E Se fosse verdade? 2

41 Kayro faz uma visitinha


Tudo está perdido!

Era o que eu pensava a todo o momento. Não acreditava que aquilo estava de fato acontecendo. Não podia ser. Viajamos tanto, enfrentamos diversos monstros, pessoas loucas, o sol escaldante, e havíamos perdido um amigo (que estava vivo) para que quando chegássemos ali, a Máscara, que tanto causara problemas e era um perigo em mãos erradas, caísse nas mãos erradas. Sentia-me um inútil, um fracote e desanimado. Eu e meus amigos não poderíamos fazer mais nada se Deimos colocasse a Máscara. Estaríamos mortos em questão de segundos. Portanto, tentei ganhar tempo enquanto pensava em algo.

— Espere! — disse eu. — Solte meus amigos. Esse era o combinado.

Deimos olhava para a Máscara, mas levantou seus olhos e me olhou.

— Solte-os você mesmo.

Ele se afastou de Igor e Grover, que ainda permaneciam imóveis, enquanto estudava o artefato mágico.

— Posso fazer tudo o que quiser. — murmurava ele. — Ser quem eu quiser. Meus poderes irão aumentar incrivelmente. Posso ser ferido, mas não vou sentir a dor.

Annabeth e Percy correram para ajudar Grover e Igor. Ashley olhava para Deimos, e eu podia ver que ela estava pensando o mesmo que eu. Bolar algum plano estratégico para tirar a Máscara dele, antes de usar.

— Ei. — segurei sua mão. — Vai dar tudo certo. Vamos conseguir. Somos quatro semideuses contra dois deuses menores. Querendo ou não, estamos com um pouco de vantagem.

Ashley murmurou:

— Mas se ele colocar a Máscara, quatro semideuses não adiantarão de nada.

Ela tinha razão. E eu confesso que estava com medo e assustado. Podia sentir que o pior estava por vir. Eu a abracei com força e sussurrei uma coisa que, se eu não estivesse com medo e assustado, não falaria:

— Eu te amo.

Ashley ficou boquiaberta, mas retribuiu o abraço.

— Estou com medo. — ela sussurrou em meu ouvido. — Sinto que alguém vai... morrer.

— Ei, pare com isso. Ninguém vai morrer. — antes que eu perdesse a coragem, dei um beijo nela e disse: — Quando isso tudo acabar, voltaremos para o acampamento. Eu prometo.

Ela me olhou, agradecida.

— Vamos lutar até o fim.

— Até o fim. — concordei.

Fomos até Percy e Annabeth, que estavam ajoelhados e tentavam acordar Igor e Grover. E quando vi os rostos deles, meu coração desabou. Estavam cheios de marcas vermelhas e arroxeadas. Os punhos estavam marcados por causa da corda. Um olho de Grover estava inchado. Os lábios de Igor estavam cortados.

— Não sei por que não reagem. — disse Annabeth, atônita. — Já fiz de tudo.

— E o pior é que não tenho mais ambrosia. — murmurou Percy, olhando para Grover.

Senti uma raiva enorme. Puxei a antena do meu celular, fazendo a espada aparecer.

— Levem-nos a um lugar seguro. — disse eu, tentando me conter. — Vamos mantê-los longe, enquanto lutamos contra esses dois deuses imbecis.

— Lutar? — riu Percy. — Você está de brincadeira? Eles já tem a Máscara. Não há nada que possamos...

— Raphael está certo. — interrompeu Annabeth. — Temos que lutar. Não podemos deixar a Máscara nas mãos deles. O mundo vai virar uma desolação se deixarmos.

Ela estendeu a mão.

— Quem está comigo?

Ashley colocou sua mão sobre a de Annabeth. Eu fiz o mesmo. Percy sorriu e disse:

— Por isso namoro você, sabidinha. — e pôs sua mão sobre a minha.

Annabeth e Ashley arrastaram Igor e Grover para longe dali, enquanto Percy e eu estávamos com nossas espadas nas mãos.

— Já? — sorriu Deimos, que parecia estar nos observando faz tempo. — Até que enfim. Estou ansioso para experimentar os truques desse brinquedo.

— Vamos ver se você sabe lutar sem essa Máscara. — rosnou Percy.

Deimos gargalhou.

— Boa tentativa, filho de Poseidon. Mas não. Esperei tempo demais para usá-la. — ele ergueu a Máscara. — Contemplem o novo deus do Pânico.

Mas quando ele foi coloca-la, Fobos apareceu de repente e tomou o objeto de suas mãos.

— Desculpe, irmão. Mas foi eu quem teve a ideia de pegar essa coisa. Então eu uso primeiro.

E colocou-a sobre o rosto.

— Não! — exclamei.

A Máscara grudou e começou a se fechar sobre a cabeça do deus, enquanto trovões e relâmpagos troavam e cintilavam a nossa volta. Deimos recuou, e Fobos girava como um redemoinho à medida que se transformava. Meu coração batia tão forte de desespero que eu o podia ouvir batendo.

— É agora. — sussurrou Percy. Ele olhou para mim e disse: — Se esse for o fim, quero dizer que... eu tenho orgulho de ser seu irmão.

Olhei para ele, e conseguir sorrir.

— Eu digo o mesmo. Meu melhor amigo e irmão.

— Vocês já acabaram de se declarar um para o outro, seus maricas?

Olhei, e Fobos estava com um machado nas mãos. A cabeça estava maior e verde, com um sorriso maligno. Estava com uma jaqueta de couro cinza e calças xadrez vermelhas. Ele balançava o machado e nos olhava.

Cara, sem mentira, eu quase que me molho nas calças ali mesmo. Por que se você um dia se deparar com esse sujeito olhando para você com uma expressão assassina, e com um machado nas mãos, com certeza iria se tremer de cima a baixo de terror.

— Vejamos quem eu mato primeiro. — ele sorriu.

— Ei. — Deimos empurrou Fobos. — Combinamos que quem pegasse a Máscara primeiro, este é quem devia usa-la.

No entanto, Fobos girou o machado e golpeou Deimos no peito com força, fazendo-o voar de costas.

— Eu uso essa Máscara. E ninguém vai tirá-la de mim.

Percy e eu erguemos nossas espadas.

— Hã... é... que tal a gente conversar um pouco? — perguntou Percy.

— Não se preocupem. — disse Fobos. — Vocês terão a oportunidade de conversar todo o dia com os espíritos do Mundo Inferior, depois que eu os esmagar da forma mais brutal possível.

Ashley e Annabeth se colocaram ao nosso lado, sacando suas facas.

— Vamos lutar até o fim. — rosnou Ashley.

— Há! Ótimo. Quatro filhotes de deuses, então? Beleza. Acabei de ter uma ideia. Vou matar cada um de vocês de uma forma diferente. Assim não ficarei enjoado de matar todos da mesma forma.

Ele apontou para Percy, e sorriu:

— Tu vai ser o primeiro.

E avançou para cima do meu amigo.

Eu não ia deixar esse monstro mata-lo. Não aceitaria. Se fosse para morrer, que fosse defendendo meus amigos.

Rangi os dentes e ataquei, gritando de ódio.

— Aaaahhhh!

Fobos gargalhou. Quando me aproximei, ele desceu o machado, pronto para me partir em dois, mas meus sentidos estavam aguçados. Saltei para o lado e a lâmina cravou-se no chão. Contra-ataquei, golpeando suas costas com minha espada.

— Ugh! — gemeu Fobos. Icor dourado jorrou, mas eu sabia que aquilo não surtia efeito nenhum.

Recuei, respirando ofegantemente. Fobos olhou para mim eRIU.

— Não doeu nadinha.

— Que pena. — murmurei. — Mas sabe... você está ferrado!

Quando Fobos olhou para frente, Annabeth já estava perto o suficiente para dar um belo corte em seu rosto e depois saltar para trás.

— Você mexeu com os semideuses errados.

— Jura? — murmurou Fobos, erguendo o machado. — Tanto faz, então.

E avançou, mas não sobre Annabeth, mas sim sobre Percy. Eu sabia que ele queria mata-lo primeiro.

— Filho de Poseidon, não se mexa!

Percy rolou para o lado enquanto o machado do deus cortava o ar. Ashley procurava ficar atrás dele, mas não conseguia. Annabeth gritou para que nos espalhássemos. Então cada um foi para um canto.

— Bela estratégia, filha de Atena. —RIU o deus do medo mascarado. — Mas não adianta mesmo assim.

Ele jogou o machado na direção de Percy, mas ele se desviou. No entanto, Fobos se aproximou deleRÁPIDO demais. Tirou um revólver de dentro da jaqueta e disparou.

— NÃO! — gritou Annabeth.

O tiro teria pegado na barriga, mas ele pulou para o lado novamente, e a bala entrou em sua coxa.

— AAAAHHH! — Percy caiu no chão, segurando sua coxa.

— Percy! — gritei.

— Até que enfim acertei o alvo. — resmungou Fobos.

Annabeth avançou sobre Fobos, o qual tirou duas granadas da jaqueta e jogou em sua direção.

— Olha a bombinha.

Arregalei os olhos, mas Annabeth deu um mortal para trás, saindo de perto das bombas, a qual explodiram.

— Adoro esse som. —RIU Fobos.

Percy continuava gemendo e se encolhendo, enquanto o sangue se derramava no chão.

— Mudança nos planos. — disse o deus. — Prefiro ver vocês feridos, sofrendo e gemendo, para depois mata-los. Sim. Isso é mais legal. — ele apontou para Annabeth. — Tua vez, filha de Atena.

— Pode vir. — rosnou ela.

Fobos tirou uma faca da sua jaqueta.

— Tu não gosta tanto de faca? Pois vai ser ferida e morta por ela.

Ele correu em sua direção. Ashley e eu corremos também, pronto para impedi-lo, mas uma coisa aconteceu.

Fobos ergueu sua mão em nossa direção, e uma onda de medo veio sobre a gente. Ashley e eu caímos no chão, atordoados e gritando. O deus do medo gargalhou.

— Eu ainda tenho meus poderes como deus.

Annabeth aproveitou sua distração e saltou em suas costas. Ergueu sua faca e a enfiou bem na cabeça.

— Ai! — gemeu Fobos. Ele começou a se debater, tentando tirá-la de cima. Mas Annabeth o esfaqueava constantemente, fazendo Icor dourado escorrer por entre os olhos.

— Seu demônio! — ela gritava. — Venha me desafiar novamente.

— Ahh! Você não sabe com quem está lidando! — rugiu Fobos. E girou como redemoinho, fazendo Annabeth ser jogada para longe.

— Annabeth! — exclamou Percy, se arrastando em sua direção.

Ela respirava pesadamente. Seu rosto estava suado e vermelho. Se levantou lentamente, mas uma faca se cravou em seu ombro, fazendo-a cair de costas.

— Aaaaahhhh! — gritou ela.

— HAHAHA! — Fobos gargalhou. — Eu te avisei.

De repente, outra faca voou e acertou Fobos na testa, fincando-se.

— Eu também lhe avisei. — rosnou Ashley, os olhos fervendo de raiva.

O deus apontou para Ashley.

— Tua vez, agora.

Ele avançou na direção dela, que estava desarmada e sem poder defender-se. Mas eu me lancei sobre ele com força, e nós dois caímos rolando no chão.

— Você! — rugiu Fobos. — Vou te...

Comecei a esmurrar seu rosto. Não me importei nem um pingo de minha mão ter ficada melada de sangue imortal. Após isso, ergui minha espada, e com toda a força cortei sua cabeça, que saiu rolando.

Um silêncio mortal pairou sobre o local. Meu peito estava acelerado como nunca. Eu tremia de terror e de fúria. Quando o braço direito de Fobos acertou meu queixo fazendo-me sair de cima dele. O deus sem cabeça se levantou, cambaleante, pegou sua cabeça e recolocou de volta no lugar.

— Não doeu nadinha. — sorriu ele.

Me levantei com raiva, mas ele deu-me uma rasteira. Caí de costas sentindo uma dor extrema. Fobos tirou a faca de Ashley que estava em sua testa, segurou meu braço, e com toda a força cravou a lâmina na palma da minha mão, atravessando-a.

— Aaahhhh! — berrei de dor. O sangue jorrou, e eu quase desmaiei. Meu corpo ficou frio e quente ao mesmo tempo. Sentia tudo se rasgando por dentro da minha mão. Eu me debatia gritando, mas minha mão estava presa. A faca provavelmente devia estar cravada na terra.

— Não pode sair, não é? — debochou Fobos. — Como prometido, feri vocês quatro. E agora que já vi vocês sofrendo e agonizando... — ele tirou uma metralhadora. — Hora de morrer.

— Ashley! — gritei.

— Ela não pode ouvir.

Quando consegui vê-la, ela estava caída no chão com uma flecha atravessando sua barriga.

— Nãããooo! — eu chorei.

Pronto. Era isso. Fim. Nossas vidas haviam terminado. A gente ia morrer ali mesmo. Tudo fora em vão. No final, a gente morreria mesmo.

— Adeus, meio-sangue. — disse Fobos colocado o bico da metralhadora em minha testa. Quando de repente, algo aconteceu.

Uma nuvem passou pela a Lua, deixando o ambiente ficar ainda mais escuro. As sombras se espessaram. O chão ficou negro como petróleo. Um formigamento me tomou.

— O que é isso? — perguntou Fobos.

Quando bem no meio da gente uma rachadura apareceu. E depois foi alongando-se, até que o chão se abriu, e uma mão ossuda saiu para fora agarrando o ar. Depois outra, e mais outra, até que três cadáveres horríveis saíram de lá.

— Ainda mais essa, hein? — resmungou ele. — Não me diga que Hades está tentando salvá-los?

Fobos foi para o meio, e de repente os três esqueletos desabaram, desmontando-se, ficando só os ossos. O deus franziu a testa. Quando uma granada surgiu no chão aos seus pés emitindo um bipe agudo.

— Armadilha! — berrou ele. Mas foi tarde demais. A granada explodiu, fazendo-o voar para longe e cair perto de Atlas, que estava com os olhos arregalados assistindo.

— Chegando! — uma voz ecoou. Até que alguém saiu do chão como se tivesse sido cuspido. A estranha pessoa se mexeu, tonto e cambaleante. — Ai. Odeio viagens nas sombras.

Aquela voz... Aquela voz... seria possível? Seria mesmo possível?

— Ka-Kayro? — Percy gaguejou.

Ele levantou a cabeça e sorriu:

— Achei vocês!

Outro garoto saiu do chão.

— Até que enfim chegamos.

Meus deuses. Era o garoto do sonho que falava com o fantasma.

— Hã... quem é você? — perguntei, gemendo de dor.

— Nico de Angelo. — falou ele. — Filho de Hades. Vim ajuda-los a pedido do meu amigo Kayro. Ele é muito insistente.