E Se fosse verdade?
26 Destruímos o "Princesa Andrômeda"
Notas iniciais
A esperança dentro de mim se acendeu como uma tocha. Nós iriamos sair dali. Não ia deixar que nos capturassem de novo. Como antes, pedimos a Annabeth para ir à frente com seu boné. Ela nem protestou. Colocou e foi.
– Ela pode ficar invisível? – disse impressionada uma das meninas gêmeas.
– Sim. – respondi. – Foi um presente da mãe dela.
– E quem é a mãe dela?
– Atena.
Ela abriu a boca, totalmente impressionada. O que me lembrou de que eu tinha de perguntar quem era elas.
– Qual o seu nome? – perguntei.
– Hã... Bárbara. Essa é a Beatriz, minha irmã gêmea.
– Nem percebi. – murmurou Jonathan.
– Eu me lembro que vocês estavam sendo perseguidas por um cão infernal. – falei.
– Cão o quê? – perguntou Beatriz.
– Cão infernal. – disse Percy. – É um monstro gigante canino que gosta de comer semideuses.
– Ah.
– Ei! – reclamou Annabeth, tirando seu boné. – O que estão esperando para me seguirem? Algum monstro vir? É isso?
– Ah, desculpe. – disse Percy. Seguimos Annabeth subindo pelas escadas. Tentamos não fazer nenhum barulho.
– Cuidado. – advertiu Annabeth invisível. – Bem ali, estão dois telquines. Mais para a esquerda há uma empousa.
– Uma o quê? – perguntou Israel.
– Empousa. Depois eu lhe explico. Só digo que não deixe que ela lhe engane.
– Tudo bem. – disse eu.
– Droga. Tem tantos monstros por aqui. – murmurou Annabeth. – Vai ser difícil passar sem ser visto.
– Já sei. – disse Percy. – Annabeth, distraia alguns. Faça com que eles saiam dessa parte do navio. Eu vou distrair a outra parte. Raphael, leve os outros com você. Arrumem os botes o mais rápido possível.
– Sim comandante. – falei.
– Percy, isso é muito perigoso. – disse Annabeth.
– Confie em mim, eu sei o que estou fazendo.
– Owwn. Tão fofos vocês dois juntos. – disse Bárbara. Dei uma olhada para Percy do tipo: “Não te disse.”.
– Ei, eu também quero matar alguns monstros. – resmungou Stefferson.
– Não podemos perder tempo. – disse eu. Estava louco de preocupação com minha mãe. Onde ela estaria?
– Stefferson, mate alguns monstros e pegue as armas deles. – falou Annabeth. – Dê as armas para cada um que não tenha.
– Ok. – respondeu ele.
– Quando eu contar até três. – sussurrou Percy. – Um...
– Ai meus deuses. – choramingou Grover.
– Dois...
– Que emoção. – murmurou Dandara.
– Três! Agora!
Annabeth saiu para um lado, e começou a chutar e a esfaquear os monstros que estavam em sua direção. Ela chamava e ria enquanto corria não sei para onde. Percy correu para o outro lado, assustando duas dracaenaes. Ele puxou o cabelo de uma e atingiu a outra que se transformou em pó.
– Peguem ele! – rugiu um lestrigão.
– Venham me pegar se puderem! – gritou Percy.
Logo o espaço a nossa frente ficou vazio. Verifiquei se não havia mais nenhum monstro.
– Vamos pegar os botes. – falei.
Corremos em direção a um e começamos a desamarrar. Jonathan de repente correu em outra direção.
– Jonathan! – gritei. – Pra onde vai?
– Vão! Vou buscar um amigo meu que está aqui. – ele correu.
– Ah, vamos logo! – rosnou Igor. – essas cordas são difíceis de cortar.
De repente um machado se cravou a centímetros do meu rosto, que por sorte, partiu uma corda.
– Oh, obrigado! – falei. Três lestrigões nos encontraram. Eles pegaram seus bastões e se prepararam para atacar.
– Stefferson. – sussurrei. – Quer ganhar umas armas?
Eles avançaram. Bárbara e Beatriz gritaram e se esconderam atrás de Grover. Saquei minha espada e contra-ataquei.
– Morram! – gritou Stefferson. Um lestrigão tentou atingir Grover, mas Dandara sacou uma faca de seu cinto e pulou nas costas dele.
– Saia dai! – rugiu ele tentando se livrar dela.
Stefferson se desviou de um ataque do segundo lestrigão e chutou a perna dele.
– Hehe! – ele riu e deu um soco em Stefferson que foi parar embaixo do machado cravado na parede.
– Cortem as cordas! – berrei para os outros.
– Estamos cortando! – gritaram em uníssono Igor, Matheus e Marcos.
O terceiro tentou me dar um murro, mas rolei para o lado. Ele pegou seu bastão e quase que me amassa. Tentei acertá-lo, mas ele era grande e forte.
– Saiam! – gritou Beatriz para os monstros. – Saiam daqui!
Os dois lestrigões olharam para ela, e se afastaram. Um deles realmente ia sair dali, mas Stefferson de algum modo pegou o machado que estava na parede e o fez virar poeira.
– Como fez isso? – perguntou Grover, pasmo.
– Não sei. – respondeu Beatriz.
– Tire ela de cima de mim! – berrou o outro gigante, que ainda estava com Dandara em suas costas. Ela pegou a faca e enfiou no pescoço do monstro. Ele se dissolveu.
– Apenas um que falta. – riu Stefferson. O último lestrigão que faltava correu em pânico. Stefferson jogou o machado que o atingiu nas costas.
– Vamos! – gritei. – Temos que cortar essas cordas. Percy e Annabeth devem estar em perigo.
– Está é a ultima. – disse Marcos, enquanto cortava a corda. – Pronto!
– Temos que chamar os outros. – murmurou Igor. – Eles...
– Eles estão presos novamente. – disse uma voz que me fez tremer da cabeça aos pés. Virei-me, e vi Luke, andando em nossa direção com um exercito de monstros atrás. Percy estava amarrado nas mãos e parecia estar ferido. Não vi Annabeth, e meu coração ficou congelado.
– Não sei como vocês conseguiram sair. – rosnou Luke. – Mas isso não vai acontecer de novo. Já chega de ser bonzinho com vocês.
– Aham, bonzinho. – murmurou Matheus. – Imagine se fosse malzinho.
– Onde está Annabeth. – perguntou Dandara apontando a faca para Luke.
– Ela está aqui. – uma empousa avançou agarrando alguma coisa invisível. Tirou o boné, e Annabeth apareceu. – É tão bom revê-la novamente querida.
– Vocês são uma pedra no meu sapato. – disse Luke com desprezo. – É por isso que vão ter que morrer. Por favor, levem todos para o convés inferior. Está na hora de alimentar o dragão.
– Luke, o que está fazendo? – exclamou Bárbara.
– Me desculpe, mas eu vi que vocês duas se apegaram a esses semideuses inúteis. Vamos invadir o Acampamento Meio-Sangue daqui a três dias. Vai ser bom para vocês, por que não vão ver o seu lindo lar destruído.
– Se tentarem alguma coisa – ameaçou a empousa. – vou cortar esse lindo pescoço dela.
– Você não vai fazer nada sua bruxa. – rosnou Annabeth.
– Levem eles. – ordenou Luke.
Eu não estava acreditando nisso. Estávamos tão perto da liberdade. Uma dracaenae me espetou com sua lança para que eu andasse. Meu coração estava disparado. Estávamos indo para a morte.
Paramos diante de uma porta parecida com a de um elevador. Havia um botão do lado. Um telquine pulou e apertou o botão. As portas se abriram.
– Entrem! – sibilou a empousa. Ela era horrível. Tinha cabelos de fogo, olhos vermelhos e presas como de um vampiro. As pernas dela eram tão estranhas que me arrepiaram. Uma perna era de burro, e a outra de bronze.
– Que pernas horríveis. – murmurei.
Ela rosnou perto de mim.
– Não fale das pernas! É rude fazer piada!
– Oh, me desculpe. Só não chore.
A empousa arranhou meu braço e eu gritei.
– Hum... Só não chore. – ela riu. – Entrem!
Todos nós avançamos em direção ao elevador.
– Não todo mundo seus idiotas. Apenas três.
Ela agarrou Annabeth, Igor e Matheus e os empurrou para dentro.
– Ei, vai com calma! – resmungou Igor.
– Adeus para vocês três. – riu ela. – Uma vez que chegarem lá embaixo, não haverá saída. – e apertou o botão. As portas se fecharam.
Eu estava tão nervoso que comecei a suar. Eu não ia morrer. Não podia deixar que nos matasse. Se fosse para morrer, que fosse lutando. Olhei para Israel. Graças a Deus ele entendeu.
Israel fechou os olhos. Depois de uns segundos, nuvens escuras surgiram acima de nós. Um trovão ecoou.
– O que é issso? – perguntou uma dracaenae. Israel abriu os olhos e gritou apontando sua espada pra cima. Um raio brilhante caiu entre nós e nos jogou para longe. Todos se espalharam.
– Arrgh! – berrou a empousa. – Peguem eles!
– Galera! Atacar! – gritei. O lugar virou um caos.
Israel se virou e cravou sua espada nas costas de uma mulher-serpente e deu uma rasteira em outra. Grover tocou uma canção animada, e raízes brotaram do chão agarrando os telquines. A empousa saltou sobre mim. Eu ainda estava um pouco cego por causa do raio, mas por instinto levantei a espada. As garras dela ricochetearam na lâmina. Chutei-a para longe e investi contra ela.
Stefferson vaporizava tudo que via pela frente. Não sabia como conseguia fazer aquilo, já que não havia sido treinado. Bárbara e Beatriz corriam, mas quando elas falavam para os monstros se afastarem, eles obedeciam. Marcos pegou uma lança de uma dracaenae e ficou lutando com um lestrigão.
Eu desviava, atacava e brandia minha espada. Percy ergueu as mãos, e uma onda enorme se levantou no mar.
– Segurem-se em algo! – gritou ele. Mas tudo deu errado, quando uma flecha o atingiu no braço.
– Não! – gritei.
– Morra semideus! – a empousa avançou em minha direção e meu deu um soco no rosto que caí no chão. Então fiquei furioso. Ninguém ia me impedir de salvar meus amigos. Uma nova força ardeu em meus braços. Levantei-me e desviei das garras dela e a agarrei por trás.
– Morra empousa desgraçada! – rosnei em seu ouvido, e enfiei minha lâmina no seu lado. Ela deu um grito horrível e se desintegrou.
– Raphael! As portas! – gritou Dandara. Eu havia me esquecido delas. Annabeth, Igor e Matheus estavam lá em baixo. Como pude fazer isso?
Tentei abri-las, mas não dava. Bati, empurrei e xinguei. Não adiantava.
– Annabeth está lá! – gritava Percy. Ele veio em minha direção. Seu braço estava sangrando. – Abra as portas!
– Não consigo! – respondi.
De repente, o navio gemeu e deu uma balançada. Cambaleei para trás.
– O que foi isso? – perguntou Marcos.
Uma explosão ecoou do fundo do navio. Ele começou a se curvar para trás, e gemer, como se... estivesse afundando.
– O que está havendo? – berrou Beatriz.
Foi quando eu percebi que nenhum monstro havia sobrevivido. Tudo o que restava era poeira.
– Ei galera! – alguém chamou. – Querem um bote?
Era Jonathan. Ele estava dentro de um bote, pendurado fora do navio, pronto para cortar as cordas. Junto com ele estava outro garoto.
– Vamos! – gritou Stefferson. – Para o bote!
– Não! – gritou Percy. – Annabeth está lá embaixo! Temos que salva-la.
– Matheus também! – protestou Marcos.
– E o Igor. – falei.
Percy e eu forçamos a porta a se abrir, mas ela não cedia. O navio deu mais uma inclinada para trás, e a água do mar começou a invadir a popa. Estava mesmo afundando.
– O navio está afundando! – gritou Dandara se segurando nas grades. Eu estava desesperado. Minha mente parecia um tornado. Não conseguia pensar. Mais uma explosão. Ouvi um grito de medo vindo lá de baixo, e uma fumaça verde subiu da proa do navio.
– Fogo grego! – exclamou Grover. – Temos que sair. O navio pode explodir a qualquer momento!
– Não! – gritou Percy.
– Venham! – berrou Jonathan.
– Percy, vamos procurar eles! – disse eu, tentando não ficar apavorado. – Mas temos que sair!
Agarrei-o e corremos para o bote. Todos os monstros do navio estavam em pânico. Alguns pulavam do navio. O bote balançava e tremia. Entramos todos no bote, e Jonathan cortou as cordas. Despencamos em direção ao mar. O impacto contra a água foi tão forte que quase no lança para fora. Explosões ecoavam do fundo do navio. E de repente, me lembrei de uma coisa. Minha mãe estava a bordo e presa no navio. E eu... não havia feito nada para salvá-la.
– Remem! – gritou Grover. Em alguns minutos fomos ficando longe do cruzeiro.
– Minha mãe! Ela está no navio! – berrei. – Temos que voltar!
Buumm!
A explosão foi tão forte que o calor queimou meu braço e meus cabelos. Meus lábios se secaram. O ar ficou quentíssimo. Destroços do navio voaram pra tudo quando é lado. Um me atingiu nas costas com tanta força que meu ultimo pensamento foi: Annabeth, Igor, Matheus e... Mãe.
Depois disso, apaguei completamente.
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