Um sorriso resignado passou pelo rosto de Hyoga e neste instante Milo percebeu que o gerente jamais falaria de seus sentimentos para Camus. Pelo menos não antes do diretor de operações dar alguma brecha.