E se Fosse Verdade?
13 Ciúmes?
Notas iniciais
Capítulo 13- Ciúmes?
Eu não aguento mais.
Juro, já está ficando insuportável.
Ohh, vai ser simplesmente impossível continuar com isso. IM-POS-SÍ-VEL!
Não dá mais! Eu vejo Percy a todo momento e não posso falar com ele. Quer dizer, não posso nem chegar perto dele.
Isso é tortura!
Oficialmente, os dois piores dias da minha vida!
Entenda, quando eu realmente brigo com ele, é outra história. Mas ainda assim é difícil. Ai, nossa, eu detesto brigar com ele.
Mas fingir? Ah, não, aí já é demais pra mim.
Graças aos deuses, Rachel chegou, e eu pude contar tudo para ela. É bom ter alguém para desabafar.
Quando ela desceu a colina, eu basicamente pulei em cima dela e a arrastei para o "quarto-caverna". Passamos mais de uma hora lá dentro, e ela nem se incomodou com uma filha de Atena idiota contando a história toda, andando de um lado para outro como se o mundo estivesse prestes a acabar e a única coisa possível de se fazer fosse isso. Também não se incomodou com uma lista infindável de momentos em que eu vira o Percy gloriosamente lindo andando por aí e não podia falar com ele. E depois ainda me ajudou a me recompor para sair de lá como se eu estivesse revoltada com o Percy. Ainda.
É, ela é uma boa amiga.
Mas eu não consigo mais aguentar! Tem dois dias que eu não falo nem "oi" ao Percy! E não é como se eu estivesse chateada com ele por algum motivo e por isso não pudesse falar com ele. Eu queria (e muito), mas não podia.
A cada vez que eu o via passando me dava vontade de simplesmente desistir de tudo e sair correndo e abraçá-lo. Eu sorria e começava a ir na direção dele e ele apenas piscava ou sorria discretamente e continuava a andar. Na outra direção. Uuurgh!
Rachel disse que eu estou mais apaixonada por ele do que eu acho que estou.
Hum, talvez.
Bem, mas essa é a parte triste da história.
Tem também a parte irritante.
E às vezes eu acho que essa é a pior.
A parte que diz respeito ao bando de garotas oferecidas que ficam se jogando pra cima do Percy e perseguindo o pobre garoto pra todo lugar.
E eu nem digo o pior: ELE NÃO FAZ NADA PARA IMPEDIR!
Dá pra acreditar nisso?
Ele continua andando e conversando com elas como se nada estivesse acontecendo!
Ahhh, se eu não quisesse tanto voltar a falar com ele, eu mataria aquele filho de Poseidon!
Ou seja, em outras palavras: OS DOIS PIORES DIAS DA MINHA VIDA!
E acredite em mim, você não acorda com muito ânimo depois disso.
O pavilhão do refeitório estava cheio no café da manhã.
Fiz questão de sentar de costas para a mesa de Poseidon e pedir, especialmente, waffles NÃO-AZUIS.
Comi o mais rápido possível e fui para a aula de arco-e-flecha.
Ninguém pode me culpar por ter jogado algumas flechas a alguns metros de distância do alvo, eu não estava no meu melhor humor.
Nem mesmo dar aula de Grego Antigo para os campistas de 10-13 anos pelo resto da manhã me animou. Tentei ser legal e boazinha com as crianças, mas até mesmo elas perceberam que tinha alguma coisa errada.
– O que foi, Annabeth? – perguntou Katie, uma filha de Afrodite que era a criança de 9 anos mais fofa que eu já tinha conhecido (e que estava naquela turma por ser a única criança menor de 10 anos que tinha no Acampamento), enquanto fazia uma atividade e eu a supervisionava.
Desviei meus olhos do ponto fixo para o qual estava olhando e afastei meus pensamentos, sorrindo levemente e balançando a cabeça negativamente enquanto olhava para ela.
– Nada, Katie. Continue fazendo o dever.
Ela não obedeceu. Só apoiou o lápis na mesa e olhou para mim atentamente.
– Foi o seu namorado, não foi? Percy Jackson? Vocês terminaram?
Eu estava dividida entre a vontade de começar a rir descontroladamente ou só abrir a boca e ficar encarando a menina, abismada.
– Ahn, mais ou menos. – respondi.
Ela me olhou curiosa, como se quisesse saber mais.
– A gente brigou. – falei – Mas não terminamos. Quer dizer, eu acho.
– Como assim?
– Bem, eu não sei, eu só… — foi aí que eu me toquei que eu estava conversando sobre terminar/não terminar com o meu suposto namorado com uma garotinha de 9 anos. – Quer saber, Katie? Não foi nada demais, vai ficar tudo bem. Continue o seu dever.
Um pouco relutante, ela deu de ombros e pegou o lápis de novo, finalmente voltando a olhar para o papel e desenhar algumas letras gregas.
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Quando a última aula acabou, eu fui andando vagarosamente para o pavilhão do refeitório, para o almoço, ainda meio frustrada com a vida.
No meio do caminho, encoontrei Percy. Certo, "encontrei" quer dizer "vi".
Ele não estava sozinho (óbvio), estava com alguma filha de Afrodite que eu, na verdade, não reconheci. SÓ ELES DOIS. Eles estavam conversando animadamente, e ela ia chegando mais perto dele a cada minuto.
Não pude deixar de parar para observar, e depois de um tempo, percebi que era aquela nova filha de Afrodite que tinha se tornado amiga de Matt. Eu não podia ouvir o que eles diziam à distância, o que só me deixou mais irritada.
Depois de mais um tempo conversando, ele falou alguma coisa e ela fez uma cara de agradecida, e depois… depois… ELA O ABRAÇOU.
Simplesmente, sem cerimônia nenhuma, sem nem ver quem estava vendo e como se fosse a coisa mais normal do mundo, ela se jogou em cima dele.
E depois?
Bem, depois eu não faço ideia do que aconteceu, porque eu não aguentei mais ver e sai correndo para a praia, sem me importar com nada ou ninguém que pudesse estar vendo.
Sentei na beira da praia e enterrei a mão na areia, tentando descontar nela toda a raiva que estava sentindo.
Eu sei que pode parecer besteira, mas eu simplesmente não aguentei ver aquilo.
Existe uma coisa que é uma das piores consequências de gostar de alguém e que se chama ciúmes.
E eu detesto ter que adimitir que era isso que eu estava sentindo.
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Nem mesmo a brisa refrescante de verão conseguiu esfriar minha cabeça, e algum tempo depois ouvi uma voz atrás de mim:
– Parece que eu não sou o único sem fome aqui não é?
Matt sentou ao meu lado na areia.
Tentei reprimir as lágrimas que se formavam nos meus olhos.
– O que você quer? – perguntei, um pouco grosseira demais.
Ele não respondeu. Fitava as ondas à sua frente.
Depois de uns bons 2 minutos, o filho de Apolo quebrou o silêncio.
– E por que eu tenho que querer alguma coisa?
Dei de ombros, um pouco envergonhada.
– Não sei. – falei, baixinho.
– Só te vi vindo para cá, e você não parecia bem. Achei que talvez você quisesse conversar depois de um tempo sozinha. – ele começou a levantar – Vou estar disponível se você precisar.
Eu coloquei a mão no ombro dele, impedindo-o de se levantar.
– Não, Matt. Desculpa. É só que… — suspirei.
Eu devia mesmo estar ficando maluca. Contar os meus problemas para Matt Morrison, na praia?
Isso não podia ser normal!
Mas… ele parecia disposto a ouvir. Não é?
E também parecia genuinamente preocupado e interessado.
Ao contrario de certas outras pessoas que eu conheço.
E eu precisava desabafar com alguém.
E então eu contei.
Contei tudo.
Bem, "tudo" na verdade se resume à ceninha PercyXFilha-de-Afrodite-que-eu-ainda-não-gravei-o-nome.
Ele não me interrompeu em momento algum. Ficou só ouvindo e encarando o oceano à nossa frente, até o momento em que eu parei de falar e olhei para ele, em busca de uma resposta, ainda consciente da loucura que eu estava fazendo.
Ele abriu a boca para responder alguma coisa, mas foi interrompido pelo barulho de alguém chegando à praia.
Percy chegou correndo e parou repentinamente quando nos viu.
Ele olhava de mim para Matt e sua expressão dizia que ficava cada vez mais decepcionado.
Me levantei e fui em sua direção, mas ele recuou alguns passos e balançou a cabeça negativamente.
– Percy... – eu tentei, mas ele me interrompeu.
– Achei que você "precisasse da minha ajuda". – ele forçou uma risada irônica – Mas parece que eu cheguei um pouco tarde demais.
– Percy, não é... – comecei de novo, mas ele já tinha se virado e saía rapidamente da praia.
Fiquei parada por alguns segundos, mas assim que senti as lágrimas se formando nos meus olhos comecei a correr na mesma direção.
Bem, quase na mesma direção.
Eu corri o mais rápido possível para a cabine de Atena, que, graças aos deuses, estava vazia.
Fechei a porta atrás de mim e me encostei nela, deslizando devagar até o chão, já sentindo as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
Foi assim que eu fiquei até perceber que isso era ridículo. Quer dizer, eu, Annabeth Chase, chorando por um garoto? Ridúculo.
Então eu me levantei, enxugando o rosto. Mas uma outra parte de mim também sabia que eu não conseguiria agir normalmente ou simplesmente esquecer aquilo, então eu apenas peguei um livro qualquer e sentei na cama para ler, com o meu boné de invisibilidade.
A tarde passou bem rápido, e, sinceramente, eu não fiquei com fome.
Meus irmãos entraram e saíram do quarto várias vezes, mas, obviamente, ninguém me viu, e eu pude ler em paz até anoitecer.
Antes do toque de recolher (eu ainda estava sozinha na cabine), comecei a ficar com sono e resolvi dormir.
As páginas do livro estavam molhadas.
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Fui acordada gentilmente por Rachel no dia seguinte.
E não, eu não estou sendo irônica. Ela realmente me acordou da forma como uma pessoa normal acorda outra pessoa normal.
Como eu disse, ela é uma boa amiga.
Apesar de não ser uma pessoa normal.
– Que horas são? – perguntei, me espreguiçando, e ao mesmo tempo notando que ainda estava com a mesma roupa do dia anterior e o livro continuava ao meu lado.
Minha cara também não deveria estar das melhores.
– Dez e meia. – ela respondeu – Você dormiu bastante.
Assenti e comecei a me levantar.
– Eu não queria te acordar, mas você está meio que desaparecida desde ontem e tudo o mais… — ela explicou, enquanto eu ajeitava algumas coisas e guardava o livro na estante – E você tem todas as aulas e tal, mas por favor não fique chateada comigo.
– Rachel, calma. – me virei e a segurei pelos ombros, olhando-a nos olhos – Eu não estou chateada com você. Eu só estou…
Parei de falar depois disso, para evitar chorar, e acabei despencando sentada na cama.
Rachel só sentou ao meu lado e me deu um abraço reconfortante.
Respirei fundo repetidas vezes para me acalmar, e ela só me soltou depois de uns bons 5 minutos.
– Vamos. – ela levantou e começou a pegar algumas roupas minhas.
– Aonde? – perguntei.
– Aonde mais? Você tem que tomar banho, e tomar café da manhã… Você está pálida – ela acrescentou, me olhando mais atentamente — Annabeth, qual foi a última vez que você comeu alguma coisa?
Parei um pouco para tentar me lembrar, e quando finalmente consegui, percebi que iria levar a maior bronca dela.
– Ahn, ontem no café da manhã? – respondi, cuidadosamente, meio como uma pergunta.
Ela arregalou os olhos, e parecia muito chocada e preocupada.
– ANNABETH CHASE! VÁ LOGO TOMAR ESSE BANHO, E RÁPIDO! EU TE ENCONTRO EM DEZ MINUTOS NO PAVILHÃO DO REFEITÓRIO, E VOCÊ VAI COMER O SUFICIENTE PARA UM EXÉRCITO!
Com isso, ela saiu do quarto, me deixando sozinha e com apenas uma opção: fazer o que ela tinha mandado.
O que mais eu poderia ter feito, afinal?
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Dez minutos depois, lá estava eu no pavilhão de refeitório, me encontrando com Rachel e uma quantidade de comida que daria para Percy comer em três dias.
Isso mesmo.
Percy.
– Eu não estou com fome. – declarei.
– E eu não estou nem aí. – ela falou, me sentando em um banco na mesa de Atena. – Você vai comer.
É claro que ela sentou do outro lado da mesa e ficou me obrigando a comer.
Quando eu já estava prestes a explodir de tanta comida que já tinha ingerido, Matt apareceu por lá e se sentou ao meu lado no banco.
Bem, não exatamente ao meu lado.
Um pouquinho afastado.
– Parece que você esteve chorando. – ele disse, mas não havia malícia nenhuma em sua voz – E eu sei que metade da culpa é minha, então… Sinto muito. Saiba que, se precisar, pode contar comigo.
O tom dele era sério e eu percebi que ele não estava brincando e nem dando em cima de mim.
Abri a boca para responder algumas coisa, mas não saiu nada.
– Não precisa dizer nada. – ele disse, e se levantou.
Enquanto ele andava na direção da arena de esgrima, eu não pude deixar de pensar que talvez, só talvez, ele não fosse um amigo tão ruim.
"This is the last time
You tell me I got it wrong,
This is the last time
I say it's been you all along."
The Last Time- Taylor Swift feat. Gary Lightbody
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