E Agora?

18 Capítulo 18 - Desencontros


Notas iniciais
Olá pipous! Mil perdões pela demora em postar o capítulo novo desta fic, além do rodizio que eu estou fazendo com as três fics que estou escrevendo, escrevo E Agora?, Depois Na Real, Depois Além do Tempo e assim vai, Mas meu irmão faleceu um mês pós eu postar o capítulo 17 e desde então eu to tentando assimilar as coisas, colocar minha vida nos eixos, aprender a viver com esta nova realidade. Obviamente quem acompanha as minhas fics sabe que eu não parei de escrever, ao contrario, até me ajuda muito a manter a sanidade, contudo não consegui atualizar essa fic com a agilidade que eu gostaria. Meus agradecimentos a minha amiga Vivi que betou esse capítulo deixando de lado seus próprios problemas. Miga te amo!!! Um detalhe sobre essa fic é que, como a está altura todos devem saber, a historia deles de passa no passado,ok? A infância, o momento em que eles se conheceram se passa nos meados dos anos 90 e a fase da adolescência se passa no começo dos anos 2000. Ali estávamos começando entender e a respeitar os LGBTs, se há dificuldade hoje, naquela época era muito pior. Quis explicar isso, pois as pessoas podem achar os acontecimentos exagerados e tal então, tá explicado... Ah sim! Eles não conversam pelo WhatsApp e sim por torpedo. (#SheilinhaVelinha) XD Chega de papo, vamos lá!

E Agora? — Capítulo 18

"Eu me sinto tão triste quando relembro estes dias".

"Milo, prefere que eu conte este trecho da nossa história sozinho?"

"Não, Camus... vamos contar juntos como fizemos no capítulo anterior"

"Você, Milo em Negrito e eu, Camus, em Itálico?"

"Sim, pode ser?"

"Claro, por mim tudo bem, eu começo, Milo".

Beijei o Milo com toda a urgência que meu coração exigia, já sentia no peito a dor da saudade, sentir seu corpo junto ao meu, seu abraço, seu beijo... me fazia ter a certeza de que eu o amaria para sempre.

Só nos soltamos do beijo quando ouvimos a voz de Sônia de dentro de casa.

"Mamãe, o Milo tá beijando o Camus na boca".

Eu olhei para Milo preocupado, ele resmungou alguma coisa chamando a irmã de enxerida e me puxou pelo braço para conversarmos lá nos fundos.

— Camus, me fale, teu pai te bateu? Ele tentou algo? Te agrediu? — Milo me perguntava analisando meu corpo e meu rosto à procura de algum sinal de violência.

— Não, Milo, meu pai não me bateu. — Falei triste.

Milo me olhou desconfiado, estranhando o fato do meu pai não ter feito nada contra mim.

Ele se afastou e me encarou esperando, de alguma forma Milo sabia que havia alguma coisa errada. — O que está acontecendo?


— Eu vou embora Milo, nós vamos para Rússia. — Revelei vendo a cor deixar o seu rosto, que pálido me olhou negando com a cabeça.

...


Eu não podia acreditar, aquilo não estava acontecendo, eu não tinha escutado direito, é isso! — Desculpe, Camus, mas o quê? Que sandice é essa?

— Não é sandice Milo, o Hyoga foi aceito no Bolshoi, ele tem que ir pra Rússia. — O Camus começou a falar e eu o cortei.

— Deixa ele ir! Oras o que você tem a ver com isso? Você vai dançar por um acaso? — Reclamei, eu não estava acreditando naquilo.

— Milo, meu pai não vai deixar o Hyoga ir sozinho, ele não vai me deixar ficar, eu não tenho escolha. — O Camus me respondeu com lágrimas nos olhos.

Meu peito estava doendo tanto que eu tinha impressão que meu coração estava sangrando de fato dentro de mim.

— Você não pode fazer isso comigo! — Falei sentindo meus olhos arderem. — Eu te amo, Camus, por favor, não faz isso comigo.

...

Ver lágrimas nos olhos do Milo me doeu mais que tudo, daria minha vida para não vê-lo sofrer, mas o que um adolescente de dezesseis anos poderia fazer perante a decisão do pai?

— Milo, eu te amo e vou te amar para sempre, não vai ser um fim, a gente vai ficar afastado por um tempo, mas depois a gente... — Eu não consegui dizer o que faríamos depois, pois Milo me cortou novamente.

— Eu não aceito Camus! Você vai me deixar aqui sozinho? Depois de tudo que passamos hoje? Você vai me deixar sozinho? — O Milo me cobrou com um olhar sofrido.

— Até a viagem nós vamos para a escola juntos, vamos enfrentar tudo e todos juntos! — Eu afirmei, jamais deixaria Milo voltar sozinho para a escola.

— Mas depois você vai embora! — Milo disse acusatório e eu nada pude dizer em minha defesa.

— Milo, a gente vai ficar junto! À distância, mas juntos. — Tentei convencer o Milo, mas ele com aquele jeito temperamental e explosivo gritou.

— EU NÃO VOU NAMORAR À DISTÂNCIA! EU NÃO QUERO!

...

Meu coração estava doendo, eu não queria escutar aquelas coisas que saíam da boca do Camus, não queria que ele saber se a gente voltaria a ficar junto um dia, sabe-se lá quando, eu não queria me separar dele hoje, nem nunca.

Eu só pensava em gritar, gritar muito, gritar para todo mundo ouvir o quanto eu estava sofrendo.

Não queria mais ficar ali, não queria mais olhar pro Camus, não queria mais ouvir ele dizendo que iria embora então eu entrei correndo, deixando-o sozinho, não queria falar com ninguém, nem com minha mãe, nem com o Kárdia, ninguém!

Cheguei no meu quarto tranquei a porta e me joguei na cama e chorei, chorei muito abraçado ao meu travesseiro que abafava meu choro e meus gritos.

...

Fiquei lá parado olhado para a porta por onde Milo tinha acabado de sair correndo. Eu não tinha nenhuma reação, no meu peito só martelava a certeza de que eu tinha feito Milo sofrer.

Quando a porta dos fundos abriu novamente e o Kárdia saiu por ela eu abaixei os olhos, estava difícil me manter firme, pois minha vontade era ir atrás do Milo, ou correr até minha casa, ou simplesmente gritar sem parar.

Meu cunhado veio em minha direção e colocou a mão sobre meu ombro tentando me explicar como funcionava a cabeça do Milo.

— Ele é temperamental, aliás, todos aqui somos, é uma família de escorpianos, sabe como é...

— Ele não vai me esperar, ele não me ama de verdade. — Lamentei com lágrimas nos olhos.

— Claro que ele te ama, Camus, você precisava ver como ele estava desesperado para te ver, saber de você. Quem você acha que fez o nosso pai, que também é escorpiano ranzinza e teimoso, esquecer o desentendimento que teve com seu pai pela manhã e ir até sua casa saber de você?

Eu ainda estava com os olhos baixos tentando segurar as lágrimas, não queria chorar na frente do Kárdia.

— O Milo te ama demais, mas ele não está sabendo lidar com isso agora, dê um tempo pra ele, ok? — Meu cunhado me pediu e eu concordei com a cabeça, não me lembro se cheguei a me despedir, pois eu voltei pra casa com os ombros caídos e a cabeça baixa meu pai e o senhor Klaus me observaram quando eu cheguei, mas eu não falei nada com nenhum dos dois, apenas subi as escadas e fui para o meu quarto.

Deitei na minha cama me sentindo o último dos mortais, lágrimas silenciosas escapavam dos meus olhos eu abracei o meu travesseiro escondendo meu rosto ali.

O amor do Milo por mim não era nem parecido com amor que minha mãe sentiu pelo meu pai, ele não me esperaria como ela esperou. Saber disso doía muito, pois eu esperaria minha vida toda por ele.

Notei a porta sendo aberta e alguém sentar em minha cama e acariciar meus cabelos.

— A conversa não foi muito boa, não é? — Ouvi a voz de Degel saindo baixa.

Neguei com a cabeça, eu estava conseguindo controlar minhas lágrimas, elas caíam lentamente, mas tinha medo de começar a falar e abrir o berreiro.

— Acho que ele só está precisando de um tempo pra colocar as ideias em ordem. — Degel me consolou, ou melhor, tentou me consolar. — Vocês estão cansados, tiveram um dia muito cheio, você tem que tirar essa roupa, tomar um bom banho e descansar, amanhã com a cabeça mais calma vocês conversam, ok?

Concordei com ele fui para o banho, quando voltei para o quarto meu irmão me aguardava com um chá de camomila para que eu conseguisse dormir sem problemas, receita da mamãe.

Voltei a deitar na minha cama enquanto o chá esfriava, abracei o travesseiro e comecei a falar com meu irmão. — ... e se ele não me quiser mais?

— Então ele não vai te merecer! Camus, todo namoro passa por momentos difíceis, mas se o Milo fraquejar na primeira dificuldade, talvez seja melhor que vocês não continuem juntos. — Meu irmão foi direto, como costumávamos ser um com o outro.

Fiquei pensando no que meu irmão disse,
"será que o amor do Milo não é forte o suficiente para aguentar essa separação?"

— Eu o amo desde sempre. — Confessei a Degel que deitou do meu lado na cama e me abraçou.

— Eu sei. — Meu irmão falou.

Ficamos assim, até que eu finalmente peguei no sono.

*-*-*-*-*

Eu estava no meu quarto sofrendo e me sentindo a pessoa mais infeliz do mundo, o Camus ia embora, ele simplesmente iria embora depois de ter virado meu mundo de cabeça pra baixo, aquilo era muito injusto.

Ouvi duas batidas na porta e o meu irmão não esperou autorização para entrar e já foi logo invadindo meu quarto, eu continuei deitado na minha cama sem olhar para ele.

— E aí? Como foi com o Camus? — O Kárdia perguntou já que eu não falava nada.

— Ele vai embora. — Respondi de mal humor com a voz anasalada, havia chorado e sinceramente estava me segurando para não chorar novamente.

— Putz! — Foi a resposta do meu irmão.

Ficamos em silêncio novamente até que ele quebrou o silêncio pela segunda vez, impaciente. — Mas, e aí? O que vocês conversaram? Me conta as coisas direito, caramba.

Eu estava mantendo minha dignidade, mas explicar as coisas para o Kárdia exigiria um autocontrole que eu não tinha, então até comecei bem, mas depois... — Ele vai embora... Camus vai pra Rússia, ele vai embora ao invés de ficar comigo, porque o sádico do pai dele não vai deixar o Hyoga ir sozinho, mas o Camus nem tá tentando ficar, ele vai ir junto com a família dele, e eu vou ficar sozinho nesta merda de país. — Neste ponto eu já estava soluçando. — Por que ele não fica? Eu falei pra ele não ir, ele não precisa ir, a gente pode ficar juntos, você não está junto com o Degel? Por que ele não pode ficar comigo, se ele me amasse, como o Degel te ama, ele iria ficar comigo, mas ele quer ir e vai me deixar aqui depois de tudo que a gente passou hoje ele quer ir embora.

— Ei, ei Calma! Respira, Frank! — O Kárdia pediu me chacoalhando.

Eu então só chorei como quando éramos crianças.

— Frank, o Camus terminou com você, é isso? — O Kárdia me perguntou depois que eu me acalmei um pouco.

— Não, eu é quem terminei com ele. — Falei chorando novamente. — Eu não quero ficar namorando à distância.

Meu irmão deu um tapa na minha cabeça. — Você é burro ou o quê?

— Ai! Por que me bateu? — Perguntei massageando minha cabeça.

— Você vai deixar o cara que você gosta ir embora assim? Não vai firmar compromisso nenhum? Vai deixá-lo livre pra outro?

Eu não tinha pensado sobre aquilo, deixar o Camus livre pra outro não era uma opção que me agradasse, não mesmo.

— Ele que vai embora, ele não quer lutar comigo, o Degel foi morar com você por que o Camus não pode fazer o mesmo?

Kárdia girou os olhos. — Milo, deixa de ser burro! — Meu irmão não tinha lá muita paciência comigo. — Quando eu e o Degel ficamos juntos nós éramos maiores de idade e já estávamos indo pra faculdade, e mesmo assim o Crystal só soube de nós um tempo depois, não é nem de longe o seu caso. Não cobra do Camus o que ele não está podendo te dar agora, vocês são menores de idade, não tem emprego, e nem uma fonte de renda. Como você acha que conseguiriam se manter sozinhos?

Fiquei pensando nas coisas que meu irmão disse, realmente eu e o Camus não tínhamos a menor chance de sermos independentes agora.

— Pensa direito antes de fazer a merda de deixar o cara que você ama ir embora, sem que ele saiba que você o ama também e que vai esperar por ele! Isto é, se você realmente o amar ao ponto de esperar por ele. — O Kárdia aconselhou antes de sair do meu quarto me deixando sozinho com meus pensamentos.

*-*-*-*-*

Na manhã seguinte quando desci para o café, meu pai e meus irmãos já estavam postos à mesa. Meu pai ficou me encarando enquanto eu colocava um pouco de leite no meu café e me servia de um pedaço pequeno de pão, eu não estava com fome alguma, mas sei que meu pai não me deixaria em paz se eu não comesse alguma coisa durante no desjejum.

— Camus, meu filho... você não precisa voltar para essa escola, nós vamos nos mudar em alguns dias... — Meu pai começou e sinalizei que não iriam mudar de ideia.

— Pai, não vou deixar o Milo sozinho neste momento. — Respondi firme e resoluto!

— Camus, não quero que se machuque e não estou falando só dos seus sentimentos, as pessoas podem ser cruéis com vocês. — Meu pai me começou preocupado.

— Pai, eu sei me defender, sou um lutador, lembra? Sei me defender sozinho. — Insisti notei o olhar de Degel preocupado para mim. — E justamente por saber que as pessoas podem ser cruéis que não posso deixar o Milo sozinho agora.

Meu pai me encarou sério e depois falou vencido. — Tudo bem, como você quiser, mas vou levá-lo na escola hoje, e não adianta protestar. — Ele disse quando me viu abrindo a boca, Degel sorriu orgulhoso do nosso pai, eu vencido, concordei.

Quando nós fomos sair com o carro vimos o Sr. e a Sra. Scorpions saindo no carro com Milo no banco do passageiro, nosso pais se cumprimentaram e meu pai notou que o Milo não falou comigo.

Entramos no carro em silêncio e percebi que meu pai tentava falar alguma coisa, mas sei que consolar um filho gay que tinha levado um fora do namorado era demais pra ele, ainda assim me senti bem em perceber que ele até estava tentando, porém, tudo ao seu tempo.

— Filho... Er... Se você precisar, me ligue, eu virei correndo, não se exponha, não corra riscos desnecessários, você não precisa estar aqui. — Meu pai me disse e pra minha surpresa ele me abraçou, sei que ele temia pela minha segurança e meu bem estar, um homofóbico de repente estar do outro lado, devia ser assustador.

— Pai, não se preocupe, sei me cuidar, não vou me colocar em risco à toa. — Retribuí ao abraço e completei. — Se precisar eu te aviso, não se preocupe.

Peguei minhas coisas e entrei na escola, ouvia os murmurinhos pelo corredor enquanto eu passava, não posso afirmar com certeza se estavam falando de mim, mas minha intuição dizia que sim.

O corredor parecia muito maior que o normal, eu sentia o corpo quente, a impressão que tinha era que eu estava caminhando pelos corredores da escola completamente nu, visto a forma como me olhavam e cochichavam.

Finalmente alcancei a minha sala de aula entrei e lá estava o Milo, no fundo da classe conversando com o Aioria, nossos olhos se encontraram e meu coração falhou uma batida.

...

Ir pra escola naquela manhã foi um grande pesadelo, meu pai fez questão de me levar, vi o Camus parado na porta da casa dele, mas entrei no carro do meu pai o ignorando.

Eu ainda não estava acreditando que ele ia embora, cheguei na escola com cara de bicho, meu humor definitivamente não estava dos melhores, ninguém ousou a falar nada comigo, eu ia descer a mão no primeiro que me dissesse alguma gracinha.

Entrei na sala chutando a porta, não, eu não estava louco, sabia que não tinha nenhum professor lá dentro, ainda era cedo, o Aioria estava lá copiando algum dever de casa e levou um susto quando ouviu o barulho da porta.

— Que mal humor é esse logo cedo? O que a diretora queria com vocês ontem? — Ele me perguntou tirando os olhos do caderno e me encarando, só então eu me dei conta que depois de toda aquela confusão de ontem eu não tinha falado com ele nem com ninguém.

Então contei pra meu amigo tudo que havia acontecido, o tiro pela culatra da diretora; que o Argol e a Shina foram desmascarados; e no final que o Camus disse que ia embora.

— E você tá puto com o cara porque ele vai ter que ir embora? Milo, o que você queria que ele fizesse? — Meu amigo me perguntou sensato.

— Eu não sei, mas não queria que ele aceitasse ir embora assim de boas, não queria que fosse fácil pra ele me deixar. — Expus o que estava sentindo.

— Milo, deixa de ser burro, vocês já tiveram a sorte de o pai do Camus ter deixado ele vivo, você queria mais o quê? Se fosse seus pais, você teria que ir embora também. — O Aioria continuou a falar quando vi o Camus abrindo a porta e entrando constrangido, ele estava vermelho como os seus cabelos, nosso olhos se encontraram.

Virei o rosto olhando para o outro lado, percebi que o Camus se sentou em seu lugar, enquanto ele estava de costas pra mim comecei a encara suas costas, seus cabelos rubros que eu amava.

“Caramba! Eu amo tudo nele!” — Pensei nisso e fiquei triste, a gente ia se separar.

Não consegui prestar atenção em nada na aula, percebi umas risadinhas no canto, mas não sabia se eram pra mim ou não, então fiquei na minha.

Eu havia sido exposto para a escola inteira, e agora era hora de arcar com isso. Não ia ficar brigando com todo mundo como um cão raivoso, eu tinha apenas que continuar minha vida e mostrar para as pessoas que eu não era diferente delas.

De certa forma era uma novidade para a turma também.

Senti alguém se aproximando de mim eu ainda estava distraído olhando para os cabelos do Camus quando ouvi a voz do Sirius. — Não quero jogar num time que tenha um viado, não quero frequentar o mesmo vestiário que você, não quero que fique me olhando enquanto eu tomo banho. — O animal falava alto para que todos na classe escutassem, o Camus virou-se para que pudesse ver o que estava acontecendo, notei seu olhar receoso, mas por incrível que pareça eu estava calmo, por dentro minha vontade era bater com a cadeira na cabeça do filho da puta, mas me controlei, olhei pra ele de forma blasè e respondi a sua provocação.

— Bem que você ia gostar, não é? Mas lamento Sirius você é muito feio, e realmente não faz o meu tipo, eu jamais perderia meu tempo olhando para uma coisa tão insignificante — Nesta hora fiz questão de olhar para suas partes intimas fazendo um gesto de pequeno com a mão —, quanto você.

Percebi que ele ficou vermelho e fez cara de poucos amigos, pelo que eu conhecia do meu ex-amigo, ele estava perto de explodir.

— Você é um viado, Milo e não vou descansar até que você saía do time, eles vão trazer o resultado de quem passou nas seletivas, quem vai entrar para os times de base do profissional e sei que você não tem a menor chance, viados não entram. — O Sirius rebateu cuspindo seu ódio em cima de mim.

Eu sabia que ele estava certo, dificilmente eu seria escolhido, não depois do Argol ter armado aquela confusão ontem.

Mas não me deixei abater, não para aquele otário na sala de aula, então retruquei novamente levantando da cadeira. — Cara, eu não to a fim de você, vai tentar dar pra outro, puta cara chato, larga do meu pé, não to com vontade.

Ouvi as risadas do povo da minha sala, o que era um bom sinal, não havia hostilidade geral em torno de mim.

— Sai fora, Sirius. — O Aioria pediu levantando também e encarando o nosso ex-amigo.

— Ui! Me confundi, você tá pegando o Camus e o Aioria também? — O Sirius perguntou irônico e olhando para o Camus, que não tirava os olhos da nossa confusão, falou. — Vai deixar, Camus, o Milo te trair assim? Talvez não, pra ser sincero acho que vocês são um bando de viados, só não sei quem come quem, se vocês dois comem o Camus, ou se...

Ninguém da sala ficou sabendo qual era a segunda opção das teorias nojentas do Sirius, pois perdi a cabeça e dei um soco na boca dele, mas, infelizmente para mim, o professor de matemática entrou na sala naquele momento. — Mas que diabos está acontecendo aqui? Sr. Milo por que estava agredindo seu colega?

— Eu não estava agredindo-o, este filho da puta que está me tirando do sério. — Retruquei sem paciência, mas talvez não tenha sido bom pra minha defesa.

...

Resultado: Fui enviado para a sala da diretora que abriu um sorriso debochado quando me viu.

— Ora, ora, senhor Milo, você por aqui novamente em tão pouco tempo. — A vaca falou com a voz mansa.

— Eu fui insultado por ele. — Respondi apontando para o Sirius.

— Eu fui agredido por ele. — O Sirius rebateu mostrando sua boca que sangrava.

— Lamento, senhor Milo, dessa vez não posso ser generosa com o senhor, pois estaria sendo conivente com seus atos, está suspenso. — A filha da puta da diretora falou com todo prazer do mundo, sério mesmo acho até que ela teve um orgasmo ao me dar a suspensão. Sinceramente por isto as coisas estão como estão, ele devia procurar ter orgasmos do jeito natural e não sacaneando jovens alunos indefesos como eu.

Obviamente a diretora não chamou meus pais para me pegar na escola como seria o de costume, ao invés disso ela me deixou plantado na diretoria até a hora da saída, ao menos ela deu uma suspensão ao Sirius também, acho que para evitar problemas com minha mãe.

*-*-*-*

Eu sabia que ia dar merda quando vi aquele garoto escroto provocando o Milo, conheço meu namorado, ou melhor, meu ex-namorado e sei como ele é pavio curto, com certeza não iria aguentar muito tempo.

Dito e feito o Milo saiu na mão com o escroto, eu e o Aioria até fizemos movimento para tentar apartar a briga, mas o professor chegou justamente naquele momento pegando Milo em flagrante deferindo socos na cara do Sirius.

...

— Aioria, a gente tem que fazer alguma coisa. — Falei nervoso andando de um lado para o outro.

— Não tem o quê a gente possa fazer, o professor o pegou no flagra. — O Aioria me respondeu de ombros baixos, as aulas daquele dia haviam terminado e estávamos próximo ao portão, logo a Marin e a Hilda se juntaram a nós.

— Camus, eu estava tão preocupada com você, como foram as coisas com seu pai? — Hilda me perguntou assim que me viu.

Contei as minhas amigas e ao Aioria o que tinha acontecido no dia anterior quando fomos chamados para a sala da diretora, e a conversa com meu pai, e finalmente que eu iria embora para Rússia.

— Pelos Deuses, Camus! Como o Milo reagiu a isso? — A Marin foi quem perguntou.

— Da pior maneira possível, ele terminou comigo. — Respondi triste.

— O quê? — Marin reagiu indignada.

— Mas que idiota, por que ele fez isso? — A Hilda perguntou também indignada.

— Por causa de coisas como esta! Porque ele vai ter que enfrentar todo esse ódio sozinho, porque eu não estarei aqui pra ele. — Respondi triste sentindo meus olhos arderem, neste momento o Milo saiu da escola nossos olhos se cruzaram, eu peguei minha mochila, coloquei nas costas e sai deixando meus amigos e o Milo pra trás, não queria ser ou dar mais problemas a ele.

Eu estava arrasado pensando nas coisas que o Milo passaria a partir de agora, todo o ódio e a incompreensão de todos, tudo de uma vez e eu não estaria aqui para enfrentar essas coisas junto com ele.

Sim, eu entendia o motivo dele estar magoado comigo, se eu estava com raiva de mim, imagina ele?

Cheguei em casa e me tranquei no quarto deixando o Degel, que estava na cozinha falando sozinho, eu não queria ver ninguém, estava triste e preocupado, como eu poderia ajudar o Milo?

Não tardou para o meu irmão bater na minha porta.

— Camus, sou eu abra a porta.

— Eu quero ficar sozinho, por favor. — Pedi deitado na minha cama, será que nem sofrer em paz eu podia?

— Por favor, me deixe entrar. — Ele tornou a pedir, então suspirei cansado, levantei e girei a chave destrancando a porta, voltei e deitei novamente. Logo meu irmão entrou no quarto.

— Camus, aconteceu alguma coisa? — O Degel perguntou me analisando.

— O Milo me odeia.

— Por que diz isso, o que houve, Camus? — Meu irmão insistiu.

— O Milo, ele... — Meu irmão ficou esperando eu contar o que tinha ocorrido, então eu continuei a falar — ... O idiota do Sirius ficou provocando o Milo na sala de aula, e ele até estava conseguindo se segurar, mas...

— Mas? — Encorajou meu irmão.

— Mas, você sabe que o pavio dele é curto e não deu outra, ele acertou um soco de esquerda na cara do idiota, e isso foi bem na hora que o professor estava chegando, daí ele foi parar na sala da diretora.

— Puxa! Que droga, e o que aconteceu?

— Eu não sei, vim embora assim que o Milo foi liberado, não esperei para saber o que tinha acontecido, Milo me odeia e ele está certo, ele vai ter que passar por tudo isso sozinho, eu não vou estar aqui pra ele, não vou estar aqui para proteger ele desse ódio que existe contra pessoas como nós. — Minhas lágrimas já caíam e eu escondi meu rosto no travesseiro.

— Que sandice, Camus... o Milo não te odeia, de onde tirou essa ideia? — Meu irmão perguntou tentando demover esse pensamento da minha mente.

— Ele mal está olhando pra mim, Degel. — Respondi triste. — Eu esperaria minha vida inteira pelo Milo, mas ele não está disposto a fazer o mesmo por mim.

— Camus. — Meu irmão começou tentando mais uma vez me consolar, mas eu o cortei.

— Acho que o papai tem razão, não devo mais ir para a escola, não vai adiantar nada e ver o Milo me ignorando só vai me fazer sofrer ainda mais. — Falei decidido.

*-*-*-*

— Não acredito que você terminou com o Camus! Milo, depois de tudo que aconteceu ontem... — A insuportável da Hilda começou a falar, ela e a Marin estavam me massacrando pela minha decisão.

Mas não sou de ouvir calado e logo fui me defender. — Pois é, depois de tudo que aconteceu ontem o Camus vai se mudar, ele vai embora, ele vai me deixar sozinho! Eu é que vou viver o inferno de ser o gay da escola sozinho, ele vai estar lá longe em segurança, enquanto meus dias serão assim como os de hoje. — Respondi irritado.

— Em segurança? A Rússia é um dos lugares que mais matam homossexuais do mundo! — A Marin se juntou à Hilda novamente, para me infernizar.

Paralisei com aquela informação, “o Camus correndo riscos na Rússia”, mas depois pensei bem e respondi. — Sim, mas basta ele ficar na dele que nada vai acontecer, ele pode ficar anônimo e tudo ficará bem, enquanto eu...

— Ninguém te obrigou a namorar o Camus, Milo, você fez isso porque gosta dele, sei que você não escolheu expor ao mundo a relação de vocês, mas uma vez que tudo foi descoberto cabe a você arcar com isso, como um homem. — A Marin voltou a falar bronqueando comigo.

— É fácil pra vocês falarem, nenhum de vocês vai ter que passar pelas mesmas coisas que eu, nenhum de vocês vai ficar longe da pessoa que ama. — Tornei nervoso, peguei minha mochila fui para casa, irritado deixando aquelas duas esbravejando pra trás.

...

Haviam se passado três dias e o Camus não estava mais indo para a escola, ele me mandou algumas mensagens no primeiro dia, mas apaguei sem ler. Depois ele foi na minha casa umas duas vezes, mas não quis vê-lo.

Eu ainda estava com raiva, mas cada dia longe dele estava despedaçando meu coração.

Naquela dia tínhamos treino, estávamos todos de volta ao time, inclusive o Argol, não estávamos nos falando por motivos óbvios, o Sirius falava comigo apenas o necessário e só porque ele tentou me colocar para fora do time, dizendo que não jogaria com um gay, mas geral respondeu que se tivesse que sair alguém do time que fosse ele.

— Olha só o que acabou de chegar! — O treinador Shion chegou sacodindo um envelope grande.

Todos paramos e ficamos olhando para ele, “só pode ser o resultado da seletiva” — Pensei ansioso e não deu outra.

— Vamos ver se algum de vocês passou para jogar no estadual. — O Shion falou dando um ar de suspense a todos nós, ele retirou um papel e começou a ler, eu estudava seu semblante que começou com um sorriso e depois foi franzindo a testa como se algo estivesse errado.

— Bom temos dois ganhadores da bolsa integral. — O treinador falou eu olhei para o Aioria sorrindo, torcendo para que fossemos nós dois. — Aioria parabéns.

Meu amigo sorriu e gritou festejando ganhando meu abraço e tapinha nas costas do Aldebaran e do Siegfrid, logo paramos para voltar a escutar o Shion, queríamos muito saber quem era o segundo sortudo.

— Parabéns você vai ter a companhia do Argol. — Houve um grande silêncio, acho que nem mesmo o Argol acreditou naquilo.

Eu fiquei imóvel, os outros caras deram tapinhas nas costas do Argol, não tão efusivas quanto os cumprimentos dados ao Aioria.

O pulha me olhou cínico, tive vontade de sair dali, mas o Shion me chamou.

— Milo, você também foi escolhido — abri um sorriso e recebi os cumprimentos dos caras e principalmente do Aioria, mas Shion parecia sem graça, me desvencilhei dos caras e voltei minha atenção ao treinador. —, mas inicialmente sua bolsa vai cobrir apenas trinta por cento das suas despesas com alojamento e alimentação, e inicialmente não receberá nenhum auxílio financeiro para as despesas extras.

Na hora me deu uma forte dor de cabeça.

— Você está dizendo que eu terei que pagar para treinar no time profissional? — Perguntei confuso.

— Inicialmente, sim. — O Shion me respondeu.

....

Voltei para casa pensando nas palavras do meu irmão em uma conversa que tivemos quando eu contei para ele que eu e o Camus estamos juntos.

Recordação...

— Maninho não tenho motivos para zoar você, se apaixonar pelo melhor amigo não é engraçado, ser gay não é engraçado.

Eu nada falei, o vi sentar nas almofadas do meu quarto.

— Milo, você tem noção das coisas que vai enfrentar com essa escolha, não tem?

— Como assim?

— Você vai sofrer preconceitos, Milo, muito dos seus amigos irão mudar com você, irão esfriar ou mesmo terminar a amizade. — Kárdia estava me explicando sobre as coisas que eu passaria. — Sempre vai haver conversinhas as suas costas, sempre vai ter alguém apontando para você onde quer que você vá, você vai ficar com a dúvida constante se estavam falando sobre sua vida amorosa ou se estão falando sobre o tempo realmente, mas não vai poder sair brigando com todo mundo.

Sentei na cama prestando atenção nas coisas que meu irmão me dizia.

— Milo, é preciso ser muito homem, ser muito corajoso para se assumir gay, para sair do armário, para viver isso em sua plenitude. — Concluiu meu irmão.

— Não tenho medo, Kárdia, eu amo o Camus e para ficar com ele enfrento tudo.

...

Naquele momento tomei uma decisão, eu iria mostrar ao mundo que ninguém mexe com Milo Scorpion assim, eles querem me desafiar por ser gay? OK! Desafio aceito!

Voltei pra casa decidido, e também decidido a procurar o Camus e me desculpar, eu o amava e o esperaria o tempo que fosse, pra mim só bastava a certeza de que ele iria voltar pra mim, ou que eu iria até ele.

Cheguei em casa encontrei meu irmão na sala ele estava estudando alguma coisa, acho que era para o teste que ele tinha em alguns dias, minha mãe estava na cozinha terminando o almoço. Fui até meu quarto e deixei meu material escolar lá desci as escadas indo até a porta.

— Tá indo pra onde, Frank? — O Kárdia me perguntou sem tirar a cara do livro.

— Quero falar com o Camus. — Respondi já saindo.

— Ei, Milo espera, o Camus não está mais aí. — O Kárdia me anunciou a queima roupa, fazendo meu coração parar de bater.

— O quê? — Perguntei sentindo o coração bater mais fraco.

— Eles foram embora, Milo, o Hyoga tinha que se apresentar no Bolshoi na próxima segunda, então o Crystal viajou mais cedo. — O Kárdia me falou voltando a olhar para o seu livro me deixando estancado na sala em frente a porta.

— Isso é mentira, não é? — Perguntei sentindo a cor deixar meu rosto.

— Infelizmente, é verdade. — Ele falou novamente ainda olhando para o livro.

Eu apertei as mãos tentando controlar meu nervoso, mas foi em vão, então saí correndo para a casa do Camus e toquei a campainha.

Nada.

Toquei novamente.

Nada.

Então eu comecei a bater na porta.

Desesperado eu batia na porta e gritava. — Camus, abra a porta! Camus, por favor, abre eu quero falar com você. CAMUS!

Nada.

Senti uma mão no meu ombro, virei achando que veria meu namorado, mas era apenas meu irmão.

— Sinto muito, Milo.

— Ele não podia ter ido embora sem falar comigo antes! — Tornei ainda em desespero.

— Ele tentou, Milo, ele ligou, foi lá em casa, tentou te enviar mensagens, mas você não respondeu a nenhuma, você chegou a ler as mensagens que ele te enviou?

Neguei com a cabeça, eu apaguei as mensagens sem ler, não queria sofrer. Mas nada tinha adiantado, agora eu estava sofrendo o dobro.

— Eu só queria dizer a ele que eu o amo e que iria esperar por ele, sempre vou esperar por ele.

— Vai esperar por ele?

— Sim, vou esperar por ele, eu queria a chance de dizer isso a ele. — Falei chorando.

— É mesmo? — Meu irmão falou com um sorriso malicioso que eu não entendi, depois me abraçou e fomos pra casa. — Vou ver se eu posso fazer alguma coisa pra te ajudar quanto a isso

*-*-*-*

Eu estava realmente abalado com tudo que havia acontecido nos últimos dias, meu sonho virou um pesadelo.

O Milo estava me afastando, me ignorando e aquilo doía muito, tentei por várias vezes falar com ele, mandei mensagens, fui até a casa dele, liguei e ele nunca estava disponível pra mim. Não fui mais para a escola, meu pai tinha que ir para a Rússia logo, pois o Hyoga precisava se apresentar, o Degel o convenceu a me deixar ficar com ele por mais alguns dias, uma vez que o papai teria que voltar para terminar de resolver o resto das coisas antes de irmos de vez.

Fui com minhas coisas para a casa do Degel e do Kárdia, a casa era pequena, um quarto e sala, mas era bem aconchegante, pois apesar de simples eu conseguia ver o toque do meu irmão nas menores coisas.

Eu ia dormir com meu irmão até que o Kárdia chegasse, coisa que deveria acontecer no fim de semana.

— Camus você precisa sair dessa fossa, precisa se alimentar direito. — Degel aconselhava preocupado.

— Não tenho fome Degel. — Respondi inexpressivo, estava sem vontade de nada.

Meu irmão acariciou meu rosto quando seu celular tocou, era o Kárdia, então ele se afastou para conversar com o namorado. E eu fiquei escutando o dialogo monossílabo do meu irmão

— Oi. (amoroso)

— O quê? (surpreso)

— Não sei. (Na dúvida olhando pra mim)

— Tarde pra isso, não? (Indeciso de costas para mim)

— Eu sei. (Acho que o Kárdia estava ganhando)

— Mas o que você sugere? (...)

— Kárdia!!! (Com certeza meu cunhado sugeriu sexo, meu irmão ficou vermelho)

— Não sei. (Indeciso novamente)

— Tá ok. Ok vou ver o que posso fazer. (O Kárdia sempre consegue)

— Também te amo.

Essa última frase meu irmão disse ficando vermelho, ele sabia que eu estava observando. Não entendi nada da conversa, quando ele desligou o aparelho ficou me encarando e do nada falou. — Camus preciso ir até a faculdade e queria que você viesse comigo, quero te mostrar o lugar onde estudo.

Eu não estava muito com vontade de sair, mas estava menos disposto a ficar tentando convencer meu irmão a me deixar ficar.

Por isso nem questionei, arrumamos as coisas do almoço e saímos.

...

Meu irmão me levou para a faculdade onde ele estuda, me mostrou o local, conheci todo o campus, conheci os laboratórios e depois fomos para a biblioteca onde ficamos horas, três para ser mais exato, nem acreditei quando ele falou que íamos embora, eu estava exausto de fazer nada o dia todo.

— Camus, pode ir subindo, vou comprar umas frutas. — Meu irmão falou e aceitei sua sugestão, estava morto, queria uma cama.

Quando entrei no apartamento quase gritei tamanha foi a emoção de ver o Milo ali.

— Oi.

Ouvi ele me dizer com a voz emocionada.

Notas finais
Ai gente o real motivo de eu ter demorado de escrever esse capítulo é que eu chorava e não conseguia dar razão a nenhum deles, pois eu consigo entender que o Camus não tem o que fazer e o Milo coitado, tem todos os motivos do mundo pra se sentir puto. Então será que eles vão se acertar? Será que vai dar tudo certo? A fic ta acabando, mas não posso precisar quantos capítulos ainda teremos, visto que esses dois tem vida própria e vontade própria, uma coisa que posso adiantar (Será que é Spoiler?) é que .... A não, sem Spoilers!!! Quem quiser entrar no grupo do Facebook sobre as minhas fic este é o link >>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/