E Se fosse verdade?
17 Meu irmão tenta me matar.
Depois de descobrir que aquele garoto estranho era, mitologicamente, meu irmão, vocês pensariam que aceitei a noticia numa boa, e que fiquei feliz por ter mais um irmão. A verdade? Eu fiquei meio que... Desconfortável. Pode-se dizer assim. E eu soube como o Percy se sentiu por ter tido mais um irmão. Era uma questão meio difícil para aceitar.
Estávamos ainda perto da piscina, conversando com Igor, o estranho (que era meu irmão.).
– O que houve para você ter saído assim às pressas? – perguntou Annabeth.
– O que houve? – disse ele impaciente. – Eu estou tentando fugir. Óbvio. Acha que quero ficar aqui?
– Mas... cadê os monstros? – perguntei desconfiado. – Eles deviam estar aqui.
– Nossa. Você quer que eles estejam aqui? – perguntou Igor.
– Não, cara. – decidi mudar de assunto. – Ei! Você viu um garoto, assim, da minha altura. Pele parda e olhos claros? Cabelo espichado para cima?
Ele ficou pensativo.
– Não sei. – respondeu ele. – Vi vários meninos dessa forma.
– O nome dele é Israel. – disse Annabeth.
– Israel? – disse Igor surpreso. – Eu o conheço. Foi ele quem nos deu a ideia de fugir daqui. Cada dia tentávamos fugir. Ele ia nos dando novas ideias a cada dia.
Fiquei com o coração animado.
– Então... ele está aqui? – O rosto dele se tornou sério.
– Eu... não sei. Eu estava preso em uma cela lá embaixo do navio. Consegui escapar quando uma dracaenae abriu a cela, e eu a matei. – ele nos olhou ansioso. – O que estão esperando? Vamos fugir daqui.
– Não podemos. – disse-lhe Annabeth. – Já lhe disse que temos que resgatar Israel.
– Você poderia ficar conosco. – sugeri. – Pelo menos tome um banho em nosso quarto.
– Está dizendo que estou fedendo? – perguntou Igor.
– Sim.
– Ok. Só confirmando. Mas eu não vou ficar mais nem um minuto neste navio maldito. Acreditem em mim. Aqui é assustador.
– Eu acredito. – falei. – Mas eu tenho que fazer isso. Meu amigo está aqui.
Ele assentiu. O guiamos até o “nosso” quarto, e ele suspirou aliviado.
– Uma cama. Ah! – Igor se jogou em cima da cama onde estava Dandara.
– Ei. – sussurrou Annabeth. – Você vai sujá-la seu porco. Vá tomar banho primeiro.
– O quê? – disse Igor. Quando Dandara abriu os olhos e se deparou com ele na cama.
– Aaaahh! – ela gritou. – Quem é você? Seu tarado, o que está fazendo comigo em uma cama?
– Silêncio! – sussurrei. – Dandara, fale baixo. Ela saiu da cama rapidamente e veio até nós.
– Quem é ele?
– Um semideus que conhecemos. – disse Annabeth. – Ele está do nosso lado, e ele vai tomar um banho primeiro.
Igor revirou os olhos.
– Como vocês aguentam essa menina? Parece minha mãe. – ele foi em direção ao banheiro. Eu comecei a rir, mas então parei rapidamente quando notei uma coisa.
– Ele vai dormir com a gente? Tipo, na nossa cama?
Annabeth deu um sorriso brincalhão.
– Sim.
– O quê? Mas...
– Até que ele é bonito. – falou Dandara.
Olhei para ela.
– Você ainda deve estar com sono. – murmurei. – Volte a dormir.
Eu resmunguei e fui em direção à cama onde Percy e Grover estavam. Deitei, e quase no mesmo instante adormeci.
Em meus sonhos, ouvi novamente aquela voz grave e ancestral falando comigo. Minha pele se arrepiou totalmente.
– Você está tão perto da morte heroizinho, e não se dá conta disso. Vai ter uma bela surpresa nesse navio.– ela riu, o que soou bem sinistro. – Escolha se juntar a nós, e você será muito bem recompensado. Poderá comandar um grande exercito para destruir os deuses. Eles não se importam com você. Eles são infiéis e arrogantes. Pense bem garoto. Pense bem.
Acordei com um susto. Grover me balançava.
– Raphael, acorde.
Levantei-me sonolento.
– O... o que houve?
– Você estava murmurando: “Me deixe em paz” toda hora.
Eu olhei para Grover. Parecia que ele não havia dormido. Estava com uma cara de cansaço.
– Está tudo bem. – menti. – Cadê os outros?
– Eles estão lá fora. Venha, temos de ir rápido.
Andamos pelo o navio tentando não chamar atenção. Fiz umas apresentações rápidas, pois Percy e Grover ainda não conheciam Igor.
Várias pessoas normais estavam a bordo. Turistas com um sorriso estampado na cara indo em direção à lanchonete, a piscina ou ao convés inferior do navio.
– Que estranho. – falei. – Eu não havia visto essas pessoas aqui.
– Nem eu. – murmurou Dandara. Ela estava com as mãos em seu arco.
Passamos por umas mulheres que estavam lanchando, e percebi que elas pareciam zumbis. O olhar era distante e sem vida, como um robô. Elas conversavam, mas não demonstravam qualquer sentimento.
– Isso é tão estranho. – disse Dandara olhando em volta.
Quando de repente, vimos duas dracaenae andando pelo o navio. Estar perto delas me fez tremer de medo. Peguei meu mini celular e pensei em puxar a antena.
– Ainda não! Você quer que elas venham atrás de você? – disse Percy rudemente. Eu fiquei atônito.
– Calma cara. O que houve?
– Percy, você está bem? – perguntou Annabeth.
Ele não teve tempo para responder. As duas mulheres-serpentes nos avistaram. Elas sibilaram e avançaram para cima da gente.
– Ah, que droga! – exclamou Igor.
Ele sacou suas duas espadas. Dandara puxou uma flecha e atirou em uma, mas ela desviou com seu escudo.
– Corram!
Assim que nos viramos para trás, esbarramos em uns turistas. Eles reclamaram aborrecidos. Empurramos um deles para o lado e seguimos em frente.
– Por aqui. – Igor nos chamou. Descemos umas escadas para a parte inferior, e continuamos correndo, mas não por muito tempo. Um ciclope gigante interceptou o nosso caminho. Ele sorriu e sacou um machado enorme.
– Algum plano? – sugeriu Percy. Dandara atirou mais uma flecha que fez um som agudo ao ser disparada.
– Tapem os ouvidos! – gritou ela. Quando a flecha atingiu o monstro, um som terrivelmente alto ecoou pelo o navio inteiro. Alguns turistas caíram no chão. Outros se batiam um no outro. O ciclope caiu de joelhos com as mãos nos ouvidos.
– Agora! – gritei. Juntos, atacamos. Percy sacou sua espada, pulou sobre o monstro e o atingiu nas costas. Ele gemeu de dor. Igor nos deu um tempo o atingindo nas pernas. O monstro berrou maldições em grego antigo para a gente. Mas infelizmente, o alvoroço chamou mais atenção dos monstros.
– Temos que nos separar. – disse Annabeth. – Cada um vai para um lado e tenta encontrar Israel.
– O quê? – disse Percy. – Não, é perigoso de mais.
Uma flecha atingiu o chão perto da gente. Cães infernais, ciclopes e Lestrigões vinham ao nosso encontro. Separamo-nos. Grover e Dandara foram para um lado. Annabeth e Igor para o outro. Percy e eu ficamos parados no lugar.
– Então, para onde? – perguntei.
– Não sei. – disse ele. – Por que não foi com Annabeth? Você e ela se dão muito bem.
– Hã? – eu não estava entendendo nada. – Cara aqui não é um lugar legal para conversar.
Saímos correndo para a parte de cima do navio.
– Peguem-nos! – berrou um Ciclope.
Nos desviamos de turistas e monstros. Mas cinco deles nos encurralaram.
– hehe! Hora do almoço! – rosnou um lestrigão grande.
Ele atacou. Desviei um de seus golpes. Percy o chutou na canela, mas duvido que isso tenha doído. Recuamos para a beira do navio. Um cão infernal pulou sobre mim, mas desferi um golpe com minha espada, e ele se dissolveu.
– Eu sei que você gosta dela! – gritou Percy durante a luta. – Eu vi vocês se beijarem!
Eu fiquei tão surpreso que uma mulher-serpente me atingiu com os seu escudo no rosto. Eu caí.
– Bem feito. – disse Percy, enquanto apunhalava um lestrigão na barriga. – Isso é por ter pegado a menina dos outros.
A mulher-serpente tentou me espetar com sua lança, mas rolei para o lado e me pus de pé. Eu estava sangrando.
– Pegado a menina dos outros? – perguntei totalmente confuso. Cortei a haste da lança de uma dracaenae, e atingi nas costas aquela que me derrubara. Ela se evaporou em poeira amarela.
– Olhe, se você está com ciúme, à culpa não é minha. – disse eu, ficando irritado. – Ela que me beijou seu babaca.
– Ah é? – disse Percy. Ele ignorou um monstro ao lado dele e avançou contra mim fazendo um corte em meu braço.
– O que está fazendo? – gemi de dor. A raiva agora estava crescendo dentro de mim. – Então quer brigar não é?
Avancei para cima de Percy com tudo. Ele bloqueou minha espada, mas lhe chutei na barriga. Até os monstros ao nosso redor pareceram gostar do que estavam vendo. Eles formaram um circulo ao nosso redor e começaram a gritar e a rugir de prazer. Posso jurar que ouvi um pedindo para trazer a pipoca e o refrigerante.
– Não sei como você pode ser filho de Poseidon. – rosnou Percy.
– Eu digo o mesmo. – retruquei.
Ficamos atingindo e defendendo cada golpe um do outro, quando Percy me golpeou nas costelas com a parte chata da espada. A dor foi tão grande que uma raiva descomunal percorreu pelo o meu corpo. Uma nova energia estava nos meus membros. Fiz uma coisa bastante estúpida. Eu empurrei Percy com toda a força para fora do navio. Ele teria caído sozinho, mas me agarrou pela a blusa, e juntos, caímos no mar.
Fale com o autor