Notas iniciais
Oiee!!
Eu sei, eu prometi que iria tentar postar mais rápido, mas eu realmente estava sem criatividade para escrever esse capítulo... Eu simplesmente não sabia como passar para o pc o que estava em minha mente. Sem dúvidas esse foi o capítulo dessa segunda temporada que eu mais tive dificuldade de escrever... ç.ç Sorry por ter ficado uma M****.
Gostaria de agradecer a todos pelos reviews... eu amei.
Boa leitura.

"Me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso." (Provérbio chinês)



– Finalmente estou em casa. Não agüentava mais ficar um minuto no hospital, comendo aquela comida horrível e sentindo cheiro de medicamentos o tempo todo. – Reclamou Ian. Estava feliz por voltar para casa, mesmo estando em uma cadeira de rodas.

– Bem, agora você vai poder dormir na sua cama todos os dias e comer a comida maravilhosa da Maria. – Falou o seu irmão, sorrindo. Ele podia sentir uma leve tensão no irmão, mas ao mesmo tempo percebia que o mesmo estava feliz por estar de volta em seu lar.

– Tem certeza que eu posso ficar aqui Ian? Eu não quero incomodá-lo. – Perguntou à ruiva.

– Não será nenhum incômodo Jane, o apartamento é grande, sendo assim, cada um pode ficar em um quarto. Eu no meu quarto, o Lucas no dele – Falou, dando ênfase na parte sobre o Lucas em sua própria cama e não na do tio, como estavam acostumados – e você pode ficar com o quarto de hospedes. Além do mais, já que será você quem vai cuidar da minha reabilitação, acho que terei muito mais sucesso se a minha fisioterapeuta tiver mais tempo para me reabilitar. – falou com um sorriso no rosto enquanto olhava para a ruiva.


O Lucas que até então estava quieto em um canto da sala, apenas os observando, ao ver a maneira como o tio o dispensou e olhava para a ruiva, sentiu uma dor tão grande tomando conta de si que teve que sair da sala o mais rápido possível ou iria acabar chorando mais uma vez na frente de todos e, a última coisa que precisava naquele momento era da pena deles.


– Lucas! – Ouviu Daniel chamá-lo, mas não havia a menor possibilidade de respondê-lo, não sem a sua voz sair embargada devido ao choro prezo na garganta. Se recusava a ficar chorando o tempo todo pelos cantos do apartamento, mas o mesmo não podia dizer em relação ao seu quarto.


Entrou em seu antigo quarto e fechou a porta, encostando-se na mesma e deslizando o corpo até alcançar o chão. Ficou sentando no chão por alguns segundos antes de ouvir a voz do seu tio chamando-o, mas não respondeu. Apenas ficou um tempo o ouvindo chamar sem parar e às vezes batendo de leve na porta.


– Lucas abre a porta, por favor. – Pediu Ian, estava preocupado com o sobrinho. Não queria magoá-lo, mas parecia que tudo que ele falava ou fazia o deixava triste.

– Eu estou cansado, me deixe sozinho. – Disse com a voz baixa e um pouco mais trêmula do que imaginou que sairia.

– Vamos conversar Lucas. Por favor.

– Eu não tenho nada para falar com você agora. Apenas me deixe descansar e depois nós conversamos. – Disse o mais novo. Estava tentando ser forte, tentando não demonstrar a sua dor, mas estava cada vez mais difícil.


Já fazia um mês desde que Ian sofreu o acidente e desde então, Lucas estava tentando se aproximar do mesmo, mas a cada dia estava mais difícil suportar a dor de tê-lo perdido. Não agüentava mais olhá-lo sem poder tocá-lo, beijar cada pedacinho do seu corpo, sentir o seu cheiro, o gosto da sua pele, sem poder sentir aqueles lábios quentes e macios sobre os seus, lábios famintos e com um gosto único, um gosto que o deixava louco de desejo.


Ao perceber que o menor não iria abrir a porta, Ian voltou para a sala. Ainda precisava usar a cadeira de rodas, mas a cada dia ele avançava mais com o tratamento, a fisioterapia realmente estava fazendo milagres, pois ele já conseguia mover completamente as pernas contra a gravidade, embora ainda não conseguisse ficar em pé, mas segundo a Jane, se ele continuasse naquele ritmo, em menos de um mês já iria conseguir ficar em pé, com ajuda, é claro.


– Então? Conseguiu falar com ele? – Perguntou o Daniel. Este a cada dia ficava mais preocupado com o sobrinho.

– Não. Ele não quis abrir a porta. Disse que estava cansado e que depois conversaria comigo. – Ian abaixou a cabeça e depois olhou para o irmão. – O que vamos fazer com ele Dan?

– Eu não sei Ian. Esse garoto realmente te ama. Não tem idéia das coisas que ele passou por sua causa, para ficar com você. Tenho medo dele fazer alguma besteira.

– Eu também, mas não posso ficar com ele. Isso é completamente errado. Eu sou o seu tio.

– Você não se importou desse fato antes, pelo contrário. – Respondeu Daniel.

– Vai ficar jogando na minha cara agora. Eu sei que errei, mas não vou cometer o mesmo erro duas vezes. Não vou.

– Não é nada disso, Ian. Estou apenas tentando deixar claro que se os seus sentimentos em relação ao Lucas mudarem, não precisa ter medo de seguir o seu coração. Eu aceitei da outra vez e aceitaria novamente. Para mim, o que importa é a felicidade dos dois.

– Eu não vou ter um caso novamente com o meu sobrinho.

– O que existia entre vocês era muito mais que um simples caso Ian. O que existia entre vocês era amor, uma cumplicidade que só quem já amou ou está amando entende. – O repreendeu o irmão mais velho. – Bem, eu preciso ir agora, estou cheio de trabalhos para terminar. Qualquer coisa me liga.

– Ok! Obrigado.


Jane o acompanhou até a porta e depois voltou até o Ian.


– Acho que é melhor você descansar um pouco agora, pois amanhã teremos um dia cheio. – Disse a ruiva.

– Sim, mas antes eu preciso fazer uma coisa. Será que você pode me ajudar?

– Claro. O que quer que eu faça? – Perguntou a bela ruiva.

– Eu preciso ver algumas coisas no meu notebook.

– Hum... Vamos, eu te ajudo no que precisar.


Foram até o quarto do Ian e assim que o ajudou em tudo que precisava, Jane foi para o quarto que iria ocupar.


Ian ligou o computador e começou a vasculhar todos os arquivos que viu pela frente, procurando por fotos e vídeos que comprovassem que ele realmente teve um romance com o próprio sobrinho, pois as fotos dos dois abraçados que viu na sala não fora o bastante para convencê-lo. Estava abrindo algumas pastas quando olhou para a escrivaninha e viu uma foto sua e do Lucas, pareciam estar se beijando. Ian tentou focalizar a imagem, mas estava um pouco distante e por isso não conseguiu ver muito bem.


Voltou o seu olhar para o computador e começou a abrir todas as pastas com imagens que achou pela frente e dentro de várias delas, Ian viu não apenas uma ou duas fotos com o Lucas, mas centenas e em muitas delas eles estavam agarradinhos, na maioria estavam apenas abraçados e sorrindo ou se olhando de maneira apaixonada, mas em outras, em outras ele viu um casal homossexual se beijando apaixonadamente, como se não houvesse amanhã. Engoliu em seco ao ver o seu olhar apaixonado direcionado ao sobrinho e vice versa.


– Isso só pode ser um pesadelo. – Disse para si mesmo.


Foi até os arquivos de vídeos e lá havia pelo menos uns dez vídeos dele com o Lucas. Abriu um que dizia “Veneza” e sentiu o ar faltar aos pulmões após assistir o vídeo. Tinha tantas cenas íntimas do dois, não no sentido sexual, mas de momentos carinhosos, com direito a muitos abraços e beijos apaixonados, além de várias declarações de amor.


Desligou o computador e ajeitou-se da melhor maneira possível em sua cama. Não queria pensar em mais nada naquela noite, queria apenas dormir, mas em determinado momento teve um sonho mais que esquisito.


Ele estava deitado de barriga para baixo e alguém estava sentado sobre o seu corpo, massageando os músculos do seu dorso. Enquanto a pessoa fazia a massagem, Ian o ouvia cantar com a voz meio rouca e extremamente sexy, o estava deixando louco. A voz aproximou-se ainda mais do seu ouvido, o fazendo arrepiar-se até o último fio de cabelo. Ele queria agarrar a pessoa que o estava deixando tão excitado a ponto de enlouquecer e querer fazer amor a noite inteira com a pessoa que o seduzia.


Tentou virar-se para ver o dono da voz e das mãos que estava o fazendo se contorcer de desejo, mas parecia não ter forças o suficiente para virar-se, por mais que tentasse. Quando finalmente conseguiu, Ian percebeu que não era uma mulher que estava sobre si, era um homem. Tentou olhar o rosto da pessoa que estava o deixando fora de si, mas antes que conseguisse tal feito, foi acordado por certa ruiva lhe chamando para tomar o medicamento.


– Vamos Ian, acorde. Está na hora de tomar os seus remédios.

– Me deixe dormir só mais um pouquinho. – Resmungou ainda de olhos fechados, tentando voltar ao sonho. Precisava ver o rosto da pessoa que o estava deixando naquele estado.

– Nem pensar, está na hora da medicação e depois temos que fazer os seus exercícios.

– Mas ainda está cedo.

– Já são oito horas da manhã Ian. Até onde eu me lembre, você não era tão preguiçoso assim. – Falou a ruiva em tom de diversão.


Ian sentou-se e obrigou-se a tomar os medicamentos que a Jane segurava.


– Então! Com quem estava sonhando? – Perguntou à ruiva. Estava se segurando para não rir da cara do amigo.

– O que?

– Quando eu cheguei aqui você estava soltando uns gemidos de prazer e por isso eu imaginei que estava sonhando com alguém. Eu conheço?

– Eu não quero falar sobre isso. Foi um sonho realmente esquisito.

– Sério? Me conta vai. Juro que não conto para ninguém. – Disse com os olhos brilhando de curiosidade.

– Eu não...

– Por favor... – Pediu com um olhar de gato abandonado, ou melhor dizendo, gata abandonada.

– Eu sonhei com alguém sentado sobre o meu corpo, fazendo uma massagem de um jeito que... Que eu fico excitado só de lembrar. – Falou e evitou olhar para certa parte do seu corpo, pois tinha plena consciência que estava excitado.

– E esse alguém era homem ou mulher? – Ela fez a única pergunta que o Ian não queria responder.

– Era... Não tenho muita certeza... – Mentiu. Não queria dar pano para a manga. Sabia que se falasse a verdade, Jane iria começar a falar que aquilo era um reflexo do que ele realmente queria, mas tinha medo de admitir. Não conhecia a ruiva há muito tempo, mas conhecia o suficiente para saber que ela iria encher a sua cabeça com besteiras.

– Como assim não tem certeza? – Perguntou impaciente.

– Não tendo, horas... Eu não consegui ver o rosto da pessoa.

– Mas você deve ter visto se a pessoa tinha seio ou não, isso sem falar na voz. – Falou exasperada.

– Eu não consegui ver direito, pois a pessoa estava com uma camiseta folgada e como estava meio inclinada na minha direção, a blusa impossibilitou que eu tivesse certeza se era homem ou mulher e quanto à voz, bem, era uma voz meio rouca, não tenho certeza se era masculina ou feminina. – Mentiu mais uma vez. Ele tinha certeza absoluta que era um homem, mesmo seu cérebro tentando lhe dizer o contrário.


Mas quem seria tal pessoa? Seria o Lucas? Preferia acreditar que não. Preferia acreditar que aquilo era apenas um sonho sem importância, sem qualquer relação com o seu envolvimento com o seu sobrinho, mas por outro lado, ele queria que fosse alguma lembrança do seu passado sendo retratado em seu sonho, mesmo sabendo que não deveria se apaixonar pelo próprio sobrinho, mas mesmo assim, queria ter as suas lembranças de volta.


– Ian? Ian? Está me ouvindo? – Olhou para a mulher ao seu lado e deu um meio sorriso como pedido de desculpas.

– Desculpe! Acho que viajei um pouco em meus pensamentos.

– Isso eu percebi. Está tudo bem?

– Sim.

– Ótimo, então é melhor você se trocar e escovar os dentes para que possamos ir tomar café e depois fazer a sua fisioterapia.


Ao chegarem na sala, encontraram o Lucas sentado em um dos sofás. A TV estava ligada, mas ele mudava de canal sem interesse algum. Os seus olhos pareciam estar mais focados na parede atrás da TV do que na própria.


– Lucas? – Ian chamou o menor que o olhou com um olhar triste, sem brilho. – Bom dia.

– Bom dia! Está tudo bem com você? – Perguntou o menino, deu um sorriso fraco, numa tentativa de ser gentil e esconder a sua dor.

– Sim e você? – Ian perguntou, mesmo estando na cara do garoto que ele não estava nada bem.

– Estou bem. – Voltou a dar outro sorriso, mas este não chegou até os seus olhos sem brilho.

– Já tomou café, Lucas? – Perguntou a Jane.

– Não. Estava esperando vocês. – Disse o garoto, enquanto mudava mais uma vez de canal, agora parando em um canal de música.


Estava passando uma música que ele conhecia muito bem, uma música que o fazia lembrar a segunda vez que ele havia beijado o Ian. A música que ele cantou para o tio enquanto o massageava, enquanto o seduzia.


Ao ouvir a música, Ian parou onde estava. Os seus olhos rapidamente focaram a TV, numa tentativa de ver o nome da música. Ele tinha certeza que já havia escutado aquela música antes. Parou um pouco para pensar e ofegou ao lembrar-se de onde conhecia a música.


– O sonho. – Acabou dizendo sem perceber em voz alta.

– O que tem o sonho? – Perguntou a Jane ao mesmo tempo em que o Lucas perguntava de que sonho o tio estava falando.


– Quem canta essa música e qual é o nome dela?

– O nome da música é “Pra que entender” da dupla Jorge e Matheus, mas por que está tão curioso e de que sonho está falando?


Após perceber a burrada que fez, Ian resolveu falar a verdade ao invés de mentir para o garoto. Ele merecia saber a verdade.


– Eu sonhei com alguém me fazendo uma massagem ao mesmo tempo em que cantava essa música.

– Não foi um sonho. – Respondeu o garoto.

– Como? – Ian não queria acreditar que aquilo realmente havia acontecido.

– Eu cantei essa música para você enquanto lhe fazia uma massagem. Foi à segunda vez que nos beijamos. – Disse com a voz embargada. – Nesse dia nos quase... Faltou pouco para a gente... – Não conseguia dizer. Por mais que tentasse. Era doloso demais ter tantas lembranças bonitas sendo esmagadas pela rejeição do seu grande amor. – Eu vou dar uma volta. – Disse enquanto saia da sala, sem nem ao menos tomar o café da manhã. Só queria pensar um pouco, tomar um pouco de ar fresco e tentar esquecer a dor que insistia em lhe fazer companhia.


Ian continuou parado onde estava. A sua boca não conseguia pronunciar uma palavra sequer. Estava em choque. Sim, essa era a palavra certa. Seria possível que ele estivesse começando a se lembrar do seu passado, ou seria apenas um reflexo do que lhe foi dito, mas não se lembrava do Lucas ter dito antes sobre esse dia.


– Eu preciso de um psicólogo. – Foi tudo o que conseguiu proferir.


Notas finais
Então, o que acharam??? Reviews?!?!?!?!
Prometo que se tiver indicação, eu posto um capítulo rápido e com mais um sonho para deixar o Ian ainda mais confuso. =)
Quem puder, depois dê uma olhada nas minhas outras fics.
Link 1:
http://www.fanfiction.com.br/historia/195235/Amizade_Colorida
Link 2:
http://www.fanfiction.com.br/historia/197318/Amar_e...
Link 3:
http://www.fanfiction.com.br/historia/164525/Anjo_Negro/
Desde já muito obrigada a todos.
Bjooooooooooos e até o próximo capítulo.