E Se fosse verdade?
13 Conheço um Pégaso
Notas iniciais
– Raphael cuidado! – gritou Dandara.
Virei-me na hora que em que o monstro me jogou para longe com uma de suas patas. Suas garras arranharam o lado do meu corpo. Annabeth pegou uma pedra no chão e jogou direto na cara do monstro. Ele rugiu. Enquanto os nossos novos companheiros começaram a gritar em pânico, Dandara atirava flechas, que se alojavam no ombro, pescoço e na coxa do Manticora.
– Querem uma luta de verdade? – Ele rosnou, e atirou mais de seus espinhos. Um quase que atravessa Grover, se uma flecha de Dandara não tivesse interceptado o espinho no ar. Eu tentei atingi-lo com minha espada, mais um espinho cravou-se em meu ombro. Eu gritei de dor. Ajoelhei-me, segurando o local do ferimento. Percy lutava contra o monstro se esquivando dos seus golpes, quando Annabeth, em um impulso, correu e pulou em cima dele. Ele saltou e rodou como um boi de rodeio. Grover pegou sua flauta de bambu e a jogou. Para sorte nossa, e azar do monstro, a flauta o atingiu bem no olho.
– Aaahhrrgg! – gemeu ele. O manticora tentou avançar em Grover, mas Annabeth sacou sua faca de bronze e, em um golpe, cravou-a no pescoço dele. Ele uivou e começou a se desintegrar. Annabeth saltou das costas dele.
Ela limpou o suor do rosto. Todos olhavam para ela perplexos.
– Nossa! – disse uma das garotas mortais. – O que... era aquilo?
– Não importa! – disse Annabeth. – Esqueça isso.
– Esquecer aquele monstro horrível?
– Você... podia ver que era um monstro? – perguntou Percy.
– Dãã. Claro! Isso é o que acho estranho. – ela olhou para a gente. – Tenho visto coisas tão estranhas ultimamente. Eu... não sei como explicar.
– Espera! Vocês mataram um leão? – perguntou incrédulo o garoto. – Em plena rua? E se as pessoas virem o cadáver dele?
– Que leão Samuel. falou a garota, irritada. – Você não viu aquilo? Aquela coisa com garras e cara de homem?
O garoto, Samuel, olhou para ela.
– Você está bem? Ou está delirando?
– Se não se importam, vou ficar ali gemendo de dor. – falei segurando meu ombro ferido. Percy se aproximou e me deu um pedaço de ambrosia, e logo estava me sentindo melhor.
– Viu... é isso que é estranho. – reclamou a garota. – Só eu vejo essas coisas. Quando eu pergunto a alguém, eles falam de outra... Espere! Quem são vocês?
Percy e Annabeth se entreolharam.
– Eu sou Percy. Esta é Annabeth, Grover, Raphael e Dandara.
– Qual o seu nome? – perguntou Annabeth.
– Cybele... Cybele Lima. – falou. – Esses são meus amigos Samuel e Israelly.
– Acho que as autoridades não vão gostar disso. – disse Israelly. – Que vocês fiquem por ai matando leões.
– Olhe... Esqueça esse leão. – falou Annabeth impaciente. – É melhor vocês irem para casa. E Cybele, precisamos conversar.
Cybele olhou para os amigos.
– Vão. Eu vou ficar bem.
– Acho que não vai. – murmurou Samuel, e foram andando.
– Bem, Cybele... – começou Annabeth. – Você quer saber o porquê de você ter visto coisas tão estranhas ultimamente não é?
– Sim.
– Pode contar a ultima vez que você viu alguma coisa estranha? – sugeriu Percy.
– Além dessa que eu vi agora? – disse ela tremendo. – Uma vez eu estava só em casa, quando escutei passos vindos de algum lugar. Eu fui ver o que era, e de repente, um homem alto e forte estava olhando para mim. O assustador era que ele tinha apenas um olho na testa.
Percy olhou para Annabeth.
– Eu gritei e corri. – continuou Cybele. – Ele sorriu e tentou me agarrar, mas eu joguei nele um vaso de vidro, e ele caiu. Eu corri para o meu quarto e fiquei lá um bom tempo. Quando fui ver, ele tinha sumido.
Aquela historia fez me arrepiar. Eu teria saído de casa aos berros e gritos se eu visse aquele monstro.
– Por favor, podem me dizer o que é isso? – implorou ela.
– Bom... sei que vai parecer loucura, – disse Percy. – mas você sabe daquelas historias gregas? Dos mitos e tudo mais?
– Sei de alguns, como a Hidra, o Minotauro, os Titãs...
– Certo.
– As Fúrias, a Medusa...
– Certo, pode parar! – falou Annabeth imediatamente. – Então Cybele, esses mitos e tudo mais, eles... existem. De verdade. Os deuses gregos estão vivos.
Cybele olhou para nós, e começou a gargalhar. Olhei para Annabeth.
– Ahn... tenho a impressão de que ela não acreditou, ou esta tendo uma crise de riso?
Esperamos um bom tempo até Cybele parar de rir.
– Ta certo. Vocês são loucos. – concluiu ela.
– Não estamos loucos. É verdade. – insistiu Annabeth. – Olhe, se isso não fosse verdade, você acha que estaria vendo essas coisas estranhas? Aquilo que você viu em sua casa, era um ciclope.
Percy olhou para Grover.
– Se isso que nós falamos fosse mentira, – disse Percy. – isso não existiria. Grover, abaixe suas calças.
– O quê? – Cybele arregalou os olhos.
– Você vai ver. Grover.
Grover tirou sua calça jeans, mostrando as pernas de bode.
– Eu ainda não me acostumei com isso. – murmurou Dandara.
– Viu? – disse Percy.
– Ah... – Cybele caiu no chão.
– Isso. Ótima ideia Percy. – falou Annabeth. – fazer ela desmaiar.
– Eu não sabia que ela era tão sensível. – resmungou ele.
– Bem, agora temos que leva-la para algum lugar. – falou Grover.
Olhei para o céu que estava ficando laranja ao entardecer.
– É melhor irmos rápido então.
Graças a Deus, achamos outro local em que nós poderíamos acampar. Infelizmente, se tratava de outro bosque. Eu ficava pensando que, do jeito que estávamos indo, não chegaríamos ao Brasil tão cedo. Com monstros atacando-nos a toda hora.
Estava escurecendo muito rapido. Nos sentamos em círculo. Colocamos Cybele de lado, enquanto esperávamos ela despertar.
Eu estava com fome. Tinha comido pouco na lanchonete. Se não fosse por causa daquele monstro, teria enchido minha barriga totalmente. O ambiente estava úmido e seco. Insetos voavam e corujas piavam. O bom de estarmos juntos sentados, é que dava tempo de nós conversarmos a respeito de várias coisas. Eu fui o primeiro a perguntar uma coisa que vinha me incomodando há muito tempo.
– Quando Israel, Grover e eu estávamos indo para o acampamento, uma Fúria interceptou nosso caminho. Ela quase que me mata, mas no fim ela morreu. Então, quando aquela bondosa vovó se transformou em uma Fúria, eu me perguntei: Como ela pode estar viva se eu a matei quando estava vindo ao acampamento? Queria que vocês me respondessem isso.
Annabeth se aproximou de mim, o que, por algum motivo, me fez corar. Bem, ela era bonita, muito bonita. Mas quando ela chegava perto de mim eu me sentia, sei lá... confuso?
– Vou dizer a você a mesma coisa que disse para Percy. Monstros não morrem. Eles podem ser mortos, mas não morrem.
Olhei para ela sem entender nada.
– Da pra falar na minha língua?
– O que quero dizer é que, quando você mata um monstro, ele não morre exatamente. Eles são banidos por algum tempo. Eles voltam para o Tártaro, onde se regeneram.
– Ah. falei. Quer dizer que... o Tártaro, o mundo inferior existe mesmo?
– Claro que existe.
– E para onde eu vou se eu morrer? – perguntou Dandara.
– Bem, se você for uma pessoa má, você provavelmente vai para os campos de punição, onde é atormentado. Mas se for uma pessoa que fez grandes coisas boas, irá para o Elísio.
– Onde é a parte mais feliz do mundo inferior. – eu disse, lembrando-me das historias gregas.
– Isso.
– Ai, ai... – de repente, Cybele começou a despertar. – Onde estou?
– Aqui, acampando com a gente. – falou Grover abrindo os braços. Quando Cybele viu Grover, recuou bruscamente.
– Você é... aquele mutante? Parte humana parte burro?
Grover soltou um balido irritado.
– Sou um bode da cintura para baixo! Não um burro!
– E... isso é normal? – perguntou ela.
– Olhe Cybele, – disse Annabeth calmamente. – é isso que tentávamos dizer a você. Os mitos gregos estão vivos. Os deuses, titãs, monstros, tudo!
– Quando isso aconteceu? – perguntou ela.
– Ahn... – Annabeth olhou para nós. – Não sabemos. Mas é a verdade. Precisamos por você em segurança. Temos um acampamento situado em Nova Iorque, em Long Island. Lá, pessoas como nós são treinadas para aprender a se defender de monstros.
Cybele passou os olhos por todos nós. A cara dela indicava claramente que estava sobrecarregada de informações. Não podia culpá-la. Eu sabia como ela se sentia.
– Meu Deus. Eu... eu acho que estou sonhando. – murmurou Cybele.
– Não se preocupe. – assegurou Annabeth. – Vamos manda-la para o nosso acampamento. Lá você estará segura.
Annabeth olhou para Percy.
– Blackjack! – gritou ele.
– Black quem? Falou Dandara, Cybele e eu em uníssono.
De repente, alguma coisa se agitou em cima da gente. Um barulho de asas junto com um relincho de cavalo. Espere... relincho de cavalo?
– É o que eu estou pensando que é? – murmurou Dandara.
Eu não sabia o que estava acontecendo quando, alguma coisa, pousou bem atrás de mim. Senti a respiração de alguma criatura no meu pescoço. Isso enviou um arrepio total pelo meu corpo. Atrevi-me a olhar para trás lentamente. O que eu vi a seguir me deixou meio perturbado da cabeça.
Uma criatura preta com grandes asas e patas de cavalo. Quando olhei para cima, descobri que era um cavalo. Um cavalo com asas. Meu cérebro bugou.
Erro no sistema. Erro 404. Eu estava ficando louco de novo?
– Deixem-me apresenta-lo a vocês. – disse Percy. – Dandara, Raphael e Cybele... este é Blackjack.
Cybele olhava boquiaberta para o cavalo alado.
– Isso não é um sonho. – afirmou Grover para Cybele.
– Um Pégaso. – disse Dandara admirada.
– Um o quê? – falei.
– Pégaso. – falou Annabeth. – São cavalos alados imortais que existiam nas mitologias gregas. Normalmente existia apenas um, mas com o passar dos anos, ele gerou vários filhos. E aqui está um, de exemplo.
– Ah. – falou Cybele ainda olhando para o Pégaso Blackjack.
– Blackjack, preciso de um favor. – disse Percy.
– Ahn... você fala com ele? – perguntou Dandara.
– Sim.
– Mas... não me diga que esse cavalo sabe falar? – perguntou Dandara levantando-se.
– Bem... falar esse sabe, mas não como você está pensando. – disse Percy.
Nesse momento, uma voz dentro da minha cabeça, falou: Iaii irmão do chefe? Prazer conhecê-lo. Posso lhe chamar de chefe também?
Olhei para os lados tentando ver quem disse isso.
– Vocês ouviram isso? – murmurei.
– O quê? – perguntou Grover.
– Uma voz falou comigo. Dentro da minha cabeça...
É, eu sei. Fui eu. Falou outra vez a voz. Sabe, você não parece nem um pouco com o chefe, chefe.
Olhei para o Pégaso. Ele relinchou, o que pareceu uma risada de cavalo.
– O cavalo esta falando comigo? – perguntei me afastando dele.
– O que você queria? – murmurou Percy. – Somos filhos de Poseidon não se lembra? Ele é pai dos cavalos. Nós conseguimos entendê-los, e eles conseguem nos entender. Bem... você pode levar ela para o acampamento meio-sangue Blackjack? – disse Percy apontando para Cybele.
Claro chefe. Mais uma novata hem? É só pedir pra ela subir.
– Cybele, vamos. Suba nas costas dele, que ele irá leva-la ao acampamento.
– Ahn... ele morde? – perguntou Cybele com receio.
Hein? disse Blackjack.
Sem querer querendo, comecei a rir do que ela havia dito. Alguns segundos depois Grover se juntou a mim.
– Desculpem... – eu disse ainda rindo. – Mas é que foi realmente engraçado. Imaginei-a subindo no cavalo, ai de repente ele tenta mordê-la! – eu gargalhei.
– Agora, vamos invocar a graça. – falou Dandara erguendo as mãos.
– Bem, suba Cybele. – pediu Annabeth. – Garanto que ele não morde.
Relutante, ela subiu no Pégaso. Blackjack se preparou para voar.
– Ei! – disse Cybele. – É... se isso tudo é real, esse negócio de deuses e monstros. Então... e se Zeus lançar um raio contra a gente?
Percy esboçou um sorriso.
– Fique tranquila. Ele não irá fazer isso.
Blackjack começou a alçar voo. Bateu suas asas negras e se foi.
– Bem, eu acho que não né... – murmurou Percy.
– Ahn... ele morde? – falei, ainda rindo do que Cybele havia dito.
– Já chega Raphael. – disse Annabeth. – Vamos, temos que dormir enquanto podemos. Amanhã será uma longa viagem.
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