If I ain't got nothing, I got you

If I ain't got something

I don't give a damn

'Cause I got it with you

— Beyoncé in 1+1 (One plus One)

Iria fazer quase uma semana depois de Kimberly ter chorado nos braços de Adam.

O que muitos deviam pensar que eles começaram a ser dar bem … Está errado! Eles não se cruzaram mais depois de Adam ter “arrastado” Kimberly até ao quarto de Millena. No dia seguinte, pelas dez horas da manhã, Kimberly foi embora consolar, talvez, Kelly e Richard.

Millena, obviamente, forçou os dois a se encontrarem por “coincidência”, o que falhou por completo. E quando se encontraram? Não se pronunciavam e olhavam para o chão o tempo todo.

Thursday, 10:04 p.m. Kimberly’s House, California

− Como te sentes em relação ao “amanhã”? – Kimberly sentou-se na cadeira da sua secretária.

− Muito bem, saber que este irá ser, finalmente, o último ano naquele Inferno. – Millena rodou um pouco para ter certeza de que o vestido estava limpo e completamente em condições para ser usado. – E tu?

− Nervosa, saber que depois de tudo, quem sabe eu irei conseguir ver uma luz clara, diferente daquela que me acompanha.

− Eu espero que sim. E o teu par para o baile? – Millena atirou o vestido para a cama. Ela pareceu entusiasmada em mudar o tema do assunto.

− Não há nenhum par, tu sabes disso!

− Ainda bem! – Deu um sorriso largo. – Isto é, lá na nossa escola só há idiotas, eles podiam magoar-te! – Millena tentou a todo custo justificar o seu “Ainda bem!” demasiado entusiasmado e surpreso.

− Claro… − Ela disse não acreditando em nada do que Millena falou.

Friday, 09:28 a.m. Kimberly’s House, California

Millena dormiu em casa de Kimberly. Elas ficaram até às três da manhã a falar, rir e tratar de coisas que já estavam mais que tratadas e retratadas.

− Okay, então eu vou ficar um pouco mais … Por favor, não stress! – Kimberly abriu os olhos lentamente e ouviu o fim da conversa misteriosa de Millena. – Estás há muito tempo acordada, Kim? – Ela pareceu nervosa ao desligar o telemóvel rapidamente.

− Não… − A sua voz saiu como um único som. – Para onde vais? Ah não! – Millena andou para o lado de Kimberly e puxou-a.

Friday, 10:48 a.m. Shopping Center, California

− Porque estamos aqui? Porquê?! – Kimberly gritou aos ouvidos de Millena.

− Menos, D. Kim! Vais gostar de dar uma renovada ao visual e ao guarda-roupa! – Kimberly acenou um “não” com a cabeça e ameaçou começar um choro.

Friday, 14:28 p.m. Shopping Center, California

− Kim? Estás bem? Kimberly! – Millena gritou do lado de fora da casa de banho.

− Um pouco indisposta, apenas! Tu arrastaste-me para aqui quando ainda eram nove horas da manhã! Millena! – Kimberly gritou mais alto que Millena. – Eu passei quatro horas, sem contar as que dormi, sem comer absolutamente nada!

− Desculpa! – Millena mordeu o lábio e fechou os olhos. – Se quiseres, podemos ir já para casa. – Millena ouviu Kimberly vomitar, provavelmente, o jantar de ontem.

Friday, 14:34 p.m. Kimberly’s House, California

Kimberly girou a chave da porta branca de casa. – Eu ainda irei perceber, porque me arrastaste para lá às nove horas da manhã! – Millena bufou pela insistência da parte de Kimberly.

− Apenas uma coisa, um dia vais-me agradecer! – Ouviram uma voz, melhor dizendo, um riso masculino soar. Richard! Sim, mesmo depois de desmaiar e ter um curativo enorme na mão causada pelas brincadeiras perigosas com facas, sem esquecer, incluindo os amigos, ele não perdia o humor.

− Qual é a desta vez? Porque essa conversa não teve o mínimo sentido. – Richard foi olhado por Kelly, Kimberly e Millena, era o único a rir. Depois de longos segundos Richard parou.

− Nada em especial, falamos sobre o que vai acontecer hoje à noite. – Kimberly era a pessoa perfeita para inventar desculpas. O contrário passava-se com Millena, ela era péssima a mentir e rápido era descoberta.

− Percebo. E então? Já compraram os vossos vestidos? – Richard deu um gole na bebida.

− Há muito tempo atrás. – Millena fez-se notar.

− Nós fomos ao centro comercial apenas por diversão. Certo, Mill? – Kimberly lançou-lhe um olhar quase mortal. Millena queria falar, porém Kimberly puxou-a para o quarto.

Friday, 14:46 p.m. Kimberly’s Bedroom, California

− O que esperas para hoje à noite? – Millena agarrou um dos muitos travesseiros da cama de Kimberly.

− Bem, é difícil esperar alguma coisa, porque no pode desiludir, por isso eu espero o inesperado.

Friday, 18:23 p.m. Kimberly’s Bedroom, California

− Kim? Kimberly! Acorda! Nós vamos chegar atrasadas! – Millena balançou agressivamente Kimberly. Kimberly adormeceu assim que Millena ligou o Notebook para falar com alguém. O estranho é que ela falou com essa pessoa num outro compartimento da casa, como se quisesse que ninguém ouvisse a conversa.

− Não! – Gritou. – Eu não quero ir, afinal o que vou lá fazer? Talvez ser humilhada pela falta de um par, um inútil. Sabes, faz um bom tempo que me apetece dar um “Foda-se” para a escola. – Kimberly manteve os olhos fechados.

− Queres saber de uma coisa, também? – Kimberly negou. – Não adianta dizer “não”, vou falar mesmo assim. – Bufou. – Por mais entediante ou ridículo que seja ir num lugar que te faz sentir mal, quem sabe se não encontras o que te faz falta?

− Quem garante esse conto de fadas? – Kimberly era o tipo de pessoa que conseguia estragar um conto de fadas ao contar a suposta história real e que tem sempre a resposta na ponta da língua, irritante! – E o que tu entendes disso?

− Por favor, levanta-te! Agora! – Millena puxou-a fazendo com que caísse no chão. – Ah, respondendo a essa indireta, eu vejo aquilo que tu te negas a ver!

Friday, 19:16 p.m. Kimberly’s Bedroom, California

− Mill, ajuda-me! Eu não vou conseguir fazer isto tudo sozinha! – Kimberly entrou em pânico, de novo.

− Calma! Está tudo sob controlo, sim? Ainda falta tempo e, até às nove horas e meia as pessoas vão aparecendo… − Kimberly interrompeu Millena.

− E para escolher a nossa mesa? Tu queres realmente ficar nas piores?

− Okay, tu tens um pingo de razão. – Ela olhou-a séria. – Total razão, mais feliz? – Ela sorriu.

Friday, 19:34 p.m. Kimberly’s Bedroom, California

− Achas que isto me fica bem? – Kimberly saiu da casa de banho. Ela perguntou aquilo todas as vezes que experimentou algo. – Mill? – Millena olhou incrédula. Kimberly não era mais aquela menina de nove anos que se via nalgumas das fotos que se situavam na parede perto do roupeiro. Kimberly já tinha adquirido a forma de uma mulher com coxas, peitos e bunda grande e cintura mais fina, ela tinha crescido sem saber.

− Se tu não fosses a minha melhor amiga heterossexual, eu beijar-te-ia agora! – Millena encostou-se à mesinha onde tinha colocado a sua bolsa para colocar “tudo o que uma mulher precisava”, segundo ela. Kimberly riu e abraçou-a com a força da procura de um conforto e da saudade no vazio. – Tu estás perfeita para… − Millena deixou escapar algo, imediatamente tocou-se e parou de falar.

− Para quem? – Kimberly desfez o abraço e olhou-a desconfiada.

− Para o baile, Kim! – A primeira vez que Millena mentia e não gaguejou ou ficou aos papéis para encontrar uma justificação.

Friday, 20:15 p.m. Prom, California

A decoração era simples com cores variantes em preto, dourado, vermelho, branco… e as toalhas das mesas também variavam nas mesmas cores. Havia, também, rosas brancas e vermelhas nas paredes, um buquê delas em cada mesa e um menu sobre todas as combinações possíveis de mini jantares, pelo preço incrível de 3,50€ (R$11,39 +/-).

Kimberly ficou a enamorar a decoração e tudo o que lhe era belo e simples. As pessoas, poucas, iam chegando com tempo descompassado.

− Kim? Vamos nos sentar naquela mesa? Porque aquela foi a única que eu gostei de todas as vezes que eu repeti este baile. – Millena procurou Mia entre as pessoas, só que seria inútil encontrar a sua “anã” como lhe chamava.

A mesa não ficava muito no centro, porém não muito no fundo ou muito à frente, apenas perto de toda a comida que estava disposta em longas mesas de toalha de uma cor lilás, talvez para dar destaque e chamar a atenção.

− Claro, eu confio nos especialistas, nesse caso confio em ti, Dr.ª Millena Especialista em Mesas De Baile. – Millena ignorou a indireta. Mia sentou-se na mesa que antes só tinha Millena e Kimberly.

Mia era mais uma adolescente incompreendida pelos pais pelo facto de ser lésbica. Mia era delicada, mas ao mesmo tempo dura consigo mesma. Tentava não se abalar com os escassos comentários de humor-negro.

Embora toda aquela treta, Mia continuou a viver com os pais que viviam viajando de janeiro a janeiro. Só que ela adquiriu uma casca tão grossa para se proteger que estranhava os pais em casa.

− Kim! Que saudades! Estás linda! – Mia abraçou Kimberly pelos braços, depois de notar a sua presença. – Não queres vir? – Kimberly ficou confusa. – Dançar e petiscar algo. – Mia ajeitou a sua cadeira juntamente com Millena. Kimberly negou, após um vazio e um desgosto bem amargo a invadir, como se não pertence-se aquele lugar.

Friday, 20:28 p.m. Prom, California

Mia e Millena eram sem dúvida pessoas fantásticas que mereciam ficar juntas e melhorar as suas vidas de vez. Elas conseguiam transformar os comentários negativos em piadas.

Millena nunca ligou muito para os outros, afinal, quem não aguentaria as piadas sobre ter vinte e dois anos e continuar no décimo segundo ano do liceu? Haja coragem!

As duas faziam piadas, riam, falavam e sussurravam baixo, deixando praticamente Kimberly de fora do assunto. Seria algo com Mia? Ou Millena? Millena baixou a sua cabeça como Mia e leu algo, talvez uma mensagem no seu telemóvel, depois entreolharam-se e balançaram as suas cabeças como se concordassem.

− Ah? Kim? Importas-te de ficar um pouco mais sozinha? Acho que chamaram alguém para ajudar o DJ. Nós voltamos rápido! – Mia falou enquanto olhava para a porta. Na verdade, não havia nenhum DJ. Elas não esperaram que Kimberly respondesse.

Kimberly ficou a olhar o nada e bufou pesadamente. Só de pensar em todas as coisas chatas como valsas e afins que haveria naquele baile, uma dor de cabeça surgia a todo o instante.

Mesmo com o som alto de música a passar, ela persentia os passos de alguém. Uma respiração atrás de si.

Kimberly fechou os olhos por breves instantes, e quando os abriu, deparou-se com uma rosa vermelha segurada por um homem, talvez. Os seus olhos perseguiram toda extensão do braço e deparou-se com Adam.

Depois de uma semana, ela não queria crer no que via. Seria a escolha de camisa, as conversas longe dela, sussurros e olhadas para isto? Não, seria demais para pouco tempo.

− Queres um parceiro para esta bela noite? – Adam falou perto do seu pescoço, onde os seus pelos da nuca se eriçaram com frequência.

− Porque eu te queria aqui e sobretudo, dançar contigo? – Kimberly permaneceu sem olhar nos olhos dele.

− Só para te irritar, eu vou sentar-me na cadeira ao teu lado, porque a tua mania de não me olhar é ainda mais irritante. – A sua mão continuou estendida para Kimberly. – Por favor! Aceita, eu não assaltei o quintal da vizinha em vão!

− Okay! – Ela riu e pegou-lhe, em seguida cheirou-a. O seu cheiro era o mesmo que o perfume de Adam. Ela fez uma careta ao dar conta disso, Adam riu. A rosa foi pousada sendo escondida pela borda do prato.

− A Mill, onde está ela? – Adam perguntou quebrando o gelo.

− Com a Mia, talvez a dançarem… − Kimberly não fez questão de terminar quando avistou Mia e Millena a aproximarem-se. Lançou-lhes um olhar mortal, digamos, elas riram deixando-se cair nas cadeiras.

− Então? – Millena riu.

− Tudo bem até agora. – Os dois falaram em coro.

− Estou a ver que está tudo tão bem que já falam em coro! – Mia apontou o dedo aos dois. – Eles rolaram os olhos. Uma voz soou no altifalante do baile, cativando desta maneira a atenção de todos os que estavam presentes.

− Boa noite, alunos! – Professor Finn, um professor louco de História, que conseguia ser pior que os alunos no que tocava a brincadeiras. – Espero que estejam a gostar da vossa última “estadia” cá. Por isso, vamos abrir a categoria das danças com uma valsa a dois, obviamente. – Os alunos riam. – Boa noite e boas danças. – Ele acabou e desligou o altifalante.

− Aceitas? – Adam estendeu a sua mão já em pé. Kimberly olhou para a sua cara, a sua mão, a sua cara, a sua mão, repetidamente. Adam fez beicinho, o que a fez o querer beijar e desfazer o seu amuo.

− Okay! – Bufou, porém aceitou pegando na mão de Adam. O seu corpo arrepiou-se, mais uma vez, a sua mão era suave, não parecia ser a de um homem, já que os homens tinham mãos ásperas, indelicadas e agressivas.

− Por que motivo, uma mulher linda como tu, estaria num baile sozinha? – Adam e a sua mania de encostar os seus lábios na orelha esquerda de Kimberly.

− Eu passei boa parte da minha vida sozinha. Eu acostumei-me a ser a minha própria sombra. – Kimberly colocou as suas mãos no seu peito e Adam colocou as suas na anca larga de Kimberly.

− Quem nunca foi a sua própria sombra? Mesmo nas noites mais escuras das nossas vidas? Quem nunca teve medo de si mesmo? Ou que se afastou com medo de os arrastar consigo? Fica a saber que o medo transforma-se em ódio e violência no coração. – Adam acelerou cada vez mais o coração dela. Era impossível saber tanto sobre ela ao chegar a este ponto.

− Certo! Mas como sabes tudo isso sobre mim? – Kimberly olhou-o séria. – Acho que os nossos caminhos não se cruzam!

− Eu tenho os meus contactos, todos de extrema confiança. – Kimberly avistou Mia e Millena que seguravam uma bebida numa das mãos, enquanto alguns cochichos eram soltos. − Nem o Paraíso nem o Inferno me podem separar de ti.

− Eu acho que sim! – Adam olhou-a sério. − Quer dizer, eu tenho a certeza que sim! Pois não é o teu rosto, mas as expressões nele. Não é a tua voz, mas o que tu dizes. Não é como tu pareces nesse corpo, mas o que tu fazes com ele. – Kimberly tocou-se no que tinha acabado de falar e tapou a boca. Adam olhou-a com malícia.

− Eu ouvi bem? A Senhorita Kimberly acabou de falar algo sobre ter uma atração por mim? Porque foi o que pareceu. – Adam chegou cada vez mais Kimberly para perto de si, ela tentou rejeitar sem qualquer sucesso. Ele sabia, também, como uma faladora compulsiva estaria no seu momento para falar, certo, para impedir isso, deslizou um dedo sobre a boca rosada de Kimberly. – Tu és uma garota muito sortuda, foste a primeira a fazer com que Adam Walter sentisse um nervoso miudinho.

− Ainda bem, porque eu estava com medo de ser a única com o estômago com borboletas. – Kimberly riu fraco.

− Bem, eu quero-te beijar, até esqueceres o teu nome, esqueceres tudo para além disto. – Quando Kimberly deu por si, duas mãos fortes depositaram-se na sua cara. Quentes e protetoras. Os seus braços ficaram à volta do seu corpo, parando nas suas costas.

Eles olharam-se nos olhos e de seguida nos seus lábios. Kimberly pensou que teria de ser ela a tomar a iniciativa, selou os seus lábios num beijo com saudade, paixão e desejo, difícil de dizer mas simples de sentir. Eles foram se afastando com beijos curtos. Apenas juntaram as suas testas.