E Seu Eu Sentasse Na Cadeira Ao Teu Lado?
1 I — Nós Conhecemo-nos?
I can feel it rising
Temperature inside me
Haven't felt it for a lifetime
− Kelly Clarkson in Heartbeat Song
Friday, 11:17 a.m. School Of Saint Elizabeth, California
As coisas não eram, digamos, fáceis naquela escola. Não eram "cool's", todos tinham uma ponta de interesse por algo material, mas se houvesse alguém disposto a ajudar-te sem algo em troca, parabéns! Encontras-te um amigo para a vida.
As pessoas olhavam torto para quem era novo na escola, Kimberly. Ela não era rica, mimada, interesseira, ou outra coisa qualquer terrível na sua personalidade. Quer dizer, claro que ela tinha defeitos, mas não estes.
Sempre assim foi, uma caixinha muito fechada. Criada por uma tia tão distante que nem sabia que à família pertencia. Porquê? Uma mãe que morreu de cancro e um pai drogado que mal soube da hipótese de um filho, fugiu como se fugisse de um monstro. Deus!
Depois de catorze anos a viver e a errar em New Mexico, a sua tia decidiu arrastar Kimberly juntamente consigo. A sua tia, bom, ela é uma verdadeira guerreira por procurar por uma sobrinha que quase não lhe pertencia e cuidar dela como se fosse uma filha.
Uma pessoa que entrou do nada e não podia sair assim do nada.
Kimberly fez alguns amigos, falsos. Amigos que a apunhalaram por trás. Millena foi diferente, ela ficou por Kimberly, por si, sobretudo por elas.
Millena era parecida com a sua tia, Kelly. Lutavam pelo que gostavam, entravam na vida de quem esperavam amar do nada e permaneciam. Kimberly nunca foi uma garota de sorte, mas o seu coração escolheu Kelly e Millena sem erros ou hesitações.
− Queres que te ajude? Isso é muita papelada. – Millena reclamava atrás dela.
− Não obrigada, tu magoaste o teu braço na semana passada. Isto só iria piorar as tuas dores. – Kimberly disse. – O que vais fazer esta noite?
− Acho que o meu primo vem hoje visitar a minha família. Faz dois anos que não vem visitar os primos e tios. – Millena olhava para o telemóvel enquanto tentava acompanhar os passos acelerados de Kimberly.
− Primo? Qual primo? Nunca me falaste dele.
− Bom, dado que eu já devia estar na faculdade ao lado dele, sim, eu chumbei duas vezes o 11º ano e outras duas vez o 12º ano. – Kimberly ficou incrédula. – Sim, eu tinha dito que chumbei apenas uma vez, mas sabes, eu perco-me às vezes a contar. Continuando, eu chumbei, mas ele foi para a universidade há cerca de dois anos.
− E nunca mais veio cá? – Kimberly subiu as escadas de madeira. Millena afirmou.
Kimberly estava encarregue de ajudar Millena que deslocou o braço esquerdo ao jogar basquetebol, como? Foi tudo tão rápido e idiota, que nem mesmo ela sabia. As duas "esquisitonas" da escola eram péssimas em qualquer tipo de desporto, por isso até havia uma desculpa para tantas vezes que deslocaram ou partiram partes do corpo.
Millena escrevia para o jornal da escola juntamente com mais meia dezena de pessoas, mas Millena ficava sempre encarregada de tudo e mais alguma coisa.
Depois do diretor visualizar toda a papelada, que certamente só rolou os olhos pelas letras de tamanho vinte, fez Kimberly voltar a levá-la, porque o seu escritório estava demasiado desorganizado e poderia não encontrar a papelada a tempo.
Millena falava sem parar atrás de Kimberly, esta rolou os olhos e esbarrou contra alguém que também carregava pastas com papéis, que sorte!
− Oh meu Deus! Como vou saber quais eram os papéis, Millena? Millena Campbell! – Kimberly gritou pelo nome de Millena que estava a rir de felicidade.
− Adam? És mesmo tu? – Ela continuou a rir como uma louca. Kimberly levantou a sua cabeça e olhou o garoto que estava ajoelhado à sua frente a tentar apanhar os seus papéis também. Bem, ele era realmente lindo e os seus olhos faziam Kimberly perder o senso do que estava a fazer.
− Millena! Continuas baixinha! Okay, que saudades! – Ele parou de fazer o que estava a fazer e abraçou Millena. Kimberly continuou incrédula com os seus joelhos no chão frio.
Kimberly tossiu, na tentativa falhada de se fazer notar entre os dois.
− Oh, esta é a Kimberly Ricci, ou Kim, a minha melhor amiga. – Kimberly acenou sem qualquer expressão e se levantou.
− A famosa Kim? – Kimberly arqueou uma sobrancelha, parecia que ele sabia quase tudo sobre ela e não gostou dele pelo simples facto de se ter esbarrado nele.
− Eu acho que vou ter de ir andando. – Kimberly parecia desnorteada, tanto que quase esbarrou num dos professores daquela escola.
− A tua melhor amiga vai sempre contra alguém? – Kimberly ouviu uma voz de fundo, talvez dele.
Friday, 03:00 p.m. Kimberly's House, California
O telemóvel tocou loucamente em cima da pia da casa de banho.
− Kim? – Millena falou do outro lado da linha. – Estás em casa?
− Sim, interrompeste o meu delicioso duche. – Kimberly amava tomar um bom duche com direito a imensa espuma, claro, odiava que a interrompessem.
− Desculpa! Mas será que queres vir cá passar a noite? – Millena falou. Automaticamente Kimberly lembrou que certamente haveria jantar de família para Adam. Ela odiava ir a jantares de família, sentia-se como se fosse um elemento a mais. – Por favor?
− Deixa-me adivinhar, vão fazer um jantar de família para o Adam. – Kimberly coçou a nuca, o seu tique nervoso.
− Como é... Pois, eu falei disso. – Millena bufou.
− Eu não sei... É um jantar de família para o Adam. E mais, nós não ficamos com uma boa impressão um do outro. – Desculpas, desculpas, desculpas e mais desculpas. – Achas mesmo que isto dará certo?
− Garota, fazes parte da família. A minha mãe suplicou-me para que eu te telefonasse a convidar. – Millena riu-se do outro lado. Lágrimas escorreram pela face morena de Kimberly. Ela nunca teve um jantar com uma família enorme ou muito menos com uma família unida e feliz. Tudo bem, tinha a sua tia Kelly, mas ela não se pode enganar ao dizer que não sentia falta. Porque, gostarias de ver que só tens uma tia como família?
− Okay, eu vou tentar chegar aí a horas. Ah, Millena? Eu posso levar a minha tia? – Kimberly saiu do duche e enrolou-se no seu robe vermelho.
− Claro, traz o periquito se quiseres. – Millena riu. Kimberly riu também e disse um "Até Logo".
Friday, 07:53 p.m. Millena's House, California
− Cheguei a tempo? – Millena abriu a porta, Kimberly e Kelly acabavam de chegar. Ela envergava umas calças jeans, uma camisa xadrez e uns Luibutton pretos. Num dos sofás pretos da casa estavam Adam, o pai de Millena e dois dos três tios dela. Adam sorria naturalmente ao falar com Paul, pai de Millena. Adam desviou o olhar até Kimberly e Kelly e voltou rapidamente à conversa.
− O teu primo anda em que curso? – Kimberly olhava de canto para Adam, este pareceu tentar terminar a conversa.
− Quanta curiosidade sobre o Adam, senhorita Kim! Ele está em medicina, eu penso. – Kimberly corou intensamente.
− É apenas curiosidade, nunca me falaste dele antes. – Kimberly disse e de seguida inclinou-se para a direita para agarrar num copo de bebida que estava sobre a mesa de bebidas e entradas.
Após pegar naquele copo, apesar de não ter sede nenhuma, o seu rosto deu de caras com Adam. Pareciam coisas de filme, mas era a realidade. O seu copo quase ia escorregando da sua mão trémula.
− Será que sou eu que estou a provocar esses suores frios e tremores? – Ele sussurrou ao seu ouvido.
− Não, de maneira nenhuma! Começo achar que és um garanhão metediço.
− Achas mesmo que isso me ofende? – Ele perguntou encostando-se na mesa de bebidas e entradas.
− Talvez não. – Kimberly saiu para encontrar Millena, que tinha saído misteriosamente com Kelly.
Friday, 08:05 p.m. Millena's House, California
Kelly e Millena estavam no jardim a olhar, talvez, para as estrelas. Kelly e Millena tinham hábitos e manias muito parecidas. Algumas delas irritavam Kimberly.
− A olhar para as estrelas? – Kimberly cruzou os braços abaixo do peito. Automaticamente, pensou em Adam e o arrepio que este lhe provocou ao falar ao seu ouvido.
− Não, a olhar para os navios no Céu. – Millena era delicada como uma rocha. Sempre grossa, curta e demasiada direta, enquanto o humor de Kimberly mudava a cada hora.
− Menina, estás apanhadinha pelo Adam! – Kelly fez-se notar.
− Eu? Pelo Adam? Mas que idiotice! – Kimberly estalou as suas mãos.
− Não te adianta mentir, porque toda a vez que o fazes, estalas as mãos. – Kimberly parou.
− E esse corpo parado quando ele te falou ao ouvido? – Kelly continuou com o questionário. Isto demorou aproximadamente sete minutos da sua vida até que Meghan as chamou para todos se sentarem à mesa.
Kimberly olhava seriamente o nada. A sua cabeça estava a cem pela chegada de alguém que mal conhecia, afinal ele roubou toda a sua atenção com um olhar. Kimberly saiu dos seus pensamentos devido ao movimento de alguém que se sentou ao seu lado, possivelmente Millena ou Kelly.
− E se eu sentasse na cadeira ao teu lado? O que farias? – Adam de novo.
− Tu de novo? Será que não te irás cansar? – Kimberly tentava negar ou ignorar Adam, só que na verdade ela até gostava da presença dele, de como ele não desistia com facilidade.
− Claro que não...
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