E Se fosse verdade?

29 Jantamos em uma caverna


Notas iniciais
Iai galera! Prontos para mais um capitulo? :)

Uma dica: Se você estiver andando por um labirinto, e encontrar garotas usando jaquetas surradas, calças rasgadas e armadas com arco e flecha, saia correndo gritando por ajuda – quer dizer, se der tempo, claro.

Aquela tal de Khamis nos guiou pelo o labirinto com a maior facilidade. Entramos em túneis, saímos de túneis e dobramos algumas curvas. Estar perto daquelas garotas me dava um arrepio na espinha. Seria melhor estar numa luta contra monstros e gigantes canibais.

Marcos e Stefferson gemiam por causa das flechas que ainda estavam cravadas em seus braços. O sangue estava secando em suas blusas. Khamis fez um sinal para que a gente parasse, mas eu não tinha visto, e esbarrei contra ela.

– Cuidado seu tolo. – ralhou ela.

– Ah, desculpe. – disse eu. – Eu... não prestei atenção.

Ela revirou os olhos. Havia uma porta á nossa frente. Ela girou a maçaneta e a abriu. A luz que saiu lá de dentro foi tão forte que eu quase fiquei cego. Demorou alguns segundos para ver direito o que havia lá, mas as garotas nos empurraram para frente para que entrássemos.

Quando entramos, Grover disse:

– Nossa!

Era uma caverna. Uma caverna enorme. Não entendi como aquilo poderia caber embaixo da terra. As paredes eram enfeitadas com pedras cristalinas, flores lindíssimas e varias outras pedras de cores variadas. Havia um lago no centro da caverna, e varias garotas se banhavam nele. Outras praticavam tiro ao alvo com arco e flecha. Percebi que haviam alguns cômodos separados. Banheiros, quartos e uma sala de jantar.

Olhei para o teto, e vi estalactites pendurados lá em cima. Fiquei um pouco receoso com aquilo.

– Vamos! – chamou Khamis. – Vocês precisam de um bom banho antes de tudo.

Ao ouvir aquilo, fiquei aliviado. Um banho. Era tudo o que eu queria.

– Esse lugar é de mais! – disse Percy. – Olhe quantas garotas tem aqui...

– E a Annabeth? – falei.

– Hã... o que é que tem ela? Eu estava só olhando as garotas daqui. Puxa!

– Eu sei cara. – sorri. – Só estava brincando.

De repente Khamis se pôs no meio de nós dois.

– Chega de conversar! Vão logo para o banheiro seus garotos imundos.

– Ei! – protestou Percy. – Estamos fedendo tanto assim?

Khamis deu uma olhada feroz para ele.

– Hã... ok. Estamos sim. – concluiu.

Fomos para a onde ficava o banheiro, e logo todos tomamos banho. Stefferson e Marcos estavam sendo cuidados por causa das flechas em seus braços. Khamis deu ordem a algumas garotas para nos mostrar o quarto, para que pudéssemos trocar de roupa. E o estranho era que as roupas cabiam em mim.

Não sabia que horas eram, já que estávamos em um labirinto debaixo da terra, mas acho que já era hora do jantar.

Seguimos as garotas e nos sentamos á mesa que era comprida e larga. Varias outras garotas entraram e se sentaram para o jantar. As cadeiras eram de madeira, assim como a mesa. Havia bandejas cheias de frutas, pão e churrasco. Garrafas de refrigerante estavam espalhadas em cima da mesa.

As garotas falavam, riam e conversavam, quando Khamis se pôs de pé e chamou a atenção de todos.

– Bem, primeiramente quero parabenizar a nossa fiel arqueira, Kathy, por conseguir passar em todos os testes que lhe foi dada. Sendo assim, você entrou para a nossa equipe de missões.

Aplausos se ergueram. A garota, Kathy, se levantou e se inclinou para Khamis.

– Obrigada, senhora. – agradeceu ela.

Israel murmurou ao meu lado:

– Quanto tempo nós vamos ficar aqui?

– Não sei. – respondi. – Mas temos que fugir.

– Outra coisa. – acrescentou Khamis. – Achamos esses turistas vagando pelo o labirinto. – ela apontou para nós.

– Hã... mas nós não somos turistas. – disse Dandara. A garota que estava perto dela lhe deu uma cotovelada.

– Cale-se. – disse ela. – Ela ainda não terminou de falar.

– Quem é você para me bater? – Dandara levantou-se.

– Hã... Dandara sente-se. – disse Israel. – Quer levar uma flechada?

– Não estou nem ai se elas sabem atirar flechas! – exclamou ela. – Eu também sei. Sou filha de Apolo.

De repente todas se moveram, inquietas. A garota que estava perto de Khamis olhou para ela e murmurou alguma coisa. Khamis balançou a cabeça.

– Silencio! – disse ela. – Não vou tolerar desordem aqui. – Khamis olhou para Dandara com certo receio. – Vou conversar com esses prisioneiros mais tarde. Por enquanto, vamos comer.

Todas começaram a se levantar e a pegar a comida das bandejas. Achei melhor eu fazer o mesmo antes que eu ficasse sem comida. Percy chegou do meu lado e disse:

– Essas garotas se parecem com as caçadoras.

– Caçadoras? – franzi a testa.

– Sim. É um grupo de meninas donzelas que saem por ai, recrutando qualquer menina que elas verem.

– Nossa! Ainda bem que não sou uma menina.

Percy sorriu. Pegamos nossos pratos, e eu já estava começando a colocar algumas frutas e churrasco dentro, quando Khamis segurou meu braço.

– Quero falar com vocês em particular.

A voz dela era tão séria que eu pensei que estaríamos ferrados se nós fossemos para aquela conversa.

– Ok. – falei fracamente.

Nos sentamos e começamos a comer. Eu estava preocupadíssimo. Era para a gente estar indo para o acampamento, para impedir que o exército de Cronos invadisse e destruíssem tudo. Mas como faríamos para sair dali?

Olhei para o lado e notei Israel e outra garota se encarando. A garota piscou para ele, e ele devolveu isso com um sorriso.

Achei aquilo muito suspeito.

***

Depois do jantar, as garotas nos guiaram para o nosso quarto onde poderíamos ficar. Uma delas olhou para Beatriz e Barbara.

– Venham. – chamou ela. – Khamis mandou ter uma conversa com vocês.

– Com a gente? O que houve? – perguntou Barbara nervosa.

– Não houve nada. Venham conosco.

Elas saíram seguindo a garota arqueira.

– Bem... O bom é que temos um quarto para dormir. – disse Marcos feliz da vida.

– Não podemos dormir. – disse Percy. – Temos que fugir daqui. Tentar chegar ao acampamento.

– Como vamos fugir? – perguntou Stefferson.

Eu estava tentando ter alguma ideia, quando Khamis entrou em nosso quarto.

– Ei! Não sabe bater? – resmungou Percy.

Ela chegou perto dele.

– Quer mesmo descobrir se eu não sei bater? – ameaçou.

– Hã... Está certo. Chega de ameaças. – falei, timidamente.

– Quero falar com vocês. – murmurou ela. – Os outros podem sair.

– Sempre temos que sair. – reclamou Marcos, mas obedeceu mesmo assim. Stefferson olhou para nós e saiu.

– Quem são vocês? – perguntou.

Agora que ela estava mais perto, vi o rosto dela mais detalhadamente. Os olhos eram cor de mel. O rosto era limpo e bem cuidado. Os cabelos eram lisos e muito bonitos. Se não fosse por causa da jaqueta preta surrada, e as calças rasgadas, ela seria bonita.

– Hã... eu sou Percy, e este é o Raphael.

– De onde vocês são?

– Do Acampamento Meio-Sangue. – falei.

Ela franziu a testa.

– O que é isso?

– É um acampamento para semideuses.

– Semideuses? – ela parecia nervosa. Ficou pensativa por um momento. – Então eles existem de verdade?

Olhei para Percy.

– Claro que sim. Por quê?

– Eu sempre pensei que os deuses não tinham mais filhos semideuses. – disse ela. – Aquela sua amiga é de fato filha de Apolo?

– Dandara? Sim, ela é. – respondeu Percy.

– Isso é ruim.

– Por quê?

– Há alguns anos atrás, capturamos um garoto que dizia ser filho de Apolo. Não acreditávamos nele, até ele lançar uma maldição sobre nós. Foi uma época muito ruim.

– Ah. – disse Percy.

– E vocês? São semideuses também? – perguntou ela.

– Sim. – falei. – Nós somos filhos de Poseidon.

Khamis recuou um passo.

– Filhos de um dos Três Grandes?

– É, eu sei. – resmungou Percy. – Não era para estarmos vivos.

– Exatamente. – assentiu Khamis.

Foi nesse momento que tive uma ideia para escapar dali. Uma ideia que, se desse certo, sairíamos dali em segundos.

– Foi um bom papo, mas eu estou muito cansado. – murmurei, me espreguiçando.

– Amanhã conversamos mais. – disse ela. – Tenham uma boa noite.

– Obrigado.

Quando ela saiu, imediatamente contei meu plano para Percy.

– Será que dará certo? – murmurou.

– Tem que dá. Não podemos ficar aqui.

– Então... é só esperarmos todos aqui dormirem. – Percy fez cara de quem estava tramando um plano maligno.

– Sim, mas temos que ser rápidos. – Lembrei-o. – Ou então estará tudo perdido.