E Agora?
9 Capítulo 9 - Sentimentos Confusos
Notas iniciais
E Agora? — Capítulo 9

"Ei, o que está fazendo, Camus?"
"Oras, achei que fosse óbvio. Estou contando nossa história."
"Sim, mas olha onde você já está! Camus, eu tenho direito de contar as coisas também, sabia?"
"Milo, estou contando como aconteceu"
"Camus, você contou tudo só do seu ponto de vista, que egoísta isso."
"Oras! Francamente, Milo, não sou egoísta, hunf"
"Então me deixa contar o meu ponto de vista"
"Mas, Milo, o que pretende fazer?"
"Oras, não é óbvio? Vou contar estes últimos acontecimentos pelo meu ponto de vista"
"As pessoas não vão querer voltar a reler as mesmas coisas, Milo. Isso é um absurdo!"
"Não são as mesmas coisas, e o que vou contar é bem relevante para a história. E não me olhe assim, Camus!"
"Não estou te olhando de nenhum jeito."
"Está sim! Camus conheço a cara que você faz quando quer me chamar de maluco. Olha aí tá fazendo a cara de novo."
"Desisto Milo, você quem sabe."
“Ei, você vai aonde Camus?”
"Ao mercado quero comprar algumas coisas, divirta-se com sua visão da história."
"Hunf! O Camus fala que eu sou possessivo, mas ele também é bem ciumento com as coisas e tudo tem que ser do jeito dele senão..."
"Ei! Eu ainda estou aqui sábia?"
"Que susto Camus!"
"Eu vou sair, mas não quero ver você falando mal de mim."
"Eu jamais vou falar mal de você Camus."
"Hunf, sei"
"Acho que agora ele saiu, deixa eu ver, hum onde eu estava a sim na casa do Aioria!"
Estávamos na sala eu e a Shina, o Aioria e a Marin, e o Camus com a Hilda. O Aioria tava fazendo de tudo para o Camus ficar com a Hilda, não que eu tivesse algo contra, mas sei lá, eu não gostava da Hilda, não gostei dela desde o momento em que a vi no shopping toda sorridente para o Camus.
Eu estava lá, zelando pelo bem-estar do meu amigo, quando a Shina falou algo no meu ouvido.
— Milo, vamos lá pra cima quero te mostrar uma coisa. — Eu ainda estava olhando para o Camus quando ela continuou. — É o que você me pede há tempos.
Dessa vez tirei os olhos de Camus e olhei pra minha namorada, que sorriu pra mim com uma cara de quem ia aprontar, ela me puxou pelo braço e subimos, ainda lembro de ter olhado para o Camus uma última vez antes de subir.
Não vou mentir, queria ficar com a Shina, queria transar com ela, a gente namorava há um tempão e o máximo que eu tinha conseguido foi pegar nos peitos dela, e uma vez que coloquei a mão dela no meu "brinquedo" e a ensinei como me masturbar, confesso que foi delicioso ter uma outra mão me tocando.
Mas hoje eu estava vivendo um dilema, queria estar com a Shina, mas também queria estar lá embaixo para o Camus, poxa... eu não confiava na tal da Hilda.
Enquanto estava pensando em tudo isso, a Shina me jogou na cama do Aioros, é... fui para o quarto do irmão do Aioria que estava viajando, nós ficamos ali "dando uns amassos"... claro que meu corpo despertou rapidamente, em pouco tempo já estava duro como uma pedra, sentindo as mãos da Shina passeando sobre meu corpo.
Ela abriu o zíper da minha calça e fiquei pasmo olhando pra ela, pois ela estava tomando a iniciativa, isso era bom, não era? Mas por que esse sentimento de culpa que me invadia?
— Milo, vou fazer uma coisa, mas você não vai contar pra ninguém, tudo bem? Promete? — Ela me perguntou um tanto insegura.
— Prometo. — Respondi franco e engoli seco ante a cena que se desenhava na minha frente.
Tirei meu "brinquedo" pra fora e peguei a mão dela pra que ela me masturbasse, confesso que eu estava tenso e precisava aliviar a tensão.
A Shina começou a me masturbar, fechando as mãos sobre meu pau e fazendo os movimentos de vai e vem, aquilo era muito bom, por um momento parei de pensar no “cabeça de tomate”, eu tinha fechado os olhos e senti que ela parou os movimentos, abri os olhos para olhá-la, meu coração bateu ante a expectativa, a Shina chegou mais perto, mais perto... e colocou meu pau na boca, nesse momento gemi mais alto do que gostaria.
— Hnnnng!
Continuei com os olhos fechados, vivenciando as sensações que a boca da Shina me proporcionava, quando lembrei de um sonho que tive, na realidade era um sonho bem recorrente, no meu sonho era o Camus quem me chupava.
Sim, eu podia sentir a sua língua vermelha passeando sobre meu pau e logo depois o abrigando por completo na boca.
"Ah! Camus" — Pensei lembrando o sonho e me deixando levar pelo prazer, mas quando abri os olhos não foi o Camus quem eu vi e sim a Shina, minha namorada!
Cheguei a levar um leve susto ao ver o rosto dela com seus olhos verdes ao invés dos olhos rubros do Camus me olhando. Fiquei confuso, "que diabos tá acontecendo com você, Milo?" — pensei tenso.
Ela estranhou meu nervoso, parou o que estava fazendo e perguntou insegura: — Tô fazendo errado, Milo?
— Não, tá ótimo, tudo ótimo. — Falei a incentivando a continuar, mas nem eu mesmo sabia se queria que ela continuasse, estava confuso, "por que diabos eu estava pensando no Camus naquele momento?" — Essa dúvida não saia da minha cabeça.
De qualquer modo não deixei a Shina continuar, estava tarde e nós estávamos no quarto do Aioros, já pensou se ele chegasse de supetão? O Aioria havia dito que ele estava viajando, mas sei lá.
Achei mais prudente descermos.
Eu queria ver se o Camus tava atracado com aquela garota, mas não o vi em lugar algum, isso me irritou.
— Milo, você está tão estranho hoje, o que está havendo com você, afinal? — A Shina me questionou impaciente com meu jeito distante.
— Não tá acontecendo nada, Shina, só estou irritado. — Respondi sentando no sofá.
— Irritado com o quê? Eu fiz alguma coisa errada? — A Shina me perguntou sem entender.
O que eu poderia falar pra ela? Talvez se fosse menos impulsivo teria falado de outra forma, mas naquele momento só queria falar o que me irritava. — Você não me falou nada sobre essa Hilda! Nem me disse que tinha alguém interessada no Camus, acha isso certo? Acha?
A Shina piscou algumas vezes antes de entender do que eu estava falando.
— Ah, Milo... eu não acredito que está bravo por causa disso? Que bobagem, a Hilda falou com a Marin que achava o Camus um gato e tal, e Marin armou tudo com o Aioria, eu teria te contado, mas só fiquei sabendo hoje. Relaxa, ela não vai tirar nenhum pedaço dele. — Ela me respondeu brincando, como se minha raiva fosse bobagem.
— Onde será que eles foram? — Perguntei sem dar importância ao que a Shina disse, eu não acreditei muito naquele papo de "Eu não sabia de nada", pois bem, hunf... sei.
Ficamos ali mais um tempo até o Aioria descer com a Marin, as meninas ficaram dando risadinhas, juntamos nossa grana pra comprar pizza, eu e o Aioria fomos pra cozinha fazer o suco, a grana não deu pro refrigerante.
Neste meio tempo enviei algumas mensagens ao Camus perguntando onde ele estava, mas ele não me respondeu.
— Alguma notícia do Camus? — O Aioria me perguntou rindo sacana.
— Não, aquele filho da puta sumiu! Não responde as minhas mensagens. — Falei bem irritado.
— Deixa ele, Milo o coitado deve tá tirando o atraso! Tanto tempo sem pegar ninguém. — O Aioria comentou rindo, e eu não achei a menor graça.
Quando finalmente cheguei em casa driblei a Sônia que queria ficar brincando e cheguei no meu quarto peguei o celular e fiquei mandando mensagens para o ingrato do Camus.
Primeiro eu enviei essa: "Cara você tá aí?"
Vinte minutos depois mandei essa: "Ei não vai me contar como foi?"
Trinta minutos depois essa: "Eu me abri com você, por que esse silêncio na sua vez?"
Depois de uma hora de espera sem retorno algum, eu já estava perdendo a paciência: "Oh, seu filho da puta, qual é?"
Nada do Camus me responder, fui até a janela do meu quarto e vi que tinha uma luz acesa no quarto dele, porra, o viado estava em casa e não respondia minhas mensagens?
— Merda! — Falei alto antes de pegar o celular e ligar por Camus, queria saber qual explicação ele me daria, mas deu caixa postal.
Ainda tentei ligar quatro vezes antes de desistir.
— Camus, seu idiota! -Falei alto no meu quarto, mais pra mim que qualquer outro motivo. Fui pra minha cama e me joguei nela suspirando.
Só consegui dormir de madrugada após mandar muitas outras mensagens malcriadas para aquele filho da...
No dia seguinte a gente tinha aulas, eu estava esperando o Camus chegar na escola com aquela cara de pastel dele, ele ia ouvir umas poucas e boas, isso sim!
— Nossa, Milo, que cara feia. — A Sônia falou pra mim no café da manhã.
— É a única que tenho, não gostou olha pro outro lado. — Respondi ríspido e minha mãe bronqueou.
— Olha os modos, mocinho!
“Era só o que me faltava levar chamada da minha mãe uma hora dessas!” Pensei emburrado.
Peguei minhas coisas e fui pra escola, dei uma olhada na direção da casa do Camus, mas sabia que ele estava indo direto pro clube idiota de ciências dele, estavam estudando dobrado pro causa do programa, então segui direto e na frente encontrei o Aioria.
Tínhamos aula de Educação Física, estamos treinando para o campeonato intermunicipal de vôlei de praia, nosso time era bom, eu e o Aioria, contra o Argol e o Siegfried, ou Sig como a gente chamava.
Eu era bom no vôlei, mas minha cabeça estava longe, nervoso, não sabia o motivo, ou internamente sabia, sei lá?
— Vai seu idiota, pega a porra da bola! — O Argol gritou pra mim nervoso já era a quinta vez que eu deixava a bola cair. E se tem uma coisa que odeio é o Argol me dando broncas com razão.
Tentando não perder a cabeça me concentrei no jogo e conseguimos virar e ganhar, então o professor decidiu trocar as duplas, eu queria ficar com o Aioria, mas o Shion me deixou com o Sieg e o Aioria ficou com o Argol, coisa que não curti muito, mas tudo bem nada melhor que cortar em cima de um idiota.
Claro que eu tô falando do Argol, mas o Aioria merecia umas cortadas também, eu ainda estava bravo com ele.
Esse jogo foi bem tenso, o Sig não gostava de perder, o Aioria era obcecado por ganhar, o Argol era obcecado por me vencer, e eu em ganhar dele.
Eu cortava todas as bolas em cima do Argol e ele, claro, cortava em cima de mim, não saberia dizer qual time era mais forte, pois nós quatro éramos muito bons.
O Aioria sacou em mim que me defendi e passei pro Sieg que levantou e eu mirei no Argol e cortei com toda força, nossa ele levou uma medalha no peito e caiu gemendo de dor.
O Aioria ficou olhando pra mim sem saber o que fazer quando o Professor Shion parou o jogo.
— Milo, eu espero que isso não tenha sido de propósito! — Ele falou bravo indo ajudar o Argol que estava no chão gemendo de dor.
Eu, com toda cara de pau do mundo, falei em tom inocente. — Foi sem querer "fessor", achei que ele ia se defender.
— Seu...filho da...puta. — Soltou o Argol com dificuldade se segurando pra não chorar na nossa frente.
O professor encerrou a aula e foi com o Argol para a enfermaria.
— Cara, o que você tem hoje? — O Aioria me perguntou enquanto íamos para o refeitório seguindo o Sieg e o pessoal da nossa classe.
— Eu nada, não tenho culpa se ele não sabe jogar. — Respondi sem paciência.
Eu estava faminto, mas quando chegamos ao refeitório o Aioria falou, — Mas que safado! Olha isso, Milo.
Quando olhei na direção que meu amigo apontou, vi o Camus se agarrando com a Hilda, não sei explicar, mas senti tanta raiva daquele falso, ingrato, só peguei uma maçã e avisei o Aioria.
— Vou dar uma volta. — Falei saindo, o Aioria estava olhando praqueles dois com cara de idiota e só me perguntou.
— Ei, você não estava com fome?
Apenas acenei com a mão dizendo "nem tô mais" meus olhos encontram os do Camus, eu o olhei com raiva e fui pro pátio, fiquei lá pensando em todas as maneiras de seguir minha vida sem a amizade do Camus, sim estava disposto a não ser mais amigo dele.
Não ia mais estudar com o Camus, não precisava dele me perturbando, eu poderia muito bem me virar sem ele.
Não ia mais chamá-lo para jogar videogame lá em casa, eu poderia jogar com o Aioria, com o Debas e com os outros caras da rua.
Não ia mais o deixar ficar assistindo aos nossos jogos de futebol ou de vôlei.
— Nunca mais vou falar com aquele ingrato! — Falei sozinho parecendo um maluco.
Olhei no relógio e vi que já estava quase na hora do sinal bater, peguei minhas coisas e fui pra sala de aula, eu poderia estudar sozinho, não precisava do Camus, se quisesse poderia ter até meu próprio clube de ciências, se quisesse, mas jamais ia querer uma idiotice dessas.
Peguei minhas coisas e fui pra sala, pensei em sentar longe daquele ingrato, mas decidi não fazer isso, daria a ele a minha total indiferença.
Quando o sinal bateu a turma começou a entrar, peguei o livro e comecei a ler como se estivesse estudando, senti o Camus entrar, não sei explicar só sei que eu sabia que ele estava ali.
Não olhei pra ele, continuei "lendo" o livro, percebi que ele estava olhando pra mim.
— O que houve? Aconteceu alguma coisa? — Ele me perguntou com aquela cara de pau dele.
Se ele não sabia o que tinha acontecido não era eu quem ia falar nada, não é? Só olhei com a sobrancelha erguida e neguei com a cabeça e soltei, — Não houve nada. — Voltei minha atenção ao livro em seguida.
O Camus ficou me olhando sem entender nada e sentou todo sem graça na minha frente, fiz uma careta pra ele infantilmente.
Fiquei a aula inteira quieto, percebi que o cabeça de tomate me olhava de esguelha, mas sempre que ele fazia isso eu fingia prestar atenção na aula.
Quando o sinal bateu paguei minhas coisas e sai apressado, não queria conversar com o Camus, ainda estava muita raiva dele.
Percebi que ele vinha quase correndo tentando acompanhar meus passos apressados, mas não diminuí o ritmo continuei a andar.
— Ei, vai parar de agir como um idiota e me dizer o que houve? — O Camus perguntou irritado quando finalmente conseguiu emparelhar os passos com os meus.
Quanta petulância! Ele ainda tinha a cara de pau de vir falar abobrinhas pra mim? — Eu devo ser um idiota mesmo, é isso, sou o idiota que achava que você era meu amigo! — Despejei bravo.
Ele ficou lá com aquela cara de quem não estava estendendo nada, e eu não estava paciência pra ele, me virei e continuei a andar.
— Milo, espera! Mas que merda tá acontecendo? — Ele perguntou bravo, sem entender porquê eu estava bravo.
Considerando que o Camus é bem lerdo para algumas coisas eu parei pra explicar, claro que despejando algumas verdades instaladas em mim desde ontem. — Achei que você teria comigo a mesma consideração que tive com você, mas me enganei. Sou seu amigo, mas você nunca foi meu, não é?
Eu queria parecer bravo e altivo, mas talvez eu tivesse apenas deixando a mostra o quanto eu estava magoado, porque o Camus falou comigo com aquela cara de cachorro que caiu da mudança que ele tinha. — Milo, por que você tá me dizendo essas coisas, o que foi que eu fiz, dá pra me explicar?
Eu não queria dar o braço a torcer e fiquei encarando o Camus, ele sustentou o meu olhar.
Então continuei, falei pra ele que quando eu tinha ficado com a Shina, ele foi o primeiro com quem falei, que mandei mensagens e tudo mais, e ontem ele ficou com a Hilda e sumiu, não me mandou uma mensagem sequer, não respondeu as minhas tampouco, e hoje já estava beijando ela novamente!
Enfim despejei tudo que estava entalado em mim.
Percebi que ele ficou tenso considerando tudo que eu disse, ele ficava com aquela cara de paisagem que ele faz sempre, mas que comigo não cola, pois consigo ver tudo o que se passa naquela cabeça de vento através do seu olhar.
Aí ele me olhou novamente com aquela cara de cachorro que caiu da mudança, droga "por que ele faz isso, eu não consigo manter minha raiva quando ele faz isso?" — Pensei olhando pra ele.
O Camus se desculpou dizendo que aquele era o jeito dele, fechado e tals.
É bem verdade, o Camus não é de ficar falando pelos cotovelos, na realidade ele é bem quieto mesmo, bem mais fechado que eu, tá eu não sou o tipo fechado, ao contrário eu geralmente falo pelos cotovelos.
Voltei a olhar pra ele e soltei. — É, pensando bem você é meio estranho mesmo.
Ei! — Ele reclamou me socando o braço, e eu ri. Eu poderia até tentar, mas não conseguia ficar bravo com o Camus por muito tempo.
— Mas e aí? Me conta o que achou? — Perguntei, mas confesso que estava um tanto inseguro quanto a resposta, não sabia porque aquilo me incomodava tanto.
O Camus estava me dizendo que tinha sido legal, quando o Aioria chegou colocando pilha e enchendo a bola da tal da Hilda, dizendo que ela era a mais bonita da escola e tudo.
Aquilo me irritou muito, pra mim essa Hilda não tinha nada demais.
— Aliás, vocês dois só tem namoradas graças a mim. — Eu ouvi o Aioria falando o olhei tentando imitar o olhar blasè do Camus, francamente, eu não precisava dele pra conseguir namoradas, Hunf!
Quando o Aioria perguntou ao Camus por que ele tinha saído sem falar com ninguém, prestei atenção, estávamos andando de volta para casa.
— Porque estava constrangedor ouvindo você, não têm vergonha? — O Camus respondeu resmungando e senti minhas bochechas esquentarem fiquei com vergonha dele, sempre me sentia assim com o Camus, sei lá com o Aioria não tinha a menor cerimônia, mas com o Camus era diferente, será que ele ouviu meus gemidos?
Imediatamente lembrei que estava pensando nele, ou melhor, no sonho que tive com ele, puta que pariu! Se o Camus soubesse que eu imaginei que era ele quem estava fazendo um boquete em mim enquanto a Shina me chupava, acho que ele me mataria! Com certeza!
O Aioria falou algo sobre dar um passo adiante no relacionamento, sei que fui indiscreto, mas não resisti simplesmente saiu, o Camus falava que meu filtro do cérebro pra boca estava com defeito, eu sempre falava sem pensar. — Vocês transaram?
O Aioria falou que não, eles apenas estavam no estágio mão naquilo, aquilo na mão, achei graça.
Como eu havia sido indiscreto, o Camus achou de ser indiscreto também, e já veio perguntando: — E você e a Shina?
Ah caramba, fiquei tenso, não sabia o que dizer, o Camus tava ali e, sei lá... era estranho porque quando fechei os olhos foi o Camus quem eu vi me chupando.
— Milo, você transou com a Shina? — O Camus me perguntou tenso.
— Não! — Me apressei em dizer, não queira que o Camus ficasse pensando bobagens a meu respeito, — Nós estamos num estágio mais avançado que o Aioria.
— Como assim? — Perguntaram os dois ao mesmo tempo, me virei e continuei andando antes de responder.
— Mão naquilo e aquilo na mão, e aquilo na boca e a boca naquilo. — Falei em tom sacana, mas morto de vergonha do Camus.
O Aioria riu e começou a me socar no ombro, pedindo pra contar os detalhes, mas JAMAIS faria isso, principalmente na frente do Camus.
— Um cavaleiro não comenta essas coisas, não vou falar nada. — Corri dos socos do Aioria e vi que o Camus me olhava com um sorriso quase oculto nos lábios.
ooOoo
O Camus estava todo ocupado com o tal programa e com a chata da Hilda, sério mesmo, a garota era insuportável, não desgrudava dele
Sabe aquele tipo de namorada chata, que fica tentando podar as amizades do cara? Então essa era a Hilda, mas se ela achava que eu ia deixar meu amigo ser um tonto nas mãos dela, ah, ela estava muito enganada.
Eu vivia perto, fazendo marcação cerrada mesmo, claro às vezes a Shina reclamava que eu não estava dando atenção pra ela.
Eu não estava muito certo sobre meu namoro. Talvez se eu largasse a Shina o Camus dava um pé nessa Hilda chata.
Lá estávamos nós discutindo a mesma coisa. Ô menina chata!
— Garota, nós já falamos sobre isso, você vai com as meninas, e espera a gente lá. — Eu falei pela enésima vez.
— Eu posso passar aqui e a gente vai junto, — A Hilda me ignorou e voltou a falar com o Camus
— Nossa! Já não falamos disso antes? Por que você simplesmente não faz como foi combinado? — Tive que me meter já sem paciência, oh garota chata, não sei o que o Camus viu nela.
— Mas quero ir com ele, o Camus é meu namorado! — A vaca, digo... a Hilda respondeu me encarando, sem paciência sustentei seu olhar, não ia deixar o Camus mudar de ideia e ir sozinho junto com aquela lá para a gravação do programa.
— Hilda, vamos fazer como combinamos, eu vou com o Milo e o Aioria, e você vai com as meninas. Nos encontramos lá no estúdio, —Camus respondeu e olhei pra ela com a minha melhor cara de vitória, só não mostrei a língua e fiz passinho de zoação pra não ficar muito feio pra ela.
Ela me olhou com seu melhor olhar blasè e concordou com o Camus, — Está bem Camus se prefere assim, eu vou com as meninas.
"Claro que ele prefere assim" falei mentalmente ainda com cara de vitória pra ela.
ooOoo
O programa do Camus era no dia seguinte e ele estava com o Shaka e o Professor Dohko, revisando as coisas deles, eu estava em casa, ou melhor, estava na varanda vendo meu irmão arrumar o carro.
O Kardia tinha comprado um carro, bem sei que papai deu a metade do dinheiro e o Kardia pagou a outra metade com as economias dele.
Não era um carro zero, longe disso! Era um carro usado e estava em bom estado, mas o Kardia ainda estava dando uns ajustes no motor.
Eu estava sentado observando o Kardia. Cara ninguém diria que ele é gay, sério mesmo, meu irmão não tinha trejeitos, não falava fino, aliás, meu irmão era bem tosco. Os gays não são toscos, pelo menos em geral, não são.
O Degel irmão do Camus e namorado do meu irmão, também não era afeminado, não tinha trejeitos também. Sempre achei que, ao menos um dos dois teria que ser "feminino", sei lá.
— O que foi, ô Frank, por que tá me olhando assim? Vem me ajudar. — O simpático Kardia me perguntou me chamando de "Frank" coisa que ele sempre fazia desde que cai do telhado da fábrica.
Um doce de irmão eu fui arranjar.
Levantei e fui até ele, — Eu não tô olhando nada, só pensando. — Respondi pegando a chave de roda e dando pra ele.
— Ai Cristo! Lá vem abobrinha. — O Kardia resmungou.
Eu só olhei pra ele sem dizer nada.
O Kardia pegou a ferramenta da minha mão e voltou a mexer no carro.
— Por que você é gay? — Eu perguntei do nada.
Meu irmão levantou a sobrancelha e me olhou, — Que tipo de pergunta idiota é essa? Algum problema pra você eu ser gay?
— Não, claro que não, mas você não é um gay igual aos outros gays, entende? — Falei franco, não estava zoando meu irmão, só que eu não entendia como isso funcionava.
— E como são os outros gays que você conhece, sabichão? — Meu irmão me perguntou voltando a mexer no carro.
— Ah! Sei lá, eles são molinhos, com trejeitos... mas nem você nem o Degel são assim, nem um dos dois parece ser a "mulher" da relação. — Continuei franco em minha dúvida.
Ao ouvir minha dúvida meu irmão bateu a cabeça no capô do carro. — Ai! Caralho! — Olhando pra mim, enquanto massageava a cabeça, ele me explicou. — Milo, eu sou homem, e o Degel é homem, somos dois homens que se amam, ok? Dois homens numa relação! Não existe a "mulher" da relação, eu amo o Degel como um homem, e ele me ama como um homem, nós transamos como dois homens.
Acenei com a cabeça sem me constranger, mesmo com o Kardia falando de sexo gay.
O Kardia entrou em casa e voltou com duas latas de refrigerante bem gelado, jogou uma pra mim.
Ele abriu a dele é tomou um gole e eu fiz o mesmo com a minha, então meu irmão continuou. — Milo, ser gay não é necessariamente ser afeminado, claro que existem os afeminados, mas isso não é uma regra. Eu não sou afeminado, e o Degel também não, nós nos amamos assim.
Prestei atenção no que o Kardia dizia, mas eu ainda tinha algumas dúvidas, — Mas como você soube que gostava de homens?
Meu irmão levantou a sobrancelha e ficou me analisando antes de responder, — Eu tentei namorar algumas garotas quando tinha sua idade, mas percebi que gostava garotos, fiquei com alguns antes do Degel.
— Sério?! — Aquela informação pra mim era inédita, sempre pensei que o Degel tinha desencaminhado o Kardia, se bem que é mais fácil o Kardia desencaminhar o papa, que o pobre Degel. Eu devia desculpas a ele pelos meus pensamentos. — Mas você só conversou com o pai e a mãe depois do Degel.
— Sim, claro o Degel foi... Ah! Milo... quando vi o Degel pela primeira vez lendo um livro na varanda da casa dele... Lembro que eu tava andando de skate e ainda tentei umas manobras para chamar a atenção daquele sisudo.
O Kardia riu da lembrança. — Degel é bem sisudo quando quer ser intimidante, quando não o conhecemos...
Eu ri, pois lembrei que o Camus é exatamente igual ao irmão, mas sempre consegui dobrar o Camus.
— Mas eu consegui dobrar o Degel. — Ouvi meu irmão falar e fiquei sem graça comigo mesmo pela coincidência.
Ficamos conversando muito sobre eles, Kardia me deu uma aula sobre a comunidade LGBT, confesso que não sabia muito, foi bom conversar com ele, pois muita coisa que eu achava verdade era mito.
Nem sei o que me levou a pensar nessas coisas, nunca tive curiosidade com relação a isso, certo, eu achava que sempre tinha que ter um afeminado na relação e achava estranho o fato não existir essa figura no relacionamento do meu irmão, mas agora eu sei que isso não é necessário, um relacionamento homossexual é composto de duas pessoas do mesmo sexo, mas não é obrigatório ter um homem da relação ou mulher da relação, só existe o amor.
...
Eu estava no meu quarto, já era noite, o Camus iria participar do programa no dia seguinte, fiquei com vontade de enviar uma mensagem pra ele, mas me segurei, não queria deixar ele mais nervoso do que ele já deveria estar.
Estava um calor insuportável e eu estava só de cueca deitado na minha cama, estava precisando "aliviar" meu corpo, não queria levantar e ir até o computador procurar alguma sacanagem pra isso.
Era só um punheta pra dormir melhor, enquanto acariciava meu pau olhei em volta procurando alguma coisa que me ajudasse, do lado da minha cama tinha uma foto onde eu o Aioria e o Camus sorriamos para a câmera, peguei o porta-retratos e tampei o Aioria, não queria ele me olhando naquele momento.
Meus olhos cravaram no Camus, me fazendo lembrar dos sonhos molhados que já tive com ele, e daquela bunda redondinha que ele tinha, de quando encostei nela, naquele armário de vassouras.
Gemi sentindo meu pau pulsar na minha mão enquanto manejava meu pau apoiei o porta-retratos no criado mudo de um modo que eu pudesse ficar olhando fixamente para o Camus, acelerei o movimento, com as duas mãos livres acariciei minhas bolas ao mesmo tempo em que manipulava o vai e vem das minhas mãos.
Senti que o orgasmo não ia demorar, ainda com os olhos cravados no Camus, senti a energia se acumular no meu baixo ventre, estava quase lá.
— Ah! Pelos Deuses! — Gemi quando me derramei em minhas mãos contorcendo meu corpo.
Após os minutos de letargia peguei minha cueca e me limpei, ia dormir pelado mesmo, já estava me acostumando com isso.
Não me senti confuso em ter pegado a foto do Camus pra me aliviar, eu precisava de um estímulo pra chegar lá e o Camus era bonito, isso ninguém poderia negar, mas era só isso, não tinha nada de mais nisso, tinha?
Sem pensar muito sobre o assunto, adormeci ainda olhando pra imagem do Camus.
ooOoo
Eu estava tomando banho, ainda era cedo, sei que o Camus sempre demorava pra se arrumar, mesmo assim fui tomar banho cedo, qualquer coisa eu passaria na casa dele, pra apressar aquele lá.
Estava lá relaxado, quando ouvi o Aioria enfiando a cabeça no banheiro e dizendo alguma coisa sobre a água do planeta. Ah! Ele me chamou de noiva que eu ouvi. — Vai se fudê! — Foi minha resposta.
Logo desliguei o chuveiro e enrolei a toalha na cintura e fui pro meu quarto, mesmo com os cabelos pingando o Aioria estava lá, eu não queria me atrasar.
Eu ia falar alguma coisa sem importância quando vi o Camus bem ali, ou melhor, quando o ouvi resmungar alguma coisa.
— Camus? Não sabia que estava aqui também. — Falei sem graça. Merda! Como me trocaria na frente dele? Sei lá, era estranho.
— Vocês podem me dar licença, tenho que me trocar. — Pedi já sabendo que o Aioria não iria sair e ainda ia ficar me xingando, não deu outra. Mas o Camus foi sensato e se sentou próximo a janela, ele estava esquisito, ficou abraçando minha almofada o tempo todo, acho que era nervoso por causa do programa.
Quando terminei de me trocar falei pra eles, — Tô pronto! — O Camus me olhou assustado, ele realmente não estava bem. Do nada ele pegou um caderno de geografia que estava na minha escrivaninha. — Pra que esse livro, Camus?
Ele disse que precisava estudar, coitado ele devia estar uma pilha.
Antes de entrarmos no carro eu e o Aioria tiramos par ou impar para ver quem sentava na frente o Aioria ganhou e eu fui atrás com o Camus.
Papai ficou perguntando ao Camus sobre o programa, mas o pobre não conseguia responder nada direto, fiquei com pena, queria fazer alguma coisa pra ajudar, mas não sabia o que, então fiz a única coisa que me passou pela cabeça, peguei em sua mão.
O Camus olhou pra mim, e eu sorri pra ele, — Vai dar tudo certo. — Falei sorrindo, tentando passar um pouco de força e coragem, o Camus sorriu de volta, eu gostava quando ele fazia isso, sorria pra mim.
Fui segurando em suas mãos até o estúdio, era o mínimo que eu poderia fazer pra ajudar.
ooOoo
Bom, como era de se esperar o Camus acabou com os mauricinhos da outra escola, claro que o Shaka ajudou, um pouco, mas ajudou.
Eu só não sabia a necessidade de ficar abraçando o cara toda vez que eles acertavam alguma coisa, francamente!
Depois da vitória do Camus, ele meio que estava com o seu futuro garantido, os dois ganharam a maior grana.
As coisas mudaram muito para o Camus na escola, antes ele era perseguido por ser um nerd e agora ele era adorado justamente por ser um.
Eu estava feliz por ele, mas ao mesmo tempo estava triste, pois sentia que estava perdendo meu amigo.
Com o namoro dele com a Hilda, ele se afastou um pouco de mim, claro era natural ele querer passar mais tempo com ela. Eu não gosto dessa garota!
Mas ele já estava distante por causa do clube, agora ele era popular, meu tempo com o Camus estava cada vez mais curto.
Eu estava pensando nisso enquanto caminhava, era noite e eu estava voltando do treino de vôlei, treinávamos todas as tardes e início de noite para o campeonato.
O Aioria foi ver a Marin, e eu fui caminhando pra casa.
Estava chegando quando vi os cabelos vermelhos do Camus, ele estava sentado na calçada, com a cabeça sobre os braços, eu demorei a perceber que ele estava chorando.
Sabe aquele choro baixinho só pra você? Então, o Camus estava assim
Meu coração doeu ver meu amigo daquele jeito me ajoelhei ao seu lado e perguntei. — Camus, o que houve? Por que você tá chorando?
Quando ele levantou a cabeça, meus olhos se arregalaram ao ver seu rosto machucado.
Havia sangue próximo a sua boca e seu olho estava roxo. — Camus, pelos Deuses! Quem fez isso com você?
Perguntei bravo, estava com vontade de matar alguém.
— Ninguém, Milo, vá embora. — Ele respondeu entre soluços.
Eu estava desesperado, nunca tinha visto o Camus tão fragilizado assim, toquei com carinho seu rosto. — Me fala, Camus, me deixa te ajudar.
Ele me olhava com um sofrimento enorme no peito como se ele não pudesse dividir aquilo comigo, e eu não entendia o porquê! — Camus, confia em mim.
Ele soluçou mais uma vez e me abraçou forte, correspondi aquele abraço, sentindo o cheiro dele invadir minhas narinas e aquecer meu peito.
Eu separei o abraço com carinho, voltei a acariciar o rosto dele, olhei pra sua boca, eu tive vontade de beijar o Camus, beijá-lo e dizer que estava tudo bem, que eu estaria ali pra ele.
Nossos olhos se encontram, acho que ele estava pensando o mesmo que eu era como se nossas almas conversassem sozinhas, eu queria beijá-lo, eu ia beijá-lo.
Quando ouvimos a voz do Sr. Crystal nos sobressaltado.
— Camus! — O Sr. Crystal falou parando ao nosso lado, e me olhou como se enfim entendesse alguma coisa.
O Camus levantou rápido e o olhou com olhos arregalados e disparou. — Não pai, o Milo não sabe de nada.
O que eu não sabia? Agora eu queria saber!
O Sr. Crystal que estava me fuzilando com os olhos, olhou para o filho.
Os dois estavam com uma expressão muito séria e eu não estava entendendo nada.
— Vamos entrar, Camus. — O Sr. Crystal finalmente falou.
Os dois ainda se encaravam, mas quando o Camus chegou perto do pai, os dois se abraçaram e começaram a chorar.
A mim parecia que eles estavam se desculpando ao mesmo tempo em que se perdoavam.
— Eu te amo, Camus, eu vou aprender a lidar com isso. — O Crystal falou enquanto ele e o filho entravam, eu particularmente queria que eles conversassem lá fora, eu queria saber o que tinha acontecido.
Coloquei as mãos nos bolsos e fui pra minha casa, eu deveria falar com o Degel, mas queria conversar com o Camus antes.
A cena de agora há pouco voltou na minha mente.
Seus lábios finos, sua pele macia, eu queria beijar o Camus... queria saber qual o gosto daquela boca. Eu o havia beijado na noite em que acampamos no quintal, mas acho que o Camus nem sabia disso. — pensei triste, de repente sentei na cama assustado.
— Isso é loucura, Milo! Você é hétero e tem namorada, e o Camus também é hétero e também tem namorada. Que viagem! — Falei pra mim, tirando minhas roupas.
Eu precisava de um bom banho frio, eu tava ficando louco, isso sim.
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