E Ainda Assim, Amor
13 capítulo 13
Lucy e Harry decidiram aproveitar a manhã calma antes do regresso dos colegas. O inverno ainda cobria Hogwarts com um branco sereno, e o Salão Comunal parecia suspenso no tempo. Estavam junto à janela a observar o lago ao longe. Lucy mantinha a cabeça encostada no ombro do moreno, e ele tinha uma mão pousada na cintura dela, num gesto distraído que já lhes saía naturalmente.
Quando a porta do Salão Comunal se abriu com estrondo, o castelo pareceu acordar de repente. O riso de Ron chegou primeiro, alto e familiar, seguido pela voz apressada de Hermione e pelos comentários animados da família Weasley. Hogwarts voltava a encher-se, e a bolha tranquila dos últimos dias rompeu-se como vidro fino.
Ginny foi a primeira a reparar neles. Trazia no olhar uma decisão nova, construída durante as férias. Antes que Harry pudesse sequer endireitar-se, a ruiva correu pelo salão e atirou-se para o abraçar.
— Harry! Tive tantas saudades!
Ele ficou sem reação, os braços caídos ao lado do corpo, surpreendido com o ímpeto. Lucy franziu o sobrolho ao sentir o ombro dele ser puxado para longe de si. Pigarreou, num som curto mas suficiente para que Hermione abrandasse o passo e Ron arregalasse os olhos.
— Hum… Ginny — disse Harry, finalmente — eu…
Lucy endireitou-se, alisando o lenço invisível que não tinha. O rosto ainda guardava a calma da lareira, mas os olhos estavam atentos, quase frios. Aproximou-se dois passos.
— Também é bom ver-te, Ginny — murmurou, com educação medida. — As férias correram bem?
A ruiva soltou Harry e só então pareceu notar verdadeiramente a posição em que estavam. O franzir de testa de Lucy dizia mais do que discursos, e Hermione percebeu isso na hora.
— Acho que interrompemos alguma coisa — comentou a monitora chefe.
Harry olhou para Lucy, procurando nela o chão que lhe fugira por um segundo. Ela respirou fundo. Não queria começar o ano com guerra dentro da própria casa.
— Não interromperam — respondeu Lucy. — Na verdade… temos uma coisa para contar.
Ron deixou cair a mala no sofá.
— Isso tem cara de notícia grande.
Harry segurou a mão dela, agora de forma nada distraída.
— Eu e a Lucy estamos a namorar.
Houve um silêncio breve, daqueles que fazem o castelo inteiro suster a respiração. Depois Ron soltou um assobio e riu.
— Finalmente! Já não se largavam nem para comprar prendas!
Hermione sorriu, orgulhosa como se tivesse passado uma lei nova ali mesmo.
— Fico muito feliz por vocês. A sério.
Lucy, mais tranquila, voltou a falar:
— Foram dias bons. Precisávamos disso.
Ginny cruzou os braços, tentando sorrir também, mas o olhar ainda lutava entre surpresa e desilusão ao ver dois anéis brilhalhem na mão dos dois, um simbolo que marcava aquela relação.
— Eu… não sabia — disse. — Mas se estás feliz, Harry…
Lucy observou-a com atenção. Não era ódio que via ali; era esperança teimosa. E isso assustou-a mais.
— Ele está feliz — afirmou Lucy, firme, sem levantar a voz. — E eu também. Somos dois, agora.
Harry olhou-a, agradecido por ela ter dito o que ele não conseguira quando o abraço o deixara mudo. Fang teria rosnado se estivesse ali, pensou Ron.
— Bem — quebrou Hermione — temos que organizar o regresso às aulas e, vocês, treinar menos à janela e mais nos livros.
Riram-se todos, e o Salão Comunal voltou ao barulho normal, ainda que com um clima diferente, mais elétrico. Harry e Lucy regressaram a olhar para a janela, mas agora não estavam sozinhos — estavam assumidos perante o mundo.
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