E Agora?
8 Capítulo 8 - O Acordo
Notas iniciais

E agora? — Capítulo 8
"Acho que o Milo saiu, vou aproveitar para continuar contando essa história."
Quando cheguei em casa, após ter deixado a Hilda na casa dela, encontrei papai na sala com um sorriso nos lábios, “patético!”— pensei, mas eu sei como é o Sr. Crystal, se não tiver uma conversa antes, não é ele.
Contudo devo confessar que desde que a mamãe se foi ele realmente tem conversado mais do que agido, isso é bom, papai estava mudando, ou ao menos estava tentando mudar.
— Camus venha aqui. — Meu pai me chamou da cozinha.
— Senhor? — Falei com meu tom fleumático, esperando alguma bronca.
— Quem é essa menina? De onde você a conhece? E qual é o tipo de relacionamento vocês estão tendo? — Papai interrogou como era do feitio dele.
Eu fiquei mais vermelho que um pimentão, francamente meu pai era o Rei da Indiscrição, ele não podia simplesmente deixar isso pra lá? Não, papai não podia fazer isso, vencido, respondi. – O nome dela é Hilda, ela estuda na minha escola e mora na rua de cima.
Vi papai levantando uma sobrancelha me olhando, ainda faltava uma resposta.
Girei os olhos antes de responder, — Somos só amigos pai!
— Hum... amigos, sei. Quer jantar? — Ele perguntou mudando de assunto, para o meu alívio.
— Já comi no shopping, cadê o Hyoga e o Degel?
— Estão lá em cima no quarto do Degel, acho que estudando, seu irmão vai voltar para a faculdade em breve. — Papai me respondeu e eu fui para meu quarto, mesmo surpreso com a notícia de que meu irmão iria embora novamente, não quis ir falar com ele neste momento, queria ficar sozinho, então fui para o meu quarto, desliguei o celular, não queria que Milo me mandasse mensagens me contando sobre sua primeira vez com a safada da Shina.
Eu sei que a culpa não é só dela, mas eu me sentia melhor a xingando mentalmente.
ooOoo
Madruguei na manhã do dia seguinte.
Eu o Shaka estávamos chegando cedo para o reforço escolar, não que precisássemos, mas o professor Donko achou por bem nos preparar melhor para o programa do Lucius Batman.
Ainda não tinha falado com Milo, sei que não eu tinha o direto, mas eu estava com raiva dele por causa da Shina e tudo mais.
Enquanto a turma estava tendo aulas de Educação Física, eu e o Shaka estávamos estudando, saímos somente na hora do lanche, eu já estava faminto!
Lá no refeitório avistei a Hilda, que fez sinal pra eu sentar com ela, fui, o Milo ainda não tinha sido liberado da aula e o Shaka não gostava da comida gordurosa da cantina.
— Oi, Camus, tudo bem? — Ela me cumprimentou com um sorriso.
Oi. — Respondi sem entusiasmo.
— O que foi? Fiz alguma coisa? — Ela me perguntou estranhando meu jeito, olhei em seus olhos antes de responder.
— Hilda, posso te perguntar uma coisa? — Pedi direto.
Ela consentiu com a cabeça, — Sim, o que é?
— Você gosta de mim? O Aioria falou que você queria ficar comigo, mas não entendo... Ontem depois de tudo, você não ficou com raiva de mim, por quê? — Perguntei algo que estava martelando na minha mente.
Ela ficou me olhando antes de dizer, — Me desculpe, Camus, eu tenho até vergonha de confessar, mas eu queria só usar você.
Pisquei algumas vezes sem entender direito o que ela tava dizendo, vendo minha expressão confusa, ela me explicou. — Camus, eu gosto de outro garoto, mas sei lá, ele não me nota, então pensei em fazer ciúmes pra ele ficando com você, entende? Me desculpe por isso.
Eu a olhei incrédulo antes de perguntar, — Por que esse cara teria ciúmes de mim? Ele ia te achar patética isso sim.
Ela riu gostosamente antes de falar, — Camus, fala sério, você é lindo, um dos mais gatos dessa escola e ainda por cima é inteligente, vai participar do programa na TV e tudo mais.
Eu a olhei com cara de "você é louca".
— Camus, me ajuda, vamos fingir que estamos juntos, por favor! — Ela me pediu.
— É sério isso? — Eu a questionei novamente.
— Sim, Camus, vai ser perfeito! Você me ajuda e eu te ajudo, que tal? — Ela pediu ainda com entusiasmo.
— E você vai me ajudar como? — Eu perguntei confuso.
— Sendo a melhor amiga que você possa ter no mundo! — Ela respondeu em súplica.
Eu ri e concordei, afinal, o que eu tinha a perder?
Ela feliz me abraçou com entusiasmo, senti seu corpo retesar e falar no meu ouvido, — Ele está vindo, me beije!
Eu não tive tempo de pensar quando vi a maluca já estava pendurada no meu pescoço me beijando.
Não percebi que a turma da minha sala estava entrando no refeitório, só escutei algumas meninas dando risadinhas e ouvi a risada do Aioria, com certeza ele tava falando com o Milo, não resisti interrompi o beijo e procurei pelo Milo no refeitório. Quando encontrei as safiras azuis percebi que ele não estava com uma cara muito boa, apesar de estar ao lado do Aioria que piscava pra mim me incentivando a ficar com a Hilda.
Vi o Milo falar alguma coisa pro Aioria, pegar uma maçã e sair, definitivamente ele estava bravo, o que será que aconteceu? Me senti culpado por não ter dado importância ao meu celular, será que aconteceu alguma coisa e o Milo não conseguiu falar comigo?
A Hilda percebeu que eu estava olhando para o Milo que já estava lá fora do refeitório e me falou convicta. — Camus, esquece o Milo, ele é hétero, namora a Shina, não quero ver você sofrendo por ele.
Eu fiquei sem ação no primeiro momento, não estava habituado a falar da minha vida pessoal com ninguém e a Hilda já sabia meu maior segredo.
— Você acha que eu não sei disso? — Perguntei bravo, de certa forma as palavras dela me atingiram, não queria parar de gostar do Milo, ele era idiota, mas era o "meu" idiota.
— Estou falando pro seu bem, Camus, acho que você deveria ao menos tentar gostar de outra pessoa. — Ela continuou paciente.
— Ah é, quem, por exemplo? — Perguntei petulante.
Ela olhou em volta pensando em alguém, depois encolheu os ombros. — Não sei, vamos tentar alguém da internet, — Ela me olhou com os olhos arregalados e continuou, — É isso! Ótima ideia! A gente arranja um encontro pela internet! Assim você não precisa se expor para os babacas desse colégio!!! É excelente!!! — Ela falou comemorando a própria ideia, fiquei olhando pra ela sem acreditar que eu estava falando sobre isso, meus sentimentos com alguém e que esse alguém queria me oferecer na internet.
ooOoo
Quando entrei na sala de aula após o intervalo Milo estava lá, no lugar dele atrás de mim, ele estava estudando? Estranhei. Aquilo realmente era inusitado.
Tá, não era que o Milo fosse burro ou não estudasse nada, acho ele até muito inteligente, pois eu me mato de estudar e o Milo sempre sabe tudo sem fazer muito esforço. Mas a questão é que ele era ótimo prestando atenção na aula, o Milo raramente esquece algo que foi dito em sala, mas estudar? E sozinho? Isso realmente nunca vi.
— O que houve? Aconteceu alguma coisa. — Perguntei em tom de chacota enquanto me sentava.
O Milo apenas levantou a sobrancelha e ficou me olhando e me disse um, "Não houve nada" bem seco, depois voltou a olhar o livro.
O professor chegou e fiquei quieto prestando atenção na aula de vez em quando olhava de rabo de olho para o Milo que estava de cara fechada e prestando atenção na explicação do professor.
Olhei para o Aioria e fiz sinal para ele me explicar o que tinha acontecido, mas ele apenas me respondeu fazendo um sinal dizendo que não sabia.
Quando o sinal bateu arrumamos nossas coisas e saímos, quer dizer, o Milo saiu primeiro e corri atrás dele.
— Ei, vai parar de agir como um idiota e me dizer o que houve? — Falei às suas costas quando finalmente o alcancei.
Milo parou e olhou com olhos estreitos e começou, — Eu devo ser um idiota mesmo, é isso, sou o idiota que achava que você era meu amigo.
Pisquei sem entender e o Milo se virou e continuou pisando duro, — Milo, espera! Mas que merda tá acontecendo? — Perguntei realmente bravo e confuso.
— Achei que você teria comigo a mesma consideração que tive com você, mas me enganei. Sou seu amigo, mas você nunca foi meu, não é? — Ele me confrontou magoado.
— Milo, por que você tá me dizendo essas coisas, o que foi que eu fiz, dá pra me explicar? — Pedi novamente, desta vez verdadeiramente preocupado.
O turrão do Milo ficou me encarando e eu não desviei, fiquei sustentando o olhar dele.
— Quando fiquei com a Shina, eu te contei, te mandei mensagens, me abri com você, e ontem você... — Ele continuou a falar ainda irritado, — Ontem você ficou com a Hilda e não teve coragem de me procurar, de me ligar, nem uma mensagem sequer você me mandou, e hoje já estava lá aos beijos com ela de novo, nem falou nada comigo e já tá assim... namorando! Você é um ingrato, Camus!
Fiquei olhando pra ele tentando assimilar o que estava acontecendo ali, o Milo estava bravo comigo porque fiquei com a Hilda e não falei com ele depois? Tá, ok. Ele é meu melhor amigo e eu sou o dele, entendi o que ele quis dizer. Mas ele não podia me cobrar isso, podia? Não sei, na realidade não agradeço em nada o fato dele ter que desabafar comigo a sua história com a Shina, mas... no fundo eu sabia que ele tinha razão.
— Ah, Milo, você sabe que sou reservado, não sabe? Eu... Ah, cara, não sei ficar falando dessas coisas, poxa, você me conhece. — Falei sincero, tudo bem que escondi a verdade, mas não podia dizer " não te liguei porque fiquei puto da vida já que você quis transar com a Shina no dia que eu tava perdendo meu BV", acho que ele ficaria chocado se eu dissesse isso, não é?
O Milo ficou me olhando e depois suspirou, encostou no muro de uma casa e falou, — É, pensando bem você é meio estranho mesmo...
— Ei! — Reclamei dando um soco leve no ombro dele, o Milo riu.
— Mas, e aí? Me conta o que achou? — Ele me perguntou.
Até pensei em falar pra ele dos planos da Hilda, mas me segurei, — Foi bom, foi legal, ela é uma garota legal.
— Uma garota legal?! Cara ela é uma garota muito gata, e é mais velha que nós, você já é uma lenda, Camus! — Comentou o Aioria chegando naquele momento pegando a conversa no meio e todo empolgado com "meu feito", — Aliás, vocês dois só tem namoradas graças a mim. — Ele continuou se gabando.
Milo o olhou fazendo uma cara de desgosto e seguimos nosso caminho conversando.
— Por que foi embora cedo, Camus? — Aioria perguntou.
O Milo me olhou interessado na resposta também.
— Porque estava constrangedor ouvir os gemidos de vocês, não têm vergonha?
Aioria riu e o Milo, pra minha surpresa ficou vermelho, o que significava aquilo?
— Ah! Camus, não seja tão certinho, eu namoro a Marin há anos, é normal a gente querer dar um passo adiante. — O Aioria confessou.
— Vocês transaram? — Perguntou o Milo discreto como só ele.
Sem poder evitar a curiosidade olhei para o Aioria à espera da resposta.
— Não, ainda, não. A gente tá só mão naquilo, aquilo na mão, essas coisinhas. — Ele confessou a verdade ficando um pouco corado.
Milo sorriu pelo nariz e o Aioria perguntou, — E você e a Shina?
O Milo ficou quieto, ele parecia ter vergonha de mim, sei lá.
— Milo, você transou com a Shina? — Eu perguntei com o coração apertado.
— Não, — Ele se apressou em dizer, — Não transamos, estamos neste estágio do Aioria, só um pouco mais adiantados.
— Como assim? — Perguntamos juntos, eu e o Aioria.
— Estamos com mão naquilo, aquilo na mão e boca naquilo e aquilo na boca. — Contou o Milo sacana também ficando vermelho.
Mal o Milo acabou de falar o Aioria começou a socar o Milo na brincadeira, — Seu filho da puta, escondendo o jogo, hein? E aí, quem fez em quem? Como foi?
Eu nada falei fiquei apenas olhando pra eles com o coração ainda apertado.
— Um cavaleiro não comenta essas coisas, não vou falar nada! — Milo disse rindo tentando se livrar dos socos do Aioria.
Pelo menos ele não era um cafajeste pra sair falando as coisas que ele faz com a garota.
Meu coração agradecia também.
ooOoo
Passei muito tempo estudando para poder participar do programa do Lucius Batman, todos na escola falavam comigo e com o Shaka agora, até o Argol tava menos chato, talvez por causa da surra que levou, não sei.
Só sei que a pressão era grande, a Hilda sempre ficava perto de mim, ela gostava de um carinha da minha sala, mas ele apenas ficava olhando a gente de longe, não sei se o plano dela iria funcionar, mas era muito bom ter uma amiga.
...
— Nem pensar, Hilda, eu não vou fazer isso. — Falei convicto.
— Camus, você precisa, tem que conhecer alguém, ficar com um garoto, saber se é isso que você quer. — Ela tentava me convencer a entrar um chat gay para que eu pudesse conhecer algum garoto.
— Hilda, eu já gosto de uma pessoa. — Respondi sério.
— Camus, você acha que gosta, mas ele é hétero, não vai rolar! E não quero ver você sofrendo a vida toda. — Ela retrucou séria e foi logo digitando algo no computador. — Hum, chat com imagens eróticas ou o simples?
— HILDA! — Falei incrédulo, — Jamais vou ver essas imagens com você por perto e outra, nesse só devem existir os tarados!
Ela sorriu e entrou em um chat por idades, — Então, como vai ser seu nick?
Eu estava nervoso e desconfortável com aquilo, não tinha nenhuma ideia.
— Já sei! "Ruivinho15" — Ela digitou.
— Hilda, só os pedófilos vão querer conversar comigo, isso pode ser perigoso, e quando acharem meu corpo no porta malas de um carro de um velho tarado vai ser tarde demais pra você se desculpar comigo. — Reclamei, oras francamente.
Ela apenas sorriu pra mim e continuou fazendo meu cadastro no tal site.
Logo a tela piscou, alguém me chamava. — Olha Camus, alguém quer falar com você!
"Ruivo16 — Olá"
— Fala sério, Hilda, Ruivo16 conversando com o Ruivinho15, somos o que, uma versão gay do casal Weasley?*
Ela apenas riu. — Camus, eu vou indo, quero te dar liberdade para conversar em paz.
Girei os olhos e a acompanhei até a porta.
Depois que ela saiu voltei para meu quarto, a tela do chat me chamado, apenas para saciar meu TOC com luzes piscando fui verificar e acabei respondendo, quando percebi já estávamos há horas conversando.
Confesso que não foi má ideia entrar no chat afinal.
ooOoo
O Milo não gostava da Hilda, ele dizia que ela era interesseira, que só estava comigo por causa do programa, que eu estava sendo burro em ficar com ela.
E eu vou falar uma coisa, o Milo quando cisma é tenso, pois tudo que a coitada da Hilda fazia ele achava ruim, muita marcação mesmo.
— Eu posso passar aqui e a gente vai junto, — A Hilda sugeriu.
— Nossa, já não falamos disso antes? Por que você simplesmente não faz como foi combinado? — O Milo se meteu na conversa e respondeu a Hilda, eu estava prevendo que mais uma discussão estava chegando.
— Mas eu quero ir com ele, o Camus é meu namorado! — A Hilda respondeu encarando o Milo, na verdade sei que ela fazia essas coisas para eu me afastar do Milo e assim parar se sofrer por ele "Como donzela de folhetim" como ela dizia, mas, independente de eu gostar do Milo de uma maneira diferente, ele era meu amigo e a presença dele sempre me faria bem.
— Hilda, vamos fazer como combinamos, eu vou com o Milo e o Aioria, e você vai com as meninas, a gente se encontra lá no estúdio, — Falei com ar cansado e Milo fez cara de vitória pra ela.
Sério, faltou pouco pra ele mostrar língua. Devo admitir que eu quase ri daquilo.
Ela o olhou com seu melhor olhar blasé e concordou, — Está bem, Camus, se prefere assim, eu vou com as meninas.
ooOoo
O programa era no dia seguinte eu estava uma pilha de nervos, tinha medo de ficar paralisado de vergonha, de me dar um branco, de ter uma dor de barriga, essas coisas.
— Camus, acalme-se vai dar tudo certo, — Shaka falou tranquilo, às vezes o jeito calmo e controlado dele me irritava.
Não que eu fosse um poço de descontrole, mas sei como era difícil pra manter meu jeito indiferente às vezes, o Milo quase nunca caía nas minhas “performances” de "homem de gelo", muitas vezes ele nem levava em conta minha cara de paisagem.
Mas o Shaka não fazia cara de indiferente como eu, ele realmente era calmo e tranquilo, muitas vezes sua calma era vista como arrogância por quem estivesse com problemas ou nervoso, como eu agora.
— Shaka, você está me irritando com esse seu jeito. — Soltei nervoso.
— Que jeito? — Ele perguntou sem se alterar ainda com o livro nas mãos.
— Esse! A gente vai estar na TV amanhã, todo mundo vai ficar olhando pra gente, e se a gente errar uma pergunta besta? E se a gente errar tudo? — Eu falei andando de um lado para o outro.
— Calma, Camus, por Buda! Se a gente errar, então paciência, não temos nenhuma obrigação. — Ele falou tranquilo.
Para o Shaka era fácil falar, ele não tinha muitos amigos e...Espera, eu também não era lá muito popular, sentei e fiquei olhando pra ele que tirou os olhos do livro e me encarou.
— Tem razão, não temos obrigação nenhuma. — Eu disse, e ele sorriu pra mim.
Voltarmos a estudar, estávamos fazendo uma revisão de algumas matérias.
ooOoo
Chegou o dia do programa, eu havia combinado de ir com Milo e Aioria, o pai do Milo iria nos levar, meu pai não pôde ir ele estava com o dia cheio no trabalho. Degel foi cedo resolver algumas coisas da universidade com o Hyoga, me despedi de todos no café da manhã.
— Camus, estou muito orgulhoso de você e sei que vai se sair muito bem hoje. — Meu pai falou antes de sair, eu estava até tranquilo, mas depois das falas do papai fiquei tenso, não queria decepcionar ele.
Como fiquei sozinho em casa comecei a me arrumar cedo e muito antes do horário combinado já estava pronto, resolvi ir logo para a casa do Milo, ao menos ele me faria companhia.
— Olá, Camus, entre, está nervoso? — A Sra. Cassandra perguntou simpática como sempre.
— Um pouco. — Respondi simples.
— Milo está lá em cima, pode subir, ele está atrasado ou você que chegou cedo? — Ela me perguntou confusa, em geral eu era o último a ficar pronto.
— Não, eu que me adiantei. — Respondi já subindo as escadas.
Entrei no quarto e o Milo não estava, logo ouvi o barulho do chuveiro.
Não que eu quisesse espionar o Milo ou algo assim, não sei explicar, deveria ter chamado ou sinalizado que eu estava lá, mas não o fiz, fui em silêncio até o banheiro.
A casa do Milo era parecida com a minha, nosso quarto tinha uma entrada para o banheiro que dividimos com os nossos irmãos. No quarto do Degel também havia uma entrada para o mesmo banheiro, assim como o quarto do Milo com o do Kárdia.**
Quando cheguei à porta do banheiro vi Milo que estava lavando seus cabelos grandes e loiros, ele estava nu de frente para mim, seus olhos estavam fechados, o olhei sem pudor algum.
A água caia em seu corpo e a segui com os olhos, vi as gotas passeando pelo peito, seguindo o caminho através de sua barriga definida, e aquela sortuda gota seguiu seu caminho passeando por seu sexo, "Ah! Como ele é perfeito" pensei.
Logo uma pontada no meu baixo ventre me chamou a razão, eu estava tendo uma ereção, uma forte ereção, bem ali, parado, espionando o Milo.
Um medo racional de que ele abrisse os olhos a qualquer momento e me pegasse ali o espionando me fez sair rápido.
Voltei para o quarto com a respiração ofegante, precisava me acalmar, precisava me livrar daquela teimosa e pulsante ereção dentro de minhas calças, mas... como? Precisava pensar em alguma coisa, mas a imagem do Milo deliciosamente nu não saía da minha cabeça.
Sentei na cama e peguei a única coisa que vi para me ajudar, uma almofada do time de vôlei que o Milo gostava e a usei para esconder a ereção, mas para o meu desespero o Aioria entrou no quarto.
— Opa, já chegou? Você em geral é o último a se arrumar. —Aioria comentou indo em direção ao banheiro. — Ei, anda logo, a água do mundo tá acabando sabia? Vai casar é, noiva? — Ele falou pro Milo da porta do banheiro.
— Vai se fudê! — Foi a resposta educada do Milo.
O Aioria riu e se virou para mim, eu devia estar vermelho, pois achava que ele veria minha ereção, mesmo com a almofada a cobrindo.
— Nossa cara, deve ser tenso isso, não? — O Aioria me perguntou.
Eu fiquei mais vermelho que meus cabelos sem saber o que responder, comecei a gaguejar, — Eu... eee... eu.... — Nada saía, — C... como assim? — Perguntei tentando ganhar tempo.
— O programa, teve ser tenso participar de algo assim, sei lá acho que na hora deve dar "mó nervoso”, eu mesmo não ia lembrar nem meu nome. — Ele riu e tentei rir também, mas não consegui falar nada.
"Por que diabos ainda estou de pau duro numa situação constrangedora dessas?" — Eu pensava em desespero.
E para minha eterna desgraça o Milo saiu do banho com a toalha amarrada na cintura e os cabelos molhados, não resisti meus olhos passearam novamente pelo corpo fazendo meu pau pulsar.
— Merda! — Falei baixo, mas eles me ouviram.
— Camus? Não sabia que estava aqui também. — O Milo falou sem graça.
— É, cheguei quase agora. — Respondi desviando o olhar dele e olhando pra janela.
Pode ser impressão minha, mas acho que o Milo ficou envergonhado com minha presença ali.
— Vocês podem me dar licença, tenho que me trocar. — Ele pediu, e eu gelei, sinceramente não poderia me levantar ainda, mas pra minha sorte o Aioria reclamou.
— Deixa de frescura, Milo, até parece que a gente não tem um desses, se bem que o meu é maior. — O leonino falou rindo.
Eu segurando a almofada naquele lugar estratégico sentei na cadeira próximo a janela e falei, — Pode se trocar Milo não vou ficar te olhando.
O Aioria girou os olhos e sentou na cama do Milo enquanto ele se trocava, fiquei olhando pela janela pensando na minha avó russa, Anastácia, mãe da minha mãe, nua. Eu sei que isso é sacrilégio, mas era a única forma de fazer meu corpo voltar ao normal. Eu evitei olhar para o Milo se trocando senão, já viu!
Olhei pra escrivaninha e vi um livro de geografia, quando o Milo avisou que estava pronto peguei o livro.
— Pra que esse livro, Camus? — Milo me perguntou confuso.
— É bom ir revisando alguma coisa, não sei se estudei o suficiente de geografia. — Respondi levando o livro e o colocando sobre o meu... Eu vi os dois se olhando como se me achassem louco, mas não dei importância apenas sai na frente com eles me seguindo.
— Eu vou na frente. — O Aioria falou.
— O carro é do meu pai. — Resmungou o Milo em resposta.
— Par. — Falou o Aioria sorrindo, girei os olhos praquela infantilidade enquanto o Milo dizia, — Ímpar!
O Aioria ganhou e foi sentado na frente, e eu e o Milo fomos atrás.
— Tá nervoso, Camus? — O Sr. Klaus perguntou enquanto guiava.
— Ele tá uma pilha, mal abriu a boca hoje. — Comentou o Aioria.
Eu ia responder algo, mas fiquei quieto, o que diria? "Não tava nervoso por causa do programa e sim porquê fiquei excitado vendo o Milo nu." — Não, isso estava fora de cogitação, preferi o silêncio.
Mas de repente o Milo pegou na minha mão e olhei em sua direção, ele sorriu lindamente pra mim. — Vai dá tudo certo. — Ele falou baixo.
Meu coração pulou no peito e sorri de volta, fomos assim de mãos dadas até o estúdio.
ooOoo
Devo dizer que me saí melhor do que esperava, não fiquei tão nervoso, o Milo estava lá e a presença dele me relaxava, pra falar a verdade, acho que o Milo lá da plateia estava bem mais nervoso que eu.
Eu e o Shaka estávamos numa bancada e uns caras de outra escola estavam em outra, inicialmente era um jogo de perguntas e respostas, quem apertasse o botão primeiro ganhava o direito de responder.
O Lucius Batman fez a apresentação do programa nos apresentando.
— Maluquices, Maluquices, estamos aqui hoje com os alunos de dois colégios muito conceituados da Grécia, deste lado Camus e Shaka, representando o colégio Santuário de Atena, e do outro lado temos o Julian e o Sorrento, representando o colégio General Marina.
Todos aplaudiram.
— Vamos começar com as perguntas fáceis, qual é o gás do pum? — O Lucius perguntou e apertei o botão.
— Uau, foi rápido, Camus, sabe a resposta?
Confirmei com a cabeça. — Sulfureto de hidrogênio, gás sulfídrico ou sulfidreto. Ele pode ter quantos nomes quiser, mas vai sempre ser conhecido como o gás do pum e do mau hálito. — Respondi confiante.
Como de praxe uns minutos de tensão até ele dizer. — Certa resposta! Ponto para a Santuário!
Olhei para o Milo que batia palmas aliviado ao lado do Aioria, da Hilda e do pessoal do colégio, gostei de ver que a Shina não estava do lado do Milo.
— Quem e quando ouvimos falar das ideias da teoria da relatividade? — Lucius perguntou e o Julian apertou a campainha primeiro.
— Albert Einstein! — Ele respondeu eufórico, eles estavam perdendo, apesar do Julian ser muito inteligente, mas quando ouvi essa resposta eu sorri.
— A Resposta está... Errada! — Lucius falou e apertei a campainha. — Você sabe, Camus? — Balancei a cabeça afirmando que sim.
— Embora duas teorias de Einstein de fato sejam a base para a Teoria da Relatividade, essa não foi a primeira vez em que algo assim foi proposto. Em 1632, Galileu Galilei propôs, em Diálogo Sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo, que os movimentos dos objetos são relativos entre si e definir algum deles como estando em repouso seria mera convenção. Ou seja, a velocidade de um corpo não pode ser estabelecida como absoluta, mas, sim, como relativa a outra coisa. Quase 300 anos mais tarde, Einstein aprimorou as ideias de Galileu sobre a relatividade***
— UAU! Certo! Ponto para o Santuário! — O apresentador falou, eu e Shaka nos abraçamos eufóricos, olhei na direção de Milo e o vi sério, não entendi, acho que ele estava preocupado.
A rodada final estava em curso, o Julian e o Sorrento eram inteligentes, mas eu e o Shaka havíamos estudado muito.
— Última pergunta! O UNIVERSO É PRETO? Verdadeiro ou Falso?
Eu paralisei essa eu não sabia, mas o Shaka apertou o botão e eu o olhei na expectativa.
— Falso, — O Shaka falou em meio aos "oooos" surpresos da plateia achando que ele errou, mas meu amigo continuou, — Pasmem, o Universo é castanho-claro, tipo bege! A conclusão foi feita por cientistas norte-americanos da Universidade Johns Hopkins ao analisar a luz de 200 mil galáxias. Uma das explicações sobre o fato de o céu ser preto à noite é de que a luz de estrelas muito distantes ainda estaria para chegar até nós. Mas o importante é que ele não é preto!
— Certa resposta!!! Os Alunos do colégio Santuário de Atena ganharam!!!
Nossa, foi incrível! Todos ocorreram para nós, eu tinha abraçado o Shaka, mas o Milo chegou praticamente me tirando do abraço do Shaka para me abraçar também, confesso que gostei de sentir seu abraço, eu sorri.
Mas a Hilda chegou e também queira um abraço, e acabou quebrando meu momento com o Milo, eu precisaria redefinir meu acordo com ela, deixar claro que ela não deveria interferir em nada que envolvesse o Milo.
Percebi que ele ficou chateado, não gostava de vê-lo assim.
ooOoo
Eu e o Shaka ganhamos cinquenta mil cada um, a nossa escola ganhou uma taça e mais cem mil em reformas.
Foi ótimo, saímos do programa festejamos e na escola eu e o Shaka éramos as celebridades, passamos de nerds desconhecidos para super populares.
Degel havia voltado pra faculdade, eu, papai e Hyoga estávamos nos virando com nossa nova rotina. Eu sempre quis me abrir com meu irmão, mas achava que ele já tinha problemas demais para ficar se preocupando comigo.
Segui o conselho da Hilda e sempre entrava naquele chat, era bom conversar com garotos como eu, com os mesmos medos e inseguranças, eu não me sentia mais um estranho no mundo. Mas cometi um grave erro, não cuidei da minha privacidade como deveria.
Certo dia cheguei do colégio e fui para o meu quarto, o Hyoga estava na escola, achei que meu pai estava no trabalho, mas ele havia chegado mais cedo.
Quando entrei no meu quarto meu pai estava sentado em frente ao meu computador.
Sentindo um frio na espinha, meu coração batia tão devagar que podia jurar que ele ia parar a qualquer momento, me aproximei devagar e chamei com toda coragem que nem sabia que tinha. — Pai.
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