E Se fosse verdade?

15 Sofremos um ataque gasoso


Notas iniciais
Novo capitulo galeraaaa!! ooo/

Annabeth teve uma ideia bastante estranha.

Estávamos na Estação de ônibus da Geórgia, como se tivéssemos dinheiro para viajar de ônibus. Ela nos contou seu plano para chegarmos à Flórida. Se nós víssemos algum ônibus que iria naquela direção, entraríamos furtivamente, sem que o motorista se desse conta.

– E você acha que vai funcionar? – perguntei.

– Sim. – disse ela esperançosa. – Bem, se vocês colaborarem.

– E se o motorista notar? – perguntou Grover. – Nós vamos ser expulsos da estação.

– Parem de pensar assim. – disse Annabeth. – Vamos. Pode ser nossa única chance.

Ela olhou para mim.

– Você quer ou não salvar Israel?

– Bem... quero. Mas como vamos...

– Olhem! – gritou Dandara. Ela apontou para um ônibus que estava estacionando. Em cima, havia escrito o lugar para onde ele iria.

– Flórida! – disse Annabeth sorridente. – Graças aos deuses. Vamos!

Fomos andando disfarçadamente, enquanto o motorista descia do ônibus, e várias pessoas subiam para assentar-se aos seus lugares.

– Iai George! – acenou o motorista para um cara que estava lendo uma revista num banco.

– Oi Jhon! – disse o cara.

Ambos se encontraram e se abraçaram, rindo. Começaram a contar as novidades.

– É agora. – disse Percy. – Vamos entrar.

– Não. – falou Annabeth. – Temos que entrar de um por um.

– Vamos rápido então. – falei. – Quem entra primeiro?

– Eu. – disse Grover. Ele andou de fininho, e entrou no ônibus. Ninguém pareceu notar. O motorista ainda estava conversando com seu amigo.

– Sua vez Dandara. – disse Percy. Ela respirou fundo.

– Lá vou eu. – Ela andou, olhando para cima e assobiando. Quando ela ia subir, um homem disse:

– Nossa! Que arco legal.

Dandara se virou.

– Hã?

– Posso dar uma olhada? – disse o homem.

– Bem... pode. – Dandara deu a ele seu arco.

– Uau! Você é uma caçadora? Ou está só usando por que gosta? – sorriu o homem.

– Eu sou uma caçadora. Estou indo para a Flórida para caçar animais.

– Flórida? – estranhou o homem. – Não seria melhor você ir para uma floresta?

– Hã... – ela estava sem saber o que fazer. Olhei para ela, e disse silenciosamente para entrar.

– Desculpa, mas tenho que ir. – disse ela sem jeito.

– Está bem. Foi bom falar com você. – disse o homem.

Dandara sorriu sem graça para ele e subiu.

– Agora você Annabeth. – disse eu.

– Não. Vou ficar aqui. Vá você primeiro.

– Entre primeiro. – insisti.

– Vá Annabeth. – disse Percy. – Nós subiremos depois.

Ela rolou os olhos e se foi.

– Agora você. – disse Percy para mim.

– Certo. – falei. Quando de repente, o motorista estava andando de volta para o ônibus, pronto para ir embora.

– Ah, essa não! – murmurei. – E agora?

– Ahn... – Percy estava tentando ter alguma ideia. – Já sei. Eu vou distraí-lo enquanto você sobe para dentro do ônibus.

– Já que insiste. – falei. Percy foi até o motorista.

– Ei – disse ele. – É... acho que seu amigo esta lhe chamando de novo.

– hein? – disse o motorista.

Enquanto eles estavam conversando, eu entrava de fininho.

– Seu amigo esta lhe chamando. – disse Percy. – Ele acenou para mim para lhe chamar de volta.

– Por quê? – O motorista franziu a testa.

– E eu vou saber? – murmurou Percy. – vá lá.

Ele se foi. Percy subiu até a mim com um pulo.

– Resolvido. – suspirou ele.

Andamos pelo o ônibus a procura de lugares para se sentar. Grover acenou para a gente.

Annabeth, Grover e Percy sentaram-se juntos no fundo do ônibus. Dandara e eu sentamos a frente deles.

– Graças a Deus. Próximo destino: Flórida. – falei alegremente.

– Mas assim que chegarmos à Flórida, o que fazemos? – perguntou Dandara.

– Bem, vamos procurar o navio de Luke. – falei. – Ele não deve estar muito longe.

– Ás vezes sabe, – falou Dandara calmamente. – sinto saudades da minha mãe. Queria voltar para casa. Ver ela, e abraça-la. Eu pensava que seria legal ser um filho de um deus grego, mas... – A voz dela vacilou.

– Eu também penso assim. – falei pra ela. – Queria levar uma vida normal. É melhor do que estar em perigo toda hora. Mas... o que aconteceu com sua mãe?

Dandara suspirou.

– Ela... morreu em um atropelamento, quando eu tinha oito anos.

– Ah. – Fiquei sem jeito. Senti muita pena dela nesse momento. – Lamento.

– Tudo bem. Eu fui criada pela minha vó. Ela não se importava muito comigo, mas cuidava de mim. E, depois que monstros começaram a atacar a nossa casa, ela fugiu. Fiquei sozinha, sem saber o que fazer.

Ela deu um sorriso fraco. Os cabelos pretos cacheados dela estavam assanhados. Fiquei muito triste por ela. Nem teve a chance de levar uma vida feliz ao lado da mãe.

O motorista entrou no ônibus de repente, e olhou em volta. Eu me encolhi no assento. Dandara cobriu o rosto com as mãos. Ele deu de ombros e foi para o volante.

Durante a viagem, fiquei apreensivo, por que estava com medo de dormir, e sonhar novamente com o navio, depois do que havia sonhado anteriormente. Os passageiros dormiam tranquilamente, mas eu sabia que para meio-sangues como nós, era difícil ter um ótimo sono. Mas, infelizmente, o sono novamente venceu, e eu adormeci.

Em meu sonho, eu estava em outra cidade. Eu me senti completamente perdido. Não sabia para onde ir. Estava em uma rua de areia, com várias casas dos dois lados. Eu andei pela a rua, observando o lugar. De repente, eu saí em uma avenida. Carros passavam e buzinavam. Olhei para o lado, e havia varias pessoas em lojas comprando roupas. Andei pela a calçada, e percebi que elas falavam em outra língua. Eu fiquei confuso. Eu estava em outro país?

Vi uma lanchonete, e pintado na parede do lado de fora, havia vários personagens de um desenho animado. Uma esponja, um caranguejo e um molusco. O nome da lanchonete estava escrito acima, mas eu não conseguia entender. Quando três meninos passaram correndo por mim. Atônito, eu os reconheci. Eram os garotos com quem eu havia sonhado quando estava viajando para Virgínia.

– Corram! – disse um deles.

Eu não me mexia no sonho, mas eu os seguia. Eles entraram na rua aonde eu havia estado. Um deles abriu uma porta de uma casa e entrou. Os dois garotos também entraram e fecharam a porta.

Eu me vi dentro da casa onde eles estavam. Os garotos estavam ofegantes e suados. Um barulho veio do lado de fora. Alguma coisa parou diante da nossa porta.

– O que esta acontecendo com a gente? – perguntou um deles.

– Eu não sei. – disse o outro trêmulo. – Acho que eles saíram dos nossos livros de História.

Um rugido se ergueu, e de repente, a porta se transformou em um objeto totalmente amassado. Os garotos gritaram quando uma criatura grande, com chifres e cara de boi, entrou na casa destruindo tudo.

Acordei com Dandara me sacudindo.

– Raphael. – disse ela.

– Hã? O quê? – falei sonolento.

– Você está babando.

– O quê? – eu corei. – Não, não estou. – rapidamente limpei o canto de minha boca.

Olhei em volta. Todos estavam dormindo. Afastei a cortina de minha janela, e vi que estava de noite.

– Que horas são? – perguntei a Dandara.

– Onze e meia.

– E ainda não chegamos?

– Pelo visto não né.

Eu resmunguei. Estava ficando enjoado de tanto viajar de ônibus. E além do mais, estava me sentindo fedorento. Também, com vários dias sem tomar banho, quem não fica?

Me espreguicei e olhei para trás. Percy, Annabeth e Grover estavam dormindo. Perguntei-me se eles estariam tendo sonhos ruins como os meus.

Depois de mais algumas horas, chegamos finalmente à Flórida. Mal pude acreditar. Estávamos bem perto. Já passava da meia noite quando chegamos. Descemos na estação de ônibus, quando o motorista disse para a gente:

– Eu não me lembro de vocês terem pagado a passagem para a viagem.

Ficamos sem saber o que dizer. Olhei para Annabeth, esperando que ela tivesse uma ideia.

– Ah, mas nos pagamos sim. – disse Dandara imediatamente. – Acho que você deve ter se esquecido. – ela sorriu para o motorista.

– Não. – disse ele pensativo. – Eu me lembro exatamente de quem pagou e não pagou. E vocês não estão na lista dos que pagaram.

Ele se levantou da sua cadeira.

– Vocês vieram escondidos? – falou ele estreitando os olhos. Nós ficamos em silêncio, o que, de alguma maneira, quis dizer que sim.

– Vou pegar vocês! – gritou o motorista. Imediatamente corremos. A estação estava cheia de gente, então não era de se surpreender quando esbarrávamos em algumas pessoas.

– Seus intrusos mirins! – berrava ele. – delinquentes juvenis!

Ainda estávamos correndo quando Dandara teve a ideia de pegar um táxi. Ela acenou para a gente.

– Entrem!

– Está louca? Não temos dinheiro. – falei.

– Entrem logo! – disse ela.

Entramos todos juntos no táxi. Um se amontoando por cima do outro, até Grover começar a gemer:

– Estou sendo espremido de novo!

– Ei, calma ai! – disse o motorista do táxi. – Nada de bagunça em meu táxi. Pra onde vão?

– Tem como nos deixar perto de uma praia? – disse Annabeth.

– Uma praia? – falei.

– Por que uma praia? – murmurou Percy.

– E a essa hora? – perguntou o motorista franzindo a testa.

– Apenas nos deixe lá ok? – disse Annabeth. O motorista assentiu de má vontade. Então, pisou fundo no acelerador, e foi a toda velocidade.

– Graças aos deuses. Estamos bem perto. – disse Percy.

Ficamos em silêncio por uns instantes. Quando um cheiro horrível, de esgoto a céu aberto, empestou o ar dentro do táxi.

– Eca! – berrou Dandara cobrindo o nariz.

– Ah meus deuses! – gritou Annabeth.

– Que fedor! – berrou o nosso motorista.

– Quem foi que fez isso? – falei, quase morrendo com falta de ar puro.

– Não fui eu. – disse Percy.

– Nem eu. – falou Dandara.

– E eu muito menos. – resmungou Annabeth.

Grover ficou calado e olhando para cima.

– GROVER! – gritamos os quatro juntos.

A gritaria aumentava, e Percy murmurava: "Não foi assim que imaginei a minha morte".

– Foi mal gente. – disse ele tentando se desculpar. – Não consegui aguentar.

– Percebemos! – falei.

– Abram o vidro desse táxi! – gritou Dandara.

Num instante, o fedor foi embora. Respiramos todos aliviados.

– Nunca faça isso de novo. – disse Percy. – Você quase coloca todos nós em coma.

– Ei, não fede tanto assim. – protestou Grover.

– Imagine se fedesse. – murmurou Annabeth.

– Já não basta à gente estar sem dinheiro – disse Percy. – você quer...

O táxi de repente deu uma parada brusca. O motorista se virou para nós.

– Sem dinheiro? – falou ele incrédulo.

– Hã... bem... – tentei falar.

– Saiam do meu táxi! – berrou ele.

Não discutimos. Saímos na mesma hora em que ele partia a toda velocidade. Ficamos sozinhos ali, no meio do nada, sem nenhuma carona, sem nenhum dinheiro, sem nada.

–Esse lugar está me dando arrepios. – murmurou Grover.

– Ei. – falei. – Vocês estão ouvindo?

– O quê? – perguntou Annabeth.

– O barulho do mar. – disse eu. – Eu estou sentindo. Ele está por perto. – olhei para Percy. – Você sente?

Ele andou para frente.

– Não... – ele arqueou as sobrancelhas. – Opa! Agora eu estou.

– Vamos. – chamei.

***

Assim que chegamos á praia, me senti bem melhor. Parecia que o mar me acalmava. Fazia me sentir mais forte.

– Ótimo! – disse Annabeth. – Agora, vocês podem fazer um favor?

– O quê? – perguntei.

– Dá para pedir uma ajudinha para o pai de vocês?

– Claro. – disse Percy. – É pra já.

Ele foi entrando na água, mais e mais, até que se submergiu.

– Caramba. – disse Dandara impressionada. – Ele não morre afogado?

– Não. – falou Annabeth calmamente. – Ele é filho do deus do mar, então é imune a isso.

– Sério? – falei animado. E na mesma hora, avancei em direção a praia.

– Espere! – falou Annabeth – É melhor você ficar aqui...

Eu submergi. Fiquei com medo de respirar. E se só o Percy fosse imune a isso? Depois de alguns minutos, não pude mais aguentar. Inspirei. Realmente, eu podia respirar embaixo d'água. Fiquei totalmente maravilhado. Minhas roupas estavam secas. Mesmo eu estando embaixo d'água. Como isso era possível? Eu olhei em volta, e dei de cara com Percy.

– O que está fazendo aqui? – perguntou ele. Achei estranho, por que estávamos nos comunicando por telepatia.

– Quis experimentar uma coisa. – falei, telepaticamente.

– Vamos indo. Nossa ajuda está a caminho. – disse ele. – E... senti algo navegando pelo o mar.

– O que é?

Ele olhou para mim seriamente.

– O navio de Luke.