E se Fosse Verdade?
6 Fingindo um Pouco Mais
Notas iniciais
Capítulo 6- Fingindo um Pouco Mais
Surpreendentemente, eu acordei com um humor magnífico.
Por algum motivo, não sei mais qual, a ideia de ir numa missão com Matt e Percy simplesmente começou a me parecer bastante divertida.
Levantei para me arrumar e organizar minha bagagem para a missão. Peguei a mochila que eu já deixava semi-pronta para estas ocasiões e dei uma olhada no conteúdo: um jeans e duas blusas reservas, além de um short extra (eu não gostava muito de usar shorts em missões, mas duas calças pesavam demais), um saquinho de ambrosia, uma garrafinha de água, meu boné dos Yankees, uma bolsinha com dracmas e uma carteira cheia de dólares.
Vesti uma calça jeans confortável e minha blusa do Acampamento e fui tomar café da manhã, sem pensar em nada específico.
Fui andando distraída para o pavilhão e me sentei à mesa de Atena. Havia poucos campistas acordados, e apenas dois deles eram meus irmãos. Fiquei encarando o prato mágico e não prestei atenção no que eu estava pensando, de uma forma que não pedi nada específico.
Comecei a comer seja lá o que estivesse no meu prato num bom humor, e alguns poucos minutos depois Percy apareceu. Me cumprimentou com um beijo na bochecha, como fazia todos os dias, mas dessa vez eu dei mais importância ao ato e corei. Maldita Afrodite... Aquela deusa do amor ainda me paga!
– Bom dia, Sabidinha! – ele disse, e já ia se afastando para a mesa de Poseidon quando olhou para o meu prato e parou, me encarando com um sorriso magnífico no rosto... ANNABETH CHASE, PARE DE PENSAR ESSAS COISAS!
Enfim, ele ficou me encarando com um sorriso provocativo e, erguendo uma sobrancelha, disse:
– Waffles azuis?
Só aí eu olhei para o meu prato, surpresa. Pelos deuses, não era possível que todo esse tempo eu estivesse pensando em Percy?! Ai, nossa! O que eu ia fazer?
Foi aí que eu percebi porque a ideia de ir numa missão com Percy e Matt parecia tão divertida! Tudo bem, eu tinha descoberto que gostava do Percy, mas... Isso não significava que eu iria deixar "fácil" para ele. Ah, nem um pouco. Todo o mundo sempre dizia que ele gostava de mim, não é mesmo? Então por que não deixa-lo descobrir isso sozinho?
Mas primeiro eu tinha que explicar o meu café da manhã azul:
– Ahn... Bem, é que... Ah, eu acho que tenho passado muito tempo com um tal de Percy Jackson. Já ouviu falar?
Ele riu.
– Ei! Tempo comigo nunca é demais!
Então pegou um pedaço de MEU waffle e foi sentar na mesa de Poseidon.
Subi a Colina Meio-Sangue e fiquei lá em cima alimentando Peleu e esperando Matt e Percy enquanto Argos arrumava a van para sairmos. Claro que, com a sorte que eu tenho, o primeiro a chegar foi Matt.
– Sabe, Annabeth, eu estive pensando... Já que você namora com um filho de Poseidon e tal, você deve gostar muito de água, não é?
– Eu não diria dessa forma... Vamos dizer apenas que eu preciso dela para sobreviver. – respondi, quase chorando internamente.
– Então você também precisa de 80% de mim. – ele completou com um sorriso que pelo visto deveria ser atraente (destaque para o deveria).
Eu apenas revirei os olhos e murmurei alguma coisa sobre ajudar Argos a colocar as bagagens no carro antes de descer a colina.
Matt não me seguiu, de forma que eu basicamente me tranquei no veículo até alguém me chamar. Percebi que era uma voz feminina, mas não reconheci de quem era, então me levantei e saí da van.
Rachel estava me esperando lá fora.
– Você realmente achou que eu deixaria você ir embora sem nem ao menos falar comigo?
Nós rimos enquanto eu chegava mais perto para abraça-la e nós nos afastamos um pouco para conversar.
– Como vai o plano? – ela perguntou.
– Ah, bem, eu acho... – falei, corando.
– O que foi? – ela interferiu, empolgada – Alguém descobriu? Percy desistiu? Você está querendo...
– Rachel! – tentei fazê-la parar de falar, mas ela não ouviu – RACHEL! – ainda nada – RACHEL ELIZABETH DARE!
Só assim ela parou de tagarelar e olhou para mim.
– Não é nada disso, ok?
– Ah. Ah, certo. O que foi, então?
– Bem, é só que... – eu comecei a contar, sem ter certeza se na verdade deveria fazer isso, mas... quem melhor do que Rachel para me explicar? – Certo. É maluquice achar que talvez eu goste do Percy?
Ela ficou me encarando por uns dois segundos antes de começar a rir descontroladamente. Eu só fiquei olhando enquanto ela se acabava de rir.
– O quê?! – chamei a atenção dela para ver se eu conseguia uma explicação, até que ela se acalmou o suficiente para falar e respondeu:
– Annabeth, é claro que não é maluquice! E tira o "talvez" da frase, o que acha disso?
– SÉRIO?! – eu perguntei, sem conseguir me conter. Será que era tão óbvio assim?
– Claro que sim! Vocês são tipo literalmente feitos um pro outro!
– CALMA! Para tudo! Isso quer dizer que o Percy também gosta de mim? – falei sem conseguir impedir um sorriso de surgir na minha cara.
Ela parecia prestes a um novo ataque de riso, mas conseguiu se segurar.
– E por que você está tão surpresa e feliz com essa informação?
– ANNABETH, VAMOS! – ouvimos Percy chamar de perto da van.
Fomos andando para perto dele enquanto eu tentava esconder meu sorriso.
– Vamos? – ele perguntou quando chegamos perto.
– Vamos. – respondi.
Rachel me deu um último abraço.
– Boa sorte. – ela disse – E se comportem, vocês dois!
E então ela virou e saiu correndo, deixando um falso casal de semideuses corados na beira da estrada.
Quando entramos na van, Matt já estava sentado, analisando a bússola mágica. Parecia muito concentrado em sua tarefa, e nem levantou os olhos. Nós sentamos nos assentos atrás do motorista. Percy olhou para mim, curioso:
– Quando vocês se tornaram tão amigas?
– Não faço a mínima ideia. – respondi, honestamente, e ficamos em silêncio por um tempo.
Ele provavelmente se enrolando com as algas na cabeça dele e eu parando pra pensar no verdadeiro motivo da Rachel ter se tornado tão legal depois de...
AI MEUS DEUSES! Agora tudo fazia sentido! Rachel havia se tornado tão legal depois de virar Oráculo simplesmente porque ela havia parado de dar em cima de Percy! Ninguém muda assim de uma hora pra outra! Rachel sempre fora uma ótima pessoa, mas eu não conseguia perceber isso simplesmente porque eu tinha... ciúmes! Oh, Zeus! Eu gostava dele muito mais e há muito mais tempo do que eu pensava...
– Annabeth? Annabeth! – fui tirada dos meus devaneios por Percy estalando os dedos na minha cara.
Quando ele viu que eu estava prestando atenção, tirou a mão da frente da minha cara e falou:
– Vamos?
Eu não fazia a menor ideia do que ele estava falando:
– Vamos o que?
Ele revirou os olhos, suspirando:
– Em que mundo você estava mesmo? Matt está nos chamando para combinarmos o que vamos fazer na missão!
– Ah. Ah, tá, claro.
Levantei e fomos sentar perto de Matt.
– Certo, — ele começou, quando chegamos – então nós temos que encontrar um papel feito pelo deus da guerra que pode estar em qualquer lugar do país e a única pista que temos é essa bússola.
Tivemos que evitar os olhos um do outro para não começarmos a rir do desespero dele diante de uma coisa tão simples como aquela, mas nos seguramos, porque era normal alguém se assustar com a sua primeira missão.
– Acredite em mim, — disse Percy – isso vai ser bem mais fácil do que parece.
– Tudo o que nós temos que fazer é seguir o ponteiro da bússola. Para onde está apontando agora? – perguntei.
Ele analisou o objeto antes de responder:
– Anh... para baixo e para a esquerda.
– Então vamos adiantando o processo. – falei – Argos?
Algumas centenas de olhos azuis se viraram na nossa direção.
– Dá pra nos levar para o Sudoeste de Nova York?
Mesmo depois de horas viajando para a periferia de Nova York, a bússola continuava apontando na mesma direção. Percy dormiu assim que saímos de Manhattan e até mesmo Matt, que estava tão nervoso que não parava quieto um segundo, já estava entediado e quase pegando no sono. Eu diria que meu organismo não é muito a favor de longas viagens de carro, e eu mantinha meus olhos fechados e a cabeça recostada na esperança de também conseguir descansar um pouco, mas eu estava enjoada demais para isso.
Já estava pensando na possibilidade de comer um pedaço do meu estoque de ambrosia para emergências quando Argos chamou a minha atenção.
Ele parou o carro na frente de um McDonald's e gesticulou, indicando que não podia nos levar mais adiante, já que deveria voltar para o Acampamento antes das quatro horas, sendo que já passava de uma. (Ele disse tudo isso apenas apontando para si mesmo, fazendo um sinal de parada e apontando para o relógio e mostrando quatro dedos).
– Ah, claro. Tudo bem. – falei e mandei Matt arrumar as coisas para sair enquanto fui acordar Percy
– Percy? Percy! – chamei, sacudindo seus ombros, mas ele não deu sinal de vida – CABEÇA DE ALGA!
Ele abriu os olhos repentinamente.
– Vamos ter que saltar aqui, levante. – eu disse, arrumando minhas coisas – E você continua babando enquanto dorme. – completei, virando e indo até a porta do carro sorrindo levemente.
– Tchau, Argos. – cumprimentei, antes de sair e ficar esperando os dois babacas na calçada.
Quando eles finalmente saíram, Matt estava pálido feito um fantasma, mas Percy simplesmente andou até mim, parando na minha frente:
– Estou com fome. – foi a única coisa que ele disse.
Olhei para ele, incrédula.
– Tudo bem. Acho que dá pra comer alguma coisa aqui enquanto decidimos o que vamos fazer.
Entramos no McDonald's e fomos até o balcão para fazer nossos pedidos. A moça colocou um pacote na bandeja de um cliente e se virou para nós:
– Posso ajudar?
– Claro. – Percy passou na minha frente para pedir – Nós vamos querer, anh, um Big Mc, com uma Coca Diet grande, um Quarteirão e... ahn, pode ser um CBO.
– Normal ou especial?
– Especial.
– Batata média?
– Grande. E...
Ele continuou pedindo algum tipo de combo e eu só fiquei olhando boquiaberta sem acreditar no monte de comida que ele estava pedindo. Quando acabou sua lista, ele olhou para mim como se tivesse pedido uma quantidade normal de comida:
– E você?
Arrisquei uma olhada para a atendente e até ela pareceu achar estranho (provavelmente havia achado que aquilo era para nós três).
– Só um Mc Chicken com uma Coca pequena.
– Batata média?
– Unhum.
Ela começou a fazer os pedidos e fechar a conta e nós olhamos para trás para perguntar se Matt não ia pedir nada quando vimos que ele já estava no caixa do lado fazendo seu pedido. No dia que eu entender esse garoto eu te explico.
– Deu $52,80.
Abri a mochila para achar a carteira, mas Percy me impediu:
– Eu pago.
– Não, Percy, você não precisa.
– Você acha que eu vou deixar minha namorada pagar a comida? – ele disse e piscou para mim, enquanto tirava o dinheiro da carteira e entregava para a moça, me deixando vermelha feito um tomate.
Claro que ela estava com aquela cara "own, vocês são um casal tão fofo". Para me poupar da vergonha que eu passaria se ela fizesse algum comentário, rapidamente me virei para o Percy e falei:
– Vou pegar uma mesa, ok?
– Ok, te encontro depois com as coisas.
Avisei a Matt e fui procurar uma mesa vaga. Achei uma bem no canto do restaurante, encostada na parede de vidro. Sentei e fiquei esperando os meninos.
Matt chegou primeiro, com uma quantidade de comida quase igual à que Percy pediu. Quase.
Ele deu um "sorriso sedutor" e sentou:
– E aí, Srta. Google?
– Mr. M&M.
– Não é ótimo o fato de termos apelidos um pro outro?
– Não leve isso a sério, Morrison.
Eu sei que o Percy também era irritante antigamente, mas o Matt era irritante de uma forma diferente. Ele simplesmente não conseguia levar nada a sério. Teoricamente, ele deveria ser o líder da missão, mas estava parecendo que ia sobrar pra eu e Percy.
O Cabeça de Alga chegou e se debruçou sobre a mesa para colocar a comida na minha frente.
– Um Mc Chicken com uma batata média e uma Coca pequena.
Ele disse, com um sorriso, e me deu um beijo rápido.
Não pude evitar sorrir e corar.
Matt parecia bastante interessado nos seus sanduíches.
Peguei uma batata e abri a caixinha do meu Mc Chicken, pensando.
Eu percebi que eu realmente estava gostando dessa história de "fingir namorar com o Percy", porque, na verdade, quando não estávamos "fingindo", estávamos fingindo que não queríamos "fingir".
Nós não fingíamos mais que gostávamos um do outro, porque essa era a verdade. O que antes chamávamos de verdade era o verdadeiro fingimento.
"Will we ever
Say the words we're feeling,
Reach down undearneath and
Tear down all the walls?
Will we ever
Have a happy ending,
Or will we forever
Only be pretending?"
Pretending- Glee Cast
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