Notas iniciais
Iaiii galera! como vcs estão? Minha imaginação está mais fraca a cada dia kkkkk. Capitulo 9 vai ser dificil viu.

Naquela noite logo após o jogo capture a bandeira, tive um sonho horrível.

Eu estava novamente naquele grande navio de cruzeiro. O cara com a cicatriz no rosto, que eu vira no sonho anterior, estava falando alguma coisa para os homens peludos.

– Onde está ele? Por que estão demorando tanto? – Eles estavam numa sala grande, com uma mesa e varias cadeiras. Uma luz amarela enchia o local. Um dos homens peludos deu um passo á frente.

– Calma chefe. É só uma questão de tempo. Aposto que eles devem estar trazendoele daqui a poucos minutos.

– Ótimo. – disse o cara com a cicatriz. – Com ele aqui do nosso lado, um filho dos “Três Grandes”, seremos muito mais fortes do que antes. Poderemos destruir o Olimpo fácil.

– Mas chefe – disse o outro homem peludo. – Se eles souberem que o raptamos, mandarão uma busca de resgate atrás dele.

– Não se preocupe com isso Oreios. Deixe que eles venham. Terão uma surpresinha quando chegarem a esse navio. – Ele gargalhou sinistramente.

Acordei assustado. Não estava em nenhum navio. Ainda era de noite, e eu estava no acampamento. Não tinha entendido nada do que havia sonhado.

No dia seguinte, Quíron me mudou para o chalé 3. Eu estava atônito com o que acontecera ontem no jogo. Eu tinha sido reclamado filho de Poseidon. Bem, eu estava um pouco feliz por ter sido reclamado. Pelo menos não precisava mais ficar esperando quase a vida inteira como alguns campistas do chalé 11. Mas havia um pequeno problema. Quando me mudei para o chalé 3, Percy ficou um pouco distante de mim. Não sabia o porquê disso.

Durante o dia eu fazia minhas tarefas diárias. Annabeth me ensinava grego, e eu podia escolher livremente todas as minhas atividades em que eu queria treinar. Eu estava gostando do acampamento. O cheiro dos morangos e o barulho do mar a distancia. Não era tão ruim assim. Se bem que era muito estranho quando eu e Annabeth conversávamos sobre deuses no presente. Estávamos no píer do lago de canoagem, quando eu perguntei:

– Você tem pai?

Ela encolheu um pouco os ombros.

– Sim, tenho.

– Ele sabe que você é uma... semideusa? – falei, ainda achando totalmente estranho esse negócio.

– Sabe sim. – ela disse. – Foi por causa desse motivo que eu vim para cá.

– Não entendo.

Ela se endireitou e olhou para mim.

– Meu pai não gosta muito de mim. Ele pensa que sou uma aberração.

– Mas por quê? E você não é uma aberração. Se toda a aberração fosse que nem você eu... Hã... – Eu me interrompi. Não ia ficar dando em cima de Annabeth. Meu rosto estava um pouco vermelho.

– Ele não queria que monstros ficassem atacando a casa dele e pondo em perigo sua esposa e seus filhos. – continuou Annabeth. – Ele ficava me olhando com raiva. Então eu fugi.

– Você fugiu? Mas como? Como chegou aqui? – eu estava impressionado. Ela apenas suspirou.

– Olhe, depois conto tudo a você certo?

– Ah, tudo bem então.

Ficamos uns minutos em silêncio.

– Posso fazer uma pergunta? – falei. Ela assentiu. – Você... já viu os deuses pessoalmente? Quer dizer, já foi até o Monte Olimpo?

– Sim. – afirmou ela.

– Sério? Mas... como? Você viajou até a Grécia?

– Não. Atualmente ele está situado aqui nos Estados Unidos. – ela olhou pra mim. – Você sabe onde fica o Empire State não é?

– Claro que sim.

– Então, pode não acreditar, mas o Monte Olimpo está situado em cima do Edifício.

Eu arregalei os olhos.

– Em cima do... Empire State? – Annabeth assentiu. – Uau! Que loucura. Como o Empire State aguenta um monte em cima dele?

Ela me deu uma olhada do tipo: "Ta falando sério?"

Foi quando eu percebi que não tinha visto Israel ainda. Desde ontem ele não tinha aparecido. Será que ele estava novamente no chalé de Afrodite?

– Ei, eu... vou ali ok? Já volto. – disse eu.

– Tudo bem.

Deixei Annabeth no píer, e fui em direção ao chalé de Afrodite. Não estava com vontade de falar com as meninas de lá. Então passei e dei uma olhadinha pelas janelas do chalé. Israel não estava lá.

– O que esta fazendo? – disse uma voz. Meu coração deu um salto. Olhei e dei de cara com Grover.

– Hã, nada. – eu disse.

– Você estava espiando o chalé de Afrodite? – perguntou ele num tom safado.

– Não! Eu não... – Estava me sentindo impaciente de mais para explicar, mais contei a ele.

– Você já o procurou no chalé de Zeus, ou então nos estábulos? – perguntou Grover.

– Não... nos estábulos? O que é que o Israel estaria fazendo nos estábulos?

– Não sei. – disse ele sorrindo. – Então, vamos procurá-lo.

Procuramos no chalé de Zeus, nos estábulos, Anfiteatro e nos campos de morangos. Ele não estava em nenhum lugar. Como era possível? Será que ele havia fugido do acampamento? Falei com a garota que estava com Israel no chalé de Afrodite. Ela contou que depois que eu saí correndo do chalé, Israel ficou nervoso. Ele saiu e disse que iria para o pavilhão conversar comigo. Depois disso ela não o viu mais.

– Como assim? – perguntei. – Ele não foi para o pavilhão. Eu teria visto se ele tivesse ido.

– Eu não sei. – disse ela um pouco assustada.

Minha mente estava a mil. O que havia acontecido com ele?

– Ele não está em lugar nenhum. – disse eu a Grover.

– Isso é impossível. – disse ele. – Não pode ter simplesmente saído do acampamento. É perigoso de mais. Vamos falar com Quíron.

– Acha que é uma boa ideia?

– Mas claro que é. Vamos.

Fomos até a Casa Grande. Pela primeira vez notei que o telhado dela era azul, com um cata-vento no alto em forma de uma águia. Quíron estava na sua falsa cadeira de rodas, jogando pinochle com o sr. D na varanda.

– Quíron – disse Grover. – precisamos falar com você.

– Agora? – reclamou o sr. D olhando para nós.

– Sim senhor.

– O que houve? Está tudo bem? – perguntou Quíron.

– Ahn, não senhor, não esta. – falei. – temos um grande problema.

Quíron deixou as cartas na mesa.

– Conte-me.

Contei tudo a ele, menos a parte em que peguei Israel em flagrante beijando a garota. Quíron alisou sua barba.

– Vocês já o procuraram pelo o acampamento?

– Sim. Procuramos por todos os lugares e ele não esta. – Estava ficando impaciente. O olhar de Quíron era pensativo e distante.

– Temos que descobrir o que aconteceu. Ele não pode ter saído do acampamento. Seria suicídio.

– Temos que avisar a todos e sair em busca dele. – disse eu.

– Tenha calma criança. – disse Quíron suavemente. – Vamos fazer todo o possível. Esta noite iremos relatar o acontecimento.

– Agora, se não se importam, vamos voltar a jogar. – disse o sr. D embaralhando as cartas.

Olhei para ele. Não acredito que ele estava se importando mais com esse jogo estúpido do que com o Israel.

Quando saímos de lá, Grover disse que ia me ajudar a encontrá-lo. Ele saiu em direção aos bosques. Sentia-me cansado e culpado mentalmente. Eu não estava fazendo nada para encontrar Israel. Com certeza ele devia estar em apuros.

***

De tarde, eu treinava esgrima na Arena. As espadas com que eu treinava não se adequavam a mim. Ou eram grandes demais, pequenas demais ou pesadas demais. Por isso, minhas mãos se cansavam rapidamente.

De vez em quando eu treinava com uns garotos do chalé de Hermes, ou do chalé de Ares. Mas sempre acabava discutindo com os garotos de Ares. Ou então acabávamos por provocar uma luta de verdade com espadas. Nada parecia melhorar meu humor. Estava muito preocupado em saber onde estava Israel. Ele não podia ter sumido do nada. Fui ao chalé 3 para descansar um pouco. Talvez isso esfriasse mais minha mente. Deitei na cama, e fiquei pensando se devia contar isso a Annabeth ou não. Pelo menos ela era mais inteligente que eu, poderia ter uma solução. Acabei pegando no sono.

Se eu soubesse que viria mais um sonho quando eu dormisse, não teria dormido tão cedo.

De novo, eu estava naquele navio. Havia mais pessoas a bordo do que antes. Pais com seus filhos, um casal de idosos e tripulantes do navio. Quando olhei para o lado, levei um grande susto. Havia duas mulheres, mais elas eram terrivelmente feias. Tinham a pele esverdeada e escamosa, e estavam usando uma armadura sobre o peito. Da cintura para baixo, elas tinham caudas duplas de serpente. Achei aquilo estranhíssimo. Segui-as para a parte de baixo do navio. Estavam entrando em um corredor. Elas estavam falando alguma coisa.

– Ele já essssta aqui?

– Ssssim. Ele chegou ontem. – disse a outra mulher-serpente. – Com ele do nosssso lado, ninguém ssssserá capaz de nossss derrotar. Não foi muito fácil entrar naquele acampamento, maisss com uma ajudinha de dentro consssseguimosss raptá-lo.

Elas saíram dando risadas. Ouvi vozes vindas do corredor à direita. Eu estava no convés inferior do navio. Havia uma porta entreaberta nesse corredor. Andei até lá, e espiei na brecha da porta.

– Você vai ter que escolher. – era a voz do cara com a cicatriz no rosto. – Quer ficar do lado vencedor, ou seja, o nosso, ou quer ficar do lado perdedor com seus amigos do acampamento?

– O que vocês querem comigo? – disse uma voz familiar. Eu dei um passo para trás. Aquela voz... não podia ser.

– Trouxemos você aqui para saber da verdade. – disse o cara da cicatriz. – Seu pai, Zeus, não se importa com você. Melhor que se junte a nós.

– Eu nem sei quem são vocês. Por que está falando isso?

Foi quando de repente, a porta se abriu violentamente. Com um susto, vi Israelamarrado nas mãos e nos pés numa cadeira, com vários monstros ao redor dele. O homem peludo do sonho anterior apareceu diante de mim e rosnou.

Acordei. Percy estava me sacudindo.

– Acorda. O que está havendo?

– Ahn, o quê? – falei atordoado.

– Você estava gritando “não pode ser” enquanto dormia.

– Eu? Não...

– O que você sonhou? – quis saber Percy. – Sabe, semideuses às vezes tem sonhos, e não é um sonho qualquer. Ele nos mostra o que está havendo com nossos amigos, ou então o que o inimigo esta planejando.

– Nossa! E você veio me dizer isso agora? – olhei pela janela. Estava quase escurecendo. Olhei para Percy. Eu podia contar a ele, afinal, ele era meu irmão. Contei-lhe tudo, inclusive os meus sonhos. Quando acabei de contar, ele estava com os olhos arregalados.

– É Luke. Com certeza. O cara com a cicatriz no rosto.

– Pois é. ele estava falando que Israel devia se juntar a eles. O que isso quer dizer?

Ouvi o som da trombeta de caramujo, indicando que era hora de jantar.

***

Estávamos no pavilhão-refeitório em mais uma noite. Ninfas avançavam com bandejas cheias de pão fresco, queijo, morangos, peito de frango e churrascos. Como sempre, jogávamos as melhores partes no fogo. Eu ainda não tinha me acostumado aquilo. Comi sem muita vontade. Percy e eu éramos os únicos na mesa de Poseidon. Alguns dos campistas me olhavam e cochichavam entre si.

– Por que somos os únicos nessa mesa? – quis saber.

– Por que somos os únicos filhos de Poseidon. Inclusive meu meio-irmão Tyson que não esta aqui.

– Ah.

Ficamos alguns minutos em silêncio. Quíron bateu seus cascos no mármore para chamar nossa atenção.

– Heróis! Temos um assunto a discutir e a compartilhar com vocês. – todos se viraram. – Temos um campista desaparecido.

Todos murmuraram. Agitação e conversas aumentaram. Quíron chamou a atenção de todos novamente.

– Seu nome, é Israel Rodrigues. Ele foi visto ontem pela ultima vez. Algum de vocês sabe o que aconteceu com ele?

Cabeças balançaram. Vários campistas de Apolo olharam para Clarisse, e Clarisse olhou para mim. Annabeth estava sem entender nada. Dava para ver no seu rosto. Ela correu até a mim.

– Isso é verdade? Israel sumiu? – disse ela surpresa.

– É sim. – eu disse. – Desde ontem.

– E por que você não me contou?

–Eu ia contar. Só que eu acabei... dormindo.

– O quê?

Quiron chamou nossa atenção em meio ao barulho.

– Acho que devo comunicar isso ao Olimpo. – disse ele. Percy me cutucou.

– Conte a ele o que você sonhou.

– Contar o que? – perguntou Annabeth. – O que você sonhou?

– Eu... é complicado de mais para explicar. – falei.

–Encerramos este assunto por hoje. – finalizou Quíron.

– Espere! – gritou Annabeth. – Raphael tem coisas a falar.

– Hã? – eu disse. Ela me puxou pela blusa e me colocou de pé. Todos me olhavam.

– Tem algo a dizer Raphael? – perguntou Quíron.

– Hã... sim, tenho. – Eu não era muito de falar em público. Tive dificuldade em começar a falar, mas Annabeth me ajudou, dando um belo cutucão em minhas costas.

– Eu sei onde está Israel. – falei.

– Bem, e onde ele está? – quis saber Quíron.

– Ele está num navio de cruzeiro no mar. Não sei onde exatamente, mas está sendo mantido preso.

Contei meus sonhos. Percy me ajudou falando sobre o tal Luke, e sobre o navio dele. No final, todos estavam calados. Quíron suspirou.

– Era o que eu temia. Temos que mandar ajuda então. Precisamos resgatá-lo. Temos uma missão para você.

Do meu lado, Annabeth estava com uma cara de animação. Percy também.

– Raphael, você aceita a sua missão? – perguntou ele.

– Que missão? De resgatar Israel?

– Não, de resgatar a chapeuzinho vermelho. – disse alguém da mesa de Ares. Todos riram.

– Sim, Raphael. – prosseguiu Quíron. – Sua missão é resgatar seu amigo. Você vai aceita-la?

– Hum... sim.

– Ótimo. Então chegou a sua hora de consultar o Oráculo.

– Consultar quem?

– O Oráculo. Percy vai lhe dizer onde é. Enquanto isso, o jantar está acabado. Todos para a cama.

A trombeta soou a distância. Todos foram andando, cada grupo para o seu chalé. Percy me guiou até a casa grande.

– É só você entrar e subir as escadas. Tem o sótão em cima. Puxe a corda que uma escada irá descer. E... não se assuste com o que você vai ver.

– Como assim? – perguntei.

– Você verá. – Percy riu. – Entre.

***

Dentro da casa, subi as escadas até me deparar com uma cordinha solta. Puxei-a, e uma escada caiu ruidosamente, bem como Percy havia dito. Senti um cheiro de mofo vindo do sótão lá em cima. Um ar empoeirado saia de lá. Coloquei a mão no nariz e subi a escada.

Chegando em cima dei uma espiada. Não havia nada de mais. Olhei ao redor. Teias de aranha estavam por toda parte. O ambiente era empoeirado e sujo. Vários potes de vidro estavam numa mesa comprida no canto. Havia pedaços de armas de Heróis gregos, como espadas quebradas e escudos mordidos. Observei os potes. Dentro tinha partes de monstros em conserva. Uma garra, um olho amarelado, uma mão peluda. Um arrepio desceu pelas minhas costas. Quase dei um grito quando reparei na cabeça de um monstro colocada sobre a mesa. Parecia uma serpente, só que com a pele coriácea e os dentes de tubarão.

– Certo, calma. – falei para mim. – Faça o que tem de fazer e saia.

Olhei por todos os lados querendo saber onde estava o tal oráculo, quando eu o vi. Uma múmia, sentada e encurvada perto da janela numa banqueta de madeira com três pernas. Ela não estava toda enfaixada. Era um corpo humano feminino todo ressecado até ficar só a casca. Estava usando um vestido de verão estampado, a pele do rosto era fina. Os olhos eram fendas brancas, e pareciam me seguir. Com certeza ela devia estar morta há muitos anos.

Não tive coragem de dar mais um passo. E se ela se mexesse? Foi quando ela fez o que eu mais temia: ela se mexeu. Endireitou-se na banqueta e abriu a boca lentamente. Meu coração estava para sair.

Uma névoa verde jorrou da boca dela como uma serpente gigante, dando voltas e voltas. Sons sibilantes estavam saindo da névoa, e dentro da minha cabeça, uma voz falou: Eu sou o espirito de Delfos, porta–voz das profecias de Febo Apolo, assassino da poderosa Píton. Aproxime-se, você que busca, e pergunte.

– Não obrigado, esqueci o que ia perguntar. – falei tremendo. Tentei sair de lá, mais o alçapão se fechou com uma batida. Olhei com medo para a múmia. Se ela quisesse me comer, já teria o feito. Andei forçado até ela e perguntei:

– Como faço para resgatar Israel?

A névoa verde rodopiou densamente em volta das mesas com os potes de vidros. Uma voz rouca falou:

Cinco irão para o Sul, até o grande navio.

Uma surpresa os aguardará, e do navio fugirás.

No nordeste Brasileiro você irá chegar.

O raptado se revoltará, e tentado tu serás, a destruir teus familiares.

Sem ajuda, falharás, e com meios-sangues desconhecidos voltarás.

Depois de ouvir atordoado, a ultima linha, a névoa foi se desfazendo e rodando de volta para a boca da múmia.

– O quê? Que surpresa? Por quem vou ser tentado?

Mas ela não respondeu. Fiquei olhando a névoa se dissipar e dando voltas até desaparecer na boca da múmia. Ela se reclinou novamente na banqueta. A boca se fechou. Tudo estava em silencio. Minha reunião com o Oráculo tinha se encerrado.