E Se fosse verdade?
37 Sofremos um ataque de risos
Notas iniciais
Comecei a me perguntar por que aquele carrinho tinha que ser tão rápido.
Havíamos saído da oficina de Hefesto em disparada, correndo ao máximo. Não podíamos diminuir a velocidade por nada, se não o pequeno veículo saía da nossa vista.
Em um momento, um buraco não muito grande surgiu a nossa frente. Pensei que o carrinho iria cair, mas ele se desviou do buraco, subiu pelas paredes, e depois voltou ao chão. Me perguntei como ele tinha visto aquele buraco. Pulamos sobre ele e continuamos a correr.
— Esse carrinho tem olhos? — perguntou Marcos.
— Sei lá. — respondeu Israel.
— Aquele era mesmo o deus Hefesto? — perguntou Barbara.
Annabeth assentiu.
— Sim, é ele. Por quê?
— Sei lá, ele é tão... esquisito.
— Também, quem não ficaria. — murmurou Percy. — Sendo atirado de cima do Monte Olimpo, é de se esperar que fique parecendo um boneco deformado.
— Percy! — ralhou Annabeth. — Tenha respeito.
— Ok, foi mal.
— Estou cansada. — resmungou Dandara. — Minhas pernas estão doendo.
— Se ficarmos parados o carrinho vai ir embora. — falei.
Dobramos uma esquina, e de repente demos de cara com vários esqueletos pendurados pelo pescoço por correntes. Dandara deu um grito agudo. Annabeth recuou horrorizada. Todos nós paramos bruscamente. Havia ao todo cinco esqueletos. Dois deles pareciam que estavam ali há pouco tempo. Não vou descrever, acredite. O fedor que emanava deles era horrível. Meu estomago se revirava com o fedor.
— Ah, meus deuses. — disse Grover com a mão na boca. — Acho que vou passar mal.
— Não se eu passar primeiro. — Beatriz tossiu.
— Vamos passar logo. — falei tampando o meu nariz. — Não quero ficar aqui.
Tentamos a todo o custo não tocar neles, mas de nada adiantou. Continuamos a correr. Minhas pernas também estavam começando a doer. Será que faltava muito para chegar ao acampamento?
— O bom é que nenhum monstro está tentando nos impedir. — disse Dandara arfando. Mal ela disse isso, e ouvimos um barulho as nossas costas.
Percy olhou para mim.
— O que foi isso?
Um sibilo foi se aproximando da gente.
— Ah, muito bem. — resmungou Israel olhando para Dandara. — Veja o que você fez!
— O que eu fiz? — reclamou ela.
— Não falem nada. — avisou Annabeth. — Pode ser que... o que quer que esteja atrás de nós, nos ouça, e então teremos que lidar com mais um monstro.
Mas não adiantou. O som de algo grande se arrastando estava começando a ficar mais próximo. O teto começou ficar mais baixo, e som do carrinho começou a diminuir.
— Por favor, tomara que não seja o que estou pensando. — choramingou Beatriz.
Depois de alguns minutos, o teto ficou alto novamente, e as paredes ficaram mais largas.
— Ah, que bom... — fui interrompido por algo sibilando as minhas costas. Quando olhei, vi uma cobra enorme, horrível e amarronzada. Os olhos eram amarelos com uma fenda preta no meio. A língua bifurcada era do tamanho do meu corpo.
Em um instante, o local se tornou um caos. Todos gritaram e saíram aos gritos. Eu fiz o mesmo. Não tivemos nenhum pensamento interessante, só o de correr e gritar.
— Era o que eu estava pensando! — berrou Beatriz. A cobra nos seguia rastejando.
— Por aqui! — gritou Grover.
— Como você sabe? — perguntou Matheus.
— Estou ouvindo o barulho do carrinho.
De repente o chão começou a se inclinar. Estávamos indo para baixo. Dobramos uma curva, e nesse momento um gás verde começou a sair das paredes. Não tivemos tempo para tampar o nariz. O cheiro do gás era azedo. Começamos a tossir constantemente, mas depois, uma sensação estranha começou a percorrer pelo o meu corpo. Fiquei com uma vontade imensa de rir. Não pude me conter, e comecei a gargalhar. Para minha surpresa, meus amigos também começaram a dar gargalhadas. Parecia que tudo se tornara engraçado. Tudo o que a gente passou se tornou uma piada.
O ar se tornou esverdeado. Podia ver os rostos dos meus amigos, todos dando risadas.
— O que está acontecendo? — gargalhei.
Igor olhou para mim e respondeu em meio a risadas.
— Não sei, mas você é o irmão mais engraçado que eu já tive.
— Às vezes eu solto um peido silencioso. — riu Grover.
— Só isso? — riu Stefferson. — Ás vezes, eu solto um peido estrondoso.
Rolei de rir. Nesse momento, a cobra chegou a onde estávamos. Suas narinas se dilataram, e suas presas apareceram.
— Olha! — apontou Dandara rindo. — Uma cobra!
— Pensei que era uma salsicha marrom. — gargalhou Percy.
— E nós vamos morrer. — eu ri.
Acreditem ou não, a imensa cobra abriu a boca como se estivesse sorrindo.
— Eu quero namorar você! — disse Israel para Barbara.
— E você veio dizer isso agora idiota! — riu Barbara.
— Grover, como você faz cocô? — perguntei. — Não fica preso nos pelos da bunda?
Todos gargalharam. A cobra emitiu um sibilo alegre. Minha barriga estava começando a doer de tanto rir.
— Fica sim, mas eu tiro com papel higiênico! — respondeu Grover.
— Que tal depilar ele? — sorriu Annabeth.
— Vai ficar parecendo um bode depilado. — riu Marcos.
Foi quando o gás começou a diminuir. As risadas começaram a cessar. Olhei para meus amigos.
— O que houve? — perguntei, ainda dando umas pequenas risadas.
— Não sei. — respondeu Israel.
— Ai, minha barriga. — gemeu Annabeth.
— Onde estamos? — Barbara colocou a mão na cabeça.
A cobra olhou para nós. Provavelmente se lembrando de que estava atrás da gente, e sibilou.
— Ah, a cobra! — gritou Igor.
Ela pegou Israel pelo o braço. Ele começou a gritar e a dar chutes no ar. Eu saquei minha espada e ataquei-a. Ela não teve pra onde escapar, e num instante se desintegrou.
— Ai, meu braço. — gemeu Israel. O sangue começou a escorrer. Fui até ele.
— Calma, estamos perto do acampamento. Vamos cuidar disso.
— O carrinho! — gritou Annabeth. — Onde está ele?
— Ah droga! — resmungou Marcos.
— Vamos correr, quem sabe não o alcançamos? — sugeriu Beatriz.
Assentimos. Ajudei Israel a se levantar e começamos a andar.
— Você solta peido silencioso Grover? — perguntou Dandara.
Ele corou.
— Eu não! Foi aquele gás que fez isso comigo.
Olhei para Israel.
— E você quer namorar a Barbara?
— Hã?
— Eu? — disse Barbara.
Nesse momento, escutamos barulhos de monstros rugindo e gritando acima de nós. Ouvi sons de metais se chocando e gritos de pessoas lutando.
— O que é isso? — perguntei.
Percy arregalou os olhos, assim como Annabeth.
— Eu acho que... — ele foi interrompido por um grito que fez meu coração se apertar.
— Avançar! Juntar escudos!
Grover arquejou.
— Clarisse?
Sem duvida, aquela era a voz de Clarisse. Annabeth, Percy, Grover e eu trocamos olhares de desespero. Ouvi outra voz gritando a distancia:
— Ergam-se!
— Nico? — Percy franziu as sobrancelhas.
— Quem? — quis saber Igor.
— Vamos! — gritou Annabeth.
— Pra onde? — perguntou Matheus.
— Ajudar os nossos amigos. Chegamos ao Acampamento Meio-Sangue.
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