But I can't back down.

No, I can't deny

That I'm staying now cause I can't decide

Confused and scared

I'm terrified of you

— Demi Lovato in I Hate You Don’t Leave Me

Friday, 09:19 p.m. Millena’s House, California

Kimberly e Adam conseguiam falar às vezes, porém eram diálogos curtos e quem mais falava era Adam, Kimberly olhava-o enquanto falava sobre algo momentâneo. O que cativou o olhar de Millena e Kelly sobre Kimberly e Adam foi que Kimberly mordia levemente o seu lábio inferior, coisa realizada ao olhar as suas crushs de famosos.

− Será que podem vir cá em cima? – Milena surgiu no meio dos dois como vela do casal.

− Claro! – Kimberly nem sequer hesitou. Subiram as escadas e entraram na primeira porta à esquerda.

− Como vocês devem saber, sexta-feira que vem é o baile da escola. O meu segundo baile! – Kimberly esclareceu.

− A sério que tu ficas feliz por isso? – Adam foi abraçado pelos ombros.

− E se tudo der certo, vai ser o segundo e último! – Millena fez a chamada “Dança Da Vitória”, segundo ela.

− Se tudo der certo… − Kimberly troçou de Millena que imediatamente parou a sua dança. – Okay, mas o que tem o baile?

− As roupas, ainda não as escolhemos, Kim! – Kimberly olhou Adam e Millena entendeu a sua questão, confirmando com a cabeça. – Por isso, o Adam e uma de nós alternadamente vão dando a sua opinião. – Ambos concordaram, Millena foi a primeira.

Ela vestiu dez vestidos diferentes e nenhum que lhe ficou bem, eram tão horríveis que Millena era alvo de piadas dos dois à sua frente.

− Diz-me que esse não é o último, isso parece um balão! – Kimberly bateu na mãozeira da cadeira. Millena fingiu uma cara de ofendida.

Após ter envergado o décimo quinto vestido, Adam e Kimberly concordaram que aquele era o indicado antes que ela mudasse de ideias.

− É a tua vez! – Millena apontou o dedo para Kimberly. Kimberly entrou na casa de banho e viu zilhões de vestidos, ela não estava disposta a vestir tantos como Millena.

Simplesmente pegou no que mais gostou, um vestido preto com detalhes a dourado. Pensando bem, aquele era o único vestido não usado por Millena, com certeza ela já calculava que Kimberly o iria escolher.

Kimberly destrancou a porta: − Se pensas que vou experimentar os outros, estás enganada! – Kimberly virou-se para encostar a porta e voltou a olhar Millena e Adam.

− Hey, vais precisar de um balde? – Millena falou para Adam que continuou a olhá-la, perplexo. – Ah, não tinhas alguma coisa para lhe perguntar? – Millena deu-lhe uma cotovelada.

− Ah, claro! Kim? Já tens companhia para sexta à noite?

− Não. Mas porquê a pergunta? – Kimberly sentou-se na cama branca.

− Por nada, apenas curiosidade. – Millena olhou-o incrédulo.

− Okay… − Kimberly foi interrompida. Kelly abriu a porta.

− Crianças! Tenho de regressar, Kim? Será que podes cá ficar? Ainda bem que sim. O Richard teve um acidente no trabalho dele. Beijos e nada de resmungar! – Millena sorriu para Kelly. Richard era o namorado de Kelly, um homem de quarenta e dois anos que possuía aparência de quem entrara há pouco nos seus trinta anos, para não falar que era médico num outro estado. Ele vinha a casa a cada duas semanas pela distância.

− Adam! Porque não vais arrumar as tuas coisas? Nós já lá vamos. – Adam assentiu, Millena aproximou-se de Kimberly.

− Kim, tu andas a fazer olhinhos ao meu primo? Não posso acreditar, tu sabes que ele é mais velho que tu! – Millena “representou” um sermão.

− Mais velho? Quem te ouvir, irá pensar que ele tem o dobro da minha idade. E tu? Estás de caso com a Mia? – Sim, Millena era lésbica. Porém, os pais não sabiam, ela tinha medo da reação deles. Eles eram liberais e nada preconceituosos, mas, a maioria dos desentendimentos entre pais e filhos começava assim.

− Sim, nós estamos a começar a nos entender. – Millena coçou a cabeça, desconforto.— Por favor não mudes de conversa, tu sentes alguma coisa pelo meu primo, de verdade? – Millena recompôs-se, ela parecia… séria?

− Talvez… Porque ele irrita-me, porém quando dou conta já estou a morder o meu lábio ou a sorrir enquanto ele fala. – Millena acarinhou a cara delicada de Kimberly. Adam despertou algo nela que nem mesmo Kimberly sabia que existia.

− Minha querida, isso é amor. Promete-me uma coisa: não te magoes com os teus pensamentos, porque há uma cicatriz mal sarada nele, ou seja, ele magoar-se-á juntamente contigo. – Millena avisou, okay, aquilo ficou como uma voz ecoante na cabeça de Kimberly.

− O que se passou para me estares a dizer isso? – Kimberly levantou a sua cabeça e olhou para Millena.

− Só ele te poderá dizer. – Millena esboçou um sorriso e puxou Kimberly para ajudarem Adam a arrumar as suas coisas.

…

− O que achas? Preto ou branco? Mill? Acho que o preto combina melhor com o ba… − Millena interrompeu Adam. Ele ainda não tinha arrumado nada, só desarrumou. Alternava as camisas na sua frente a cada cinco segundos.

− A camisa branca fica melhor para ir ao bar!

− Quem vai ao bar de camisa formal? – Kimberly interrogou. – Eu odeio-te até no jeito de te vestires.

− Ama-me menos. – Colocou as camisas na cadeira.

…

− Como é possível ter tanta roupa? – Kimberly deitou-se na sua cama.

− Tu não o conheces mesmo! Ele consegue isto e muito mais! – Millena levou as mãos até à sua cara. Kimberly desatou a rir sem parar, ia ficando sem ar ao fim de algum tempo.

− Eu preciso de ir até à varanda tomar ar. – Kimberly continuou. Mentira, ela precisava desabar longe de Millena. A sua sorte era o seu choro ser baixo.

− Estás a chorar? Queres falar sobre isso?

− Tu? Porque falaria contigo? Porque todos acham que sou fraca? Eu odeio-me! – O seu pensamento ia a mil, fazia tempo que não sentia um vazio repentino. As frases eram disparadas sem sentido nenhum.

Adam seguiu-a porque Millena disse-lhe “Ela não vai tomar ar, vai desabar com o silêncio.” Adam segurou os seus pulsos que tremiam, num impulso, ele apertou-a entre si e os seus braços. – Porque estás a fazer isto? – Kimberly cessou por instantes o choro.

− Porque eu não te odeio.