E Se fosse verdade?
30 Revemos velhos amigos
Quando todas as garotas do local haviam ido para os seus quartos, Percy e eu saímos de fininho.
Primeiro, olhei para ver se não havia ninguém andando pela a caverna. Depois, Percy teve a ideia de nos disfarçarmos para o caso de alguém nos pegar. Então vestimos um manto longo com capuz, que cobria tudo, e saímos de fininho.
– Como vamos chamar os outros? – sussurrei.
– Não sei. Mas temos que tentar. – disse ele.
Estávamos passando por perto do lago, no centro da caverna, quando uma voz quase me fez pular de susto.
– Quem são vocês? – perguntou em tom de ameaça.
Meu coração bateu em disparada. Não estava saindo como o planejado. Virei-me, tentando não mostrar o meu rosto embaixo do capuz. Eu reconheci a garota. Era Kathy, e ela estava armada, apontando sua flecha em nossa direção. Desejei ter alguma ideia, mas não precisei, por que Percy cuidou disso.
– Somos os mensageiros dos deuses. – disse Percy com a voz grave.
– Sim. – completei, no mesmo tom de voz.
– O mensageiro dos deuses não é Hermes? – desconfiou ela.
– Hã... bem... sim. – gaguejou Percy. – Mas dessa vez, Hermes nos mandou. Quer ouvir a mensagem?
Kathy estava olhando para nós desconfiadamente, mas assentiu.
– Hermes nos manda dizer que... aqueles prisioneiros que vocês capturaram, tem de ser soltos.
– O quê? – perguntou ela. – Por quê?
– Não faça perguntas garota. – repreendi. – Apenas ouça a mensagem dos deuses. Se eles não estiverem aqui pela manhã, é por que... Zeus os ajudou a fugir.
– Zeus? – ela empalideceu.
– Sim. Vocês prenderam um filho de Zeus aqui. – continuei. – Então...
– Espera. Como vou saber que vocês são mesmo enviados dos deuses? – perguntou ela.
– Hã... – eu estava prestes a gritar para ela: Cuidado, atrás de você! Só para despistá-la, quando Percy se virou e direcionou as mãos para o lago. A água começou a subir, formando um muro. Eu me concentrei também, e não sei como, mas eu fiz com que a água inteira se transformar-se numa espécie de bolha gigante. Uma bola enorme de água. Percy olhou pra mim fazendo uma careta.
– Bem... Viu como somos enviados. – disse eu. Tentei fazer com que a água voltasse normalmente para o seu lugar, mas acho que eu não era muito experiente nisso, e acabei fazendo com que ela se espalhasse pra tudo quanto é lado.
– Por que fizeram isso? – ela colocou as mãos na cabeça. Eu me senti muito mal por isso, mas não foi por que eu quis. Percy disse:
– Bem... isso foi pra vocês não capturarem mais um filho de Zeus. – Nos viramos e saímos de cabeça baixa.
– E os outros? – sussurrei.
– Espera. – retrucou Percy. Abrimos a porta da caverna e saímos. – Ufa! – suspirou ele.
– Será que ela ainda está ali? – perguntei.
Percy deu uma espiada.
– Não. Ainda bem. Vamos chamar os outros.
De repente, a ponta de uma espada pousou no pescoço de Percy. Arquejei, e já ia pegando meu mini celular, mas outra lâmina encostou nas minhas costas.
– Hã... Acho que estamos encrencados. – disse eu.
– Muito bem... Podem ir falando. Quem são vocês? – perguntou alguém atrás de mim. Aquela voz mexeu com as minhas emoções. Meu coração começou a acelerar de alegria. Não podia ser...
– Annabeth?
Um silêncio absoluto.
– Como você me conhece? – perguntou ela.
– Annabeth? – Percy deu um sorriso que provavelmente chegou à altura de suas orelhas. Ele tirou o capuz rapidamente.
– Hã... – ela ficou sem fala por um instante. – Pe-Percy?
– Percy? – disse outra voz, que reconheci num instante.
Virei-me, e tirei meu capuz.
– Raphael? – Ela recuou um passo. Seus olhos estavam com uma expressão selvagem. Seu cabelo loiro estava assanhado, suas roupas cheias de terra. Ao lado dela estavam Igor e Matheus.
No segundo seguinte, foi o momento dos abraços. Annabeth me abraçou até eu ficar sem ar. Abracei-a também, me sentindo ótimo. Eu não conseguia acreditar naquilo. Eles estavam vivos.
– Iai cara! – disse Igor, me abraçando como um urso. Suas roupas estavam chamuscadas, com buracos. Abracei Matheus também, que estava com a cara suja de terra. Annabeth saltou sobre Percy, e o beijou. Eu não queria, mas senti um pouco de ciúmes. Tentei esconder esse sentimento tolo.
– Caraca! Pensei que vocês tivessem morrido. – disse Igor.
– E nós pensávamos o mesmo. – falei, sorrindo.
– Estou tão feliz que vocês estão vivos. – disse Annabeth segurando o choro. Ela me abraçou novamente, mas depois me olhou nos olhos e gritou:
– ONDE VOCÊS ESTAVAM?Passamos horas procurando por vocês, e nada!
– A gente... conseguiu escapar. – murmurei.
– E vocês? – disse Percy emocionado. – Como saíram do navio?
– Bom, foi um trabalho em equipe. – sorriu Matheus. – Foi Annabeth que provocou as explosões. Lá havia duas caixas de dinamite. E outra de fogo grego.
– E graças ao Igor, conseguimos sair pelo o buraco que se formou por causa da explosão. – continuou Annabeth. – No inicio, eu e Matheus estávamos morrendo afogados, mas Igor nos salvou.
– Não foi nada. – disse ele.
– Mas, e os outros? – perguntou Annabeth. – Onde estão?
– Bem, era isso que íamos fazer. – disse Percy. – Estávamos nos preparando para busca-los. Eles estão atrás dessa porta.
– E o que há atrás dessa porta?
Percy abriu-a, e Annabeth ficou de queixo caído.
– Ah, meus deuses. É lindo!
– Que lugar é esse? – murmurou Igor.
– É onde moram umas garotas que se autodenominam “Protetoras do Labirinto.”. – falei.
– Protetoras do labirinto? – perguntou Matheus.
– É. Elas nos capturaram quando estávamos andando por aqui. Então nos trouxeram para cá.
– Como vocês entraram no labirinto? – quis saber Percy.
– Eu vi uma passagem, e reconheci. – contou Annabeth. – Então...
– Ok. Conversamos depois. – interrompi. – Mas precisamos chamar os outros.
– Eu vou. – disse Annabeth com firmeza.
– Não! – retrucou Percy. – Você não sabe onde eles estão. Vai ser mais difícil para achar.
– Então eu vou. – decidi. – Temos que ser rápidos. Tomara que ninguém me veja.
Fui andando, mas Annabeth me deteve.
– Tome, leve isso. – ela me deu seu boné dos Yankees. – Isso o deixara em segurança.
Sorri para ela, e peguei o boné.
– Lá vou eu.
Quando o coloquei, não senti nenhuma força mágica, ou algum trovão assustador. Olhei para as minhas mãos, e não vi nada. Andei alguns metros adentrando a caverna, e fui em direção aos quartos das garotas.
Todas elas estavam dormindo em beliches. Havia, ao todo, uns vinte, enfileirados de ambos os lados do quarto. Olhei, e vi Barbara e Beatriz dormindo em um beliche. Entrei no quarto. Algumas garotas dormiam com ursinhos de pelúcia. Outras roncavam enquanto dormiam.
Fiquei em frente ao beliche delas, e sacudi Barbara levemente.
– huumm... – disse ela sonolenta. Sacudi um pouco mais, e ela abriu os olhos. – Hã... o que foi?
Ela olhava ao redor, tentando ver quem a acordara. Eu pensei que, se eu falasse com ela estando invisível, ela daria um grito, e assim, o nosso plano iria ao fim. Então tirei o boné.
Barbara arquejou.
– Calma, calma. Não grita. – sussurrei, tampando a boca dela. – Sou eu, Raphael.
– Como... Como... – ela tentou falar.
– Não há tempo. – continuei. – Temos que sair daqui. Chame sua irmã.
Ela assentiu. Coloquei o boné e saí. Estava tentando saber onde estaria Marcos e Stefferson. Fui no “nosso” quarto... nada. Fui à sala de jantar, mas nada. Fui ao banheiro, mas antes de abrir a porta, escutei uns barulhos. Vozes gemendo, rindo e fazendo som de frustração.
Arregalei os olhos, por que as vozes eram de Stefferson, Marcos e Dandara.
Bem... Não pude deixar de pensar besteira, por que esses sons de gemidos e risos vindos de um banheiro... é meio suspeito.
Respirei fundo. Toquei a maçaneta da porta e girei. Dei uma espiadinha, mas não vi nada. Mais gemidos vinham de dentro. E pude ouvir Marcos sussurrando: “Vai, vai, vai! Entra!”. Meu queixo caiu. Entrei no banheiro e assim que olhei para o lado, eu vi Marcos, Stefferson e Dandara... sentados juntos... jogando um jogo de corrida no celular.
Um alívio percorreu meu corpo. Queria rir, mas falei:
– O que estão fazendo?
Eles deram um grito.
– Cara, quase que você nos mata de susto. – murmurou Marcos.
– Pensei que era a tal daquela Jenny. – resmungou Dandara.
– Escutem! Vamos sair daqui. – falei. – Venham!
– Sair... tipo, de verdade? – sorriu Marcos.
Afirmei. Eles se levantaram animados. Quando eu abri a porta para eles passarem, dei de cara com Khamis.
– Opa! – sussurrou Stefferson.
– O que estão fazendo aqui? – perguntou ela.
– Hã... bem... – tentei falar. – Estávamos brincando no celular.
Ela apontou sua flecha para mim.
– Está mentindo. Eu ouvi o seu plano de querer fugir daqui.
– Fugir? – tentei me fazer de lerdo (o que eu já faço naturalmente.).
– Não adianta fingir. – disse ela. – Ouça bem: Vocês não irão sair daqui!
Ela levou um apito à boca, e soprou. O som foi estridente e alto. Foi quando eu ouvi o som de todas as arqueiras se acordando, se preparando para a luta.
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