E se eu quiser continuar?
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Desde a reunião, Saga e Milo dedicaram um pouco do tempo deles para observar o comportamento de Camus com sua equipe e principalmente com Hyoga. Eles faziam isso de forma discreta, até porque o diretor de operações se mostrou muito arredio após a reunião que fizeram. Camus não os evitava, mas era apenas profissional e isso era ruim, afinal os sócios se conheciam a muitos anos e se Camus sabia o que estava fazendo, eles veriam com seus próprios olhos.
Milo estava perto da sala de Camus, pois precisava da opinião dele a respeito da viabilidade de um projeto que a equipe do diretor comercial estava vendendo, quando percebe que o diretor de operações estava com Hyoga em sua sala e, pelo que pode perceber, estavam discutindo alguma coisa. Ambos estavam com semblantes irritados. O escorpiano escutou, um pouco antes de entrar na sala, que a discussão era a respeito de algum projeto que Camus e Hyoga divergiam e que o mais velho não concordava com as atitudes do mais novo.
– Ei Camus – Milo entra na sala – Desculpa interromper sua reunião com o Hyoga, mas Saga e eu vamos aquele bar The Stones, está afim de ir conosco? Lógico que esse convite também se estende a você, Hyoga.
– Nos interrompeu para isso? – revida Camus, um pouco ríspido.
– Lógico que não – Milo responde com o sorriso mais charmoso que consegue – Precisava discutir alguns assuntos contigo, mas pelo jeito vou ter que esperar um pouco. Então, para não perder viagem, resolvi convida-los. Vocês dois – complementou mudando o tom de voz para sarcástico – estão muito estressados, precisam se divertir.
A verdade é que Camus sabia o motivo desse convite. Era como se seus amigos e sócios quisessem dar uma chance para conhecer Hyoga. O diretor, por sua vez, achava isso desnecessário, mas percebeu que o gerente ficou animado com essa ideia, de sair com os sócios e deles o aceitarem, que Camus resolveu ir.
Então, os quatro estavam sentados, conversando e bebendo no bar, exceto Camus que não ingeriu nada alcoólico, pois estava dirigindo. A música preenchia o ambiente, então eles falavam alto para se entenderem.
Hyoga na medida que foi sentindo os efeitos do álcool, foi interagindo mais com os sócios da empresa, dando risada das histórias que Milo e Saga contavam e analisando o semblante relaxado de seu chefe.
– Camus – disse Saga, já meio bêbado – porque não vai para a pista e mostra seus dotes artísticos para Hyoga?
– Você não vai me fazer dançar Saga – responde Camus
– Você sabe dançar? – pergunta Hyoga
– Nosso amiguinho Camus é um excelente dançarino e essa é uma história bem engraçada – Saga diz dando risada
– Nós nos conhecemos no ensino médio, quando tínhamos 15 anos – Milo começa a contar para Hyoga – Hoje estamos com 35, nossa, 20 anos aturando vocês. Enfim, teve uma professora que achava Camus muito antissocial e pensava que era por timidez. Ela, meio que o obrigou a entrar nas aulas de dança que havia na escola como atividade extracurricular. Foi muito engraçado! Por polidez ele aceitou, mas no fundo queria assassinar a professora.
– Só que ele não sabe brincar – Saga continua a fala de Milo – Teve uma competição de dança e adivinha quem ganhou? Nem acreditamos quando vimos Camus se dedicando a dança. Mas normal, aprenderíamos no futuro que ele se dedica a tudo que faz. Ele é um desgraçado perfeccionista! O pior de tudo foi o que ele falou para professora. Você se lembra Camus?
– Lembro sim – Camus disse – falei para ela que eu não era tímido, apenas reservado e não gostava de me relacionar com as pessoas.
– Mas e aí Hyoga? – Milo volta a falar – Conta para nós como você conquistou o coração do nosso mago do gelo.
Hyoga ao ouvir isso, se engasga com a bebida. Camus olha irritado para Milo. Saga coloca a mão na cabeça prevendo a merda que isso vai dar.
– Vocês podem nos dar licença – diz Camus se levantando e puxando Milo pelo braço.
Saga e Hyoga veem ambos se afastarem.
– Milo não se aguenta. Tem que provocar o Camus. Vou te contar uma coisa Hyoga e espero mesmo que fique entre nós isso – Assim que percebe que o gerente promete guardar segredo, Saga continua – A última vez que Camus se apaixonou, ele tinha 18 anos e foi uma situação desagradável. Desde então, Camus se dedicou a faculdade e ao trabalho, se tornando um puta workaholic. Não posso reclamar, nós ganhamos bastante dinheiro com isso e também conseguimos começar a nossa empresa após a faculdade e também a consolidarmos através dos anos. Desde então, quando Camus quer se divertir, ele sai, escolhe um homem ou mulher que o atrai, tem um lance de uma noite e só. Algo físico e apenas isso. E isso o deixava satisfeito, até você aparecer. Não sei o que Camus sente por você, Hyoga, mas posso dizer que ele ficou mais de um ano sem gerente, trabalhando que nem louco, só porque era você quem ele queria contratar. Você é especial para ele, quero que entenda isso. Talvez ele nunca admita o que ele sente por você. Talvez ele só perceba quando você enjoar e cair fora. Mas nunca se esqueça disso, você é sim especial para ele.
– Obrigado! – Hyoga diz sincero – Essas palavras foram muito importantes para mim, pois estou apaixonado pelo Camus, eu o amo.
Em um outro canto do bar, Milo e Camus começaram a discutir:
– Que merda você acha que está fazendo? – pergunta Camus, totalmente frio
– Qual é? Faz quanto tempo que não sai com uma única pessoa durante tanto tempo? Você está com Hyoga a o que? Uns 4 meses já?
– E se acha no direito de fazer esse tipo de pergunta ao menino?
Milo e Camus se enfrentam em uma troca de olhares.
– Oh — Milo revida – Agora entendo. Você suga o trabalho de Hyoga, tudo bem que para isso ele é pago. Se envolve sexualmente com ele e não fala nada? Você deixa o garoto no escuro? O garoto está apaixonado por você e o que você está fazendo? O usando? Isso é indigno de você, Camus.
Antes que o diretor de operações pudesse responder, Saga e Hyoga juntam-se a eles.
– Já paguei a conta do bar – Saga se intromete – Então vamos embora. Seja lá o que estiverem discutindo, é melhor sem o Milo estar bêbado e você Camus de cabeça mais fria.
Camus e Hyoga seguem o caminho até a casa do loiro em silêncio. Camus pensando no que Milo disse e Hyoga nas palavras de Saga.
– Quer entrar? – Hyoga pergunta assim que Camus estaciona o carro.
– Depois da discussão com Milo, acho melhor ficar um pouco sozinho.
Hyoga se aproxima de Camus e lhe dá um selinho demorado. Quando se afastam e se encaram, o mais velho pensa como é que Milo pode pensar que ele está usando Hyoga, por quem tem tanta... afeição.
Hyoga estava dormindo quando escuta o celular tocar. Preguiçosamente, o pega e vê que ainda está de madrugada. Reluta em atender, mas acaba pensando que talvez seja algo importante.
– Alô! – Hyoga diz com voz de sono
– Sr. Hyoga? – pergunta uma voz feminina.
– Sim, quem gostaria?
– Sou do hospital St. Claire e estou ligando para te informar que o sr. Camus deu entrada aqui, a uma hora atrás, vítima de um acidente de carro.
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