E Se fosse verdade? 2
40 Atlas experimenta uma torta
— Ahhhh!
Ashley não parava de gritar. Por que ela fazia aquele escândalo todo? Será que era só por causa de a gente estar voando nas costas do dragão, e de repente vem um vento fortíssimo e nos arremessa para o lado fazendo Annabeth e o dragão perder o controle e começar a cair? Por favor, né? Vamos ser mais calmos. Ela devia me tomar como exemplo naquela hora. Eu era o mais calmo dali. Sabia que tudo ia dar certo. Sabia que...
— Socoooorrooo!
Annabeth deu uma cotovelada bem no meu rosto.
— Pare de gritar no pé do meu ouvido, seu idiota!
Eu me desequilibrei e quase que ia despescando das costas do dragão, o que me fez berrar de terror e meu coração congelar. Meu rosto pulsava de dor. Bati nas costas de Annabeth e gritei:
— Precisa me bater?
— Eu vou é lhe matar! — rosnou ela.
— Estamos caindo rápido demais! — berrou Ashley.
O vento assoviava em meu ouvido. O dragão rugia e tentava voltar a voar, mas não adiantava. Percy exclamou atrás:
— Foi Zeus quem fez isso!
— O quê? — gritei.
Annabeth puxou a corda que estava por entre a boca do animal, e logo ele estendeu as asas e começou a planar. O chão começava a ficar mais perto.
— Voe seu idiota mitológico! — gritou Annabeth para o dragão, o qual rugiu e começou a bater as asas, ganhando altitude. O MonteTAM estava agora a poucos metros de distância. O grande redemoinho se aproximava da gente.
— Ah, deuses! — Ashley se agarrava com força a minha cintura. — Meus deuses... eu pensei que iria cair.
— E eu? — quando olhei, Percy estava também agarrado a cintura de Ashley com os olhos arregalados. — Tive um infarto quando lembrei que Zeus me proibira de viajar no ar.
Um trovão ecoou no céu. Meus pelos se arrepiaram. Meu estomago se contorcia de terror.
— Zeus não vai nos atirar para longe de novo, não é? — perguntei. — Quer dizer, ele deve ser bondoso. — sorri para o céu. — Muito bondoso e educado. Sensato, inteligente...
Percy pigarreou e sussurrou:
— Okay, não vamos forçar a barra.
— Iááá! — Annabeth bateu a corda e o dragão começou a descer velozmente em direção ao Monte Tam. — Uhhuuu! Chegandooo!
As nuvens cinza escuras rodopiavam e trovejavam. Abaixo, Atlas segurava-as. Me perguntei se aquelas nuvens eram mesmo pesadas.
O dragão sobrevoou o lugar, descendo em espiral, até ficar somente alguns metros do chão. Um calafrio percorreu minhas costas. Havíamos chegado. A gente estava de fato ali, no Monte Tam, o antigo palácio do exército inimigo. A tão temida luta estava mais próxima do que eu imaginava.
— Desçam. — disse Annabeth, e saltou das costas do dragão. Fizemos o mesmo. O animal olhou para a gente com um pingo de solidariedade, mas depois rosnou e saiu voando.
Um silêncio encheu o local.
Eu olhei ao redor, sentindo a tensão no ar.
— Vocês... — rosnou Atlas debaixo do peso do céu. — Vocês... seus malditos! Desgraçados! Que o sangue de vocês seja derramado hoje.
Annabeth se aproximou dele e lançou uma torta em sua cara, deixando-a totalmente branca.
— Aaarrgghhh! — rugiu Atlas fazendo a montanha tremer. — Maldita!
— Cale a boca, seu estúpido! — riu Annabeth.
Percy destampou Contracorrente, olhando ao redor, e sussurrou:
— Annabeth, por favor, pare com isso. Temos que nos preparar para...
— Ora, ora, ora. — ecoou uma voz. Um cara apareceu a nossa frente, com os braços cruzados e uma expressão de escárnio. Fobos. — Então... finalmente os amiguinhos chegaram.
Peguei meu mini celular do bolso.
— Onde estão meus amigos? — rosnei.
Ele deu de ombros.
— Não sei. Acho que... já morreram. Sabe, vocês estão atrasados.
Me segurei para não avançar para cima dele.
— Você está mentindo! — gritou Ashley, apontando sua faca para o deus menor. — Diga logo!
Ele estendeu a mão.
— Primeiro, a Máscara.
Annabeth, que estava usando-a, riu e veio até nós.
— Você quer a Máscara? Vem pegar, deus do medinho.
— Sabe que esse jogo não rola comigo. — sorriu ele.
— É, eu sei. — Annabeth desembainhou duas espadas longas e afiadas. — Mascomigo rola. Vamos brincar em modo medieval, okay?
Fobos hesitou. Por um segundo, vi tensão e insegurança no olhar dele. Mas depois sorriu novamente.
— Não vou cair na sua armadilha, filha de Atena.
— Ah, acho que vai.
Em um rápido movimento, Annabeth avançou e saltou sobre ele, mas o deus desapareceu.
— Covarde! — gritou Annabeth. — Brincando de esconde-esconde, hein? Apareça!
Ele apareceu atrás dela, com uma espada nas mãos, e a enfiou em suas costas, fazendo a ponta sair pelo o outro lado.
— Argh! — Annabeth arqueou as costas.
— Pensa que é forte? — rosnou Fobos.
— Não senhor. Penso que sou inteligente.
Ela pulou para o lado e disse:
— Buumm pra você!
Em questão de segundos, vi que aos pés de Fobos havia uma granada, a qual explodiu, fazendo o deus sair voando de costas. Icor dourado, o sangue dos deuses, escorria pela a sua testa.
— Vou acabar com você! — gritou Fobos.
— Quero ver você tentar. — sorriu Annabeth, com as duas espadas nas mãos.
Fobos desapareceu. Annabeth girou como um redemoinho e ficou indo de um lado para o outro. Percy, Ashley e eu não conseguíamos fazer nada, a não ser observar.
— Tralálá, li lá lá! — cantarolava Annabeth.
Foi quando Fobos apareceu e saltou sobre ela fazendo-a cair no chão. Mas Annabeth o chutou, lançando-o por cima de sua cabeça. No entanto o deus do medo não recuou, e avançou contra ela. Espadas se chocaram fazendo fagulhas voarem. Os dois trocavam golpes, se abaixavam e recuavam. Annabeth se agachou e fez um belo corte na coxa do deus menor.
— Arrgh! — rugiu ele.
— Sabe, eu estava pensando. Pra que lutar com espadas... — ela largou as duas espadas e saltou para trás, fazendo uma metralhadora potente aparecer do nada. — Se você pode materializar qualquer arma!
E começou a atirar.
RATATATATA!
Vários tiros saíam de segundo em segundo. O som parecia daquelas britadeiras quando está perfurando o chão. Fobos arquejou e desapareceu na mesma hora, fazendo com que o chão aos seus pés se enchesse de buracos.
— Hahaha! — gargalhou Annabeth. — E o deus do medo sai amedrontado.
Nesse momento uma voz disse as minhas costas:
— Então vocês querem brincar?
Virei-me, e vi Deimos no meio dos meus dois amigos, Igor e Grover, o qual estavam no chão imóveis e com os olhos fechados. Meu coração se apertou.
— Solte-os! — gritei.
— Sim, vou soltá-los. — Deimos agarrou a cabeça de Grover com as duas mãos e sorriu para nós. — Pensam que estou brincando? Se sua amiga não nos der a Máscara, juro que vou quebrar o pescoço do sátiro. E vocês sabem que eu sou bastante rápido para fazer isso.
Silêncio.
Percy pôs a mão em meu ombro e olhou para Annabeth.
— Entregue a Máscara.
Ela rangeu os dentes.
— Eu posso mata-los!
— Por favor Annabeth.
— NÃO! — ela rugiu. — Não vou tirar! Não enquanto eu estiver no comando! Eu posso matar esses dois deuses e soltar seus amigos.
Eu me arrepiei inteiro. Aquilo não parecia ser Annabeth.
— Hã... Annabeth?
— Eu... — ela caiu de joelhos. — Eu não estou... Conseguindo... — Annabeth apontou a metralhadora para o céu e disparava tiros enquanto gritava. — Aaahhh! Me ajudem!
— Ela está em perigo!
Percy correu até ela, mas eu o detive.
— É perigoso demais. — avisei.
Ela rangeu os dentes, colocou as mãos atrás da cabeça e puxou a Máscara. Ela saiu.
— Okay, okay. — Annabeth chorava, trêmula. — Eu desisto! Fique com essa coisa.
Ela se levantou, aproximou-se de nós, e jogou a Máscara no chão aos pés de Deimos.
— Tome. Não quero mais ver isso.
— Não. — eu disse, com os dentes trincados. — Não pode dar para ele.
Deimos pegou a Máscara, com um sorriso malvado.
— Finalmente. — sussurrou ele. — Vou ter poder ilimitado. Um poder que nenhum deus jamais vai experimentar! — ele olhou para nós. — E devo isso tudo a vocês.
Fale com o autor