E Se fosse verdade? 2

14 Tomo um bom banho de ácido


Notas iniciais
Iaiiii minha gente! Voltei! Boa leitura! o/

— AVANTE! ATACAR!

Corri em direção a Hidra usando uma armadura grega completa. Espada e escudo nas mãos.

Sempre que eu usava a máscara, minhas emoções eram inibidas, ficava praticamente imortal, e podia fazer ou ser tudo o que quisesse. Portanto, não tive problema algum para avançar em direção a um monstro que podia cuspir uma lagoa de ácido em mim, ou ter oito chances de me devorar. Afinal, eu não sentia medo.

Enquanto eu corria até ao monstro, uma das cabeças virou-se em minha direção e sibilou. Quatro estavam farejando o lugar onde a arvore havia caído e onde, provavelmente, Annabeth estava. E três tentavam abocanhar Percy, que se escondia atrás de arvores e tentava a todo custo fazer algum dano no monstro sem cortar suas cabeças.

— Há! — gritei, brandindo minha espada. — Enfrente-me sua besta de... Deixe-me ver... — contraí os olhos apontando para as cabeças. — uma, duas, três, quatro...

A cabeça que me olhava grunhiu, e as outras sete se viraram para mim, sibilando e mostrando os dentes irregulares e pontudos.

— Ah, chamando reforços, hein? — murmurei.

Percy, que estava ao longe dentro da mata, olhou em minha direção e arquejou.

— O cabeção!

Olhei para ele.

— Deixe de falar idiotice e vá ajudar Annabeth!

Ele me olhou furioso.

— Como você sabe o nome dela?

A Hidra cuspiu ácido no chão, determinada a interromper a nossa conversa.

— Aaahhh! — Annabeth gritou. Eu não conseguia vê-la, mas o grito dela relava dor, dor extrema. Ela continuou gritando desesperadamente, como se alguém estivesse fazendo cortes por todo o seu corpo.

Percy correu para ajuda-la, e eu avancei em direção ao monstro. Três cabeças vieram de uma vez, todas abrindo a boca enorme tentando me comer. Desviei-me delas, pulando sobre cada cabeça.

— Errou! — gargalhei. Duas cuspiram ácido sobre mim. Ergui meu escudo no exato momento, defendendo-me. — Errou mais vez. Você não é páreo para o... o... — gaguejei, olhando para o meu escudo que derretia e soltava fumaça. Larguei-o no chão enquanto ele se desfazia. — Certo, da próxima vez vou comprar um escudo antiácido.

A Hidra rosnou e avançou com tudo para cima de mim. Saltei para trás, mas por azar, uma cabeça abocanhou minha perna.

— Ei, ei, ei! Me larga! — eu gritava enquanto a cabeça me levava para o alto. Sem pensar, ergui minha espada e cortei a cabeça. Caí no chão de costas junto com a cabeça decepada.

— Ai, ai! — Annabeth gemeu a minha esquerda.

Olhei de relance, e vi Percy ajudando-a a se levantar com um braço ao redor de sua cintura. A parte de baixo da calça de Annabeth estava corroída e soltava fumaça. Pude ver uma parte de sua pele, e não foi uma visão agradável. Estava em carne viva. Corri até eles, adentrando a floresta de arvores e gritei:

— Mexam-se!

— Ai, deuses! — gritou Annabeth quando me viu. Em um golpe rápido de sua faca, ela decepou minha cabeça.

O mundo inteiro girou e girou de repente. Quando dei por mim, vi Annabeth e Percy de baixo. Eles pareciam mais altos. Vi o meu corpo do lado deles sem cabeça, soltando sangue pelo o pescoço, se remexendo e andando as cegas com a espada nas mãos. Os dois recuaram horrorizados e gritando.

— Sua... Cadela miserável. — grunhi, embora eu não soubesse como conseguia falar estando com a cabeça decepada. Meu corpo andou em minha direção e pegou minha cabeça e recolocou no lugar. Olhei para Annabeth. — É assim que você trata o meu amor por você?

Percy me deu um empurrão para trás e se colocou na frente de Annabeth, que teve de se equilibrar para não cair.

— Não toque nela!

Uma raiva imensa preencheu todo o meu corpo. De repente, gritos vieram de outro lugar a minha direita. Só agora eu havia percebido que a Hidra não estava mais nos atacando, e sim farejando e grunhindo para algo que se mexia entre as moitas.

— Socorro!

Era Kayro. Ouvi a Hidra lançando jatos de gosma ácida. Annabeth puxou Percy para longe de mim, os olhos cheios de medo, e exclamou:

— Temos que ajuda-lo!

— Eu devia deixar aquele idiota morrer! — murmurei. — Mas vou salvá-lo. — Virei-me para correr, mas disse: — Mas, primeiro...

Dei um giro para trás e enfiei a espada na barriga de Percy. Ele soltou um grunhido de dor, e caiu de joelhos, a surpresa enchendo seus olhos. Annabeth soltou um grito estridente de pura incredulidade.

— PERCY!

Puxei a lâmina. Percy gemeu e tombou para o lado, caindo no chão. As mãos tremendo no local do ferimento.

— Não! Percy! — Annabeth se jogou sobre ele e o colocou em seu colo, mas gritou de dor por causa da sua perna. Ajeitou-se, esticando a perna ferida com um gemido. — Percy! Não! Não! — as lágrimas banhavam sua face. Ela embalava Percy, enquanto ele emitia sons engasgados. — Meus deuses, não!

Dei de ombros, indiferente.

— É como diz o ditado: Olho por olho, dente por dente... E empurrão por uma espadada na barriga.

Annabeth olhou-me com puro ódio.

— Vá para o Tártaro! Saia daqui! Deixe-me em paz, seu imbecil!

Saí correndo em direção a Hidra, que agora estava a uma boa distancia perseguindo Kayro que, de alguma forma, conseguiu manter-se vivo.

— Está na hora de acabar com isso. — falei. Dei um assovio agudo, e o monstro olhou para mim, agora com onze cabeças. — Vocês nunca ficaram enjoadas de olharem para a mesma cara feia todos os dias?

A Hidra rosnou e avançou em minha direção. Girei, e de repente estava vestindo uma jaqueta do exército, com calças, botas e uma grande bazuca sobre os ombros.

Apontei para ela, e arreganhei um sorriso enorme.

— Dê um belo passeio pelo o Tártaro!

As onze cabeças abriram a boca para soltar ácido.

Apertei o gatilho.

Um som como o de um refrigerante sendo aberto foi ouvido. Uma bola de fogo saiu de dentro da arma e foi em direção ao monstro. Onze jorros de ácido saíram no mesmo momento de dentro das bocas da Hidra, vindo em minha direção.

Uma explosão ensurdecedora ecoou, seguido por grunhido de monstro sendo desintegrado, e seguido por um som de liquido fumegante me atingindo. Uma fumaça se espalhou pela a mata.

Assoprei a entrada da bazuca, fazendo a fumaça sair.

— Há, eu sabia que daria cer... — me interrompi, sentindo meu corpo derreter. Meus braços fumegavam e se desfaziam. O mesmo acontecia com as minhas pernas — Nossa! Eu estou derretendo. Estou virando gelatinaaaa... Alguém não me coma...

Virei uma poça de liquido fumegante. Uma escuridão tomou conta dos meus olhos. Pensei que agora sim eu estaria morto. Quando alguns segundos depois me vi novamente em pé, com o meu corpo intacto.

Arquejei.

— Meus deuses, eu estou vivo! É um milagre!

Alguém veio em minha direção, tossindo por causa da fumaça. Era Kayro. Seu rosto estava sujo de grama e terra.

— V-você destruiu a Hidra? — me perguntou, impressionado.

— Obrigado pela a preocupação. — murmurei. — Agora dê o fora daqui!

Ele me olhou fixamente, estudando o meu rosto, e disse:

— E-eu sei quem você é.

— Eu também sei quem você é. — disse eu. — Você é um garoto morto se não der fora daqui!

— Você não iria me matar.

Ergui uma sobrancelha. Levantei um lado de minha jaqueta, coloquei a mão dentro e tirei um machado. Kayro arquejou.

Avancei sobre ele, dando-lhe uma rasteira. Kayro caiu de costas com um baque. Pus meu pé sobre o peito dele e levantei o machado.

— Querendo bancar o valente, hein?

Ele estava com os olhos arregalados e respirando ofegantemente, mas mesmo assim falou:

— V-v-você não vai me matar por que... Eu sei quem é que está por detrás dessa máscara. — ele inspirou. — É você Raphael.