E Se fosse verdade?
3 Meu amigo vira um bode.
Notas iniciais
Saímos da escola e fomos direto para a minha casa. Não sei por que, mas Grover me disse que precisava avisar minha mãe sobre uma coisa. Não sabia como ele a conhecia, ou o que ele tinha que avisar a ela.
Fomos correndo com nossas mochilas, e percebi que Grover corria rápido. Ele não estava mais mancando, ele corria normalmente, só que muito mais rápido que nós dois.
Chegamos a minha casa e abri a porta.
– Mãe! – chamei. – A senhora está ai?
– Já vou! – respondeu ela. Ela veio enxugando as mãos. – O que houve?
Ela parou quando viu Grover.
– O que aconteceu? – disse ela com emergência.
– Raphael conte a ela. – falou Grover pra mim. – Rápido.
– Não! É bobagem. – Falei.
– O quê? – disse minha mãe.
– Sobre o monstro. – disse Grover.
Minha mãe arregalou os olhos.
– Raphael Victor conte-me agora! – ela falou num tom alto. Eu gaguejei algo sobre Cachorro gigante e Professor monstruoso. Ela ficou me olhando. Os olhos fitos em mim o tempo todo. Depois, Israel contou o que tinha acontecido com ele também. Minha mãe ficou com uma expressão assustada.
– Não! Não pode ser... eu... pensava que não podia acontecer. – Ela começou a chorar.
– Mãe o que foi? – Eu disse chegando perto dela. – O que não podia acontecer?
– Sra. Miller temos que ir! – disse Grover. – Não podemos mais ficar aqui. Tenho que levá-lo.
– Levá-lo? Pra onde? – perguntei.
– Para um lugar a salvo desses monstros. – falou Grover. – Temos que ir agora!
– Meu filho, olhe, não queria que você fosse pra lá! – disse minha mãe com tristeza. – Não queria que fosse mais é lá que você estará a salvo de tudo isso. Aqui não é mais seguro. Eles descobriram quem você é.
Minha mente estava girando. Minha mãe não queria que eu fosse para lá.Não sabia onde era esse “lá”.
– Mãe você também vem? – perguntei. Ela lançou um olhar de tristeza.
– Você tem que vir! – falei.
– Não posso ir querido! É muito perigoso para mim. Vá com Grover. Ele vai guia-los até a ajuda.
– Mas e você? – Eu disse agora ficando com medo.
– Eu ficarei bem aqui. Mas você não. Quando chegar lá, ache um jeito de falar comigo. – Eu não queria deixa-la, mas ela estava falando com muita seriedade. Tinha que acreditar. Dei um último abraço nela, e saímos.
Corremos em direção a uma parada de táxi. Chamei um e entramos. Israel entrou primeiro, depois eu e por ultimo Grover.
– Para onde? – perguntou o taxista.
– Long Island. – respondeu Grover. O taxista deu uma marcha ré para trás, e depois acelerou para frente.
– Nós não temos dinheiro. – sussurrei para Grover.
– Não se preocupe eu tenho.
– Afinal que lugar é esse? – perguntou Israel finalmente. – Por que precisamos ir para lá?
– É muito difícil de explicar agora. – falou Grover. – É um acampamento de verão para pessoas especiais. Quando chegarmos, eu explico.
– Pessoas especiais? Tipo, deficientes e doentes mentais? – perguntei. Por que, sério, quando falam em pessoas especiais, me vem isso na mente.
– Não. Não é. – murmurou Grover.
Continuamos a viagem num silêncio total. Carros passavam por nós. Caminhões buzinavam na rua. Fiquei entediado, e comecei a mexer em meu celular.
–NÃO! – exclamou Grover. Eu quase derrubo o celular. – Desligue isso! Não podemos usar celulares. – Ele pegou e desligou.
– Por que não? – disse eu ficando irritado. – Não se pode fazer mais nada agora?
– É para o seu bem. Olhe, se vocês usarem celulares, os monstros que vocês enfrentaram irão nos encontrar em um instante.
Pareceu um bom argumento para desligarmos nossos celulares. Ficamos conversando sobre as coisas que estavam acontecendo, quando me lembrei de uma coisa.
– Quem foi que colocou aquela faca na minha mochila?
– Eu não fui. – disse Israel erguendo as mãos.
– Ahn... Acho que fui eu. – disse Grover embaraçado.
– Você achaque foi você? – perguntei.
– Digamos que eu sabia que algo de ruim ia acontecer com você. – ele falou. – Por isso, para prevenir você, coloquei a faca.
– Você é vidente? – perguntou Israel.
– Claro que não.
– E então?
Ele silenciou. Pensei que eu estava pressionando ele demais.
Assim que chegamos, já estava escurecendo. Grover pagou o taxista, e ele se foi. Andamos apressadamente, passando por árvores e grama alta. O sol já estava se pondo deixando o céu alaranjado. Ainda estávamos com a farda da escola e nossas mochilas. De repente, senti que algo estava errado. Talvez fosse só uma sensação, mais Israel também estava olhando para trás desconfiado.
– Tem algo errado. – disse ele.
– O que? – perguntou Grover.
– Não sei, mas estou sentindo que algo esta errado.
– Vamos andando, estamos quase chegando. – disse Grover
De repente, ouvi o rosnado de novo. O mesmo rosnado que ouvira da primeira vez. Os pelos do meu braço ficaram em pé. Minhas pernas bambearam.
– Não, de novo não. – eu sussurrei. – Vamos correr!
– Correr? Estou cansado de correr! – falou Israel num tom cansado.
Nesse momento, as arvores atrás de nós começaram a cair. Alguma coisa estava se agitando, em nossa direção.
– Vamos correr! – gritou Israel.
– Ótima ideia! – Eu disse, olhando para trás. Começamos a correr em disparada, e então, um ser gigante saltou de entre as arvores. O mesmo cachorro que me atacara antes estava aqui, correndo, em nossa direção. Como? Eu me perguntei. Eu não tinha matado ele? Mas não importava, por que ele estava vivinho agora. Que estranho.
– Me sigam! – gritou Grover. – Corram para onde eu for! – Então as coisas ficaram ainda mais estranhas. Grover começou tirar a sua calça jeans.
– O que esta fazendo? – Israel exclamou. – Pra que esta tirando as calças agora?
– Cara, você não vai conquistar esse cachorro com... – eu me interrompi. Eu não acreditava no que estava vendo. Grover tinha tirado suas calças, e depois tirou os sapatos. Eu jurava que estava ficando louco, ou estava tendo alucinações, ou então estava ficando bêbado. Por que, os pés dele... eram... cascos fendidos. E da cintura para baixo ele era um animal.
– Aaaahh meu Deus! – berrou Israel olhando para Grover. – Você é um mutante!
– Não sou! Depois explico, continuem correndo! – O cachorro infernal estava agora quase nos alcançando. Grover corria rápido com seu traseiro peludo se mexendo.
– Lá! – Ele apontou para uma colina grande a nossa direita. – É para lá que devemos ir!
– Na hora! – berrei. Juntos, nós três dobramos e começamos a chegar ao pé da colina. Mas de repente, algo passou voando por nós. Algo rápido e grande, batendo asas enormes, e pousou no meio da colina.
– Essa não! É ela! – gritou Israel.
– Ela quem? – perguntei.
– A mulher que se transformou em um monstro, quando eu ia para casa.
Rapidamente, peguei minha faca na mochila, e segurei na mão.
– Pois ela vai voltar de onde veio! – falei. A coisa grande e feia voou em nossa direção.
– Ah não! Uma Fúria! – gritou Grover. Eu me lembrava desse nome. Era uns dos monstros gregos que o sr. James citou.
– Uma Fúria? Aquela da historia grega? – perguntou Israel. A Fúria sibilou, pairando acima de nós. O Cachorro infernal estava atrás, parado e rosnando. Ficamos no meio, entre a Fúria e o Cachorro. Olhei para ele, e notei que não era o mesmo que me atacara. Esse que estava aqui era cinza, enquanto que o outro era todo preto.
– Eu disse a você querido – sibilou a Fúria para Israel – Você irá morrer antes de chegar a este acampamento miserável.
Então eu notei um grande pinheiro no alto da colina. Como a gente conseguiria chegar até lá?
– Deixe a gente em paz! – gritei pra ela.
A Fúria gargalhou.
– Esse é o meu trabalho garoto, não deixar vocês em paz.
Estava agora escuro. Eu estava com fome, cansado e doído. Como eu poderia enfrentar dois monstros de uma vez?
– Seu trabalho irá acabar hoje. – eu disse.
Ela sibilou e avançou pra cima de mim. De repente meus sentidos ficaram mais aguçados. Sabia o que fazer. Desviei para o lado e tentei cortar sua asa, mas ela era rápida. Israel correu em direção ao grande pinheiro, o Cachorro infernal o seguiu. Grover pegou um pedaço de bambu da sua mochila e começou a soprar. Não... ele não estava soprando, estava tocando. Ele fazia notas de musica com o bambu. E a grama começou a envolver o Cachorro. Ele rosnou e mordeu a grama que estavam envolvendo suas patas.
A Fúria deu o bote pra cima de mim, eu rolei no chão, suas garras quase arranham minhas costas, e corri para o grande pinheiro.
Grover tocava uma musica estranha. Raízes e gramas envolviam as patas do Cachorro gigante. Israel continuava correndo. Mas parou quando viu que eu estava precisando de ajuda. A Fúria me seguia voando, e eu corria o máximo que podia. Ela avançou de novo, e quando ergui minha mão com a faca, ela me pegou pelo braço e me levou. Ela me tirou do chão, e voou alto, comigo pendurado.
– aaaaahh! – gritei.
– Que tal você experimentar voar também? – ela disse rindo. – Mas voar para baixo.
Israel estava embaixo de mim, e tive uma ideia. Larguei a faca, e ele a pegou. Grover estava tocando, e andando em círculos ao redor do Cachorro. As Raízes agora estavam grossas, e envolvendo ele quase a altura do pescoço. Israel correu na direção do bicho gritando e fez um corte na coxa dele. O monstro logo se desintegrou. Pelos restavam do animal. A Fúria rosnou de raiva.
– Boa sorte! Vamos ver se você voa. – e me soltou. Israel gritou.
Nos segundos em que caía, pensei em minha mãe. Ela ficaria sem o seu filho para sempre. Mas de repente, minha queda ficou devagar. Parecia que o vento estava criando um chão embaixo de mim. Mas parou de repente, e eu despenquei. Caí na grama de costas. Minha cabeça girava. Meu corpo estava totalmente machucado e dolorido. Não conseguia mais me levantar. A Fúria rugiu de indignação.
– Minha promessa não foi para você – ela olhou para Israel. – Era você quem ia morrer. – E voou para cima dele. As garras a mostra. Ele correu, e eu tive uma ideia.
– Israel! Jogue a faca pra mim! – Ele jogou. A faca rodou no ar e caiu perto de mim. Fiz força para ficar de pé. Israel estava agora correndo em minha direção com a Fúria rindo atrás dele.
– Se abaixe! – gritei pra ele. Ele se jogou no chão e assim que a Fúria foi fazer ele em pedaços com suas garras, joguei a faca na direção dela. Ela não teve tempo de se desviar. A faca rodopiou no ar e cravou-se na barriga dela.
–Aaarrgghh! – ela berrou e explodiu em poeira amarela. Tudo ficou em silencio. Deitei na grama. Meus membros pareciam chumbo.
Depois disso, senti Israel me levando, com o meu braço em volta dele, ao topo da colina. Vi uma casa de fazenda grande, com luzes acesas, o grande pinheiro do nosso lado esquerdo. Um homem de cadeira de rodas estava vindo em nossa direção, então apaguei.
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