E Se fosse verdade?
21 Atraímos um gigante
Notas iniciais
Pensei que teríamos, em algum momento, a chance de comer em paz somente uma vez. Mas é claro que não. A comida havia ficado para depois, enquanto corríamos em direção a uma parada de ônibus.
Stefferson nos contara que quase todos os dias eles eram atacados por “seres alienígenas”. Marcos concordava com cada palavra que ele dizia. Eu estava tão faminto que nem entendi o que ele havia dito. Ficava pensando: Certo, eles só podem ser mesmo meio-sangues.
– Mas... Monstros aqui? – perguntou Percy. – Como pode? Pensei que eles só existissem no Estados Unidos?
– Eu estava me perguntando a mesma coisa. – murmurou Grover.
– Bem, aparentemente acho que vocês estão... – ele se interrompeu. – Esperem! Como vocês sabem disso? Quem são vocês?
Stefferson olhou pra mim.
– Você disse que era o Minotauro? Aqueles dos mitos gregos?
Fiquei sem saber o que falar.
– Olhem, depois explicamos tudo a vocês. – disse Igor. – Primeiro vamos salvar seu amigo.
Paramos na beirada de uma pista quando um ônibus, todo azul com listras vermelhas na lateral, parou diante de nós.
– Entrem, rápido! – disse Stefferson.
Todos nós entramos. O celular dele tocou novamente e ele atendeu. Foi quando um calafrio percorreu meu corpo. Stefferson era um meio-sangue. E um meio-sangue com celular nas mãos...
– Desligue isso! – gritei.
– O quê? – disse ele.
Olhei para Annabeth e ela entendeu rapidamente.
– Desligue esse celular! – falou ela rapidamente.
– Estou falando com meu amigo. – ele se afastou de nós. Tentei não cair enquanto o ônibus entrava em uma curva. – Ele disse que o monstro está cada vez mais forte.
– E vai haver mais se você não desligar isso... Eu acho. – disse Grover.
Foi o bastante para ele colocar o celular de volta no bolso, mas foi tarde demais. O ônibus de repente parou e todos nós fomos lançados para frente. O chão começou a tremer. Lancei um olhar de pânico para Percy.
– Saiam do ônibus! – gritou ele. Nesse momento uma mão gigante partiu o ônibus pelo o meio. Vidros quebraram, faíscas saltaram e pessoas gritavam.
– O que esta acontecendo? – berrou Marcos.
Começamos a sair daquela confusão, e foi quando eu vi que estávamos totalmente encrencados.
– Meio-sangues! – gritou um gigante de cinco metros de altura. A pele era avermelhada. Os cabelos pretos longos, e os olhos totalmente pretos como a noite.
Eu nunca havia visto aquilo na minha vida. Fiquei desesperado. Varias pessoas corriam de um lado para outro. Estávamos em cima de uma ponte. Abaixo de nós um rio fluía sinuosamente e desaguava em uma lagoa a nossa direita.
– Corram! – gritou Grover.
– O que é isso? – berrou Stefferson mais alto do que qualquer um.
O gigante pegou o ônibus partido no meio e o jogou para fora da ponte. Enquanto olhava o veículo caindo, pude ver algumas pessoas que ainda haviam ficado presas dentro dele. O terror estampado nos rostos delas. Só ouvi o som da explosão do ônibus abaixo de nós.
O gigante riu e se virou para a gente.
– Hora de morrer! – e avançou para cima. Ele tentou me pegar com as mãos, mas rolei por baixo de suas pernas. Não sabia como eu tinha conseguido fazer aquilo.
– Ataquem! – gritou Igor as minhas costas.
– O quê? É muito arriscado! – respondeu Dandara.
– É o único jeito. Além do mais não vamos conseguir correr mais do que ele.
– Agrupar! – gritou Annabeth para nós. – Agrupem-se. Fiquem juntos.
Carros batiam um no outro tentando se desviar do gigante. O caos estava completo. Todos nós nos juntamos. O gigante se virou e olhou para nós.
– Que bom! Lanche em conjunto. – ele riu estrondosamente. – Mas eu não quero vocês. Fui enviado para pegar somente eles. – Ele apontou para Marcos e Stefferson.
– O quê? – disse Marcos. – O que eu fiz?
– Quer pegar eles? – disse Percy. – Vem tentar.
Sacamos nossas armas. Dandara atirou uma flecha na tentativa de causar dano, mas ele simplesmente desviou. Vi que a aljava dela estava quase vazia.
Ele pegou um carro e atirou contra nós. Tivemos que nos separar para não sermos esmagados. O gigante avançou tentando esmagar Percy e Igor mas eles desviaram-se. Percy cravou contracorrente no tornozelo do gigante, mas ele apenas rugiu.
– Vou mata-los! – rugia ele.
Enquanto ele lutava contra Percy e Igor, fui por trás dele e atingi sua panturrilha. Num golpe rápido, ele me atingiu com as costas de suas mãos, e me mandou voando para trás. Bati as costas no asfalto. Minha cabeça estava doendo.
– Ele é muito forte. Não estamos causando nenhum dano nele. – gritou Igor.
– Mas vale a pena tentar. – murmurou Percy.
Grover começou a tocar sua flauta, e os fios dos postes se soltaram e começaram a ir em direção ao gigante. Dandara pegou uma flecha de sua aljava e o atingiu no traseiro. Aquilo era como picada de um mosquito para ele. Precisávamos de algo mais forte.
– Annabeth, fique invisível. – murmurei. – Fique o atingindo nos pés.
– Beleza. Isso não vai adiantar de nada.
– Tente.
Ela colocou seu boné e logo estava invisível. Corri novamente até ele. Um dos fios dos postes pegou o gigante pelo braço. Ele rugiu de dor e golpeou o fio.
– Vocês querem uma luta de verdade? – rugiu ele. – Pois vou mostrar!
E ergueu as mãos para o alto com os punhos fechados, e com toda a força, deu um murro no chão. A ponte inteira tremeu. Rachaduras apareceram no asfalto se alongando cada vez mais.
Tarde de mais, percebi o que iria acontecer.
– Corram! – foi tudo o que pude dizer enquanto grandes pedaços do chão se desprendiam, e num segundo, toda a ponte veio abaixo.
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