E Se fosse verdade?
34 Somos assaltados
Notas iniciais
Depois da luta contra as Fúrias, voltamos à lanchonete, e descobrimos que não havia mais ninguém lá. Todos haviam abandonado o lugar. A nossa pizza estava em cima do balcão, pronta para ser servida para nós. Nos sentamos e comemos sem muita vontade.
Ninguém estava a fim de conversar. O ataque das Fúrias nos pegou de surpresa, quer dizer, todos os ataques nos pegam de surpresa, mas aquele quase que nos mata.
– Devemos voltar para o labirinto depois daqui. – disse Annabeth fracamente.
Estremeci, só de pensar no cheiro de lá. Se a gente continuasse sendo atacado de hora em hora, acho que não chegaríamos ao acampamento tão cedo.
– Eu não quero voltar pra lá. – murmurou Barbara.
– Mas é o nosso caminho mais rápido. – disse Annabeth.
Marcos limpou a boca suja e disse:
– Vocês não disseram que tinha que enviar uma... como é mesmo? Mensagem de arco-íris?
– Mensagem de íris. – corrigiu Percy. – É verdade. Temos que avisar o acampamento.
Ele se levantou e foi à cozinha.
– O que ele vai fazer? – perguntou Igor. – Mais uma pizza?
– Sei lá. – dei de ombros.
Alguns minutos depois, Percy voltou com uma frigideira e um copo cheio d’água.
– Podemos criar um arco-íris com isso. – disse ele.
– Com uma frigideira? – perguntei. – Não seria mais fácil com um Prisma?
– Você tem um prisma? (Tão manso!).
Decidi que era melhor eu me calar.
– Ok. Continue.
Ele foi para fora e jogou a água do copo dentro da frigideira, que devia estar muito quente, por que o vapor que subiu foi grande. A luz do sol passou pelo o vapor que criou um pequeno arco-íris.
– Alguém tem uma dracma? – perguntou Percy urgente.
– Ah, meus deuses. É verdade. – resmungou Annabeth apalpando seus bolsos. – Precisamos de dracmas.
– Rápido!
– O que é dracmas? – exclamou Matheus.
– Ó Íris, deusa do arco-íris, por favor, nos mostre Quíron no Acampamento Meio-Sangue. Hã... É uma mensagem a cobrar. – tentou Percy.
Nada aconteceu.
– Bem... tentamos. – murmurou Dandara. Quando o rosto de Quíron apareceu na névoa de repente.
– Percy? – Quíron sorriu. – Graças aos deuses! Onde vocês estão?
– Deu certo! – sorriu Annabeth.
Parecia que Quíron realmente estava ali, perto de nós. Saímos da nossa mesa e fomos ver a mensagem de íris.
– Oi Quíron. – disse Dandara timidamente.
– Ah, que bom que todos vocês estão bem. – suspirou ele. – Agora me digam onde vocês estão.
– Não sabemos. – respondeu Annabeth. – Paramos para fazer um lanchinho.
– Mas não é isso que queremos falar. – interrompeu Percy. – Luke vai atacar o acampamento. Ele está indo para ai através do labirinto.
– Sim, eu já sabia disso.
Fitei-o perplexo.
– Você já sabia sobre o ataque? – perguntei.
– Sim. – respondeu. – Alguns campistas tiveram sonhos a esse respeito. Estamos nos preparando o máximo que podemos. Mas seria melhor se vocês e... – ele olhou para o restante dos meus amigos. – e seus novos amigos nos ajudassem.
– Tudo bem. – assentiu Annabeth. – Faremos o melhor possível para chegarmos ai o mais rápido.
– Pra onde vocês vão agora? – perguntou ele.
– Para o labirinto.
– O quê? É muito perigoso.
– É a única maneira de ir mais rápido. Temos que prosseguir.
Quíron pareceu querer dizer que era uma péssima ideia, mas assentiu.
– Tudo bem. Tenham cuidado, e que os deuses estejam com vocês.
– Tchau Quíron. – acenei.
A névoa se dispersou.
– Bem, um problema resolvido. – suspirou Annabeth. – Eles já estão se preparando para o ataque.
– Mas não vai ser o suficiente. – murmurei.
– Tem razão. Vamos!
– Pra onde?
Ela me olhou.
– Procurar a entrada para o labirinto. – disse ela como se aquilo fosse óbvio.
– Ai, só de pensar naquela escuridão. – resmungou Barbara.
Ficamos perambulando pela cidade o tempo todo, a procura de alguma coisa que se parecesse com a entrada de um labirinto. Perguntei a Israel se ele conseguia andar, e ele disse que sim.
O céu começava a se tornar alaranjado com o entardecer. As pessoas que passavam pela gente nos olhavam de cima a baixo. Eu não sabia por que.
Procuramos a entrada em uma área rural, numa oficina de carros, em um restaurante e em uma casa abandonada. Nada.
– Que tal nós voltarmos para aquela montanha? – sugeriu Igor. – A gente poderia entrar, já que nós saímos de lá.
– Não dá mais. – disse Percy. – A entrada já deve ter se deslocado.
– E ela se desloca? – perguntou Matheus.
– Sim.
– Sinistro.
Entramos num beco largo e sem saída. Havia uma outra casa velha e abandonada do nosso lado direito. Nos aproximamos. Tudo estava quieto, sem fazer o menor barulho, quando um som agudo ecoou pelo o beco.
– Aaahhh! – gritamos de susto.
Imediatamente ficamos em posição de ataque. Olhamos em volta para ver quem fez aquilo, e percebi que havia sido um pássaro que estava em cima da casa abandonada. Ele estava soltando piados e cantando, o que fez me sentir bastante ridículo.
– Foi um pássaro? – perguntou Stefferson incrédulo.
– Povo assustado. – riu Igor.
– Estou com vontade de acertar uma flecha nesse pássaro. – resmungou Dandara.
– Não. Deixe o coitado em paz. – disse Grover
De repente, uma moto entrou no beco a onde estávamos a toda velocidade.
– Cuidado! – gritei.
Cada um foi para um lado, para evitar ser atropelado. Havia dois homens em cima da moto. Eles a frearam bruscamente, e logo saíram de cima dela. Um deles sacou um revólver e apontou para nós. Então começou a falar algo que eu não entendia, mas eu sabia o que era. Estávamos sendo assaltados. Provavelmente ele mandou a gente passar o celular para eles, por que a maioria dos ladrões diz isso quando assalta.
Ficamos atônitos. O que íamos fazer? Se ele disparasse em um de nós, era óbvio que morreria.
– Hã... calma, cara. – falou Percy erguendo as mãos. – Eu não sei o que está dizendo... mas...
– Ele quer que agente entregue as nossas coisas. – sussurrei.
O homem franziu a testa. Acho que ele podia perceber que não falávamos a língua dele.
– Ah, meu Deus. – sussurrava Barbara.
O cara que apontava a arma em nossa direção olhou para seu colega e falou algo.
– Vamos! – gritou o outro.
– Hã... não tenho celular. – gesticulou Grover, trêmulo.
O cara da arma atirou no chão perto de nossos pés. Todos nós gritamos. Pelo o canto do olho, notei Dandara se armando com sua flecha. Israel sussurrou:
– Quando eu der o sinal, corram para dentro daquela casa.
– O quê? – murmurei.
– Já! – gritou ele. Nesse momento, um vento forte encheu o local, empurrando os dois homens para longe. – Vão, vão!
– Pra onde, pra onde? – berrava Marcos.
– Para aquela casa!
Todos nós corremos para dentro. A casa era grande, com muito espaço para você correr. Do lado de fora se ouviu o som de um disparo. Corremos para tudo quanto é lado. Para a cozinha, a sala, o quarto e etc...
– Para o porão! – ordenou Annabeth. – Agora!
Um tiro quebrou o vidro da janela da cozinha. O som dos disparos da arma ecoavam atrás de nós.
– Onde fica esse porão? – gritou Igor.
Foi quando o homem apareceu diante de nós com a arma. Ele ia disparar, mas Dandara entesou seu arco e atirou sua flecha, que entrou na barriga do cara. Ele caiu no chão.
– Ah, meu Deus! – exclamou Beatriz.
– Você o matou! – Percy olhou para Dandara.
– Ele ia matar a gente! – falou ela.
O outo cara, vendo que seu parceiro de roubo estava morto, correu em direção ao revólver.
– Para o porão! – gritei.
Corremos para o fundo da casa, quando notei uma escada que ia para a parte de baixo.
– Ali!
Os sons dos disparos voltaram.
Ah, fala sério! Pensei. Esse revólver tem quantas balas?
Arrombamos a porta e entramos.
– E agora? – perguntou Matheus em pânico.
– Fecha a porta! – gritou Percy.
Fechei-a. Alguns segundos depois o cara estava atrás da porta tentando derrubá-la.
– Ele vai entrar! – choramingava Barbara.
– Procurem! – ordenava Annabeth. – Tem que estar aqui.
– O quê?
– A entrada para o labirinto.
O cara atirou na porta fazendo um buraco. Nosso tempo estava chegando ao fim.
– Ali! – exclamou Igor. Ele apontou para uma parede velha e degastada no fundo do porão. Annabeth correu até lá e começou a apalpar desesperadamente a parede, quando uma luz azul começou a brilhar de repente. A parede ruiu, mostrando um caminho para dentro dela.
– Venham! – chamou ela.
A porta se abriu. O cara entrou atirando para tudo quando é lado. Stefferson pegou uma haste de madeira e atingiu-o no peito, enquanto todos nós entrávamos no labirinto.
– Stefferson! – chamei-o da entrada. Ele tacou mais uma madeirada nas costas do nosso atirador e correu. Assim que todos nós entramos, a parede se fechou como uma boca, nos prendendo na escuridão.
Estávamos de volta ao labirinto.
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