E Se fosse verdade?
22 Eu brinco de toureiro
Notas iniciais
– aahhhh! – Era o único som que eu ouvia enquanto caía.
O rio veio em minha direção como um raio. No segundo seguinte: Buumm! Uma centena de bolhas. Acho que o rio não era tão fundo quanto eu pensava, porque bem na hora bati minha cabeça no fundo. Fiquei atordoado por um momento. Vi pedaços da ponte afundando perto de mim.
Senti o rio me levando. A correnteza me empurrando para desaguar na lagoa. Quando voltei à superfície, vi o gigante vindo em minha direção. Rapidamente, comecei a nadar para longe dele. Estava querendo saber onde estavam meus amigos.
Entrei na lagoa, e vi que eles já estavam lá. Nadando para chegar à beirada.
– Hehe! – riu o gigante para mim. – Você morre primeiro. – ele me pegou com sua mão gigante.
– Me larga seu idiota! – gritei.
– Ok. Vou lhe largar. – falou ele. E me jogou para longe, o mais longe que ele pôde. Em questão de segundos o gigante era uma figura minúscula ao longe. O vento assobiando por trás de mim. E depois Buumm! Novamente.
Eu já estava cansado de ser atacado por monstros. Já havia chegado ao limite. Uma raiva começou a crescer dentro de mim. Nesse instante, quis matar aquele gigante com as minhas próprias mãos.
Nadei a superfície. Meus amigos estavam ao longe, lutando contra aquele estúpido. Concentrei-me, e desejei que uma onda se erguesse. Nesse momento a água começou a subir sob os meus pés, e no segundo seguinte eu estava sobre a crista de uma onda de cinco metros. Direcionei a onda ao gigante. Era como surfar, só que sem ter prancha. Vi o gigante pegar Annabeth e se preparar para jogá-la.
– aaahh! – gritei. Pulei de sobre a crista da onda em direção à mão dele. Por sorte, consegui livrar Annabeth da mão e cair na água. No minuto seguinte uma parede de água o atingiu na cara.
Ele se debateu e tossiu.
– Argh! Vai me pagar por isso! – berrou ele.
– Quanto? – provoquei.
– Esse gigante está começando a me aborrecer. – murmurou Dandara.
Ela pegou uma flecha e atirou em direção a ele. O gigante conseguiu pegar a flecha no ar.
– Hehe. – riu ele. No segundo seguinte a flecha explodiu.
– Tive uma ideia. – disse Percy. – Dandara distraia-o com suas flechas, enquanto eu, Raphael e Igor fazem o resto.
– E eu? – disse Annabeth, como se ela não servisse pra nada.
– Bem você fica... Olhando. – Ele sorriu, e deu um olhar do tipo: “Não me mate, vai dar tudo certo.”.
Percy se virou pra mim.
– Quando eu der o sinal... Libere um muro de água contra o gigante. E Igor, você também.
– Ok. – disse Igor.
Percy foi correndo até o gigante.
– Ei seu estúpido! Está sentindo calor?
– O quê? – perguntou ele.
– Por que você vai tomar um bom banho. – O monstro tentou pisar em Percy, que rolou por debaixo dele e deu-lhe um chute na parte de trás das pernas.
– Agora! – gritou Percy.
Reuni toda a minha força. E num grito, eu liberei toda a energia. Igor fez a mesma coisa. Uma parede de água enorme envolveu o gigante. Ele se debatia e gritava, mas continuamos a nos manter firmes. Estava com tanta fome que meus braços já estavam ficando cansados. Percy deu um único golpe final no gigante, bem no coração.
Quando o muro de água abaixou, o monstro já não estava mais lá. Meus braços tremiam. Precisava praticar mais esses meus novos poderes.
– Uau! – arfou Grover. – Foi tão incrível!
Ele estivera tão quieto que eu nem o notei.
– Foi perfeito. – sorriu Percy. – Um bom trabalho em equipe.
Em um momento de silencio, me dei conta de uma coisa:
– Onde está Stefferson e Marcos?
Olhei para a ponte partida ao meio acima de nós. As sirenes dos carros de policia estavam começando a ser ouvida.
– Vamos! – gritou Percy. – Temos que acha-los. Luke está atrás deles.
– Espere. O quê? – falei. – O que quer dizer com “Luke está atrás deles”?
– Depois vemos isso. Vamos! – insistiu Grover.
***
Depois de correr, correr e correr por mais de uma hora, finalmente conseguimos localizar os dois fugitivos, graças a Grover, que podia sentir o cheiro deles.
– Eles estão pertos. – anunciou Grover. – Eu ainda não entendo isso, como podem existir monstros aqui também?
– Eu acho que existem em todos os lugares. – falei.
Entramos numa rua infestada de pessoas vendendo roupas, acessórios e mais outras coisas, em barracas. Minha mente não conseguiu processar aquilo tudo.
– Eles estão pertos. – disse Grover.
– Você só faz dizer que estão pertos, mas fica mais longe a cada segundo. – murmurou Igor.
–Agora, me diz uma coisa Percy. – disse eu. – Quando disse que Luke estaria atrás deles, o que queria dizer?
–Eu me lembrei do que você sonhou. – respondeu ele. – No seu sonho, Luke disse que tinha que chegar ao Brasil rápido, por que havia umas “encomendas” para pegar. Não foi isso?
– Bem... foi.
– Então. Estou começando a achar que Luke está indo por todo o lugar recrutando meio-sangues para se aliarem a ele. Aquele gigante que enfrentamos disse que foi enviado para pegar Stefferson e Marcos. Isso não pode ser coincidência.
–Alguém está ficando esperto. – Annabeth riu.
– Eu sou esperto. – disse Percy.
– Só que não.
Chegamos a uma avenida. Grover cheirava o ar incessantemente.
– E agora guia turístico? – murmurou Igor. – pra onde?
Grover ficou com uma cara assustada.
– O que foi? – perguntou Dandara.
– Não sei. Eu... – ele se interrompeu. Ouvimos gritos de pessoas. Varias delas saíram correndo das esquinas.
Grover começou a correr. Fomos atrás dele.
– Espere. O que houve? – perguntou Annabeth.
– Eles estão em perigo.
Dobramos uma esquina, tomando cuidado para não esbarrarmos nas pessoas que corriam em sentido contrário ao nosso. E o que vimos, foi Stefferson, Marcos e outro garoto que eu vira em meu sonho, lutando contra o Minotauro.
Eu fiquei admirado por vê-lo. Ali estava o próprio monstro ao vivo. Uns dois metros de altura. Os braços era compridos e peludos. A cabeça era enorme. Os olhos pretos e o focinho longo. Os chifres eram tão perfeitamente afiados, que dava para partir ao meio um fio de cabelo. O corpo da criatura era cheio de músculos grandes e definidos. A parte de baixo era humana, e estava usando cuecas justas e brancas. Eu achei aquilo totalmente engraçado.
Antes, ele era um dos monstros mais legais que eu achava. Um clássico da mitologia grega. Agora eu não tinha essa certeza quando vi que teríamos que lutar contra ele.
– Cuidado! – gritou Marcos, enquanto o Minotauro esmurrava uma casa antiga. O outro garoto saiu correndo de dentro. Stefferson pegou uma pedra grande e atirou contra o monstro. Ele rugiu e avançou contra ele.
– Vamos! – gritei. – Precisamos ajuda-los.
Puxei a antena do meu celular que logo se transformou em uma reluzente espada. Eu estava tremendo de medo, mas me forcei a não demonstrar.
– Esses monstros não se cansam de morrer? – murmurou Percy.
– Provavelmente, não. – respondeu Igor. Ele sacou suas espadas e avançou diretamente contra o monstro.
– Iu-hu. – Igor acenou para o Minotauro. – Iai bonitão. Você vem sempre aqui?
O Minotauro rugiu de fúria. Ele se inclinou, apontando os chifres em direção ao Igor, e avançou. Igor saltou para um lado e deu uma tapinha no traseiro dele enquanto passava a toda velocidade.
– Uma tapinha não dói, não é? – provocou ele.
Eu quis rir, mas sabia que isso era perigoso.
– O que está fazendo? – gritou Annabeth.
– Ah, eu gosto de fazer hora com a cara de monstros antes que eu acabe com eles.
Os três garotos vieram em nossa direção.
– Ainda bem que vieram. – arfou Steffersson. – Como o enfrentamos?
Tentei ver se eu dava sorte atacando-o. O Minotauro se virou em minha direção. Pegou uma geladeira e arremessou contra mim.
Nesse momento, me lembrei do desenho animado que eu assistia em casa. O Máskara. Eu achava muito legal. Ele podia se transformar no que quisesse. E podia fazer aparecer do nada tudo o que quisesse. Eu poderia me transformar num imenso homem forte, e assim desviaria a geladeira facilmente. Mas é claro, isso não era possível.
Desviei-me da geladeira, que se abriu e deixou cair frutas, água e bolo.
Quando vi o bolo, meu estomago gritou como um louco: “COMIDA! COMIDA!”.
–Comida. – gemi.
O Minotauro rugiu e avançou contra mim, pronto para me furar com aqueles chifres. E de repente me veio uma ideia. Assim que ele estava a pouco metros, fingi que tinha um pano vermelho nas mãos.
– Olé! – gritei, pulando para o lado, enquanto o monstro passava direto.
– Para de fazer hora! – gritou Annabeth. Ela pegou sua adaga e avançou contra o monstro.
– Annabeth cuidado! – gritou Percy.
Ela se desviou de um murro dele e tentou atingi-lo com a faca. Nesse instante, algo inacreditável aconteceu.
O garoto que eu vira lutando no inicio, veio correndo em direção ao Minotauro, que estava concentrado em Annabeth. Pulou nas suas costas e num golpe, enfiou uma espada diretamente no pescoço da criatura. Ele rugiu, atirando o garoto pelos ares, e começou a se desintegrar.
Eu fiquei completamente perplexo. Como ele poderia ter feito aquilo?
– Ah... Como... – gaguejou Annabeth.
O garoto estava caído a poucos metros de nós.
– Matheus! – disse Marcos admirado. – A... aquilo foi... Espetacular!
– Ai. – gemeu ele.
– Como fez aquilo? – perguntou Percy.
– Eu... não sei. – respondeu ele.
– Muito bem! Agora devolva minha espada! – falou Igor irritado.
Matheus se levantou. Ele olhou para nós vagamente.
– Quem são vocês?
– Nós somos... – tentei falar.
– Como nós estamos entendendo ele? – interrompeu Dandara. – Você está falando inglês?
– Eu? – ele riu. – Claro que não.
– Então...
– Olhe, depois vemos isso. – interrompeu Annabeth. – A questão é que nós temos que completar a nossa missão. Se Luke os quer, então vamos leva-los com a gente.
– Boa ideia. – disse Grover.
– Agora... Por favor, paguem um lanche para a gente. – pedi, me ajoelhando. Certo, isso pode parecer babaquice, mas puxa, eu estava sem comer faz tempo.
– Ok. – Riu Steffersson. – Vamos comer.
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