E Se fosse verdade? 2

17 Fazemos uma encenação de The Walking Dead


Notas iniciais
Só digo uma coisa: Fãs de Maze Runner, fiquem atentos a surpresas aqui. huehuehue

Não vou dizer que tive sonhos naquela noite. Era mais como uma visão.

Eu me vi usando a máscara e atacando todos os meus amigos do Acampamento Meio-Sangue. Vi-me com um lança-chamas, e com ele, incendiava tudo o que via, tanto os campistas quanto o acampamento. Vi o terror nos rostos deles e o quanto sofriam quando o fogo os pegava.

A cena mudou, e agora, eu me via com uma espingarda, mirando e atirando. Aquilo era horrível. Uma calamidade. Aqueles que eram atingidos ficavam com um buraco em seus corpos, e o sangue espirrava para todos os lados. Me vi enfiar uma metralhadora na boca de um pobre garoto e apertar o gatilho. As cenas eram tão apavorantes que eu queria parar de ver, mas não dava. Tudo o que via era os clarões dos tiros, sangue, gente gritando e corpos deformados.

A cena mudou mais uma vez, e agora, eu via Annabeth no chão com o ombro ferido gravemente. Estava em carne viva. Ela tentava se afastar de mim, arrastando-se. O meu eu louco do sonho apontou a metralhadora para ela, mas hesitou. E ficou um bom tempo hesitando. Quando de repente o eu louco deu um grande sorriso, mostrando os dentes enormes, e começou a disparar tiros contra a cabeça de Annabeth. Os gritos delas ecoaram em meus ouvidos, e o sonho/visão se dissolveu.

Acordei gritando e suando frio.

Percy e Kayro sentaram-se atordoados.

— O que foi? — exclamou Kayro, cambaleando de sono.

— Hã... O que foi isso? — perguntou Percy.

Eu respirava ofegantemente e tremia por causa do que acabara de ver. O que será que foi aquilo? Uma visão real? Ou só um sonho?

— Ei, cara. — Percy colocou a mão em meu ombro. — Tudo bem?

Aquela pergunta foi tão tosca que tive vontade de chorar. É claro que não estava nada bem.

— Não, não está. — respondi, a voz tremendo.

O quarto inteiro estava em escuridão. Kayro tentou ligar o abajur, mas este não ligou.

— Ah, pra variar. — murmurou ele. — Esperem, vou ver se tem uma lanterna em minha mochila.

Enquanto ele procurava sua mochila, contei-lhes o que eu vira. Aquilo sendo relatado, e ainda mais na escuridão, dava mais medo ainda.

— Nossa. — sussurrou Percy. — Calma, cara. Foi só um sonho.

Eu ri de nervoso.

— Um sonho? Não, parecia ser mais que só um simples sonho.

— Tá certo. Mas olhe... vamos voltar a dormir. — decidiu ele. — Sei que isso foi horripilante. Acredite, agora que você contou isso, estou morrendo de vontade de sair desse quarto.

— Droga. — resmungou Kayro. — Não estou achando minha mochila. Deixei-a bem aqui, perto do abajur.

Respirei fundo. Tentei me acalmar. Percy tinha razão, era melhor voltarmos a dormir.

Deitei-me na cama, mas de repente, ouvi um estalo agudo dentro do nosso quarto. Meu coração pareceu ter dado um mergulho nas águas congelantes do Alasca.

Sentei-me abruptamente.

— Vocês ouviram?

Percy resmungou do meu lado, com sono.

— O quê?

— Esse estalo. — falei, impaciente. — Fala sério, você ouviu sim.

— Tudo o que ouvi foi o sono me chamando. — murmurou ele.

Outro estalo, e dessa vez ouvi mais uma coisa. Parecia ser um som de alguém gorgolejando. Pude sentir uma presença no nosso quarto. Meus pelos se arrepiaram. Meu coração disparou.

— Agora v-você ouviu? — perguntei apavorado, encolhendo-me na cabeceira da cama.

— Parece que... — Kayro inspirou do meu lado. — tem alguém aqui dentro.

Fiquei com vontade de ir ao banheiro. Por que sempre nessas horas o corpo quer ir ao banheiro? É tipo: Meu Deus, tem algo assustador dentro do quarto. Mas antes de ver o que é e fugir, vá ao banheiro primeiro. Como se fosse algo importante nessa hora.

Percy encostou-se em mim. Não vi o que ele estava fazendo, mas com certeza havia tirado a tampa da sua caneta letal, por que contracorrente apareceu lançando um leve brilho nas paredes.

— Guarde isso. — sussurrei. — O que quer que esteja aqui dentro pode nos atacar.

Um grunhido baixo veio da nossa frente.

— Eu vou ver o que é. — disse Percy. A lâmina iluminou seu rosto por um breve momento. Seus olhos estavam vidrados e arregalados. Quando nesse momento, Kayro exclamou:

— Encontrei!

Quase tive uma parada cardíaca. Kayro ligou uma lanterna e iluminou o local a nossa frente. Um longo feixe de luz atravessando a escuridão. O suor escorria pelo meu pescoço. Mas não vimos nada. O quarto estava vazio, a não ser por nós. Já estava ficando cansado de estar em pânico.

— Não há nada. — sussurrou Kayro. Mas quando ele iluminou o chão, uma onda de náuseas misturado com horror inundou meu ser.

Uma forma esquelética de uma pessoa estava acocorada no chão, com os braços longos e cheios de feridas servindo como apoio. Ele olhava para nós fixamente com os olhos injetados de sangue. Saliva escorria da sua boca, a qual estava dilacerada, com uma parte dos lábios rasgados. Os dentes eram sujos e amarelados. As bochechas estavam cortadas e vertiam sangue. O couro cabeludo estava em carne viva, e de dentro saia uma secreção. Sua pele era pálida, suada e suja de lama e cheio de feridas abertas avermelhadas. E usava somente um short esfarrapado no corpo raquítico.

Aquela coisa anormal fez um som gorgolejante, depois rosnou como um animal louco.

Kayro foi o primeiro a desencadear o caos. Ele largou a lanterna, fazendo a gente perder de vista aquele morto-vivo, e começou a berrar, pulando sobre nós e indo para o canto da parede. Quando percebi que não dava mais para ver o morto-vivo, dei um grito de puro terror que rasgou minha garganta e a fez arder. Saí da cama desesperado. Percy permaneceu lá, parado e olhando para a escuridão a nossa frente.

— Percy! — berrei.

Vi um vulto negro subir na cama e andar, da mesma forma que os macacos andam, se aproximando de Percy.

— Ligue a luz! — gritei para Kayro, que estava atrás de mim e não se mexia por nada.

Quando vi aquela coisa atacar Percy, peguei o abajur e joguei com toda a força em sua direção. O abajur o atingiu na cabeça fazendo-a tombar para o lado. Ele emitiu um grunhido torturado. Percy por fim saiu do estado de paralisia, e o chutou no peito, mandando o zumbi para longe. Corri para ligar a luz, quando senti mãos ossudas e asquerosas me pegarem nas pernas. Uma descarga de adrenalina percorreu meu corpo. Comecei a gritar e a chutar. Mas aquelas mãos eram fortes e persistentes. Agarraram minhas pernas e me puxaram, fazendo-me cair de costas batendo a cabeça no chão. Uma tontura me acometeu.

— Cadê a lanterna? — gritou Percy.

Senti o zumbi subir em cima de mim, ficando cara a cara comigo. Ele fez um som de pura loucura, como se alguém estivesse tendo uma convulsão.

— AAAAHHH! — gritei, esperneando. O pavor era tão grande que as lágrimas encheram meus olhos. Dei um murro em seu rosto, mas ele mordeu meu braço, provocando uma dor extrema. Minha garganta estava ardendo de tanto gritar.

— Sai daqui! — Percy veio por trás e lhe empurrou, fazendo-o sair de cima de mim. Vi Kayro pular sobre mim e acender a luz. Meus olhos doeram um pouco, mas não me importei. Levantei-me e corri para perto dos meus amigos, chorando feito um bebê.

— Ah, deuses! Ah, deuses! — gritava Kayro.

Vi que a porta havia sido arrombada. Pedaços dela estavam caídos do lado de fora. Quando percebi que a porta do quarto das meninas, que era bem na frente do nosso, estava aberta. Não podia aceitar a ideia de que o zumbi tivesse atacado Annabeth e Ashley também.

Atrás de nós, o zumbi levantou-se e mirou seu olhar em mim. Não sabia o porquê, mas senti que ele estava totalmente interessado em me matar. Os outros não importavam. Eu era que tinha de ser morto.

— Ele quer você! — exclamou Percy para mim. Ele ficou a minha frente e ergueu sua espada. — Se o quiser, terá de passar por mim!

Sangue escorria das bochechas do zumbi. Percebi que meu corpo estava manchado de sangue, o que me fez querer vomitar. Meu braço estava com a marca da mordida e melado de baba que tinha um fedor terrível. Precisei pensar em coisas agradáveis nesse momento, por que eu estava a ponto de vomitar de verdade.

O zumbi hesitou, olhando para a espada de Percy. Seus olhos eram arregalados e insanos. Quando pensei que tudo não podia piorar, ele falou:

— Saia do meio, Perseu Jackson. — quando eu o ouvi falar, me tremi inteiro. Sua voz era como grunhidos, e soava como se alguém estivesse com muito catarro na garganta. — Você não deve se meter nas questões dos outros. — continuou o zumbi. — Meu objetivo é destruir este meio-sangue. — ele apontou o dedo ossudo para mim. — Fui enviado para isso.

O estranho foi que em vez de eu sentir medo, senti raiva. Como se eu já não tivesse problemas o suficiente. O que será que eu havia feito para esse zumbi idiota para ele querer matar só a mim? Mas... ele disse que havia sido enviado para isso. Para me matar. Então... o zumbi estava sendo usado por outra pessoa. Mas quem seria?

— Espere... você foi enviado para me destruir? — perguntei. — Por quê? O que eu fiz? E quem enviou você?

— Cale-se seu assassino! — sibilou. O chão abaixo dele estava formando pequenas poças de sangue. A boca dilacerada e cortada dava-me ânsias de vômito. — Você matou gente inocente. Destruiu pessoas da sua própria espécie e do seu próprio lar. Precisa pagar por isso.

Fiquei completamente confuso quanto aquilo. Mas conseguir rir.

— Eu sou assassino? Okay. Até porque sou um morto-vivo horrível e cadavérico que está tentando matar três garotos inocentes em uma casa.

O zumbi rosnou e partiu para cima de Percy, que ergueu a lâmina, pronto para parti-lo em dois. Mas uma coisa fora do normal aconteceu. Além dessa que estava acontecendo agora.

Quando o zumbi saltou para cima do meu amigo, com a boca aberta escorrendo saliva e os braços erguidos, o tempo pareceu ficar mais devagar. Pude ver a lâmina de contracorrente atravessar o seu corpo pelo o meio, mas... ele não se desintegrou. Não sofreu nenhum dano. O tempo fluiu normal de repente, e o zumbi caiu em cima de Percy, que caiu em cima de mim, e eu caí em cima de Kayro. Uma perfeita queda de dominó.

— Aaarrrggghhh! — o zumbi gritava e arranhava Percy, que se debatia em desespero.

Pensei em Igor e Grover. Se morrêssemos, eles também estariam mortos. Pensei na máscara. Ela seria útil até demais nessa hora. Mas não a tinha comigo. Então, fingi que a estava usando. Pensei no que eu faria se estivesse com ela.

Uma raiva encheu meu peito. Havia me esquecido da minha espada em meu bolso. Avancei com tudo para o zumbi que começava a entortar o braço de Percy.

— AAHHHH! — gritei e lhe dei um chute no rosto. Sua cabeça tombou para trás violentamente e ele caiu de costas.

Percy levantou-se em choque, seus braços arranhados e feridos, e gritou:

— Vamos fugir daqui!

Mas a raiva impediu-me de fazer isso. Tirei meu celular do bolso e puxei a antena. Em meio segundo eu tinha uma espada nas mãos. Olhei para aquela coisa magra e deformada, que agora espumava pela a boca.

— Morra! — e enfiei a lâmina em seu peito.

Silêncio total. O zumbi havia fechado os olhos e parado de se mexer. Olhei para a lâmina cravada em seu peito... e percebi que ela não estava cravada. Ela estava... estava... passando através dele, como se fosse uma ilusão.

— Como assim? — exclamei.

O zumbi abriu os olhos vermelhos e olhou para o seu peito. Acho que havia chegado à conclusão de que a espada não lhe fizera nenhum mal.

— Corre! — gritei e puxei a espada. Então Percy e eu saímos dali em disparada. Kayro não estava mais ali com a gente. Pra onde aquele lesado tinha ido?

A casa estava escura, a não ser pela a fraca luz da lua que entrava pelas janelas. Por onde a gente corria, nós acendíamos as luzes, como a da sala, cozinha, banheiro. Não ouvi nenhum som de perseguição. Demos a volta na casa pelos os corredores até dar de cara com uma porta entreaberta. A luz que vinha de dentro se estendia pelo o chão.

— Deve ser o quarto do sr. Richard! — exclamei, ofegante. Meus músculos tremiam de exaustão. Não conseguia ar suficiente para respirar, de tão cansado e apavorado que estava.

— Vamos avisá-lo e fugir daqui! — disse Percy.

Quando Percy tocou a maçaneta, a porta se abriu de uma vez.

— Ah! — gritamos e recuamos, as espadas levantadas. Mas era Kayro. Ele estava na entrada com os olhos cheios de medo.

— O sr. Richard não está aqui! — gritou ele.

O quê! Onde ele está? — exigi.

— E eu vou saber? Vamos procura-lo.

Nos viramos para correr, mas adivinha quem estava bloqueando o nosso caminho? Sim, isso mesmo, aquele cadáver vivo esquelético.

— Não adianta fugir, Raphael Victor. — grunhiu ele. — Você pagará por seus assassinatos.

Ele avançou em nossa direção. Quando atrás de nós, ouvimos uma voz gritando:

— Abaixem-se!

Dei uma rápida olhada antes de abaixar-me. O sr. Richard estava ali, com uma espingarda grande nas mãos, e apontava para nós... ou para o zumbi. Compreendi o que ele ia fazer rapidamente. Percy, Kayro e eu nos lançamos ao chão no exato momento em que o zumbi me agarrou pelas pernas, e um forte som de explosão ecoou.

No segundo seguinte, tudo o que me lembro de ver era o zumbi sendo lançado para trás violentamente, e o seu peito com uma grande cratera.

Silêncio total. Um cheiro de pólvora empestou o ar.

— Vocês estão bem? — perguntou o sr. Richard.

Diante daquela pergunta, quis gritar com ele e lhe dar uma voadora, dizendo que não estávamos. Mas sabia que não poderia. Ele tinha acabado de nos salvar.

— Essa foi... — Kayro engoliu em seco. — Por pouco.

Agora que a situação amenizara, sentia vontade de me encolher no chão, e chorar. Queria ficar sozinho e deixar as lágrimas rolarem. Me sentia horrorizado. Traumatizado. Desesperado. Tudo com “ado”. No entanto, sabia que tinha que me conter. Não podia parecer um fracote chorão naquela hora.

— Santo Poseidon. — Murmurou Percy, os olhos piscando muito. — Aquela coisa parecia que havia saído do The Walking Dead.

— O... Ah... Hã... — eu tentava falar, mas não saia nada. Minha garganta estava fechada.

Olhei para o zumbi morto. Ah, que ironia. Zumbi morto. Óbvio que zumbis são mortos, mas o problema é que eles estão vivos. Hahaha... sacou? Zumbi morto. Haha... Okay, deixa pra lá.

— Meus deuses. — Kayro olhava para o cadáver do zumbi. (Certo, zumbis já são cadáveres, só que vivos, mas não estou nem ai.) — Como isso entrou dentro dessa casa?

— Eu não sei. — falou o sr. Richard limpando sua espingarda com um pano. — Mas confesso que já vi muitas pessoas desse jeito. Não só aqui, mas em cidades grandes também.

— Quer dizer que existem mesmo zumbis? — perguntei, levantando-me.

— Não, garoto. Não existem zumbis. Pelo o que eu soube, é por causa de uma doença, um vírus para ser exato, que se instala no cérebro das pessoas, e com o passar do tempo, vai tornando-as insanas. Elas perdem o juízo por completo e passam a ter comportamentos selvagens. Alguns acabam tendo um comportamento canibal, e devoram-se uns aos outros. Por isso eles são cobertos de feridas e deformados.

— Um... vírus? — perguntou Percy confuso.

— Isso mesmo.

— E que vírus é esse?

O sr. Richard suspirou.

— Eles o chamam de Ful...

— Espere! — interrompi. Minha mente girava. — Então quer dizer que... — apontei para o corpo do zumbi. — ele estava com esse vírus dentro dele?

— É provável. Mas algumas pessoas são imunes a esse vírus. Não sei o porquê. — o sr. Richard pigarreou e olhou para mim. — Agora, não sei por que este estava tendo um interesse especial em lhe matar.

— Hã... eu também não sei. Sinceramente.

— Pelo o que eu ouvi você é um assassino, e matou diversas pessoas.

Meu coração se apertou.

— Eu não sou um assassino! Não matei nenhuma pessoa na minha vi... — interrompi-me, lembrando-me de algumas coisas que o zumbi dissera.

Você matou gente inocente. Destruiu pessoas da sua própria espécie e do seu próprio lar. Precisa pagar por isso.

Destruí pessoas da minha própria espécie... do meu próprio lar. No começo não havia entendido, mas agora comecei a perceber que fazia um pouco de sentido naquilo. A Máscara. O cabeção. A visão que eu tive de mim fazendo uma carnificina no acampamento. Será que aquilo...

— Ora, ora. — disse uma voz estranha, vindo detrás de sr. Richard. — Então aqui está você Raphael Victor.

O sr. Richard se virou e recuou um passo, mirando a espingarda em... Annabeth.

— Não pense que irá escapar. — disse ela. — Você irá morrer pelo o que fez... Seu assassino!